Resenha: Buso Renkin Volume 1 – Editora JBC

Do mesmo criador de Samurai X!

Buso Renkin (ou ainda Busou Renkin – Alquimista Armado) é uma série criada pelo consagrado mangaká Nobuhiro Watsuki autor de Samurai X (já publicado no Brasil pela JBC). O mangá estreiou na edição 30 de 2003 da revista Weekly Shonen Jump e chegou ao fim na edição dupla 21-22 de 2005 como consequência da falta de popularidade da série nos questionários da revista. Ao todo foram 80 capítulos divididos em 10 volumes.

Mesmo com o cancelamento da série, foi produzido um anime com 26 episódios que cobre todo o mangá, o anime teve apenas algumas diferenças para a hq, além de um final alternativo. Buso foi publicado pela Viz nos Estados Unidos, pela Editora Glenat na França e pela Tokyopop na Alemanha. Também foram produzidos dois Drama-CDs da série no Japão.

Busou Renkin conta a história de um garoto chamado Kazuki Muto que acorda de um pesadelo onde ele salvava uma garota e acabava sendo morto por um monstro. Morrer era tão doloroso no sonho que ele despertou assustado fazendo tanto barulho que acabou perturbando todo mundo no alojamento escolar.

No dia seguinte ele e seus colegas vão para a escola e só chegam quando o portão estava quase se fechando. Como sua irmã estava mais atrás, ele corre para colocá-la para dentro antes que o portão (que parece ser automático) se feche. Por pouco ambos não são acertados e é então que um professor linha-dura aparece e dá uma bronca nos dois por estarem um segundo atrasados. Esse professor é o Mita, conhecido por ser rígido, mas parece que agora ele está exagerando na rigidez com que trata os alunos. Durante o intervalo das aulas, Kazuki, seus amigos e sua irmã (chamada Mahiro) conversam sobre isso e o jovem reclama que está sentindo dores no coração desde a noite anterior.

Bate o sinal de fim das aulas, Kazuki recebe uma mensagem estranha no celular dizendo para ele cuidar bem de sua nova vida. Ele não pensa nisso e vai limpar o mato no jardim da escola. Por causa do atraso Kazuki tem que fazer essa limpeza sozinho pois ofereceu ao professor para fazer tudo por conta própria já que este era o primeiro dia da sua irmã na nova escola. Ele só pede a ela que guarde o seu jantar.

Quando termina tudo e está indo embora de volta para o alojamento, o professor vem falar com ele. Curiosamente, Mita está com a mochila  de Kazuki: a razão disso é que ele a perdeu no dia anterior quando tentou salvar uma donzela em perigo. Ele se lembra disso ao ver seu professor se transformando – por pura coincidência Mita era o mesmo monstro que atacou a garota em seu sonho na noite passada.

Kazuki está fugindo da cobra gigantesca em que Mita se transformou quando seu telefone chama: é a garota do sonho. Ela explica que o professor já não é mais humano e sim uma espécie de monstro chamado homúnculo, um tipo de ser que se disfarça de gente para se alimentar das pessoas ao seu redor.

A garota libera o seu poder via celular, mas ele não sabe que poder é esse e não consegue fazer nada. Quando o monstro está prestes a alcançá-lo, sua irmã aparece e acaba sendo devorada inteira pela serpente gigantesca. Ele usa um cano de metal para bater na cobra aonde fica o que seria o rosto do professor, mas isso não adianta muito e só serve para deixar o monstro ainda mais irritado.

Como todo vilão que fala demais o professor diz que não adianta tentar ferí-lo com algo que não seja alquímia, pois ele foi criado por ela e só pode ser destruído desta forma. Isso faz Kazuki se lembrar da noite anterior e com isso ele se lembra de como ativar a sua Buso Renkin, que significa Armamento Alquímico e foi o que a garota misteriosa usou para curá-lo do buraco que a serpente abriu em seu peito na noite anterior. O Buso Renkin de Kazuki tem a forma de uma lança e usando-a ele consegue resgatar sua irmã Mahiro, mas quem liquída o homúnculo é a misteriosa garota de uniforme colegial do sonho de Kazuki.

Depois de toda a ação acabar ela explica que estava se fazendo de isca na noite anterior para poder atrair os homunculos que se escondem na fábrica perto da escola que os jovens estudam e ele morreu por pura imprudência. Só que ela gostou da atitude dele e resolveu salvá-lo usando algo chamado Kakugane. A Kakugane além de se transformar em Buso Renkin funcionaria como o coração que foi destruído na noite anterior pelo homunculo que um dia foi o seu professor Mita. Dessa forma começam as aventuras de Kazuki que a partir daí tem que aprender a usar sua arma e o seu relacionamento com a misteriosa garota vestida de colegial.

Buso Renkin não é um mangá que reinventa o gênero shonen, tampouco tem algo de inovador, mas é leve, divertido e muito gostoso de ler. A arte do Nobuhiro Watsuki apesar de simples está boa e os homúnculos foram lindamente desenhados. Os cenários são muito bonitos também. Os capítulos são encerrados com ganchos e realmente te instigam a continuar lendo a trama. Os personagens são extremamente carismáticos, é fácil gostar deles. Os vilões também são interessantes e os poderes deles também são muito legais.

Uma das coisas mais interessantes  no mangás são os extras. Neles Nobuhiro Watsuki conta como criou os personagens, suas características principais e o que ele queria dizer com cada capítulo, além de também comentar sobre algumas censuras e de como é o trabalho dele como autor de shonen.

O autor relata como a fórmula que ele usou para o primeiro capítulo é batida, mas essa é a diferença de um profissional e um novato. Apesar da premissa ser manjada a qualidade do material que ele produz é excepcional. Mesmo não trazendo nada revolucionador a história te prende de um jeito que você não vai querer largar o mangá depois que começar a ler e vai ficar esperando ansiosamente pelo próximo volume, mesmo sabendo que o mangá vai seguir aquela fórmula típica do shonen. É aqui que vale lembrar que o ruim não é o clichê, mas como o autor se utiliza dele.

A adaptação da JBC está muito boa, o texto flui sem ruídos, as gírias estão presentes para dar coloquialidade ao mangá e não para chamar a atenção. Algumas pessoas reclamaram das expressões ‘fuá’ e ‘caguete’, mas não consigo ver nada de errado com elas, a meu ver elas são bem difundidas no nosso país. Fuá é uma gíria antiga do tempo dos brotos e bichos e significa a mesma coisa que mafuá ou simplesmente bagunça. Caguete é uma gíria de pivete, mas não é nada que não exista no dicionário ou que não apareça em filmes como Tropa de Elite da vida – caguete para os que não sabem é o mesmo que cagueta, alcagueta, dedo-duro, X-9… A única coisa que não está ao meu gosto no mangá é a falta de honoríficos, mas eles são uma opção da editora e não é sempre que fazem muita diferença.

A edição está competente, sem quadros mal-editados ao longo das leituras que fiz. Uma das coisas que me incomodou foi um leve corte na parte superior das páginas, dá para perceber isso melhor comparando a scan da página 44 com o mangá. Na scan dá para ver parte do cabelo da Tokiko, já no mangá da JBC só dá para ver a ponta dos cabelos dela, também dá para notar isso comparando o mangá com a scan da splash das páginas 6 e 7.

A outra coisa que me incomodou é que não há margem suficiente antes da impressão, apesar do autor não usar muito as beiradas ao longo do mangá, nas páginas duplas fica difícil ver os detalhes que há no meio da ilustração. Na mesma ilustração das páginas 6 e 7 não há como abrir o mangá o suficiente para vê-la por inteira, acontece o mesmo com a  página dupla 78 e 79.

A parte gráfica está a mesma de sempre, não consegui achar no serviço do mangá, mas acredito que ele tenha sido impresso na gráfica Cunha-Facchini que é empresa que faz o serviço gráfico tanto para a JBC quanto para a Panini. O moiré é leve e pelo menos neste volume não consegui encontrar borrão nenhum ou falhas na impressão e nenhum vincão também. Se vocês encontrarem algum problema sério nos mangás de vocês lembrem que é direito do consumidor trocar produtos defeituosos, ninguém é obrigado a levar mangás com manchas ou falhas de impressão para casa.

Uma das coisas que me incomoda é o mangá vir aberto sem lacre de proteção. Infelizmente os jornaleiros não costumam ser cuidadosos e os mangás são tirados de qualquer maneira dos cestos da transportadora e enfiados sem zelo algum nas prateleiras (em muitos locais é raro ver algum mangá na posição correta nas bancas de jornal, é quase regra vê-los invertidos como se fossem livros em sentido de leitura ocidental).

Outro problema que surge da falta de um lacre é que qualquer pessoa pode mexer, assim os “filões de banca” acabam esgarçando ao folhear o seu mangá antes de você. A situação é pior para quem mora na fase 2, pois o mangá sofre muito ao ficar exposto por pelo um mês nas bancas da fase 1 e com o manuseio de dois jornaleiros e o transporte que acontece duas vezes. Para quem mora na fase 2 é triste o estado lastimável que alguns mangás chegam.

Buso Renkin é um mangá muito interessante e divertido, vale a pena investir e comprar o título. Os  lançamentos dessa leva do segundo semestre estão excelentes, está saindo muito mangá que realmente vale a pena colecionar e Buso definitivamente é um deles, tanto pelo mangá que é ótimo quanto pela parte editorial que está muito boa. Esperamos que a JBC continue assim e nos surpreenda usando todo o cuidado que teve com este título nos seus futuros lançamentos.

Título – Buso Renkin
Autora– Nobuhiro Watsuki
Gênero
– Shonen
Formato – 13,5 cm X 20,5 cm, 190 Páginas
Duração
– 10 Volumes (concluído)
Preço
– R$10,90
Periodicidade
– Mensal

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