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Blue Submarine Nº6
Ao no Roku-go (Azul Nº6)
Produção: Gonzo, 1998
Episódios: 4 p/ vídeo
Criação: Satoru Ozawa
Exibição no Brasil: Locomotion

Última Atualização: 12/07/2007

Por Tio Cloud

No ano de 1997 o Estúdio Gonzo resolveu começar a investir no bilionário (porém concorrido) mundo da animação japonesa. Até aquele momento, a empresa investia apenas no mercado de games, sendo responsável por jogos cheios de efeitos 3D e animações geradas por computador. Eles sabiam que precisavam chamar a atenção logo em sua primeira investida, afinal, dentre trocentos títulos lançados no mercado, poucos conseguiam sobressair dentre os demais e principalmente: dar lucro.

Para sua primeira obra, o estúdio resolveu adaptar uma história feita por Satoru Ozawa nos anos 60, onde os homens enfrentavam invasores espaciais (como tudo nos anos 60….) vindos de Mercúrio. Só que resolveram meter a mão na história que já não era nada original e, dando um toque de WaterWorld (um dos maiores fracassos da história do cinema… Já não é um bom sinal XD) e transformaram a ameaça espacial em seres aquáticos. Um cortezinho aqui, outro ali e num passe de mágica conseguiram mudar totalmente o roteiro da história original, dando “vida” a um dos animes mais toscos de todos os tempos: Blue Submarine Nº6.

O anime
“Pô Cloud, mas você é chato, tem tanta coisa pior…” diz o leitor menos crítico. Por um lado pode até ter razão, mas só não entendo porquê tanta babação de ovo em cima de um anime tão ruim. A história é fraca, cheia de clichês e se desenvolve de uma forma mais confusa que a vida sexual do Michael Jackson. Os personagens não têm nenhum carisma, e, principalmente: a animação é muito ruim. Bem, nem toda ela. A parte animada “tradicionalmente” é de uma beleza de se tirar o chapéu, mas tudo vai por àgua abaixo devido às tosquíssimas cenas em computação gráfica. Só o Playstation com seus 32 Bits tinha coisas tão mal acabadas!!! Tudo bem que a empresa fazia animações pra games, mas ao transpor isso para o vídeo deviam ter dado uma caprichada. O que a príncipio é o mais atrativo da série se mostra seu maior inimigo (ao lado do roteiro, dos personagens… Credo, nada se salva!!!): assim como água e óleo, os gráficos computadorizados não se misturam bem com a bela (pelo menos isso) animação convencional, dando um ar de falsidade e trabalho feito nas coxas. As explosões não convencem e o submarino parece de isopor. Tá bom, tá bom.. A coisa melhora no decorrer da série e lá pelo episódio 4 (o último X_X) já não há tantos defeitos, mas aí já e tarde.

A história (sente só a novidade!)
No futuro, as calotas polares derreteram e grande parte das cidades estão cobertas pela água (sei, sei…). Só que para piorar, os humanos estão em guerra contra estranhos seres aquáticos-mutantes (que pilotam geringonças de última geração), criação do professor Zordyke, um cientista, que, desiludido com a raça humana, decide que é hora de criar um novo mundo, habitado pelos seus “filhos”. Bom, até aí tudo parece aceitável, né? Continuemos….

O anime começa com a jovem (e sem sal!) Mayumi Kino, integrante do Esquadrão Azul indo ao encontro de Tetsu Hayami, um ex-integrante de tal esquadrão, que por motivos então desconhecidos não quer mais voltar ao serviço. Depois de um ataque de tais criaturas, o rapaz sem mais nem menos retorna ao grupo, e juntos da tripulação do Azul 6 (Sim!! A dublagem traduziu!!) vão enfrentar tais criaturas, tendo que evitar que elas acionem uma arma letal de destruição em massa que poderá acabar com a raça humana de vez. A coisa muda de rumo quando Hayami salva uma dessas criaturas e a mesma retribui o favor. Então, o cara começa a se questionar o quão mal são tais seres e quem é que está errado nessa história toda.

Legal, né? Mas é só promessa, o anime não mostra ao que veio e se desenvolve de uma forma “pseudo-intelectual” fajuta. Isso porquê parece querer herdar o lance psicológico-filosófico chatolino de Evangelion mas não consegue sair do lugar.

No final, a história tenta passar a mensagem de que o ser humano e todas as demais raças de seres vivos podem (e devem!) viver juntos em harmonia. Lindo, né? Pena que isso é mostrado de forma muuuito deficiente.

A versão brasileira
Se o anime não é lá grande coisa, não poderia haver nada que o tornasse um pouco pior, verdade? Engano. Se depender da dublagem brasileira a coisa desgringola de vez. A começar pelo título do anime: enquanto a Locomotion anunciava Blue Submarine Nº 6, o anime foi batizado por aqui de simplesmente Blue 6. Sem problema, se não fosse o fato dos personagens serem tripulantes do Azul Seis @_@. Além de erros gritantes na tradução (na história é dito que 1 bilhão de pessoas morreram na guerra contra os seres aquáticos, mas hora ou outra a dublagem tenta convencer que foram 1 milhão). Isso sem contar personagens coadjuvantes cujos os dubladores estão lendo o texto sem colocar nenhuma entonação na voz, parecendo algo decorado. Bom, acho que já fui malcriado demais, né?

Na TV
BS6 estreou no Brasil em meados do ano 2000 na fase “áurea” da Locomotion, e mesmo possuindo apenas 4 episódios conseguiu a proeza de ficar na grade do canal por 5 anos. Até minha última contagem já tinham reprisado 36 vezes cada capítulo @_@. Exibiam o anime em forma de movie, em forma de mini-série, em forma de série… Expremeram até a última gota.

Pelo menos a versão que veio por aqui foi a original, pois nos EUA a série foi censurada quando exibida no bloco Adult Swim do Cartoon Americano (Ué, não é pra adultos? Pra que cortar?). A coisa por lá foi tão feia que substituiram os cigarros fumados por Hayami por palitos mágicos digitais de última geração (O.o).

Considerações finais
Como já disse, o roteiro não segura a barra, e começa esquisito, não se desenvolve e acaba pior do que começou. Mesmo assim, inexplicavelmente, o anime fez sucesso o suficiente para que o Gonzo continuasse investindo no gênero. Ainda bem, porquê depois dessa bombinha aquática, os japas do estúdio colocaram a cabeça no lugar e fizeram coisas que valem bem mais a pena como Last Exile e Vandread.

Mesmo tendo essa visão tão negativa de Blue Submarine Nº6, recomendo que você assista-o pra não dizer que sou chato. Se você dormir durante os capítulos não se preocupe, é normal (só dormi mais vezes no Ghost in the Shell, mas isso é outra história XD).

Checklist Episódios
1- Azuis
2- Pilotos
3- Corações
4- Fundo D’Agua

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Blue Submarine Nº6

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