Beyblade
Bakuten Shoot Beyblade

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Produção: Madhouse, d-rights, Takara, 2001
Episódios: 51 p/ tv
Criação: Takao Aoki
Exibição no Japão: TV Tokyo (08/01/2001 – 24/12/2001)
Exibição no Brasil: Fox Kids/Jetix – Rede Globo – Netflix

Última Atualização: 16/02/2014

Por Larc e Jiback

Entre o final da década de 90 e começo dos anos 2000, podemos notar uma presença muito forte de um certo oportunismo na animação japonesa. Com poucas ideias originais (comparadas com a década de 80 e a 1ª metade dos anos 90) sendo postas em prática, usando a máxima de que “pouco se cria, tudo se copia”, dezenas de animações derivadas de Pokémon entupiram as TVs nipônicas e abarrotaram estoques de lojas de brinquedos. Quando as produtoras/patrocinadoras (geralmente uma grande fabricante de brinquedos) ainda tinham um ‘tantin’ de bom senso, tentavam dar uma boa maquiada na fórmula. Só que a Takara e o desconhecido estúdio D-Rights compraram uma maquilagem bem vagaba (hihihihi… Daquelas usadas na Patrine, onde a gente via claramente que a moça transformada não era a atriz que fazia a Saiyuri :P) e meteram no mercado um dos brinquedinhos mais clássicos da infância e mais velhos do mundo: os piões!

É Beeeeeyblaaaaade!!!
Toda criança (que teve infância!) já teve um pião na vida. A origem do brinquedo remonta séculos anteriores ao nascimento de Cristo. E que brincadeira mais legal, né? Você tem o seu e o moleque tem o dele. Aí vocês colocam os dois pra “combater” e ganha aquele que fizer o pião do outro parar de rodar (ou o pião que permanecer rodando mais tempo). Só mesmo os japas pra conseguirem fazer dessa brincadeira um negócio monstruoso que rendeu milhões de dólares ao redor do mundo.

A Takara, pra quem não conhece, é uma das maiores fábricas de brinquedos do Japão. Ela é detentora dos direitos dos famosos (e lucrativos) Transformers, só pra terem uma noção. A empresa é responsável também por brinquedinhos bem moderninhos como “tradutor de miados” (+_+) e “máquina de sonhos” (x_x) que vez ou outra aparecem na mídia. Em 2001, ela resolveu faturar uns trocos em cima da febre consumista que Pokémon rendia e que já perdia gás pra Yu-Gi-Oh! e variantes mais criativas e hardcores.

Resgatando (ou seria copiando mesmo? :P) o miolo bobo dos monstros de bolso e substituindo o elemento “criaturinha companheira” por “piões companheiros” (se bem que há criaturinhas dentro dos piões O_o) a Takara financiou um dos mais lucrativos e expressivos pokéclones dos últimos tempos. A direção do trem ficou por conta de Toshifumi Kawase, que antes já se envolvera com outro pokéclone – chamado Dragon Drive, inédito por aqui – e provavelmente acumulou experiência no trabalho de ‘xerocagem’. Mas no levantamento da ficha técnica da série, o que deixa qualquer um de boca aberta é o nome de uma empresa que vários otakus associam a bons animes no ato: Mad House.

Mas como um anime tão troncho pode ter a Mad House envolvida na produção? Bom… Segundo a teoria do nosso mascote (o Jibinha), as animações das “feras bit” no anime são a única coisa que prestaram mais ou menos nessa 1ª fase. Por conta disso, pensamos que talvez (pura especulação hein!) a Mad House possa ter pedido pra diarista do dia fazer uns rascunhos e aí… Hehehe…

E acreditam se eu disser que teve mangá? Pois é… Mas não foi um mangá inspirador, e sim um derivado do sucesso. Desenhado por Takao Aoki, o tiozin fez pelo menos uma coisa que prestasse com Beyblade: deu um novo aspecto pros personagens no papel. Aspecto esse que acabou sendo adotado a partir da segunda fase do anime (de um total de três nessa “1ª geração”). Mas por enquanto vamos falar da 1ª e horrenda temporada. Desculpem fãs, mas… Não vai dar pra aliviar não!

Let it Rip? Tô fora!
Num mundo alternativo, os piões são objetos cultuados de forma surreal até para os padrões de realidade alternativa (existem seitas e o k7 a 4 envolvendo piões @_@…). Mas diferente da nossa realidade de país emergente onde os piões são brinquedins de madeira, no mundo de Beyblade esses artefatos são ultra high-techs e servem pra fazer rixas mais radicais que a Guerra Galática dos Cavaleiros do Zodíaco! E fiquem pasmos: milhares de pessoas vão para estádios assistir a briga de dois brinquedos em cuias monstruosas x_x. Quer coisa mais idiota? E tem: pirralhos do mundo real fazendo o mesmo @_@.

Voltando ao assunto, você pode se perguntar: como simples piões podem fazer tal coisa? O segredo é que dentro de alguns desses brinquedinhos, existem “espíritos milenares” (feras-bit) que se apossam dos piões e os deixam thunder foderosos. Agora me diz: com tanto lugar pra espíritos de feras encarnarem, tinha que ser logo dentro de piões?! Putz… Acho que mais forçado que isso só uma certa deusa ficar queimando cosmo com água batendo no pé dentro de um “tal” suporte principal… O quê? Você não achou besta aquilo? Pra não fugir da regra, existe uma liga onde moleques de toda parte do mundo disputam campeonatos com suas Beyblades só pra serem reconhecidos como maiorais. E pra finalizar a clonagem com chave de ouro, o tal torneio passa em determinado ponto a ser o definidor dos rumos do destino da humanidade.

Nesse cenário, temos o cara de bolacha, filho do dumbo com um pacote de creme-craki na boca, Tyson (Takao, no original) – que sonha em… Já até dá pra descobrir né? Com sua Beyblade possuída por uma fera-bit chamada Dragoon, Tyson no desenrolar da série acaba fazendo amigos que integram um time que entra pro torneio mundial. Eles são os Bladebreakers: Ray (um chatolino que pratica artes marciais e tem como fera-bit a Driger), Max (loirinho besta cuja mami é entendida dos negócios de Beyblade… Que profissão mais idiota: estudar piões!), Kai (o anti-social da turma) e por fim o nerdzinho mala que todos gostaríamos de ver uma Beyblade rodando na testa até furar o crânio, Kenny (Kyojyu).

Todos são reunidos por um velho gordo chamado Sr. Dickenson (Daitokuji Kaichou), o presidente da BBA (ALB, na versão brasileira, uma espécie de FIFA dos piões que também existiu na vida real x_x). Tudo na verdade é um ~plano secreto~ pra deter Voltaire, o avô do Kai, que usa uma corporação pra roubar feras-bit, criar suas próprias e desenvolver lutadores de Beyblade fazendo uma lavagenzinha cerebral, isso pra poder… Dominar o mundo. Sério que alguém vai querer dominar o mundo com piões de batalha?

Os cinco personagens principais são os poucos que prestam na série. Os adversários da gurizada são tão ridículos e horrorosos que faz o Ichi de Hidra e o Jamian de Corvo parecerem modelos! Nunca vi uma concentração tão grande de criança feia num anime… Não tem menina bonita e muitos personagens possuem uma estranha ausência de nariz… E as motivações de cada pirralho por trás das lutas? Putz… Imagine você brincando de “bafo-bafo” e pensando em coisas como “preciso ter essa figurinha pra que possa conseguir uma vaga na fila do transplante de coração do meu avô!”. Não fosse o bastante, os gringos ainda encheram o roteiro com piadinhas idiotas tipicamente americanas.

Falando nas mudanças feitas pela gringaiada, todo o “pacote básico” de como destruir um anime foi seguido direitinho. Adeus abertura legal japa, nomes originais, trilha sonora de fundo (as BGMs) e olá musiquinha boba que gruda na cabeça com o refrão, expressões feitas sob medida pra gurizada se empolgar na hora da brincadeira (let it rip! =P), piadinhas sem graça…

Uma coisa tem que se admitir: todo o desprezo que os fãs de animação japonesa podem possuir para com Beyblade não significa nadinha pras crianças. E entre bichos que não existem (ou você já viu um Bulbassauro por aí?), cartas estáticas (não sai nenhum dragão branco dos zóio azul durante uma partida de Yu-Gi-Oh! :P) ou mini games carérrimos (lembra quanto custava os PETs do Megaman?); piões de combate são uma ideia simples que resgata um brinquedo inocente que consegue unir pais e filhos na diversão, de forma fácil. Só que é bom os pais terem um pequeno dicionário do lado pra entender o que os filhos falam durante uma disputa ^^.

Seguuuuuura pião!!!
A vinda de Beyblade para o ocidente não demorou, de longe se notava o potencial comercial do anime. Com isso, a Hasbro (representante da Takara no ocidente, e que apresentou os Transformers pro mundo nos anos 80, a partir da adaptação de duas linhas de brinquedos da empresa japa) logo tratou de encomendar a vasta coleção de piões existentes, aproveitando o lançamento do mesmo pela Nelvana (que adaptou Medabots pra nóiz). A estreia no ocidente se deu 6 meses após o término dessa primeira fase no Japão. Exibida pela YTV no Canadá, e na ABC nos EUA, o anime rapidamente conquistou a gurizada.

Tal conquista, porém, não se deu de qualquer forma. Vamos admitir: o anime é ruim demais pra se tornar um sucesso da noite pro dia :P. Assim, o esquema japonês de marketing foi implementado com a mesma selvageria nos EUA e deu um retorno muito bom. Com muitos produtos licenciados, a série infelizmente possuía um concorrente de peso no ocidente: Yu-Gi-Oh!. Mesmo sendo ruim do mesmo jeito, todos devemos concordar que Yu-Gi-Oh! é um anime aturável para qualquer idade. Coisa que Beyblade consegue ser essencialmente pra crianças.

Vou te mostrar do que ela é capaz…
No Brasil, Beyblade conseguiu ser capaz de irritar os tímpanos de qualquer um. Tudo culpa de uma escalação de elenco com dubladores novatos que deixaram a desejar no quesito interpretação. A voz mais chata de todos era justamente do protagonista do anime (Tyson). Não bastasse a cara de chimpanzé do personagem, ainda me escalaram um dublador que parecia falar com chumaços de algodão na boca @_@. Nada contra o talento do ator escalado! Mas pôr um novato pra ser protagonista é duro…

Vai ver não quiseram dar o papel pro “Ash carioca” (o Luís “Tenchi” Sérgio, que acabou fazendo o Ray). Mas mesmo com essa mancada estelar, uns dubladores conseguem destacar-se como Bruno Miguel – a voz do Kai, que virou cantor romântico tempos depois x_x – e Sérgio Stern (o Sensui de Yu Yu Hakusho) como o entusiasmado narrador das partidas (sim… Tem até isso XD).

A dublagem carioca feita na Double Sound tratou de inserir no texto, traduzido da versão americana, diversas gírias típicas do Rio. O excesso, porém, acabou deixando a coisa muito feia. Mas nada é tão horripilante quanto ouvir músicas em português de anisongs gringas durante as batalhas de piões. Estranhamente, as músicas fizeram uma lavagem cerebral na molecada: elas adoraram @_@. Tadinhos XD. Se bem que nós também adorávamos a Larissa “Tosse” nos Cavaleiros do Zodíaco, né? Quem não lembra do “Pégaso ajuda o teu cavaleiro, gelo, dragão e os guerreiros…” ???

O anime chegou ao Brasil inicialmente pela Fox Kids em 2002, meses depois de ter estreado nos EUA. O sucesso da série entre os pequenos foi rápido e os espertinhos de plantão começaram a despejar no mercado as Beyblades genéricas piratox made in Paraguai. Aliás, antes mesmo dessas chegarem com tudo e mais um pouco, a Glasslite (lembra? Ela transformou o Robocop no boneco de luxo do Jaspion e do Spielvan XD) colocara no mercado uma tal “Bionic Blade” bem tronchinha… As originais só chegaram em 2003 pela Estrela/Hasbro e era assustador a semelhança com as da tevê. Feitas sob medida!

Além das Beyblades pra todos os bolsos, também foram lançados diversos produtos – que aumentaram ainda mais depois que o anime passou na Globo. Por falar em Globo… A estreia do anime conseguiu dar uma levantada no Ibope matinal da emissora. E sagazmente, ela tratou de divulgar a série dentro de outras atrações da casa como o Esporte Espetacular, por exemplo (não sei o que tem de espetacular em brincar de pião, mas enfim…). Isso me faz indagar uma coisa: será que se Supercampeões ou outro anime de esporte passasse no Globo, não “daria certo”?

Vale citar também que em 2011, Beyblade foi um dos animes que figuraram na estreia do Netflix no Brasil, o serviço de streaming on-demand mais popular do mundo. De lá pra cá ele já saiu e voltou algumas vezes ao catálogo.

Por fim…
Os executivos da Takara logo viram que seu sucesso ainda renderia muito para seus bolsos. Pra isso, Beyblade foi totalmente reformulado no quesito de design e animação para gerar o Beyblade 2002 (V-Force no ocidente). Por trazer menos irritação aos nossos olhos, V-Force elevou um pouco mais o prestígio da marca gerando um filme e uma continuação: Beyblade G-Revolution. Anos depois, a marca ainda foi retomada com novos personagens. Mas falaremos de tudo isso no futuro.

Checklist Episódios
01 – O atacante Beyblade.
02 – O dia do Dragoon.
03 – O Max é o máximo!
04 – Começa a qualificação.
05 – Draciel aprovada!
06 – Tempestade Dragoon.
07 – 13 velas.
08 – Lutando Beyblade nas ruas.
09 – A luta final em Hong Kong.
10 – Luta no céu.
11 – Adeus, Fera Bit.
12 – Adiós, Bladebreakers
13 – Leão agachado, tigre escondido.
14 – Começa a corrida.
15 – Correndo atrás do ouro.
16 – Meu inimigo, meu amigo.
17 – Contas a ajustar.
18 – Nasce um astro.
19 – Sob o microscópio.
20 – Tudo é relativo
21 – A prática faz a perfeição.
22 – Lutando Beyblade com os astros.
23 – A luta final em Las Vegas
24 – Viva Las Vegas!
25 – Do meu jeito ou fora!
26 – Pegando uma estrela cadente.
27 – A batalha nos Estados Unidos.
28 – A importância da nona.
29 – Passa de novo, Dizzy!
30 – Navegar para se machucar.
31 – Chamado de Londres.
32 – A escuridão no fim do túnel.
33 – O último tango em Paris
34 – Ataque de arte,
35 – Em Roma… Lute Beyblade!
36 – Déjà vu tudo de novo.
37 – Um cavaleiro inesquecível.
38 – O desafio de Olímpia.
39 – Uma luta majestosa… Uma vitória majestosa?
40 – Luta quente em cidade fria
41 – Saído do passado
42 – Arrastado para as trevas.
43 – Viva e deixe o Kai!
44 – Perdendo o Kai.
45 – Quebrando o gelo
46 – O primeiro golpe.
47 – Uma lição para o Tyson.
48 – Vitória na derrota.
49 – Sopra um vento perverso.
50 – Novo e cyber-melhorado.
51 – A luta final.

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