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Review: Myriad Colors Phantom World – Episódio#1

No finzinho de 2013, o estúdio Kyoto Animation bancou a publicação de uma série de novels escrita por Sōichirō Hatano e ilustrada por um tal de Shirabi. Era o nascimento da já premeditada animação de Myriad Colors Phantom World (Musaigen no Fantomu Wārudo), que estreou oficialmente nesta semana, poucos meses após o encerramento da “obra original” (que rendeu apenas 2 livros).

O anime tem direção de Tatsuya Ishihara, que é meio que fixo do Kyoto, tendo trabalhado em várias obras da casa como Air (2005) e Nichijou (2011), com roteiro de Fumihiko Shimo, responsável pelo longa de Garakowa, que sairá ainda este mês.

Myriad Colors Phantom World se passa em um futuro alternativo, onde um ataque terrorista à uma empresa fez com que um vírus se espalhasse. A população infectada teve o cérebro afetado de modo que agora são capazes de enxergar os “Phantoms”, como são chamados fantasmas, youkais e outros tipos de entidades espirituais que antes deveriam pertencer somente ao imaginário do folclore.

Com o tempo, filhos da nova geração após o acidente, começaram a desenvolver habilidades especiais para eliminar os Phantoms – a maioria deles são inofensivos, mas sempre rola algum mais despirocado e ameaçador no meio.

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No primeiro episódio somos basicamente apresentados aos personagens centrais da trama. O jovem Haruhiko Ichijo (que sela os monstros em desenhos no seu caderno, de um jeito que lembra muito Sakura Card Captors) e sua colega Mai Kawakami (que parte mais pro “vamo ver” mesmo na hora de enfrentar os monstros) já mostram nos minutos iniciais as suas habilidades contra os Phantoms – ou a falta delas. Ainda há também uma pequena Phantom chamada Ruru, que funciona meio como mascote/alívio cômico acompanhando Ichijo.

Os dois formam uma equipe no Colégio Hosea, uma instituição particular que meio que investe nessas “crianças especiais”, pagando seus serviços com produtos. Só que a interação entre os dois não é das melhores e as falhas se sobressaem, às vezes causando mais danos do que melhorias na eliminação dos monstros – o que prejudica o rendimento, ao ponto de não receberem nada na missão mostrada no início do episódio. Esse problema é jogado pra dar espaço à entrada de mais um membro na equipe no segunto ato: Izumi Reina.

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Izumi é vista por Haruhiko enquanto demonstra sua habilidade rara de devoradora de Phantoms (e pra quem conhece Kirby, é impossível não associar o poder sugador dos dois, até o efeito sonoro é parecido). O moleque vê ali a chance de incrementar seu time e enfim poder equilibrá-lo e a convida de cara, o que não dá muito certo. Convidada para um almoço no dia seguinte (pra quem engole Phantom, um almoço comum é bem-vindo de vez em quando), Izumi é exposta aos problemas da equipe enquanto vemos uma explicação de Ichijo sobre toda a história do vírus (pra quem assiste entender, porque é meio forçação aceitar que Izumi não sabia de nada), até por fim ser apresentada à Mai e ir rapidamente entrando no embalo.

Na parte final, os três enfrentam a primeira missão juntos, tendo que combater os pacíficos Phantoms de postes de luz, que foram fabricados com árvores das montanhas. O grande empecilho causado por esses fantasmas bizarros seria o de causar interferências nas frequências de rádio da região. E como eles vão enfrentá-los? Aproximando-se deles em uma competição de dança da cordinha. Pois é.

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De gancho pro próximo capítulo, vemos uma garota de cabelos rosas aparecendo na escola, uma figura nova inclusive para o clube de Ichijo. Provavelmente veremos a história dela exposta no capítulo seguinte, até porque a abertura e encerramento nos entregam que ela é uma figura importante.

Não há o que se discutir sobre a animação, que flui muito bem e inclusive detalha movimentos do corpo e expressões dos personagens, é bonita de ver e bem parecida com arte dos livros. A pouca ação vista, que é mais praticada pela Mai, empolga, mas pode incomodar de leve aqueles que não engolem muito o fanservice nos animes – no caso, closes generosos nos movimentos dos seios e da bunda da personagem. Particularmente acho desnecessário, mas felizmente “Myriad” brinca um pouco com isso, o que me deixa mais aliviado. O anime usa um fanservice mais para zoar de si mesmo, com situações absurdas que vão de mexer nos peitos pra invocar poder dos pulmões, ou ter que se esforçar para que eles não toquem na corda durante a competição no final.

Uma cena logo quando Ichijo está convidando Izumi mostra bem isso, já assumindo que devemos ver uma cena clichê na tela (com o garoto tocando o seio da menina ~sem querer~ em uma queda) e logo somos jogados a uma situação com desfecho ainda mais absurdo.

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Avaliação Final

Com uma ótima animação, Myriad Colors Phantom entrega um primeiro episódio divertido, numa história que brinca com si mesmo e aborda a cultura dos fantasmas e youkais de forma leve, tirando a tensão que estamos acostumados. Por enquanto, faltou mostrar para o quê afinal é aquilo tudo, se a equipe terá de fato um propósito maior pela frente que justifique sua união ou se simplesmente será um apanhado de casos de monstros aleatórios. Aguardando pelo segundo e torcendo para um aprofundamento melhor dos personagens.

Nota: 3/5

Myriad Colors Phantom World é exibido no Brasil pelo Crunchyroll com legendas em português. Os episódios possuem transmissão simultânea, sempre às quartas-feiras para usuários Premium.

Rafael Jiback

Ilustrador, músico e publicitário. Sob a alcunha de Jiback, é editor do JBox, mas começou como reles "estagiário" ainda na época do JapanX/ÓrbitaX. Não tem vergonha de admitir que Bucky é o melhor anime já exibido no Brasil. Ninguém precisa concordar com este absurdo.

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