Esquadrão Relâmpago Changeman
Dengeki Sentai Changeman
Esquadrão Relâmpago Changeman

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Produção: Toei Company, 1985
Episódios: 55 p/ tv
Criação: Saburo Hatte
Exibição no Japão: Tv Asahi (02/02/1985-22/02/1986)
Exibição no Brasil: Manchete – Record – CNT/Gazeta
Distribuição: Everest Vídeo
Disponível em: VHS

Última Atualização: 12/06/2007

No ano de 1975, o desenhista Shotaro Ishinomori deu vida (literalmente, através do live-action) a mais uma obra de sua autoria: Himitsu Sentai Go Ranger (Esquadrão Secreto Go Ranger). Nascia então o mais bem sucedido gênero dos seriados tokusatsu de todos os tempos: os Sentais. Sentai, que em japonês significa esquadrão, é um estilo de produção que traz como característica principal, uma equipe onde cada integrante possui uma cor diferente. A missão de tais esquadrões é enfrentar uma organização maléfica que tem o objetivo sagrado de todo vilão de seriados nipônicos: conquistar a Terra. A partir de 1979, o gênero passou a ser chamado de Super Sentai, por conta de algumas inovações que a série Battle Fever J (inacreditável co-produção entre a Toei e a Marvel Comics) trouxe, como o clássico “robô gigante” do time.

A cada ano, a Toei produz uma série com um tema diferente sempre repetindo a essência básica da pioneira produção de Shotaro Ishinomori. Ao longo dos anos, poucas séries conseguiram adicionar algum elemento extra ao gênero, e hoje em dia as produções possuem roteiros bem menos dramáticos que alguns clássicos produzidos durante os anos 80, visando unicamente o lucro com a venda de produtos e o mercado ocidental.

Dengenki Sentai Changeman não foi uma série que mostrou muitas novidades ou se tornou uma febre durante sua exibição original no Japão (entre 1985 e 1986). Mas ganhou um status de clássico para os brasileiros por ter sido o primeiro Super Sentai exibido no país.

Esquadrão Relâmpago: Chageman!!!
Changeman foi a nona produção do estilo lançada no Japão. Ao todo, foram produzidos 55 episódios e 2 especiais para cinema (curtas-metragens exibidos em festivais da Toei Company). A produção contou com um elenco de atores bastante carismáticos e a química entre eles fez sucesso até no Japão. No elenco destaca-se o ator Shiro Izumi, que interpretou o Change Pegasus e até foi o dublê do monstro Godzilla! O visual da série é consideravelmente melhor que o da produção do ano anterior (Choudenshi Bioman, inédita no Brasil) em todos os aspectos. No quesito inovação, a produção lançou a moda das “bazucas” pros esquadrões. Antes de Changeman, as equipes usavam alguma combinação especial de contra-ataque em equipe.

Mesmo a série sendo um clássico para muita gente, vista hoje em dia, não conseguimos deixar de notar os furos berrantes que, dependendo do seu humor, provocam risos involuntários. Não tem como não questionar de onde saem aquelas bazucas que os heróis sacam no último instante antes do monstro se gigantizar com o raio de energia do célebre Gyodai. E por que raios eles não usavam a bazuca pra explodir o bicho feioso depois de acabar com o monstro?! O robô da equipe, formado pela união de três veículos distintos, possui sérios problemas de proporcionalidade – os veículos parecem pequenos quando saem da Base Shuttle, mas quando se unem ficam gigantescos. Algumas maquetes do seriado eram amplamente ridículas – como o planeta Technolíquel da garota Nana, que não passava de um descampado com pirâmides de cartolina branca x_x. Falando em maquetes mal feitas, o último episódio mostrou os heróis dentro de um planeta vivo. Só que dentro do tal planeta tínhamos a impressão de ver um cenário de festa do Big Brother, cheio de conduítes e plástico bolha x_x.

Tem situações que são involuntariamente cômicas quando se presta bem atenção. Uma delas é o golpe final do Change-Robô com a espada relâmpago. Em seu cockpit, Change Dragon apertava o botãozinho B, empurrava duas alavancas e fazia gestos que se traduziam em uma coreografia complexa do robô. Êta butãozinho mais eficiente hein? Até uma criança de 3 anos podia operar! Mas isso é só uma das muitas situações nonsense da série…

Vamos Change!
O Império Gozma (Hihihi… Começô!) destrói planetas pela galáxia afora em nome do Senhor Bazoo – uma criatura bem esquisita sem pernas e braços e uma cara de quem toma Biotônico Fontora todo dia (ele vivia de cara feia :P). O novo alvo do Império é a Terra e o comandante Giluke (que tem cara de manguceiro) inicia a invasão pondo os feiosos soldados Hidler para atacar um grupo de militares em treinamento. Durante o corre-corre, cinco jovens se perdem e são cercados pelos inimigos.

Subitamente, um terremoto manifesta uma misteriosa e lendária energia chamada de “força terrestre”. Tsurugi, Hayate, Ozora, Sayaka e Mai são banhados pela energia e ganham colantes roupitchas que os transformam no Esquadrão Relâmpago Changeman. Liderados pelo severo comandante Ibuki (que a dublagem insistia em chamar de sargento), os Changeman fazem parte de uma organização chamada Defensores da Terra, que já esperava por uma invasão alienígena e por isso treinava jovens para enfrentar uma guerra inevitável – alem de construir equipamentos com motos e veículos extravagantes que se unem formando um robô com cabeça de giz de cera…

Além de um vasto arsenal, os Changeman também fazem uso de técnicas especiais que não permitem que os monstros enviados do Império Gozma durem muito. Os trunfos máximos da equipe são a “Power Bazuca” (um bazucão onde enfiam um supositório gigante para explodir o monstro do dia ò_ó) e o Change-Robô. A corja de vilões liderada por Giluke conta com a presença do pirata espacial Buba (um dos melhores vilões, no aspecto visual, que já deu as caras em um tokusatsu), a muieh com voz de macho Shima (seria o primeiro transex dos tokusatsus?? @_@), o atrapalhado Gata (um bicho verde com calça camuflada e olhos de briquedo @_@) e o sempre útil Gyodai (que disparava o raio gigantizador depois do monstro virar caquinhos).

No decorrer da série surge a maligna Rainha Ahames, que toma o lugar de Giluke no comando após a morte do paspalho. Giluke retorna pra dar mais dor de cabeça como “Super Giluke”. Perto do final da série, Super Giluke começa a transformar os aliados de Gozma em monstros espaciais e isso faz com que um por um vá virando a casaca pro lado do bem. Todos os inimigos seguiam Bazoo pela esperança de um dia conseguirem restaurar seus planetas. Só que demoraram um bocado pra reparar que esse dia nunca chegaria.

O ápice da série talvez seja a destruição da base secreta dos heróis. Após a morte de Buba (numa cena inesquecível) e a traição de Gata e Shima (que vira muieh com voz de muieh :P), Ahames fica sozinha na nave Gozma e é transformada no monstro espacial Mezu. Usando uma espátulazinha de bolo (hihihi), a criatura faz o que nenhum vilão tinha pensado até o momento: descobrir a base secreta dos Changeman e explodir tudo. Aliás, pensar não parece ser o forte dos vilões de seriados tokusatsu mesmo…

Lamentavelmente, a série não teve um final à altura do que apresentou ao longo dos mais de 50 episódios que teve. O pior de tudo é que até o penúltimo episódio, a série era realmente muito boa! Aproveitando a modinha do cometa Halley (se você viveu nos anos 80, sabe o que foi isso), inventaram uma historinha forçada para acabar com a série. O tal “segredo de Bazoo” nem se compara a outros “segredos” (como quem era o Monarca La Deus de Flashman). Só queria saber porque logo no último episódio resolveram fazer algo tão ruim… Até os “movies” da série conseguem ser não muito cretinos.

Never Stop Changeman!
Changeman, ao lado de Jaspion, se tornaram sinônimos de heróis japoneses no Brasil inteiro. Não havia coisa melhor que os enlatados japoneses nos fins de tarde da década de 80. Em termos de sucesso, Jaspion acabou saindo-se melhor. Brinquedos da série foram lançados pela empresa de plásticos Apolo, mas eram grotescamente feios (bonecões de vinil e bonequinhos de plástico com adesivos colantes pra por na roupa). Era mais divertido ter a máscara (dos heróis), e a espada e escudo do Change-Robô (?) que vendiam num Kit. Também teve uma série de fantasias feitas de um material que até toalha de papel é mais resistente hoje em dia.

Ainda falando de quinquilharias, a série teve álbum, bala, chiclete, lancheira, mochila, música do Trem da Alegria, Circo Show – a coisa mais louca do mundo com artistas circenses vestindo as fantasias originais da série de tevê – LP (com a bizarra canção da “Winnie, a Garota do Planeta Star” – Quem?!), matéria na Veja (!!!) e um local eterno na mente de quem foi criança na época.

A dublagem feita nos estúdios da Álamo contou com um elenco de vozes legais, embora algumas tenham sido trocadas repentinamente depois do episódios 16 – como a do Change Dragon feita pelo dublador Paulo Ivo e substituita por Ricardo Medrado e o dublador da Shima (Borges de Barros no lugar da cavernosa voz de Mário Jorge). O eterno Saga de Cavaleiros (Gilberto Baroli) fez um comandante linha dura excelente dublando o sargento Ibuki. Aliás, o termo sargento era exclusivo da dublagem brasileira.

Curiosidades da dublagem: a 2ª voz de Shima chegou a ser substituida durante seis episódios por outro dublador – Líbero Miguel, que dublou o Monarca La Deus de Flashman. O mesmo 2º dublador da muieh mais esquista dos tokusatsus dublava também o feioso bicho verde Gata! Versátil o ator que também dublou o velho Edin em Jaspion, né? E em início de carreira, também integrou o elenco ninguém menos que Wendel Bezerra, o Goku adulto, fazendo o filho feioso do Gata. Legals né?

A Everest lançou TODA série em vídeo e a empresa Intermovies, chegou a relançar toda série em VHS na metade dos anos 90 – sequer se dando o trabalho de trocar capas, que vinham com imagens de outros seriados tokusatsu como Bioman (inédito) e Bicrossers (lançados pela Globo). Hoje, Changeman não impressiona mais criança alguma, mas quem é fã de verdade jamais vai levar esses detalhes de tempo e produção, conseguindo curtir com a mesma empolgação que há 20 anos atrás. De que forma? Basta voltar a ser criança ;).

Checklist Episódios
01 – Os defensores do planeta Terra
02 – A ira do poderoso Bazoo
03 – O desespero de Zoobie
04 – O desaparecimento de Togo
05 – O mistério do cristal X
06 – Cuidado, meninas de virgem
07 – O enviado do planeta Atlanta
08 – As mulheres vampiras
09 – A bola Dragão salva a humanidade
10 – O toque dos bonecos
11 – A visita de Koko e Kiki
12 – Mermaid se torna mãe
13 – A garota do planeta Technolíquel
14 – Perdida na Terra
15 – A motoqueira Mai
16 – O anjo do planeta Meril
17 – O navio fantasma
18 – O poder de Ahames
19 – A fúria de Sayaka
20 – A revanche de Giluke
21 – O metaleiro espacial
22 – A prisioneira do espelho
23 – O menino e o golfinho
24 – A fuga de Gyodai
25 – Canção fatal
26 – Toque da primavera
27 – O sonho da família Gata
28 – A maldição sangrenta
29 – A lenda da borboleta dourada
30 – Avante, Pégasus!
31 – O segredo de Bazoo
32 – Reencontro perigoso
33 – O fim de Giluke
34 – Invencível Ahames
35 – S.O.S. planeta Terra!
36 – A super potência
37 – O desaparecimento de Dragon
38 – O espectro do baseball
39 – O jogo do medo
40 – O estranho doce
41 – O príncipe das estrelas
42 – A garota de uniforme escolar
43 – O Super Giluke
44 – Mai em ação
45 – Aira, a menina do arco-íris
46 – A transformação de Shima
47 – O sofrimento da família Gata
48 – A paixão de Buba
49 – A aflição de Shima
50 – O abalo de Gozma
51 – A mensagem de Nana
52 – A morte de Buba
53 – A vingança de Ahames
54 – A última batalha
55 – Adeus, heróis do universo!

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