Resenha: Brave 10 Volume 1 – Editora Panini

Mangá faz salada histórica.

Brave 10 é um mangá seinen produzido desde 2007 por Kairi Shimotsuki para a antologia mensal Comic Flapper (casa de Dance in the Vampire Bund e Vampire Hunter D) da editora Media Factory. Kairi ficou conhecida do grande público japonês quando desenhou uma adaptação do jogo Sengoku Basara chamada Sengoku Basara Ranse Ranbu (completa, 3 volumes).

O mangá já conta com 7 volumes no Japão e ainda está em andamento, chegando a ganhar um Drama CD que saiu em 2007 e não é difícil que em breve saia um anime.

Para entender a obra é preciso saber que a trama se passa em um período da história do Japão que é muito popular e Brave 10 é a adaptação da adaptação, digo isso porque houve realmente um Yukimura Sanada que lutou contra Tokugawa e que o venceu e unificou o Japão sob o regime do xogunato que durou por 250 anos, (não, isso não é spoiler, é história do Japão e quem compra o mangá por lá sabe disso por ter estudado na escola). Pois bem, Yukimura Sanada é uma personalidade muito popular e lá pelo fim do século XIX alguém criou o conto dos 10 Bravos de Sanada (Os Brave 10), esse conto diz que Yukimura decidiu escolher 10 ninjas (Sasuke Sarutobi, Kirigakure Saizou, Miyoshi Seikai, Miyoshi Isa, Anayama Kosuke, Unno Rokuro, Kakei Juzo, Nezu Jinpachi, Mochizuki Rokuro e Yuri Kamanosuke) e eles lutaram em diversas batalhas contra Tokugawa, principalmente no Castelo de Osaka.

Sabendo disso nós podemos ir além e ver que essa história se tornou muito popular no Japão e foi adaptada diversas vezes para as mais variadas mídias: Samurai Deeper Kyo e Sengoku Basara são algumas das mais conhecidas por nós ocidentais. A ideia de trabalhar com esse período da história japonesa deve ter começado pelo fato da Kairi Shimotsuki ter adaptado Sengoku Basara para mangá, mas é claro que ela tomou liberdades quando criou Brave 10, liberdade até demais para falar a verdade.

Há um incêndio no templo de Izumo e ninjas enviados por Tokugawa atacam matando todos e saqueando o templo. O monge Kannushi se sacrifica para que Isanami, a jovem miko de Izumo possa escapar e diz para ela procurar ajuda com Yukimura Sanada em Shinshuu. Enquanto isso o ninja Saizou Kirigakure está definhando, ele não come há três dias, não tem dinheiro algum, não há trabalho para alguém como ele. Momentos depois uma jovem aparece fugindo e ele a protege dos ninjas que a perseguem. Isanami pede para Saizou escoltá-la até Shinshuu, ele recusa, mas a jovem oferece para pagar suas refeições o ninja acaba aceitando escoltá-la em troca de comida. Quando ele descobre que Isanami quer ir até o castelo de Shinshuu Ueda tenta ir embora para evitar encrencas, mas é tarde e ele é atacado por Sasuke Sarutobi que estava escondido na floresta. Os dois começam a lutar por causa da rivalidade entre os ninjas de Iga e Kouga (rivalidade clichê de shonen, tem certeza que isso é seinen?) e depois de algumas páginas de luta inútil só para mostrar como os dois são fortes Isanami interrompe a luta e exige ver Yukimura Sanada.

Sanada se recusa a ajudar Isanami, ele diz não querer se meter em vinganças, mas concorda em deixá-los passarem a noite no castelo de Shinshuu Ueda, mas no dia seguinte ambos teriam que partir. No meio da noite Sasuke vai embora e a garota vai atrás dele – não adiantaria de nada sair de lá sem ter segurança. Nesse momento eles são atacados pelos perseguidores de Isanami e Tokugawa, que estava de tocaia esse tempo todo, finalmente se revela. Na verdade ele queria saber quem estava perseguindo Isanami, e esses homens são ninjas de Tokugawa. Logo o verdadeiro poder de Isanami se revela, uma esfera negra de energia destrói tudo ao seu redor quando ela corre risco de morte.

O mangá tem um bom começo, é clichezento, mas é divertido, o problema é o rumo que as coisas tomam nos capítulos seguintes. As histórias não são interessantes e do nada o segundo capítulo vira um festival de ecchi, que diminui quase que totalmente nos próximos capítulos e a autora passa a atirar para todos os lados – tem até insinuação yaoi.

Uma coisa que perceptível é que depois do segundo capítulo a autora para de usar Isanami para fanservice, ela tem diversas oportunidades para isso durante uma dança que a jovem apresenta, mas escolheu não apelar. Isso foi sábio por parte dela, afinal Isanami é uma miko, ou seja, uma sacerdotiza sagrada que guarda a virgindade em honra aos Deuses, não ficando bem colocar a coitada de quatro, nem mostrando os seios.

O fansevice que aparece depois do capítulo dois fica a cargo de Anastasia, uma personagem desenvolvida especialmente para a história. Outra coisa interessante é que ela é uma amiga de infância de Saizou, então como é russa, fala o idioma e passou por um treinamento ninja? É detestável ver ninjas congelando lagos, atirando milhares de kunais ao mesmo tempo, fazendo mágicas com animais… afinal de contas, isso é um seinen ou é Naruto?

Lembro ter detestado a história ao ler o primeiro volume, depois de ir para o segundo e reler tudo novamente passei a achar um mangá de aventuras inócuo, como qualquer outro. Não há uma característica sequer que o faça brilhar, a única coisa que faz esse título se destacar são umas adatações que podem ofender quem tem um gosto mais tradicional. Aqui segue uma listinha das mudanças nos personagens vistos até agora:

Sasuke Sarutobi está bem parecido com o habitual, Saizou Kirigakure foi transformado em protagonista, Miyoshi Iza foi substituido pela miko Isanami do templo de Izumo e outro personagem que mudou de sexo foi Anayama Kosuke que foi trocado pela russa Anastasia. Também temos Unno Rokurou que foi mantido como segurança/mordomo de Yukimura Sanada e Kakei Juzou. Os outros personagens ainda não apareceram na história.

Uma das coisas mais incômodas no mangá foi ver o traje tradicional de miko adaptado para “aquilo”, enquanto uma miko (noiva do templo) tradicional veste um haori branco (a parte de cima do quimono) e um hakama vermelho (uma espécie de calça larga). O traje da Isanami é um mini-mini-mini-quimono com uma espécie de mini-legging, uma roupa perfeita para ir a eventos formais como um baile funk ou sair pra balada. Recomendavel ler o mangá escutando Gaiola das Popozudas, bate uma identificação. Quem reclamou da Yuna em Final Fantasy X-2 não leu Brave 10, definitivamente! Outra coisa chata é que a autora não se decide por uma cor para o cabelo da Isanami, as vezes é branco, as vezes é castanho claro, as vezes ela é loira e já apareceu até com cabelo verde.

A arte é de Kairi Shimotsuki é boa, muito boa, talvez fosse o caso dela trabalhar com alguém que consiga desenvolver um roteiro consistente, é um desperdício ver alguém com um traço tão bonito fazendo um mangá como Brave 10.

A edição da Panini ficou ótima, tudo está muito bem editado e adaptado. Os comentários e ilustrações das orelhas do mangá foram colocados nas contra-capas e infelizmente não são coloridos, mas como o original não é colorido então está tudo bem. O texto é fluido sem muitos ruídos, mantiveram os honoríficos, colocaram um glossário.

Infelizmente a edição cortou a parte de cima de algumas páginas, mas as beiradas estão bem legíveis. Ainda é preferivel esse formato quadradão de 13 x 18 por não cortar as beiradas, nem atrapalhar a leitura dos balões nas beiras do que o formatão que atrapalha a leitura do que está nas bordas.

Seria legal se a Panini fizesse como extra uma reportagem sobre o período Sengoku, as notas do glossário contém pouca informação para o leitor de primeira viagem que conhece zero sobre a história do Japão.

Como já dito a impressão geral que o mangá passa é de falta de organização e rumo, é tudo solto demais, falta coesão e um objetivo, não é legal acompanhar uma série que muda de rumo a cada capricho da autora, mas aparentemente no segundo volume ela começa a entrar nos eixos.

Título: Brave 10 –  Dez Bravos Volume 1
Autora: Kairi Shimotsuki
Demográfico: Seinen
Gênero: Ação/Fantasia
Formato: 13 x 18cm, 194 Páginas
Duração: 7 Volumes (em andamento no Japão)
Preço: R$9,90
Periodicidade: Bimestral

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