"o mestre Albiore era um Cavaleiro de Ouro igual a você!" — Shun viajando na maionese
Postado em 5 de maio de 2012 às 17:14 por Rubnox

A infância é um momento feliz da vida, um momento em que a realidade não existe de fato. E se uma pessoa não tem uma infância assim? E se ela é assolada pela podridão da humanidade desde os mais prematuros momentos de sua vida?

Muitas pessoas já passaram por isso, algumas superam, outras não, afinal, quem nunca foi assombrado por um fantasma obscuro de um passado distante que você tenta a todo custo esquecer? E o que você faria se a própria cidade que você vive tentasse te lembrar dos suas maiores tristezas?

Nijigahara Holograph mostra isso, um mundo podre, um mundo real, porém, um mundo vivo, mais vivo do que o normal, um mundo onde o passado e o presente parecem se fundir por meio das memórias, um verdadeiro holograma da vida… Seria uma força divina? Uma força sobrenatural? Quem sabe. Tudo que se pode saber é que aquilo está guiando pessoas a um certo caminho, no passado e no presente.

“Estávamos tão felizes porque tínhamos ganhado. Hana Ichi Monme”

Nijigahara Holograph (algo como “Holograma do Campo do Arco íris”) é uma serie curta de 13 capítulos (12 + Epílogo) de autoria de Inio Asano (responsável por várias obras famosas mundialmente como Solanin e What a Wonderful World, e já considerado um dos grandes nomes dos quadrinhos japoneses na atualidade) que foi serializada entre os anos de 2003 e 2004 na revista Quick Japan (da editora Ohta Shuppan) e compilado em um único volume. Infelizmente, essa série nunca foi publicada no Brasil. Além do Japão, Nijigahara Holograph só saiu na França, Espanha e na China.

O mundo é bonito, mas as pessoas fazem dele um lugar podre, o desejo humano leva a desgraça, mas o mundo paga na mesma moeda, afinal, ele é cruel, o que seria a vida se não duas forças chamada Vida e Morte jogando um eterno e constante Hana Ichi Monme (brincadeira de criança do Japão que consiste em dois grupos cantando uma música e “apostando” os membros em uma partida de “pedra, papel e tesoura”, ganha que tiver mais crianças no final, essa brincadeira tem uma grande representatividade no mangá)?

Nijigahara Holograph narra uma historia sobre Nijigahara, o campo do arco íris, que eventualmente envolve pessoas como Suzuki, um menino problemático com  uma peculiar visão de mundo, depositando todas as suas forças em uma pequena caixa. Além dele temos Komatsuzuki, um agressivo valentão que bate nas pessoas apenas por bater. Uma misteriosa garota em coma. Uma professora desmotivada e com um misterioso ferimento na face. Uma mulher traumatizada que não consegue expressar suas emoções.

A história de todas essas pessoas se cruza, em passado e presente, em um grande quebra cabeças, tudo girando em torno de Nijigahara, o misterioso Campo do Arco Iris, um lugar rondado por lendas urbanas em que subitamente surgem milhares de borboletas, um lugar, definitivamente, vivo.

“Estávamos tão tristes porque tínhamos perdido. Hana Ichi Monme”

Primeiramente, gostaria de comentar a arte, bem, Asano tem um traço bem característico, todas as suas obras se assemelham muito nesse aspecto (até o ponto de que, se você observar, pode notar personagens bem semelhantes em vás delas, quase como se ele escalasse o mesmo elenco para interpretar diversos personagens).

Seu traço é bem “tridimensional”, passa um aspecto de profundidade. Ao mesmo tempo que tem essa impressão realista, ele é levemente caricato, com traços e expressões “curvos”. Já os cenários são altamente realistas e contam com um nível de detalhe enorme, causando um pequeno contraste entre os personagens “irreais” e os cenários “reais”, o que gera um imagem bem agradável e bonita.

Como disse anteriormente, acho a arte do Asano bem bonita, porém, em Najigahara Holograph ela está excepcionalmente impactante, contando com um bom número de páginas lindas de horizonte e mesmo pequenos quadros, que tanto por sua representatividade para a história quanto por sua beleza visual e riqueza de detalhes, se tornam muito marcantes e memoráveis. Mesmo sendo um dos primeiros trabalhos do Asano (mais precisamente o segundo) é uma das obras de quadrinhos com arte mais bonita que já tive o prazer de ler.

“Estávamos tão felizes porque tínhamos ganhado. Hana Ichi Monme”

Tratando do enredo, bem, a história tem um ritmo de alternância entre passado e futuro, e dentro desses dois “campos” alternando entre uma gama de personagens, mas com um enfoque principal em Suzuki (no passado) e em Komatsuzaki (no presente), tudo flui de maneira incrível, nos mostrando aos poucos fatos do passado, e suas consequências no futuro. Tudo vai se encaixando aos poucos, de forma lenta e poética, cada pequena brecha que é deixada vai se fechando aos poucos, cada ponta solta se conecta a tudo isso culminando em um final poético e representativo.

Falando em qualidade, o enredo é ótimo, lotado de simbolismos, metáforas e metalinguagens, é aquele tipo de história que, mesmo relendo várias vezes, sempre vai ter um detalhe que você “deixou” pra trás. É uma obra que te faz pensar, te leva a uma reflexão sobre o mundo, sobre o seu ideal de mundo, sobre a sua visão das outras pessoas. Te faz pensar sobre a vida, afinal, o que seria ela? O que levou a ela?

O único ponto fraco é o excesso de enfoque, apesar da história não ter furos (aparentes), existe uma gama enorme de personagens que acabam sendo mal explorados, e não, esses personagens não chegam a ser do grupo dos “secundários”, eles são sim, recorrentes e de certa forma “ativos”, porém, são deixados de lado e acabam sendo “rasos”(me refiro a personagens como o chefe da Arakawa, a “namorada” do Suzuki, o outro professor, e por ai vai).

Bem, como disse na introdução, tudo gira entorno de Njigahara (algo como Campo do Arco Iris, mas que pode ser lido como Campo das Duas Crianças), um lugar belo, misterioso e melancólico. Tudo de certa forma, começa e termina lá, se tornando um dos alicerces da história.

lgo muito interessante é que, ao se analisar o desenvolvimento da trama, podemos notar que Nijigahara é o estopim de tudo, ou seja, mesmo não sendo o palco de todos os acontecimentos, está envolvido de certa forma em tudo que acontece na trama, seja direta ou indiretamente.

“Estávamos tão tristes porque tínhamos perdido. Hana Ichi Monme”

Tem algo que gostaria de tratar de forma isolada, o simbolismo e as metáforas presentes na obra. Bem, quem já leu outros trabalhos do Asasno sabe que ele usa muito desses artifícios em suas histórias, e em algumas, gosta de criar “totens”, algo que se torne um ícone de representatividade, como em Solanin, que temos os chaveiros de Meiko e Taneda. Em Nijigahara Holograph, temos as borboletas, que podem ser interpretadas como a representação física de Nijigahara.

Algo muito recorrente no mangá são as metáforas com Deus. Desde o primeiro momento nos é apresentado esse tipo de metáfora, e durante toda a história temos um reflexo de metáforas em momentos que enfatizem a presença e a ausência de um Deus agindo ali, e tudo isso fazendo um “link” com as borboletas, que podem sim serem reconhecidas como força/ação divina, dependendo de qual caminho você quer seguir e de quais pistas você quer considerar.

Como citei anteriormente, o autor deixa uma serie de “pistas” para que você entenda a obra de forma X ou de forma Y, o que é, para mim, um grande ponto positivo, tornando a historia “viva” e mutável, tudo dependendo dos olhos de quem lê.

Bem, foi isso, para concluir só posso dizer que Nijigahara Hologrpah é uma obra-prima, é algo que você não irá se arrepender de ler, é uma historia densa, triste e filosófica, mas que não deixa de lado a poesia na hora de te apresentar tudo isso, e eu , sem duvidas, recomendo, a que é para mim a melhor obra de um dos melhores autores da atualidade.

“Estávamos tão felizes porque tínhamos ganhado. Hana Ichi Monme”

[Spoilers Zone]

Aqui vou tratar de alguns pontos específicos de trama. Inicialmente gostaria de falar sobre um personagem que, mesmo tendo sido deixado de certa forma, raso, no momento em que ele é trabalhado (aliás, no único): o chefe da Arakawa.

Desde o começo ele é tratado como um porto seguro pra personagem, alguém para ancorar a sua instabilidade (que só se agravou quando ela viu o Komatsuzaki matar um homem na sua frente). Eles se aproximam de tal forma que começam a ter um relacionamento amoroso quando é revelado o passado dele.

Tal passado contribuiu de duas formas pra história. A primeira é que, o desconstruiu de tamanha forma, trocando a imagem de um porto seguro, para a imagem de um pedófilo maníaco, com desejos perturbados, a ponto de, querer “mudar” a Arakawa para que ela pareça com uma menina, uma criança a que ele se apaixonou a muito tempo atrás… E quem é a menina?

A garota que o Komatsuzaki visitava todos os dias, a garota da mãe suicida do começo, a mesma pessoa que, mais tarde seria revelado ser, a irmã do Suzuki. Esse é um dos detalhes mais primorosos da história, e a segunda “contribuição” do background dele (o link das coisas, como uma das “pontas” que se juntam no final), a forma como tudo é ligado, tudo é uma grande teia, uma teia que sempre começa e termina em um único lugar, Nijigahara.

Porém, apesar de ter tido esse grande momento, esse personagem permaneceu vazio, ele era uma casca cujo sua única característica é essa, não tivemos uma construção de psique, tivemos algo como a “ponta de um iceberg” da mente dele, algo que, em minha opinião, poderia ter sido muito bem explorado, afinal, alguém com uma característica maníaca como ele poderia ter se tornado um personagem muito mais interessante se tivesse sido mais bem aprofundado.

Outro ponto interessante a se ressaltar é o final. Bem, no final é o ponto em que as ultimas pontas são presas e, propositalmente, uma ponta maior é aberta, dando margem pra uma gama gigantesca de interpretações e pontos de vistas sendo aplicados.

Basicamente, Nijigahara Holograph se conclui com o despertar da irmã do Suzuki. Ela vai ao encontro dele, já crescido, um homem comum que viveu sua vida, tendo enterrado todas as suas ideias maníacas de infância, mas não fazendo mais do que “empurrar com a barriga” o que seria seu “destino”. Ao se encontrar com ela, Suzuki é movido por um desejo doentio e a agarra, mas quando ela o chama de “irmão”, suas memórias dos mais prematuros momentos de sua infância retornam e ele espontaneamente entra em um estado de loucura e corre, corre e corre, até que ele se torna… Um enxame de borboletas, sim, aquelas borboletas!

Bem, esse final pode ser interpretado de diversas maneiras… Pode se dizer que ele nunca chegou a se tornar um enxame de borboletas, pode se dizer que aquilo foi Deus cobrando a dívida dele, pedindo o preço em troca de sua caixa, ou talvez quem sabe o Suzuki esteja sendo levado para o lugar de onde ele veio. Ou quem sabe, um Deus generoso esteja poupando-o de todo o sofrimento do mundo que ele mesmo julga podre, ou ainda, talvez isso tudo seja o poder de sua pequena caixinha, que mesmo não estando mais com ele, concedeu o seu desejo, o seu desejo de onipresença, o seu mais profundo desejo de, de fato, ser Deus.

O que está certo? Eu não sei e aposto que nem o Asano deve saber, tudo depende de quem lê a história, tudo depende do que seus olhos querem  acreditar, do que você se permite ver.

De qualquer forma, foi isso, só me resta reforçar a recomendação, espero que vocês que não leram, leiam essa obra, pois não vão se arrepender, é sem duvidas uma das melhores coisas que já li em se tratando de quadrinhos. De fato, uma verdadeira obra prima.


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Rubnox
Alguém que já foi alguma coisa em algum momento em algum lugar do mundo. Hoje é algo mais útil que o que já foi e mais inútil do que ainda será, tenta destruir o mal em um dos córregos afluentes do grande rio chamado internet.

24 Comentários

  1. #1
    alemtùmulo 512:

    unico probleminha com esse tipo de obra:
    o fato de lançar mais duvidas que esclarecimentos
    ao leitor fatalmente a coloca nas obras literarias com
    um final que muitos chamariam “exotico”, mas na verdade
    deveria mesmo ser chamado de lixo.
    Recomendavel para quem é fã do genero ou emos depremidos.
    sadsadsadsadsadsad

  2. #2
    Lourival:

    Cara, não conheço muito bem os textos do Rubnox, mas a forma como ele descreveu esse mangá tá uma merda. Posso tá errado, mas perdi a vontade de ler, o mangá e o texto, na metade da dissertação.

  3. #3
    Lourival:

    Bem, eu critiquei agora dou o conselho.
    Tenta ser mais objetivo Rubnox, tenta não repetir as palavras e citações e tenta ser menos “poético” no texto, afinal o mesmo serve para nos informar sobre o mangá (acredito eu). Também vale buscar encaixar melhor a argumentação de modo a encadear o texto, afim de que a leitura flua.

  4. #4
    Rubnox:

    unico probleminha com esse tipo de obra:
    o fato de lançar mais duvidas que esclarecimentos
    ao leitor fatalmente a coloca nas obras literarias com
    um final que muitos chamariam “exotico”, mas na verdade
    deveria mesmo ser chamado de lixo.
    Recomendavel para quem é fã do genero ou emos depremidos.

    Entendo sua opinião,mas acho que historias assim são mais do que coisas deprimidas, são historias,que de alguma forma,te fazem pensar sobre algo maior.

  5. #5
    Rubnox:

    Lourival:
    5 de maio de 2012, 20:56

    Bem, eu critiquei agora dou o conselho.
    Tenta ser mais objetivo Rubnox, tenta não repetir as palavras e citações e tenta ser menos “poético” no texto, afinal o mesmo serve para nos informar sobre o mangá (acredito eu). Também vale buscar encaixar melhor a argumentação de modo a encadear o texto, afim de que a leitura flua.

    Anotarei sua dica, tentarei melhorar, na medida do possível.

    Em resposta a Lourival
  6. #6
    Gustavo Martins:

    alemtùmulo 512:
    5 de maio de 2012, 20:23

    unico probleminha com esse tipo de obra:
    o fato de lançar mais duvidas que esclarecimentos

    Sou obrigado a discordar nesse ponto. O grande sentido desse tipo de obra é justamente esse: não dar respostas prontas ou fáceis, mas te fazer pensar e descobrir a sua própria verdade.
    É muito fácil dizer “Acredite e o Universo vai conspirar a seu favor”, difícil é mostrar como as coisas são bem mais complicadas que isso e que tudo é mais triste e duro. Essa é a beleza desse tipo de arte, a beleza do feio.
    De todo modo, não conhecia nem autor nem mangá. Vou procurar as obras dele.

    Em resposta a alemtùmulo 512
  7. #7
    alemtùmulo 512:

    Gustavo Martins:
    6 de maio de 2012, 01:41

    alemtùmulo 512:
    5 de maio de 2012, 20:23

    unico probleminha com esse tipo de obra:
    o fato de lançar mais duvidas que esclarecimentos

    Sou obrigado a discordar nesse ponto. O grande sentido desse tipo de obra é justamente esse: não dar respostas prontas ou fáceis, mas te fazer pensar e descobrir a sua própria verdade.
    É muito fácil dizer “Acredite e o Universo vai conspirar a seu favor”, difícil é mostrar como as coisas são bem mais complicadas que isso e que tudo é mais triste e duro. Essa é a beleza desse tipo de arte, a beleza do feio.
    De todo modo, não conhecia nem autor nem mangá. Vou procurar as obras dele.

    opinião sua, mas ja vi tanta coisa feia nessa vida, que não preciso
    de mais feiura ainda. a graça da Fantasia esta justamente no fato
    de te oferecer uma valvula de escape do mundo real, dar um pouco
    de alegria, quando uma obra se propoe a apresentar feiura ao inves disso, limita seu publico, e quando apresenta um final confuso,
    mais ainda se restringe, pois nem todos vão compreende-la direito.
    Nesse ponto de vista, ponto para rosario vampire, que alem de ser
    um excelente mangá, consegue ser um excelente anime tambem
    ( certo, o anime apresenta elementos moe, mas ainda assim divertido)
    smilesmilesmilesmilesmilesmile

    Em resposta a Gustavo Martins
  8. #8
    Gustavo Martins:

    alemtùmulo 512:
    6 de maio de 2012, 11:29

    opinião sua, mas ja vi tanta coisa feia nessa vida, que não preciso
    de mais feiura ainda. a graça da Fantasia esta justamente no fato
    de te oferecer uma valvula de escape do mundo real, dar um pouco
    de alegria, quando uma obra se propoe a apresentar feiura ao inves disso, limita seu publico, e quando apresenta um final confuso,
    mais ainda se restringe, pois nem todos vão compreende-la direito.
    Nesse ponto de vista, ponto para rosario vampire, que alem de ser
    um excelente mangá, consegue ser um excelente anime tambem
    ( certo, o anime apresenta elementos moe, mas ainda assim divertido)
    smilesmilesmilesmilesmilesmile

    De fato, isso também é uma função da arte. E é a que mais vende também e nem por isso menos válida. Mas isso só confirma o que eu disse: nunca é fácil mostrar algo que não venda esperança ou prometa salvação. Nunca é fácil se recusar a dar as pessoas o que elas querem.
    E é nesse ato de contestação que se sustentam obras como essas. Não digo que não deveriam ser feitos mangás como Rosario Vampire (do qual pessoalmente não gosto, apesar de gostar muito de Kaibutsu Oujo), só acho que as pessoas não deveriam dizer que esse tipo de arte é “lixo” ou “coisa de emo deprimido”. Isso é simplificar demais um gênero muito maior que isso. Seguindo essa linha de pensamento, Shakespeare, Proust, Asimov, Machado de Assis (de quem eu não gosto, mas que é um gênio inegável), Satoshi Kon, Chopin, Nolan (é, esse Nolan) e tantos outros gênios entrariam nessa categoria de “emos deprimidos”.
    Em suma, não tem nada de errado em não gostar de algo, mas reduzir qualquer coisa que não seja positivista e esperançosa desse jeito não é algo que se deva fazer.

    Em resposta a alemtùmulo 512
  9. #9
    Rubnox:

    alemtùmulo 512:
    6 de maio de 2012, 11:29

    Gustavo Martins:
    6 de maio de 2012, 01:41

    alemtùmulo 512:
    5 de maio de 2012, 20:23

    unico probleminha com esse tipo de obra:
    o fato de lançar mais duvidas que esclarecimentos

    Sou obrigado a discordar nesse ponto. O grande sentido desse tipo de obra é justamente esse: não dar respostas prontas ou fáceis, mas te fazer pensar e descobrir a sua própria verdade.
    É muito fácil dizer “Acredite e o Universo vai conspirar a seu favor”, difícil é mostrar como as coisas são bem mais complicadas que isso e que tudo é mais triste e duro. Essa é a beleza desse tipo de arte, a beleza do feio.
    De todo modo, não conhecia nem autor nem mangá. Vou procurar as obras dele.

    opinião sua, mas ja vi tanta coisa feia nessa vida, que não preciso
    de mais feiura ainda. a graça da Fantasia esta justamente no fato
    de te oferecer uma valvula de escape do mundo real, dar um pouco
    de alegria, quando uma obra se propoe a apresentar feiura ao inves disso, limita seu publico, e quando apresenta um final confuso,
    mais ainda se restringe, pois nem todos vão compreende-la direito.
    Nesse ponto de vista, ponto para rosario vampire, que alem de ser
    um excelente mangá, consegue ser um excelente anime tambem
    ( certo, o anime apresenta elementos moe, mas ainda assim divertido)
    smilesmilesmilesmilesmilesmile

    Desculpa me intrometer na discussão, mas devo dizer que, para mim, a arte é feita como um reflexo dos sentimentos humanos, tanto obras inteiramente comerciais que refletem o sentimento da ganancia e a essência do capitalismo(mesmo que indiretamente), quanto obras autorais, que refletem visões e sentimentos do autor.
    Aonde eu queria chegar com isso? É que, com a humanidade sendo (me desculpem o termo) podre, a arte, em alguma de suas ramificações, teria que exprimir a podridão, isso é um reflexo do mundo de hoje, e tem que ser levado como uma critica, algo que te faz pensar sobre o mundo em que vivemos, te faz pensas se tudo realmente está no lugar que deveria estar.

    Em resposta a alemtùmulo 512
  10. #10
    Lourival:

    Rubnox:
    5 de maio de 2012, 21:00

    Lourival:
    5 de maio de 2012, 20:56

    Bem, eu critiquei agora dou o conselho.
    Tenta ser mais objetivo Rubnox, tenta não repetir as palavras e citações e tenta ser menos “poético” no texto, afinal o mesmo serve para nos informar sobre o mangá (acredito eu). Também vale buscar encaixar melhor a argumentação de modo a encadear o texto, afim de que a leitura flua.

    Anotarei sua dica, tentarei melhorar, na medida do possível.

    Admiro sua vontade =]

    Em resposta a Rubnox
  11. #11
    Yllul:

    Cara, você citou uns erros que não têm nada de insignificantes, então como que chama de obra-prima? Sei lá, chamar de “muito bom”, nesse caso, teria feito mais sentido. “Obra-prima” soou muito forçado.

    Pela chamada (ou subtítulo, ou sei lá como isso chama -,-), achei que o texto seria uma crítica ao cara. Que eu não conheço, aliás; to comentando mais sobre o teu texto, não sobre a obra.

    Mas fiquei curioso pra ver esse e o tal do Solanin, também.smile

  12. #12
    alemtùmulo 512:

    Rubnox:
    6 de maio de 2012, 12:38

    alemtùmulo 512:
    6 de maio de 2012, 11:29

    Gustavo Martins:
    6 de maio de 2012, 01:41

    alemtùmulo 512:
    5 de maio de 2012, 20:23

    unico probleminha com esse tipo de obra:
    o fato de lançar mais duvidas que esclarecimentos

    Sou obrigado a discordar nesse ponto. O grande sentido desse tipo de obra é justamente esse: não dar respostas prontas ou fáceis, mas te fazer pensar e descobrir a sua própria verdade.
    É muito fácil dizer “Acredite e o Universo vai conspirar a seu favor”, difícil é mostrar como as coisas são bem mais complicadas que isso e que tudo é mais triste e duro. Essa é a beleza desse tipo de arte, a beleza do feio.
    De todo modo, não conhecia nem autor nem mangá. Vou procurar as obras dele.

    opinião sua, mas ja vi tanta coisa feia nessa vida, que não preciso
    de mais feiura ainda. a graça da Fantasia esta justamente no fato
    de te oferecer uma valvula de escape do mundo real, dar um pouco
    de alegria, quando uma obra se propoe a apresentar feiura ao inves disso, limita seu publico, e quando apresenta um final confuso,
    mais ainda se restringe, pois nem todos vão compreende-la direito.
    Nesse ponto de vista, ponto para rosario vampire, que alem de ser
    um excelente mangá, consegue ser um excelente anime tambem
    ( certo, o anime apresenta elementos moe, mas ainda assim divertido)
    smilesmilesmilesmilesmilesmile

    Desculpa me intrometer na discussão, mas devo dizer que, para mim, a arte é feita como um reflexo dos sentimentos humanos, tanto obras inteiramente comerciais que refletem o sentimento da ganancia e a essência do capitalismo(mesmo que indiretamente), quanto obras autorais, que refletem visões e sentimentos do autor.
    Aonde eu queria chegar com isso? É que, com a humanidade sendo (me desculpem o termo) podre, a arte, em alguma de suas ramificações, teria que exprimir a podridão, isso é um reflexo do mundo de hoje, e tem que ser levado como uma critica, algo que te faz pensar sobre o mundo em que vivemos, te faz pensas se tudo realmente está no lugar que deveria estar.

    cada qual com seu ponto de vista. a arte pode servir tanto para bem como para mal ( Hitler era pintor antes de ser ditador)
    Respeito a opinião dos colegas e acredito que mais gente pensais
    como vós( e pessoalmente, acho sim, shakespeare um lixo,e reforço, PESSOALMENTE, nada contra quem gosta, mary shelley
    conseguiu pulverizar esse inglesinho pessimista com Frankenstein,
    mas opinião é opinião e deve ser respeitada.
    o fato de não gostar de shakespeare não me dá direito de criticar
    quem gosta, infelizmente, não é assim na maioria das vezes, resultando até em briga ,e, acho que desse ponto de vista, uma
    fantasia positiva e com senso de humor não faz mal a ninguem né?
    Afinal, quem gosta de feiura e tragédia que assista jornal nacional
    e seus apresentadores pré manipulados pra apenas dar noticia
    de modo frio e sem emoção.
    Assim, comparado ao JN, até a mais pessimista e confusa das obras
    se torna uma valvula de escape valida.smilesmilesmile

    Em resposta a Rubnox
  13. #13
    Rubnox:

    Yllul:
    6 de maio de 2012, 15:49

    Cara, você citou uns erros que não têm nada de insignificantes, então como que chama de obra-prima? Sei lá, chamar de “muito bom”, nesse caso, teria feito mais sentido. “Obra-prima” soou muito forçado.
    Pela chamada (ou subtítulo, ou sei lá como isso chama -,-), achei que o texto seria uma crítica ao cara. Que eu não conheço, aliás; to comentando mais sobre o teu texto, não sobre a obra.
    Mas fiquei curioso pra ver esse e o tal do Solanin, também.smile

    Bem, ao meu ver, quando colocamos os fatores positivos e negativos em uma balança, os positivos tem peso maior, fora que, essa não é uma historia que se vê a grandiosidade pelos pequenos pontos, mesmo sendo uma historia extremamente detalhista, a grandiosidade dela está no conjunto, no todo, alem de que, de todas as obras que li do Asano(li quase todas, exceto duas obras, mas li as mais elogiadas) e posso dizer que, das que eu li, essa é de longe, a melhor, pelo conjunto da obra.

    Em resposta a Yllul
  14. #14
    Goldenboy:

    Uau,fazia tempo que não via um debate alto-nível como este aqui no J-Box.Bem-vindo, Rubnox, continue se esforçando!
    A arte do feio é uma característica marcante do século XX,Picasso e outros artistas se contrapunham ao academicismo não por incompetência, mas sim por amor á arte, basta ver o processo de criação de algumas de suas obras pra entender isto…
    Hitler encasquetou que as pessoas deformadas dos quadros destes artistas eram representações de pessoas doentes e deformadas e que eles deviam ser caçados e proibidos.Deu no que deu…
    Agora,comparar Mary Shelley com Shakespeare foi a coisa mais estúpida que eu já li em toda minha vida!
    Shakespeare era teatrólogo,a estrutura de seus textos era a de script pra ser lido por atores,no que resulta o aspecto “cansativo” de sua leitura (alguém já tentou ler uma obra dele?)…
    Já Miss Shelley fez uma novela de terror pra dar um cala-te boca nos seus amiguinhos escritores frescos, provando que uma mulher pode, sim, escrever bem neste gênero. A principal colaboração dela, á meu ver, foi colocar ingredientes de terror femininos na trama, como o fato do Frankestein recém “costurado” ser mergulhado num barril cheio de líquido amniótico de abortos (um medo que assola as mulheres), provando que, por mais inteligente que o homem seja, ele sempre vai de alguma forma sujeitar-se ao poder da mulher. Brilhante!
    Sem contar que o termo “complexo de Frankestein” passou a designar o medo que ronda as consequências de toda descoberta científica.
    Moral da história:Não provoque mulher inteligente…

  15. #15
    alemtùmulo 512:

    shakespeare foi um brilhante teatrologo, ok , isso nem
    se discute, mas caiu na categoria emo deprimido, ja que nenhuma
    e repito NENHUMA de suas obras apresenta final feliz,sendo sempre
    ou trágico ou depressivo, e francamente, esse estilo de obra nunca
    me agradou, prefiro mais um Alexandre Dumas , que tem um repertorio
    mais consistente e sabe contar uma historia com final definido.
    ( os 3mosqueteiros, por exemplo, tiveram sua historia em um livro,
    com final fechado, e mesmo assim teve calibre pra prosseguir
    em outras obras. brilhante!). Curiosidade, mary shelley só criou
    frankenstein porque ja tava de saco cheio ver seu marido perrcy shelley ficar botando ela pa escanteio e ficar contando lorotas com
    seus amigos escritores. Depois de Frankenstein, a carreira de perrcy
    shelley nunca mais se recuperou e ficou relegado a sombra da mulher ( na verdade, amante, depois, esposa).
    Homens, cuidado como tratais vossas esposas..
    winkwink

  16. #16
    sete:

    Esse mangá não tem nenhum sentido, não dá nem pra entender o que diabos é começo, meio ou fim…

  17. #17
    Rubnox:

    sete:
    7 de maio de 2012, 17:10

    Esse mangá não tem nenhum sentido, não dá nem pra entender o que diabos é começo, meio ou fim…

    E é ai que está parte da beleza da obra, todos os momentos se cruzam, se confundem, se misturem, se unem, até que, finalmente, se encontram, tudo fluindo de forma linda, quase como uma pintura sendo narrada por uma poesia.

    Em resposta a sete
  18. #18
    Goldenboy:

    Uma coisa não dá pra negar:Alem tùmulo 512 tem opinião formada e sabe defender seu ponto de vista sem apelar.Gostei!
    Já tive cada debate desgastante neste site…
    Agora,porquê seus grandes clássicos eram depressivos,o Bardo acabou tendo comédias como A megera Domada & Muito barulho por nada eclipsadas.Sem contar que Sonho de uma noite de verão era uma aventura cheia de fantasia,perfeita pra virar um blockbuster …
    Mas,Rubnox,”uma pintura sendo narrada por uma poesia”?!KKK…
    A única vez que eu gostei dessa comparação foi na música “Et Se tu n’exite pas”,do Joe Dassin:
    “Como um pintor que vê as cores de uma manhã surgirem sob os seus dedos e não se repetirem mais”…

  19. #19
    Rubnox:

    Goldenboy:
    7 de maio de 2012, 22:54

    Uma coisa não dá pra negar:Alem tùmulo 512 tem opinião formada e sabe defender seu ponto de vista sem apelar.Gostei!
    Já tive cada debate desgastante neste site…
    Agora,porquê seus grandes clássicos eram depressivos,o Bardo acabou tendo comédias como A megera Domada & Muito barulho por nada eclipsadas.Sem contar que Sonho de uma noite de verão era uma aventura cheia de fantasia,perfeita pra virar um blockbuster …
    Mas,Rubnox,”uma pintura sendo narrada por uma poesia”?!KKK…
    A única vez que eu gostei dessa comparação foi na música “Et Se tu n’exite pas”,do Joe Dassin:
    “Como um pintor que vê as cores de uma manhã surgirem sob os seus dedos e não se repetirem mais”…

    Bem meu amigo, foi uma caminho que encontrei pra expressar minha opinião,e de certa forma, uma imagem bela, contada por meio de uma doce e triste melodia, uma melodia sobre a podridão humana, essa seria uma forma como eu definiria essa obra, e de qualquer forma, achei a analogia valida.

    Em resposta a Goldenboy
  20. #20
    Lanford:

    Parabéns pela nova coluna, mas por favor tente escrever o nome do assunto da forma correta todas as vezes em que for citado! Eu vi Nijigahara escrito como “Najigahara” duas vezes e foi suficiente para parar de ler a critica e vir aqui nos comentários para reclamar =P

  21. #21
    Rubnox:

    Lanford:
    8 de maio de 2012, 14:57

    Parabéns pela nova coluna, mas por favor tente escrever o nome do assunto da forma correta todas as vezes em que for citado! Eu vi Nijigahara escrito como “Najigahara” duas vezes e foi suficiente para parar de ler a critica e vir aqui nos comentários para reclamar =P

    Obrigado pelos parabéns, e corrigi os erros que você citou, se vir algo mais, é só avisar que tratarei de acertar.

    Em resposta a Lanford
  22. #22
    deodario:

    pelo que eu li me lembra durarara, anime ótimo

  23. #23
    Rubnox:

    deodario:
    12 de maio de 2012, 09:54

    pelo que eu li me lembra durarara, anime ótimo

    É uma comparação bem torta…Mas podemos dizer que sim, que em alguns aspectos de relação entre fatos e personagens as duas obras se assemelham, mas é importante ressaltar, são historias com climas,temáticas e estilos bem diferentes.

    Em resposta a deodario

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