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Popolocrois
Popolocrois Monogatori (Histórias de Popolocrois)
Produção: Bee Train, 1998
Episódios: 25 p/ tv
Criação: Baseado no game da Sony
Exibição no Japão: Tv Tokyo (04/10/1998-28/03/1999)
Exibição no Brasil: Cartoon Network - Globo
Distribuição: Columbia Tristar

Última Atualização: 13/06/2007

Por Tio Cloud

Confesso que quando fui assistir à Popolocrois não sabia do que se tratava. E quando o anime começou, a primeira coisa que me veio à cabeça foi “um anime baseado nos games Zelda de Super Nintendo”, devido ao visual “sd” (super deformados, ou se preferir, achatados, esmagados…) dos personagens. Na verdade, eu não estava totalmente enganado. O anime em si não tinha nada haver com Zelda, mas ambos tiveram a mesma origem: os video games.

Em 1996, o todo poderoso Playstation da Sony estava em total ascenção. Nesse ano, a empresa lançou para o console um game de RPG que, apesar de não ter virado febre, conseguiu um pequeno status dentre tantos títulos do gênero lançados na época. O nome do game era Popolocrois. Ao contrário dos games lançados na época, que procuravam utilizar ao máximo a capacidade do console da Sony, Popolocrois ia pela contramão: usava elementos (e o visual!) dos games clássicos da era 8/16 bits, e conseguiu arrebatar jogadores nostálgicos e cativar pela sua simplicidade, ao mesmo tempo que apresentava desafios interessantes e personagens carismáticos. Com o sucesso mediano, mas mesmo assim satisfatório, a Sony começou a preparar a sequência, mas dessa vez queria fazer mais barulho. Foi então que ela uniu-se ao até então desconhecido estúdio Bee Train, resultando Popolocrois, o anime.

Ao transpor os personagens pro acetato, mantiveram o visual “kawai/sd”, e isso se mostrou uma faca de dois gumes: apesar do design fiel à proposta dos games, dando ao anime um visual único, a decisão acabou afastando o público mais, digamos… “normal”, que ao olhar os personagens, não iam com a cara do mesmo, considerando-o infantil. E aí está um grande problema dos otakus: por caus disso, a maioria costuma deixar de lado animes muito bacanas, perdendo assim a oportunidade de descobrir que existem coisas mais importantes além de um character design “fodônico”. E a principal delas é o roteiro, ou melhor, a forma com que ele se desenvolve.

Popolocrois tem uma animação bem consistente, não deixando a peteca cair em nenhum momento, ao mesmo tempo que mostra um roteiro, que, apesar de não ser nada fantástico nem inovador, consegue prender a atenção do expectador menos exigente, aquele que procura um anime pra passar o tempo, e, principalmente: se divertir. A história da série animada não segue exatamente o roteiro do game, mas conta de uma forma mais rápida a mesma história da versão para o console da Sony, com algumas diferenças, já que transpor um jogo de RPG pras telas não é lá muito fácil.

A série estreou em outubro de 1998 na Tv Tokyo, e assim como o game, teve um sucesso apenas ameno, mas conseguiu chegar a seu propósito: fazer propaganda pra sequência do jogo, lançada quase que simultâneamente ao anime.

A historinha
O pacato reino de Popolocrois é governado por um rei baixinho e uma rainha um metro maior que ele (O.o).A história é focada no príncipe Piedoroshi (Pietro, no original, sabe-se lá porquê usam os dois nomes por aqui…), destinado a herdar a coroa do reino, e seus amigos, a fadinha Narusha (que tem uma quedinha por ele) e a feiticeira velhota Giruda.

Não muito distante do reino, num monte de sucata empilhada, mora o Sr. Bigode (mais um nome brazuca, no original é Gomugomu), um velho esquisito (e o personagem mais divertido do anime) que parece ter saído de um game da série Bomberman (XD), que passa seu tempo bolando planos para derubar o Rei e assumir o trono de Popolocrois. À sua disposição está um exército de robôs, que põem em prática seus planinhos maquiavélicos (e na maioria das vezes, birutas), sempre frustrados.

A história começa quando surge, misteriosamente, uma garota chamada Ryosama (Hyuu no original), que pra espanto de todos os habitantes do pacato reino, tem a capacidade de voar. A menina, que anda na companhia de dois protótipos de Pokémon, no caso os estranhos Amarelinho e Rosinha (que parecem vegetais e “digivolvem” para uma forma humana-gigante sempre que a garota precisa de ajuda) se torna amiga de Piedoroshi, e é claro, desperta os ciúmes de Narusha. Só que Ryosama também se torna a mais nova pretendente do Sr. Bigode, que quer a todo custo que ela seja a futura rainha de Popolocrois a seu lado (caso ele consiga tomar o reino, é claro).

Só que a garota faz parte da lendária família dos ventos, e por isso não pode viver na companhia de humanos, precisando assim encontrar uma forma de voltar pra casa. O roteiro do anime se centra basicamente nisso: enquanto protegem o reino do patético (porém, engraçado) Sr. Bigode, Piedoroshi e seus amigos procuram ajudar Ryosama a desvendar seu passado, e é claro, voltar pra sua terra de origem. Mais adiante, ainda se junta ao time o Cavaleiro Shirukishi, que volta ao reino de Popolocrois em busca de uma espada valiosa e acaba ficando pra enfrentar o Sr.Bigode.

Ao longo da série, esse roteiro simples evolui e logo ocorrem reviravoltas e revelações que deixam o anime ainda mais interessante.

No Brasil
Popolocrois veio pro Brasil em um pacote de desenhos comprados pelo Cartoon Network da distribuidora Columbia Tristar (no qual também continha Street Fighter II-V). O anime estreou sem muito alarde (aliás, nenhum) em dezembro 2001, no bloco pra crianças em idade pré escolar do canal, o Mundo Pequenino (ao lado de outro anime também kawaii, Hello Kitty) no ingrato horário das 07:00 da manhã. E aí está um dos problemas da exibição no Brasil: por causa do visual infantilóide, logo os programadores do canal acharam se tratar de um desenho meramente infantil, o que não é o caso, já que Popolocrois tem potencial pra agradar a todas as idades. Um pouco depois, o anime esteve por um curto período de tempo no horário da tarde, mas tempo insuficiente para chamar alguma atenção.

Pouco mais de 1 mês depois da estréia no Cartoon, Popolocrois foi parar na programação da Globo dentro da Tv Globinho, em janeiro de 2002, num fato inédito, já que a janela de exibição de um programa da tv paga pra aberta costuma ser de 6 meses a 1 ano. Felizmente na época, a Globo começou a exibir a abertura (ou partes :P) dos seus desenhos, e como o anime veio com a música em japonês, a emissora logo tratou de encomendar à Parisi que fosse feita uma canção em português. Sendo assim, quem assistia no Cartoon via a abertura no original japonês, e em nosso idioma pela Globo.

A série ainda teve a sorte de receber uma ótima dublagem, contando com nomes conhecidos do público como Nelson Machado (o narrador de Street Fighter II - V) como o Sr. Bigode, Raquel Marinho (Chi Chi de DBZ) como Narusha e Melissa Garcia (Vampire Princess Miyu, Erika de Medabots) como Ryosama. A adaptação para o português ainda teve liberdade pra incluir brincadeiras em algumas falas, como uma em que o Sr.Bigode diz “Calem-se, calem-se, calem-se, vocês me deixam louco ! “, famoso bordão do personagem Kiko do seriado mexicano Chaves, que consagrou Nelson no mundo da dublagem.

Depois da série
Ainda hoje, vários games da “grife” são lançados no Japão, ou seja, a marca continua firme e (quase XD) forte no mercado japa, e prova disso foi uma segunda série entitulada Popolocrois Monogatori - Hajimari no Bouken, que foi exibida na Tv Tokyo em 2003 e novamente serviu pra alavancar a venda da 4ª versão do game, lançada na época. Essa nova fase, dessa vez produzida pela TMS (Monster Rancher e Rayearth), mostra Piedoroshi e Narusha já casados, como rei e rainha de Popolocrois. Só que agora eles têm um filho, o pequeno Pinon. A história foca-se no garotinho, e mantêm o mesmo traço característico da série antior. Essa fase permanece inédita por aqui.

Popolocrois é um ótimo exemplo de que um anime com temática (e visual!) aparentemente infantil pode ser tão divertido quanto um com ar mais “cool”. É também um bom exemplo de como uma história singela pode ser simpática e prender a atenção espectador, sem precisar apelar pra passagens psicológicas e indagações filosóficas que nem os criadores conseguem entender. Alguém aí falou Evangelion?

Checklist Episódios
1. A menina do vento
2. O Deus do trono
3. O Cavaleiro branco
4. A próxima mágica
5. Anemoritus
6. O elixir do amor
7. A ave de ouro
8. O grande ataque
9. Duas amigas
10. Quem é o mais sábio?
11. Uma pequena semente
12. Príncipe demais
13. As crianças sempre podem
14. Uma nova amiga
15. Busque-me no céu
16. Tormenta de flores
17. A praia do paraiso
18.-O bosque da ilusão
19. O vento e a mágica
20. Doce tentação
21. A cerimonia de infortuno
22. O chamado do vento
23. O destino da Dinstia do Vento
24. A vez do Adeus
25. Uma nova história

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