"Ah! Eu sou Tôgúrô!" — Torcida do Torneio das Trevas
Postado em 5 de dezembro de 2009 às 07:04 por Mirabolante

angel

Conforme fui lançando resenhas aqui no JBox, notei que muitos termos e fases da produção de um mangá pela editoras são desconhecidos para muitos leitores. E, de fato, é um assunto complicado, já que as informações que recebemos são sempre fragmentadas e variam de empresa para empresa.

Foi pensando nisso que pesquisamos e montamos este artigo. Espero que seja útil e ajude os leitores a entender os processos e etapas que um mangá sofre antes de chegar às nossas mãos.

Inicialmente a editora vai fazer uma pesquisa, qual o público que ela tem e quer atingir, suas concorrentes, normalmente analisam o sucesso dos títulos nos Estados Unidos ou na Europa – e quem sabe até deem uma olhada nos mais procurados e baixados nos scanlators brasileiros. Tendo isso em mente, escolhe-se uma obra.

O primeiro passo, após a editora decidir o que ela quer lançar, é negociar com a detentora dos direitos. Existem várias formas de se fazer isso, por exemplo, pode-se contratar uma empresa para fazer a ponte entre as duas, comprar os direitos numa representante oficial ou lidar direto com a empresa. Exemplo de algumas intermediadoras: a Viz Media, a Tuttle-Mori Agency e a Topaz Agency.

Feito o pedido a editora original ou empresa responsável analisa os dados de público e interesse, experiência da editora, para então decidir se vai ou não negociar a licença. Uma empresa dessa não é obrigada a negociar as licenças que tem, por isso nem sempre estão disponíveis ou tem interesse no Brasil. Tendo a empresa aprovado, é feito um contrato. Nesses contratos pode haver vários tópicos, como tamanho e formato que deverá ser lançado o título, exigências de tipo de material, forma de entrega do original, forma de pagamento, condições de renovação, tipos de direitos de uso adquirido, dentre muitos outros possíveis.

Além do valor inicial para compra da licença do título, normalmente é pago também uma porcentagem em cima das vendas. Por isso, quanto menos o título vende, maior é o preço da licença repassado por volume.

No caso de títulos em andamento no país de origem, ele precisa ser constantemente renegociado ou renovado para abranger os novos volumes.

Caso tenha interesse em saber mais sobre esse processo, na entrevista feita pelo JBox, o editor-chefe da JBC, Marcelo Del Greco, comenta alguns desses quesitos no caso específico da editora.

Resolvido toda a parte burocrática e assinado a licença legal, a detentora dos direitos envia o material para a editora brasileira. O contrato pode abranger o recebimento do material em meio digital em CD ou DVD, sendo que esse pode já estar com algumas coisas apagadas, como balões, falas fora de balões e onomatopeias. Geralmente se paga a mais por esse serviço e o preço varia muito. Além desse material, a editora recebe os volumes impressos do mangá.

Recebendo ou não no meio digital, o processo é o mesmo (sendo ele feito no Japão, na Coréia ou no Brasil), desmonta-se o mangá, escaneia-se página por página, alinha-se as páginas, ajeita-se os tons de branco, cinza e preto (Grayscale) utilizando os “níveis” (levels) e “contraste” (contrast). Às vezes acontece da editora receber os arquivos digitais com algo apagado a mais ou algum erro, neste caso a editora brasileira tem que reescanear.

Enquanto isso um volume original em papel é entregue e repassado para o tradutor e depois para um adaptador e um revisor. Essa etapa pode ser mais complexa e passar por várias pessoas ou ser feita por apenas uma, o que varia de editora para editora. No caso da Panini, por exemplo, o material passa por várias revisões e avaliações, inclusive depois da edição ter sido concluída. Esse processo inclui os Tradutores, Revisores, Adaptadores, Assistentes de Tradução e Assistente de Revisão.

Empresas como a JBC e a Panini atualmente só traduzem do original, mas anos atrás a tradução de versões americanas ou francesas eram muito comuns. Terminados todos os processos o texto é passado para a edição.

Na edição, já tendo o mangá em meio digital é necessário apagar as falas japonesas. Esse processo de “limpeza” das páginas pode ser feito (ou parcialmente feito) pelas editoras originais. Geralmente se utiliza programas de edição de imagem, como o Photoshop, FireWorks, etc.

Em alguns casos as falas estão sobre um padrão ou sobre a arte, nessas situações existem duas coisas que podem ser feitas. A primeira, a maneira fácil, é colocar um quadro branco sobre a fala original, essa prática é extremamente não recomendada, além de feio visualmente, perde-se parte da arte original. A segunda é a reconstrução, ou seja, se desenha ou copia a arte tampando as letras japonesas. Esse ato de “copiar” pode ser chamado de “clone”, “clonagem” ou “carimbo” devido ao nome americano e português da ferramenta que se usa. O “clone” é muito usado para se refazer as retículas, que são padrões e “redes” de pontos, flores, estrelas, círculos, etc. Essas retículas são compradas de empresas especializadas, por isso é muito comum vários autores usarem a mesma.

Em certo aspecto a produção dos quadrinhos orientais é ultrapassada, os autores não guardam versões sem as falas, até porque muitas dessas falas são feitas à mão, como parte da arte. São pouquíssimos os mangakás (autores) que utilizam o computador. E é por isso que toda a editora tem sempre que primeiro desfazer o trabalho oriental para depois colocar os textos em português. Esse processo, às vezes chamado de “clean” ou só “edição”, pode ser o mais trabalhoso dependendo do estilo do autor.

Depois dele vem o “typeset”. Em algumas editoras é chamado de “letras” e nessa etapa as falas do documento são posicionadas nos seus devidos lugares com uma certa fonte e numa certa inclinação. As fontes são escolhidas de acordo com o estilo do mangá, algumas delas são heranças das fontes usadas nos “comics”. Algumas editoras ignoram e atropelam o estilo de fontes do autor, padronizando tudo com apenas uma.

Vale a pena comentar que as fontes no Japão são usadas para indicar o tipo de voz,  de emoção e o volume da fala. Existe uma certa padronização, apesar de certos autores terem fontes pessoais, além de algumas também variar de acordo com o estilo da obra. Alguns Shoujos (mangás voltados para o público feminino) podem ter mais de 20 fontes diferentes, Ouran Host Club é um bom exemplo.

É muito difícil achar um mangá no Brasil que siga fielmente todas as fontes, geralmente escolhe-se algumas e utiliza-se o negrito, itálico e variação de tamanho para representar as fontes menos expressivas. Em outros casos pode ser até criado um padrão diferente do original ou, como foi dito acima, usar apenas uma.

Além das fontes, as falas num mangá podem ter inclinações e efeitos, essas características são usadas para representar falas secundárias, falas de fundos, gritos, cochichos ou dar destaque em emoções ou expressões. Os efeitos podem ser desde brilhos e contornos em volta da palavra (que também é usado para textos que ficam sobre o desenho, para facilitar a leitura), padrões dentro das letras e até deformações (como em forma de onda, circular…).Todas essas características variam de autor para autor e definem o estilo pessoal do mesmo.

O processo de colocação das falas também inclui a centralização. Centralizar significa que o centro do texto está diretamente sobre o centro do balão, em outras palavras, o espaçamento da direita e da esquerda, de cima e de baixo devem ser iguais. Esse processo pode ser muito mais complicado do que aparenta, nem todos os balões são circunferências perfeitas. Sendo assim, para centralizar num balão deformado deve-se imaginar um círculo ou elipse que melhor se assemelhe as dimensões do balão e assim marcar um centro. Vale a pela chamar atenção ao trabalho de Donizeti Amorim, da Panini, que tem umas das melhores centralizações do mercado.

É interessante que no Japão não existe centralização, as falas são alinhadas no limite superior e “caem em efeito cascata”. Essa mania de centralização tanto do texto quanto no balão é, novamente, uma herança dos comics e quadrinhos europeus. Em alguns casos os editores usam o texto alinhado na esquerda ou direita, por exemplo, a Panini margeia na esquerda as narrações fora dos balões e quadros e a NewPop usa ambos os alinhamentos para quando a fala está naqueles balões que representam 1/2 ou 1/4 da circunferência.

Quanto às onomatopeias, às vezes são editadas, ou seja, substituídas totalmente pela em português, ou apenas legendadas. Alguns anos atrás todos os mangás tinham onomatopéias editadas, muitas delas americanizadas. Essa prática era devido à cultura dos “comics”, mas após pedirmos incessantemente as editoras mudaram e passaram a apenas legendar as onomatopeias, mantendo as originais. Nos dias de hoje é difícil ver versões como onomatopeias editadas, mas ainda existe.

Quanto a esses processos, a Elza Keiko, em Otomen 1, comentou as particularidades da empresa, vale a pena dar uma lida.

Ao final de tudo ainda fica faltando as revisões finais (Quality Check), a produção da capa e a organização do material preparando-o para a gráfica.

No Brasil cada editora prepara a capa de uma forma. A JBC, por exemplo, adora utilizar as capas americanas adaptadas. A Conrad é conhecida por fazer as próprias capas, apesar de também ter várias capas que são só adaptações das japonesas. A Panini utiliza as japonesas e adapta, apesar de ter um ou outro mangá onde são obrigados a inventar bastante e bem constantemente trocam as cores (por causa de certos padrões de impressão) e detalhes das capas originais.

Todos esses processos são sempre gerenciados por um Editor Chefe ou Editor Sênior, que é o responsável pela equipe. A produção da capa, de algumas revisões e da edição propriamente dita são feitas pelos Editores. O fechamento do material, revisões e retoques finais também podem ser feitos por Assistentes Editoriais. E o processo de “letras” é feito por um Letrista.

Tendo concluído tudo e passado por diversas revisões, o material é encaminhado para uma gráfica, geralmente contratada, que é encarregada da impressão e encadernamento dos volumes. Após esse processo as obras são repassadas para uma distribuidora, também contratada, que é encarregada da distribuição dos mangás para lojas, livrarias e bancas no Brasil.

Essa distribuição pode ser setorizada ou unificada. Na unificada os volumes são encaminhados para todo o Brasil ao mesmo tempo. Na setorizada a empresa divide o país em setores, no caso é comum ser dividido em setor 1: São Paulo e Rio de Janeiro e  setor 2: o resto do país. Primeiro os mangás são enviados ao setor 1, passado um pouco mais de um mês (as vezes bem mais) são recolhidos, organizados e repassados para o setor 2. Além da óbvia defasagem de tempo entre a entrega para os dois setores, não muito raramente os mangás do setor 2 vem com erro, sem plastificação ou acontece de pular um número. É muito comum que muitos mangás não cheguem às cidades do Centro-oeste e Norte. Algumas empresas menores só distribuem nas duas grandes metrópoles e o único jeito de se adquirir os títulos é via lojas virtuais.

Bom, em termos gerais é isso. De cabo a rabo. Agradeço a ajuda da Maya e do Cloud com a pesquisa e as informações (dadas diretamente ou indiretamente) pela Elza Keiko (Panini), Jr Mendes (NewPop) e Marcelo Del Greco (JBC).


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Mirabolante
Colaboradora do JBox desde setembro de 2009. Adora xingar a JBC (é o que dizem), é má influência pro Dudu (vide resenhas da JBC) e está trancada dentro de um armário desde 2012 (vide caixinha do Cloud).

56 Comentários

  1. #1
    maya-chan:

    Caraca!Com certeza é um trabalho mto árduo,q tem q ser bem feito

  2. #2
    rod:

    wassatNOSSA!

    apesar de quase respirar mangas(bem ate respiro quando eles caem em cima de min)nao sabia de metade do processo geral. sad

    muito legal a materia Allena, belo trabalho smile smile smile smile smile smile smile smile smile

    ps:ganhou mais um entre seus milharesde fans tongue laughing

  3. #3
    Horo-Horo:

    Poxa, eu queria muito trabalhar nessa linha editorial, mas não faço idéia de como fazer… adoro esse trabalho de edição O _O

  4. #4
    Klaus:

    Realmente não é facil não… Allena… Nova por aqui é???
    Seja muito bem vinda o/

  5. #5
    Filipicloud:

    Muito esclarecedor. Parabéns pela matéria!

  6. #6
    fernando_mangaka@hotmail.com:

    o japão, um pais tão organizado com metodoso de trabalhos bem definidos, imaginei que mandariam os aqruivos totalmente abertos, ficando muito mais fácil a edição.
    O processo é trabalhoso, mas fácil para quem entende de diagramação, layout, e impressão. Só tem que ser extrematente atencioso e o arquivo final muito bem revisado.

  7. #7
    Allena:

    Horo-horo, se quiser aprender a editar você pode buscar scanlators que ensinem. :3

    Klaus, relativamente nova. Eu sou a moça mangá. XD Ou a CSI mangás como o Cloud diz.

  8. #8
    Meiko Yoshimura:

    Adorei a materia, sempre quis conehecer mais sobre o mundo da adaptação, já sabia que era um trabalho árduo, mas confesso q fiquei de boca aberta tongue.

    Só mais uma coisa… Vocês usaram a imagem de Angel Sanctuary como exenplo bom ou ruim de adaptação?

  9. #9
    Allena:

    Meiko, foi o Cloud que fez a imagem, mas te garanto que é só uma imagem ilustrativa aleatória. Não representa um exemplo em si, mas sim uma chamada para demonstrar que se trata de um assunto sobre mangás.

    Mas sobre a sua pergunta, faz um tempão que li AS, se não me falha a memória, ele tinha uns erros de recontrução, mas é só isso que me lembro @.@

  10. #10
    Allena:

    Fernando, parece mais complexo e assustador do que realmente é, como você disse, um profissional da área faz isso naturalmente. Basta uma equipe de bons profissionais comprometidos e bons revisores.

    O ruim é que no inicio quem fazia as edições eram jornalistas ou diagramadores de jornais e revista sem nenhuma experiência. Quando para algumas reconstruções é necessário alguém que saiba desenhar.

  11. #11
    Hayashy:

    INTERESSANTE esta matéria, mas ja imaginava tudo isso na minha cabeça. =) Boa matéria, Allena. Continue nos informandos tudo na área de mangás! ^^

  12. #12
    Claudio:

    muito legal a materia Allena, belo trabalho

    Depois deste imenso convicto titorial das edições brasileiras nos mangás, ela chamada de moça, dama, senhora que não sei idade como a Allena preferir está aprovada em fazer as estreias de materias dos principais titulos das animações nipônicas dos animes no JBOX, assim teremos grandes resenhas que falta como Dragon ball , Z, GT, cavaleiros do zodiaco, Zathbell, Mirmo Zibang, Ranma, Bleach entre muitos outros com mais entretendimento na edição claro que o chefe tio cloud vai concorda na sua participação que continue com sucesso.

    smile wink

  13. #13
    R. Moss:

    Bem interessante (mas tenho uma informação de bastidores que desmente, ou desmitifica, um dos parágrafos que você escreveu).

    Ainda sim, texto bem bacana mesmo, ilustra bem mas… ficou meio que uma visão romantizada do assunto. Talvez só eu ache assim, e vou me abster de outros comentários, porque o “mercado” brasileiro de mangás é um de meus maiores inimigos. É um monte podre, com gente podre (nem todas) fazendo coisas podres e rindo da cara dos compradores.

    Mas o artigo ficou bem legal mesmo, parabéns pela pesquisa.

  14. #14
    José:

    poxa, bastante coisa hein? vo me lembrar disso no próximo mangá que eu comprar smile

  15. #15
    Allena:

    Obrigado pelos elogios e apoio, sinto-me realizada por ter sido útil <3

    Cláudio, obrigada pela permissão, rs, mas eu odeio anime (a maioria deles). Eu gosto de ler, em especial quadrinhos. Não sou "otaku", sou geek de quadrinhos. Quando quiser resenhas sobre quadrinhos europeus, americanos, africanos, etc, eu faço. XD Mas animação e games… Bleh

  16. #16
    Allena:

    Moss, diga o que tá errado, não me mate de curiosidade.

    Eu simplifiquei sim, imensamente. Imagina eu ficar aqui explicando literalmente profissional por profissional. Depois ainda tem o “problema” das empresas maiores ter um mol de funcionário envolvidos. Minha intenção foi falar por cima mesmo. Sem me preocupar com termos técnicos ou procedimentos mais detalhados.
    Quem tiver uma curiosidade além disso, sugiro um estágio em gráficas e editoras! xD

  17. #17
    anon:

    Angel Sanctuary tinha letreiramente feito a mão e limpeza feita com corretivo. laughing laughing laughing

  18. #18
    Biguá:

    E pensar que (a maioria) das editoras tem um trabalho de reconstrução inferior a (alguns) scalators….

    pena que eles não empregam essa mão de obra ;p

  19. #19
    Claudio:

    Cláudio, obrigada pela permissão, rs

    Incrivel que eu fiz uma editora da noticia ficar feliz com meu comentario, e quem dúvida vale para os leigos do aprendizado a internet a sigla RS que dizer rizadas.

    e um agradecimento a você Alenna por mim Claudio

    wink

  20. #20
    Claudio:

    mas eu odeio anime (a maioria deles)

    qual seria essa menoria dos animes, que eu não acredito que você não gostar da maioria, podia falar simplesmente sem ter a doença do odio por que reflete a opinião dos outros que isso causa uma rejeição a outros comentarios.

    wink

  21. #21
    Claudio:

    Quem tiver uma curiosidade além disso, sugiro um estágio em gráficas e editoras! xD

    Eu mesmo sei desenhar animes e doujins bem de lapis e até de caneta sem errar pra não dizer tudo 100 por cento que todo mundo não é perfeito eu sei desenhar uns mais 90 poucos por cento de qualidade em alta qualidade o uinico ponto fraco a mim e ter as pespectivas de cenarios más já com isso estou caminho com meu curriculo atraves da incrições em iternet, cartas nessas editoras em geral no país seja estrageira ou nacional. smile wink

  22. #22
    R. Moss:

    Não tem nada de errado.

    É só uma informação privilegiada que tenho que iria esclarecer muito um de seus parágrafos. Não que seu artigo esteja errado (me expressei mal), mas é algo que, aparentemente, as editoras não querem que se torne público.

    eu odeio anime (a maioria deles). Eu gosto de ler, em especial quadrinhos. Não sou “otaku”, sou geek de quadrinhos.

    @_@ Se não visse seu nome antes, acharia que eu mesmo escrevi isso.

  23. #23
    Allena:

    OMFG, Biguá O_O
    Sua edição é com toda a certeza superior ao comercial. (diga-se de passagem sou sua fã)
    Muitos scantrads tem uma edição muito boa mesmo, eu mesma edito muito bem, apesar de sérios traumas com mãos e pés. Até fiquei com raiva da Elza quando ela disse que a edição de scanlators não era tão boa quanto as profissionais.
    Sempre me perguntei por que as editoras não aproveitam esse pessoal. Mangás editados pelo Biguá seria o paraíso na terra *•*

  24. #24
    Allena:

    Claudio, eu gosto de trabalhos detalhados, com arte. Não desenhos comerciais com apenas conteúdo cômico. Mononoke por exemplo é um anime bonito, os do estúdio ghibli, aquele ergo proxy.
    A maioria não tem conteúdo no quesito arte ou roteiro mesmo. Muitos mangas também não tem, são só comerciais. O que me interessa são obras embebidas de cultura e alma dos autores, ou história criativas e inéditas que mexam com a minha imaginação, ou história que consigam captar a essência do ser humano e que se mesclem a quem você é, ao ponto de você sentir que aquilo foi escrito para você. Enfim, eu sou o tipo que acha que diversão sem conteúdo não presta.

  25. #25
    Allena:

    Moss, o que eu te fiz? Que vingança maligna! Tô me mordendo de curiosidade xD

    @_@ Se não visse seu nome antes, acharia que eu mesmo escrevi isso.

    haha, bem vindo ao clube, somos uma raça rara meu caro.

  26. #26
    Tijolo:

    Legal o texto, parabéns.

    Inicialmente me assustei pra logo depois rir bastante. Isso aconteceu porque eu já fui “editor de mangá” na internet no inicio do século, quando o mangá começava a engatinhar aqui (2000~~2003). Praticamente tudo que você disse, desde mexer no grayscale até o carimbo eu fazia. É engraçado porque eu sempre pensei que o trabalho profissional seria em outro nível e que nada se assemelharia com o amador que pratiquei. Mas pelo visto a maior parte é igualzinho. Aliás o nosso era pior, porque as raws que a gente tinha, principalmente na época, eram horríveis. Eram tortas, sujas, com a tonalidade zoada e com total erro de escaneamento. Tinha que se fazer verdadeiros milgares.

    O fato interessante é que naquele tempo o que a maior parte dos novatos tinham dificuldades era na centralização. Era impressionante como sempre erravam nisso, algo que eu achava extremamente simples. Só com o tempo eles conseguiam diferenciar o que um texto bem centralizado fazia.

  27. #27
    Allena:

    Tijolo, te entendo perfeitamente. Eu também sou editora, fazemos exatamente o que eles fazem, no nosso caso uma pessoa faz tudo aquilo, no deles tem umas 5 pessoas xD Olha como somos capacitados!

    Você e o biguá são dois dinossauros. XD

    E sinto te informar, os novatos continuam se matando para centralizar, reconstruir e enxergar as fontes japonesas! XD

  28. #28
    misa hayase:

    e ainda tem viralata que pega no pé da moça.
    parabens pela matéria Allena. esteve 10.
    mas será que uma tal “editora revolucionaria”
    que distribui “brindes atópicos” em seus mangás
    tambem tem esse trabalho? wassat wassat smile

  29. #29
    Spider-Phoenix:

    Allena, excelente artigo! Achei muito interessante e incrivelmente esclarecedor. Muito obrigado por disponibilizar esse material para nós.

    Parabéns pelo excelente trabalho de pesquisa wink

    E por favor seja bem vinda para participar das discussões com a gente wink

  30. #30
    Otakemo:

    Eu não posso deixar decomentar, tá de parabens eu ficava um tempão imaginandocomo era feito o processo de edição e tradução dos mangás bem esclarecedora laughing

  31. #31
    Keiko Maxwell:

    Parabens pela materia… Realmente, o trabalho nao muda muito do amador p/ o profissional.
    Para quem quiser aprender a editar, scanlations sao uma boa, alem de q estao sempre buscando gente. Eu comecei em um e hj busco me profissionalizar na area.
    Agora p/ quem, assim como eu, quer trabalhar com isso, existe o superior em editoracao ou producao editorial, que trata exatamente da edicao e diagramacao de midias impressas.

  32. #32
    r.kun:

    Aee, Allena, sempre com ótimas matérias. Descrição perfeita da chegada dos mangás ao Brasil. Espero que inspire alguns a montarem editoras do gênero

  33. #33
    Nikorasu:

    Ficou muito boa a matéria eu fiquei pensando sobre a parte dos scanlators tem muita gente q realmente sabe fazer uma edição e que se trabalhassem em editoras realmente teríamos trabalhos muito bons e que venham mais matérias como essa. smile smile smile smile

  34. #34
    Derek:

    Bom, eu simplismente adorei essa materia. Allena, muito obrigado! Esclareçeu milhares de coisas que eu não sabia. Algumas eu já tinha uma ideia de como era.

    Sua materia e quase um espelho, se posso dizer assim xD! De como e trabalhoso trazer mangás para o nosso pais.

    Estou muito grato pelo seu esforço de fazer uma materia tão ou quase detalhada de como é duro o trabalho das pessoas que traduzem editam, revisão… Olha, com certeza irei olhar um mangá com outros olhos. Muitissimo obrigado Allena! Espero ver miUtas outras materia suas sobre mangás ^^

  35. #35
    Sano:

    Uia… muito boa a matéria mesmo! Achava que os mangás eram enviados de forma digital pra edição posterior.

  36. #36
    Sasuke Shinoda:

    Tanto esforço e ainda conseguem fazer um trabalho inferior a alguns scanlators, definitivamente essas editoras são uma piada (de muito mal gosto!).

  37. #37
    gregorio:

    Adorei a materia. Allena, que garota ensanguentada é essa? pelo que sei, a maioria dos animes tem roteiro baseado em mangás, e a maioria dos hqs americanos e japas são bem comerciais. Aliais, a tendencia do “capetalismo” é tranformar tudo em produto. Shin-chan que o diga! laughing

  38. #38
    vincent_valentine:

    Tijolo, te entendo perfeitamente. Eu também sou editora, fazemos exatamente o que eles fazem, no nosso caso uma pessoa faz tudo aquilo, no deles tem umas 5 pessoas xD Olha como somos capacitados!

    Você e o biguá são dois dinossauros. XD

    quando eu tentei criar um scanlator o minimo de pessoas envolvidas por projeto era 3, que variava até 5; isso para diminuir erros, e cada um fazer a parte que lhe era mais compativel.

    sim, na edição o trabalho é praticamente igual, apaga-se as falas originais, reconstroem fundos (alias, reconstrução de fundos começou com os scanlators, a conrad nunca recontruiu, sempre colocou fundo branco ou fundo preto, a jbc apenas apagava o fundo até pelo menos uns 3 anos atrás; creio que esse tipo de procedimento originou com alguns scanlators, e a panini aderiu a partir da formação da equipe planet mangá, e depois a jbc)

    as maiores diferenças do amador para o profissinal (alem é claro da parte de aquisição do direito de publicar) seriam:
    resolução: as editoras recebem ou já digitalizado pelo autor em altissima resolução em cds, ou digitalizam elas mesmas (a panini faz essa digitalização em 1200 dpis, e na hora de mandar para a gráfica diminui para a resolução padrão que é de 300)

    já scanlators tem que depender da boa vontade de japas escanearem (as vezes em baixa definição, apropriada para o monitor e para a internet, muito raramente eles mesmos escaneam o material.

    a parte de tradução é o grande hiato, na maioria das vezes a scanlator tem de traduzir a partir de outra tradução amadora, geralmente em ingles, já nas editoras, tradução da tradução é excessão, como o caso do guilherme briggs à frente da tradução de tenjou tenge).

    adaptação e revisão tambem, muitas vezes se vê uma tradução totalmente literal do ingles, lógico que não são todos, mas muitas vezes se lê um “não pode ser ajudado” ou erro com falsos cognatos como por exemplo usual traduzido como usual e eventually como eventualmente entre outros; já com profissionais, erros são mais raros, embora já tenmha notado umas falhas de digitação de texto, ou o uso de gerundismo em xXxHolic.

    a grande vantagem do scanlator é o tempo, um scanlator não precisa se preocupar com prazos, nem ser pressionado (se for pressionado por leitor, o mesmo é ameaçado de ban, ou chamado de leccher, ou leva uma comida de rabo por ser exigente com um voluntariado, e se tiver erros não notados é só o leitor avisar, que arrumam e repostam o volume, ou a página corrigida, já profissionais tem que apenas prometer evitar novos erros iguais (já que não teriam como se lançar versão recorrigida depois e dizer o leitor recomprar, como os fans fariam pedindo para rebaixar a correção.

  39. #39
    greg:

    Deve ter dado um trabalho imenso fazer isso, meus parabéns e obrigado pela excelente matéria, Allena e colaboradores wink

    Só não achei certa a generalização de alguns. Existem trabalhos oficiais péssimos, mas também existem ótimos, assim como existem scanlators bem-feitos, e outros deploráveis.

    gregorio: Minha nossa, não achei que viveria o suficiente pra ver alguém com o mesmo nome que eu =O

  40. #40
    LMalafaia:

    Adorei a reportagem, parabéns Allena! Não gostei de saber da setorização. Quer dizer então que o resto do país recebe mangás sujos, velhos, atrasados, sem plástico e outros adjetivos? É por isso que o mercado local desanima à todos. A distribuição setorizada é muito utilizada, ou só para alguns?

  41. #41
    Allena:

    Malafaia, não sei se melhorou, mas na época que eu morava em Salvador (uns 4~5 anos atrás) não tinha NADA plastificado, os mangás da JBC sempre vinham com erro e eu tinha que ir na banca trocar, página internas amassadas… Chego em São Paulo tudo plastificado e lindo ¬¬””

    Eu senti vontade de matar alguém anquela época…

    A Panini, Conrad e Jbc usavam setorizada… Hoje em dia a JBC é a que mais usa…

  42. #42
    Alphone:

    O JBOX é sem dúvida o melhor site de anime e mangá do Brasil e matérias competentes como essa é a prova. Parabéns Allena por nos trazer algo tão interessante e inteligente.

  43. #43
    Kenshin Battousai:

    setor 1: São Paulo e Rio de Janeiro

    Como aqui no RJ os mangás só chegam depois de saírem em São Paulo, eu digo que aqui é o setor X, onde 1 < X < 2 :P

  44. #44
    gregorio:

    Disribuição setorizada é 1 droga, as hqs da buffy chegaram em fortaleza em péssimo estado. se não achar melhor vou pegar da net mesmo.
    angry

    Greg: achei 1 chara! da onde vc é?

  45. #46
    greg:

    Sobre a setorização, como eu compro de uma loja especializada eu nem sofro muito, pois o atraso não passa de 1 mês, e geralmente chegam nos plásticos.

    Greg: achei 1 chara! da onde vc é?

    Recife wink

  46. #47
    Roberto Pereira:

    Só dois detalhes: os licenciadores internacionais cobram um fixo de advance mais uma porcentagem do preço de capa. Esse fixo pode ser de 500 a 2000 dólares (dependendo do título) e a porcentagem é de 5% a 10% (dependendo do licenciador).
    Só que o envio de mangá para ser desmontado e escaneado é coisa de editora PORCA que não sabe negociar, ou que se submete a um licenciador muquirana e desorganizado.
    Nos dias de hoje, licenciadores SÉRIOS fornecem os mangás já devidamente digitalizados em resolução ACIMA de 300 dpi’s e com os diálogos em separado (dialog list). Assim, envia-se para a tradução E ADAPTAÇÃO dos diálogos (algo que passa batido mas é de fundamental importância) que, só depois, são inseridos nos balões e caixas de texto.
    Em tempo: as editoras brasileiras MENTEM quando dizem que tem quem adapte o texto.
    Não tem.
    Quem faz isso é o “editor” que, quase sempre, vai mudando os diálogos de acordo com sua conveniência e gosto pessoal.

    Mas as perguntas que não querem calar são: quanto é que ganha um “editor” de mangá e qual sua real formação profissional?

    Pois o salário médio de um editor de quadrinhos é de menos de 2.000 reais por mês, SEM CARTEIRA ASSINADA, sem vale-refeição, vale-transporte, nada! Sempre na base de prestação de serviço e olhe lá!

    E qual foi a experiência prévia que esse pessoal teve prá ser selecionado prá editar mangá?
    Trabalharam em editoras?
    Ou foram só fanzineiros que estavam passando por ali e cairam no cargo por acaso?

    Pois é!

  47. #49
    Lanford:

    E olha que uma vez eu já pensei sériamente em tentar emprego nessas editoras de mangá pra ser parte de edição/adaptação… mas depois dessa que o Roberto soltou, eu prefiro seguir carreira na área que eu estudei faculdade mesmo -_-;;

    Que tal pro JBox fazer uma matéria sobre o processo de adaptação de ANIMES pro Brasil, heim? Sobre como um anime chega até determinada emissora de TV aberta ou paga, como ocorre o processo de dublagem/escalação/edição e por que alguns títulos são anunciados como comprados mas não são exibidos, etc…

  48. #50
    Allena:

    Lanford, todo título anunciado provavelmente será vendido, mas às vezes a licença por ser cancelado pela empresa original ou pela própria brasileira por julgar que terá prejuizo.
    Às vezes também se coloca a carroça a fente dos bois, anunciando algo cuja licença não foi finalizada.

  49. #51
    DockWotll's:

    Parabéns pela materia Allena, obrigado também para todos que colaboraram por essa materia. Realmente informativa.

  50. #52
    Roberto Pereira:

    Há uma tendência a não se comentar o quanto ganha os editores de quadrinhos no Brasil. E isso rola por um simples motivo: vergonha.
    Eles ganham muito mal, não tem direitos trabalhistas, não tem décimo-terceiro, férias, vale-transporte, nem vale-refeição, muito menas plano de saúde.
    Trabalham mais do que 8 horas por dia, muitas vezes aos finais de semana (sem adicional por hora extra).
    As editoras exeigem que eles abram microempresas para emitirem nota fiscal para que, dessa forma, possam escapar dos encargos trabalhistas e impostos.
    Tudo isso acontece porque os donos das editoras são pessoas extremamente gananciosas e que querem o lucro fácil em cima da ingenuidade e do EGO dessa turminha.
    Tirando o Del Grecco, que tem carteira assinada, todos os demais são contratados das editoras, tem péssimas condições de trabalho, ganham uma ninharia (tanto que moram com os pais, menos o Oggh que é casado e a mulher banca seus caprichos), trabalham adoidado (e eles não tem formação técnica para isso, é só lembrar as mancadas técnicas que eles fazem)…
    Mas por que eles se submetem a isso?
    Por pose.
    Pelo Ego.
    Porque não precisam de dinheiro.
    Porque “amam” o que fazem.

    Ou seja, são antiprofissionais, são extremamente antiéticos e adoram fazer pose de que tudo vai bem.

    Não vai.
    Porque eles passam uma imagem de que a vida deles é perfeita, mas escondem seus salários e suas condições de trabalho.

    São crianças brincando de te iludir, leitor.

    Fica esperto.

  51. #53
    Biguá:

    Nossa, obrigado menina =) aproveitando…ótimo texto ;)

    Hey, Roberto Pereira, o quão mau pago estamos falando ?? vlw as informações

  52. #54
    vincent_valentine:

    esse “roberto pereira” ´pe o anti otaku famoso que chegou a bancar uma tiragem considerável de revistas apenas para ofender os fãs de animes e mangás em geral, logo não deve ser levado muito à sério, é uma pessoa que gosta de criar discórdia.

    um editor de quadrinhos, que necessita sim de “formação técnica” ganha em torno de 2000 reais mensais, ele já está bem acima do ganho médio dos trabalhadores com carteira assinada, ganhando mais que um técnico em informática (que tem um piso salarial de 1300 reais, por exemplo, e necessita)

    morar com os pais é a realidade da maioria dos brasileiros, alias, é bem comum a presença de 3 gerações de pessoas na mesma casa, sendo os filhos, seus pais, e avós. ainda mais no perfil atual de casados em que marido e esposa trabalham, e contam com seus pais para cuidar dos filhos.

  53. #55
    vincent_valentine:

    tenho um amigo que a namorada dele é trabalha com editoração, ganha cerca de 2000 reais (o que não é pouco para um cargo que não necessita de formação universitária; alias , já vi call center exigindo nivel superior em informatica para pagar 750 mensais)

    não sei porque criticar “trabalhar por gostar do que faz”, existem diiversos grupos de tradução de mangás que faz um serviço semelhante, e totalmente voluntário, como kousen, manga spases, sinlense, e chrono scans, trabalhar com algo que gosta, não é trablho, é hobby remunerado. ainda mais considerando que se dedica cerca de 11 a 15 noras do dia em virtude do trabalho (8 horas de trabalho, + hora de almoço + tempo de trajeto entre casa e trabalho e vice versa) sobrando apenas 4 a 6 horas de dedicação a si mesmo, nada melhor que trabalhar num ambiente em que se sinta bem.

    Pessoas de classe A são minoria, em média o trabalhador brasileiro ganha 2 salários minimos, ganhar 4, já é ótimo salario para a realidade de muitos brasileiros de classe média, e média-baixa (que é maioria no brasil)

  54. #56
    Caio:

    Aqui onde eu moro (Setor 2) chega pouco depois que chega nas lojas online e depois de 2 ou 3 semanas são recolhidos.

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