Mangá: O Grande Guia dos Formatos

Mais um aulinha com Allena-sensei.

No Japão os mangás geralmente não são lançados em formato livro logo de cara. Imitando o estilo europeu, os quadrinhos por lá são primeiramente serializados em “revistas” (em japonês pode-se chamar de anthology ou magazine). Cada revista é voltada para um público ou um tema em específico.

Existem centenas delas, cada uma com sua periodicidade (mensal, semanal, semestral, etc), estilo, preço e encardenação, mas normalmente são do tamanho de uma lista telefônica com muitas páginas. O papel usado é horrível, do tipo jornal, a impressão é pobre e fraca, muitas possuem o conteúdo separado por cores (o capítulo vem todo de um tom azul, vermelho, verde, etc) – embora existam algumas revistas mais bem feitas e com melhor material, é algo raro. Essas publicações trazem capítulos de diversas séries, especiais, entrevistas ou o que der vontade. Muito comumente acompanham brindes.

Essas revistas são produzidas por editoras que por sua vez podem possuir “marcas” que são usadas por toda uma linha de títulos. Como a JUMP (da editora Shueisha) que possui as variedades: Jump SQ, Shounen Jump, Young Jump, Super Jump, Ultra Jump, entre outras. As próprias revistas podem ter várias versões, a Shounen Jump, por exemplo, já teve uma mensal (monthly) e atualmente conta com a semanal (weekly). Há também versões ocidentais dessas revistas, como a Jump americana da Viz.

Existe entretanto revistas de outros tipos que lançam um ou outro mangá além do seu conteúdo normal, como é o caso de Paradise Kiss (da Conrad) serializado na Zipper (revista de moda) e alguns mangás na SPA! (revista de negócios, cultura e entretenimento). Ou são apenas yomikiris e podem nunca ver versão encadernada, um exemplo de uma revista que lança isso é a Gothic & Lolita Bible (revista de moda e cultura).

Geralmente os autores fazem contratos com as editoras e passam a ser exclusivos daquela empresa. Dessa forma é muito comum cada revista ter seu “elenco” de autores e ilustradores que atrai o público. Isso é claro não é uma regra, muitos autores como o grupo CLAMP, escolhem aquela revista que lhe oferecer melhores vantagens, sua fama lhes permite isso. Esses autores independentes podem ser chamados de “freelancer”.

Existe também mangakás que vão além, alguns começam a lançar mangás em outros países, às vezes em japonês, às vezes em outra língua (como inglês e francês). Um caso desses é o Jiro Taniguchi (autor de Seton, O livro do vento e Gourmet).

Caso a obra publicada na revista tenha feito sucesso o bastante e tenha páginas o suficiente, ganha uma edição encardenada. Quando a história não tem tamanho o bastante, é lançado alguns extras ou bônus (como imagens, rascunhos, etc). Um bom exemplo de histórias pequenas demais é PxP e Wanted (ambas da Panini). Também é comum que isso aconteça no último volume (como em Samurai X da JBC). Em alguns casos é lançado um tamanho pequeno mesmo, mas é mais raro.

Mas existe obras que nunca recebem um encadernamento. Outras só são lançadas anos depois, caso o autor venha a se tornar famosinho.

Os encadernados japoneses normalmente imitam livros, ou seja, possuem orelhas, contra-capas e aquela capa de proteção (em alguns vira um plástico ou não tem). O que altera de um formato para o outro é o número de páginas, tamanho, se é ou não relançamento e qualidade.

Antes de listar alguns formatos, algumas considerações:

Vocês vão ver que alguns são “bon” e outros “ban”, mas por quê? “Bon” vem da palavra Hon e significa livro. “Ban” vem da palavra Han e significa edição. Tankoubon é um nome bem genérico para o formato livro, já os demais são edições especiais específicas, geralmente relançamento de um tankoubon. Entenderam?

Outro detalhe desconhecido por aqui: no Japão eles raramente chamam apenas “Kanzenban” (por exemplo), eles colocam no final das “edições” a palavra “comics” (sim, em inglês mesmo). Todavia como os americanos não usam isso, por aqui também não pegou. Mas que fique subentendido que cada “ban” na verdade é uma “edição de quadrinhos”. Inclusive revistas e editoras às vezes têm os “comics” no nome também (a caráter de curiosidade).

Continuando, então… Vamos conhecer alguns formatos de encadernados:

O primeiro e mais famoso, o tankoubon, trata-se de uma compilação com cerca de 160~200 páginas, costuma ter o tamanho de um livro de bolso (mais ou menos 13x18cm). Os japoneses utilizam a palavra tankoubon para outros livros além de mangás (livros estes de apenas um volume), mas no exterior o uso da palavra remete a um volume de mangá (ou até manhua, manhwa, etc).

No fundo o tankoubon é uma classificação livre quando usada para os mangás, embora possua o padrão acima citado, não é incomum que séries possuam quase 300 páginas ou tamanhos maiores (tipo A5). É apenas uma nome genérico para um volume, nada de especial ou grandioso.

Algumas pessoas gostam de falar “tankouhon“, pois fiquem sabendo que isso é erro gramatical de americano que usa tradutor do Google. De acordo com as leis ortográficas japonesas, que sinceramente não vou ficar explicando a não ser que alguém aí realmente faça questão, a única variante possível é tankoubon.

Existe também o wideban, waidoban (é a escrita literal, mas tem gente que escreve assim por aí), formato maior que um tankoubon, geralmente próximo ao A4, mais raramente A3 (lembrando que quanto menor o número maior a área do papel, ou seja, A3 é maior que A4 ), pode ter a mesma quantidade de páginas que um tankoubon ou mais, caso seja um relançamento de um mangá já serializado, normalmente tem melhor qualidade. O nome wideban vem da palavra “Wide” (largo em inglês).

Por aqui tivemos um exemplo desse formato, Nausicaä da Conrad. Pela imagem acima você pode ver que se trata do formato original.

O kanzenban, edição de luxo, é um formato normalmente com mais páginas que o tankoubon, maior qualidade e páginas coloridas, mais completo. A palavra Kanzen significa completo ou perfeito. Infelizmente no ocidente fãs começaram a usar a palavra “Kazenban” que não existe!

No Brasil, graças a editora Conrad, nós conhecemos uma versão em kanzenban que por aqui foi traduzido para “edição definitiva”: Dragon Ball. Tentei descobrir sobre Vagabond, mas não encontrei a série em japonês em nenhum outro formato, então não posso confirmar nada. Quem adquiriu Dragon Ball deve lembrar as páginas coloridas e a qualidade das impressões, típicas do kanzenban.

Bunkoban, bunko para os íntimos, é uma copilação com mais de 200 páginas, normalmente se tratando de um relançamento, costuma ter o tamanho de um livro de bolso ou menor (tipo A6). Geralmente o número de volumes da série diminui quando convertida para o formado bunkoban. Bunko significa coleção, ou seja é uma versão para você guardar/colecionar ou para resgatar uma série antiga.

Compare os bunkobans de Ranma ½ e Yu-Gi-Oh!. Pode notar que acima a coleção completa tem menos volumes e capa diferente da versão tankoubon que temos aqui no Brasil.

Aizouban, edição de colecionador, geralmente com maior qualidade, muitas páginas, bem mais caro e com edições limitadas. O nome significa edição de amor ou edição favorita.

Observe a grossura do volume acima. Essa série, Orpheu no Mado, é de 1975, originalmente possuia 18 volumes que foram condensados em 4. Ou seja, imagine que cada volume tinha duzentas páginas inicialmente, o aizouban teria aproximadamente 900 páginas cada. É imenso.

Por fim, shinshouban, é uma versão “remodelada”, shinshou indica algo que foi alterado. Geralmente possui capa nova, novos extras, páginas coloridas, material inédito (como rascunhos), reorganização de capítulos, até novas páginas no mangá, redesenhamento de algo, correções e coisa assim. Basicamente qualquer coisa que faça o pessoal comprar de novo. Parece aqueles filmes “com adição de inéditos 3 minutos!” ou “remasterização digital!”. No fundo tem as mesmas características de um tankoubon, é só uma edição nova lançada depois de algum tempo, por isso é muito difícil de se ouvir falar sobre essa aqui, o pessoal chama só de tankoubon.

A imagem de cima exemplifica o caso de Gourmet, lançado pela Conrad. A primeira edição de 1997 era um tankoubon normal, tamanho A5, 201 páginas. A segunda edição é de 2000, tem tamanho A6 (aproximadamente) e 217 páginas, ou seja é um relançamento mais caprichado e em formato de bolso. A terceira de 2008 foi novamente em tamanho A5, 205 páginas, foi revisado e recebeu nova arte na capa, logo um shinshouban.

Shinshoubans são muito comuns no Japão, os grandes sucessos vivem voltando para as livrarias de tempo em tempos. É muito comum que façam essas novas edições em comemoração de aniversário da série ou ainda pós-morte do autor. Às vezes para estimular a compra da nova edição são lançados capítulos extras ou breves extras em revistas. Gourmet, o caso acima, por exemplo, teve uma “yomikiri” (veja lá embaixo) especial e inédita lançada em comemoração do aniversário da série e mais uma um ano depois. Com o tempo esses extras podem vir a serem adicionados numa próxima edição.

—Edit: Aparentemente o nome “shinshouban” é uma leitura errada de um dos kanjis, o nome mais usado é “shinsouban”, desculpa a informação incorreta. —

Embora raro, os volumes podem acompanhar brindes e penduricalhos. Um brinde especial são os OAD (Original Animation DVD), um tipo de OVA (Original Video Animation), um filme ou um curta, que acompanha o mangá. Desde 2008 esse “brinde” tem ganhado popularidade e ultimamente chove OAD nos mangás.

Além dos formatos que são classificados de acordo com o acabamento e dados físicos, existe outras classificações mais gerais. São classificações para tipo de história ou capítulo:

One-Shot, do inglês “de uma vez”, é uma expressão tipicamente americana para pequenas histórias de poucos capítulos. Essa nomenclatura é utilizada para quadrinhos com apenas um volume ou um capítulo, sendo ambas corretas. No Japão, essas histórias de apenas um capítulo são chamadas de “Yomikiri”. Embora muito usado no Brasil por influência americana, tal nomenclatura não é usual no Japão.

Os yomikiri, que significa “aquilo que você termina de ler em um episódio”, são pequenas história de capítulo único. É possível encontrar também na forma de acrônimo, “Yoki”. Às vezes um curta desses podem vir a ganhar continuação com outro pequeno curta ou até um mangá. Quando isso acontece chamamos o yomikiri de “piloto” (capítulo inicial). Apesar disso, normalmente não tem continuação. Comumente um mangaká inicia sua carreira com um yomikiri, geralmente em concursos de revistas.

As yoki são muito comuns em revistas e bem exploradas no Japão. Em especial os estilos mais sexuais (Boy’sLove, Hentai, Yuri) utilizam muito este formato. Algumas revistas também têm curtas especiais, onde personagens de várias obras são juntados numa só história, a JUMP, por exemplo, adora fazer isso.

Além disso, alguns mangakás costumam interligar yokis, ou seja, criam uma história que une algumas dessas yomikiris inicialmente desconexas. Na verdade isso é muito comum, por causa disso essa “linha” de histórias fica com uma caraterística interessante, emboras conectadas, podem ser lidas separadamente e, muitas vezes, em ordens diversas. Mas ao mesmo tempo pode ser negativo, já que não existe um roteiro claro entre elas.

O piloto é uma pequena história que visa apresentar uma nova ideia para um mangá. Nem sempre um piloto é bem aceito, logo o mangá não é lançado. Um piloto pode ser um prólogo, uma história paralela, ainda uma amostra do tema ou propaganda. É comum que muitos desses pilotos sejam bem diferentes do mangá em si. Um one-shot que faça sucesso pode ganhar continuação se tornando assim um piloto. No fundo um piloto é uma yomikiri especial.

A Shueisha por exemplo, é uma empresa que adora fazer pilotos. Dê uma procurada nos da sua série favorita da JUMP, você verá que existe aqueles com cara de Yoki continuada e aqueles que são muito diferentes e superficiais.

Esses prólogos podem ou não serem encardenados junto com os volumes. Se a história continuou dele, mesmo que um pouco diferente, ela é inclusa no volume como prólogo ou capítulo zero. Às vezes você nem percebe a diferença e passa o resto da vida sem saber que o primeiro capítulo era um piloto. Se é muito diferente, então é mais difícil de ser encardenado. Pode vir a ser incluido em algum volume para completar o número de páginas requerido, como foi o caso de Berserk, já traduzido pela Panini.

Doujinshi, DJ ou Doujin, são histórias, geralmente curtas, feitas por um autor independente (não são lançados em revistas comerciais, são produzidos e impressos pelo autor). Normalmente são baseadas em algum mangá ou obra já existente, mas podem ser também doujinshis originais. São bancados e produzidos por japoneses obrigatoriamente. Quando alguém não-japonês faz um DJ acaba sendo chamado de Fanzine. Um tipo famoso de doujinshi são os Yaoi, embora erroneamente tenham virado sinônimo de Boy’s Love (que é a versão de revista). Para quem quer saber mais, a Panini num volume de Princess Princess falou sobre isso (sei que é velho, mas foi um dos melhores textos que já li do assunto).

Um doujinshi de sucesso pode vir a ser famoso e chamar a atenção de editoras, tendo até remodelamento e capítulos em revistas. Embora oficialmente ele deixe de ser um doujinshi pela definição, é comum que se continue chamando de doujin para especificar que a história nasceu dessa forma. Um exemplo perfeito é o mangá Afro Samurai, da mesma Panini.

Artbook é um livro de imagens e ilustrações de um determinado autor ou obra, pode ser tanto de algum mangá, quanto anime, jogos e até original. Às vezes apenas com imagens, outras com várias informações ou verdadeiras enciclopédias (podendo ser chamados de fanbooks também). Não é muito incomum serem acompanhado de perfil dos personagens, listagem de volumes/episódios, rascunhos e “making-of” (chamado de Guidebook).

Alguns artbooks podem ter yomikiris ou light novels dentro, neste caso é muito comum ser chamado de “gaiden” (algo como complemento). Esse complemento costuma ser sobre histórias paralelas, finais paralelos, passados de personagens não explorados no mangá. Sendo assim embora seja parte da trama original, são apenas extras que não o influenciam. Por causa da quantidade de yokis dentro do volume, pode ser chamado de “Antologia” também, sobre este vou explicar mais a baixo.

Artbook não é uma categoria exata (inclusive no Japão), alguns diferenciam e segmentam os artbooks de acordo com conteúdo e qualidade, outros generalizam. Por isso, às vezes a palavra “artbook” se limita a uma coleção de imagens de ótima qualidade. No fundo os japoneses usam vários algo-book de acordo com o conteúdo desse volume.

No Brasil nos experimentamos alguns fanbooks/guidebooks, mas em formatos mais “baratos”, alguns até em formato tankoubon como Death Note 13.

Adendo, Light Novels, ou só novels, não é um formato, mas já que citei ali em cima decidi falar sobre. São romances, livros, geralmente ilustrados. Existem muitas light novels que geram mangás e animês, assim como animês e mangás que viram light novels. Às vezes existe uma ordem cronológica de tempo entre as versões de mangá e novels, completando um ao outro. Outras vezes são paralelas, sendo a mesma história contada em versões diferentes. Alguns exemplos de novels que são continuações: as de Gravitation e Tarot Café (ambas da NewPOP). Já os que geram mangás e animês temos Guin Saga, Full Metal Panic, Trinity Blood e Bem-vindo à NHK (todos mangás da Panini). Existem os que são versões da mesma história como Code Geass.

O 4-Koma (Yon-koma), “tirinha” japonesa, trata-se de um conjunto de 4 celas na vertical, normalmente satirizando uma obra. Cada conjunto de cela pode possuir um título. Às vezes um mangá pode ser feito todo em 4-koma, cada conjunto de celas funcionam como um “ato”, sendo a história, então, formada por diversos atos em volta de um mesmo grupo de personagens. É comum que a primeira cela de um capítulo/obra pode vir com na verdade 5 celas. Uma cela maior equivalente a metade da página e, abaixo dessa, as quatro celas arranjadas em duas colunas de 2. Um exemplo de 4-Koma por aqui é Hetalia (a NewPOP lançou um texto no site deles sobre isso).

Vou aproveitar e falar de omake. Omake significa extras (não necessariamente de mangá), raramente aparecem nas revistas, são “enche-páginas” dos volumes. Omakes comuns são os 4-komas satirizando a obra, os diários dos autores e os pósfacios.

As antologias são coletâneas de yomikiris. As mais comuns são as por tema ou por autor. Existem também séries de antologias, essas ou são realmente volumes numerados com as obras (como as antologias de Code Geass e Arcana), ou um conjunto de coletâneas que acabam recebendo um nome (como o Watase Yuu Masterpiece Collection).

No fundo o nome antologia significa “grupo de obras”, por isso as revistas também podem ser chamadas de antologia. No caso os “híbridos”, revistas de muita boa qualidade e colorida, que mistura um artbook e uma revista, são geralmente chamado apenas de antologia em vez de revista. Resumindo antologia é sempre uma qualidade melhor se comparado às revistas.

Não podemos esquecer que além de todos esses ainda contamos com os nossos formatos:

Meio-tanko“, de Meio-tankoubon, é um nome típico brasileiro. É um termo com pouco mais de 10 anos, quando as editoras brasileiras começaram a lançar suas obras num formato similar a metade de um tankoubon. Essa prática, muito usada ainda, é um artifício para diminuir os custos unitários do volume. Como um volume original é dividido ao meio, uma nova capa inédita tem que ser criada, esta geralmente é a da segunda metade, dos volumes de número par. Às vezes o conteúdo original dos volumes é um pouco alterado e melhor equilibrado, chegando a ter casos de um volume extra se formar. Algo como de 3 volumes, formam-se 7 meio-tankos.

Aí temos também o nosso tankoubon, a diferença entre o nosso e o japonês é que para nós ser tankoubon tem a ver com ser como o original. Geralmente apenas no quesito páginas, descartandos o tamanho. Ou seja, é o número de páginas do volume original japonês. Então dizemos ser um tankoubon, como se fosse sinônimo de volume de mangá.

O formato “comic” foi uma prática utilizada nos primeiro mangás que despontaram no Brasil. Nas tentativa de seduzir o público “comic” a comprar as obras, tais eram espelhadas e rearranjadas para o sentido de leitura ocidental. As onomatopeias também eram totalmente traduzidas e os nomes muitas vezes adaptados. Além disso muito comumente a obra era lançada por capítulos. Um ótimo exemplo é Dark Angel (da Mythos).

Fanzine, de fanatic magazine ou Fan’s Magazine, é o termo inglês para produção feita por um fã, sem tamanho ou número de páginas característicos. Normalmente pequenas histórias sobre o mangá ou anime preferido. Seria a versão ocidental dos Doujinshis.

E fim? Sinto dizer, mas não. Ainda tem um nicho que não explorei. Os quadrinhos onlines!

Existem dois tipos básicos, o estilo japonês e o coreano. No Japão existe certas “revistas virtuais” como a Web Spika da Gentosha. O formato e estilo lembram as páginas impressas, mas digitais. É como ler online um mangá de scanlator. Alguns desses webmangá até são compilados em volumes. Alguns autores, após a série ser cancelada, continuam a mesma online. Existe também os que fazem com o formato 4-koma (como Hetalia, que é online) e os que fazem num tamanho e dimensão diferente do tankoubon. É muito comum serem coloridas ou pelo menos feitas com mais de um tom (exemplo, tom preto, vermelho e azul), mas preto e branco continua predominante.

O estilo coreano é um pouco mais esquisito. Nesse não existe páginas, é uma longa imagem, a largura é padrão do site, mas o comprimento varia. Conforme você vai rolando para baixo a história vai aparecendo e acontecendo. Cada imagem dessa equivale a um capítulo. Não existe exatamente um limite vertical, mas os capítulos geralmente não são tão longos.

Alguns desses tem um aspecto muito parecido com tirinha, outros já são inovadores. Aproveitando as características do estilo, alguns autores começaram a trabalhar as imagens de forma diferente. O senso de movimentação conforme você movimenta a imagem chega a ser cinematográfico. Lembra aquelas tiras antigas de filme em que você vê quadro a quadro. Outro ponto explorado é a surpresa. O fato de você não ver aquilo que vai ler num instante causa um maior susto no leitor. Ainda, existe aqueles que quase aboliram os quadros, tendo cenas que se relacionam uma com as outras, numa ligação sem fim. É um estilo muito exótico e ao mesmo tempo muito promissor se bem feito (e se você conseguir ler em coreano).

Existe sites especializados nesse tipo de coisas, como a Naver, Paran Media e Daum. Existe (pelo menos da Daum) uma versão impressa, mas não sei como ocorre a adaptação do tipo web para o papel. Na Coreia esse tipo de comic expandiu muito e virou uma forma alternativa dos autores começarem sua carreira. Algumas séries são famosíssimas e chegam a mais de 500 capítulos. Caso queira ver exemplos, dê uma conferida em Magician e Lost.

E é isso, fim. Antes, um comentários sobre a “romanização” (ato de se transcrever o japonês para o nosso sistema de escrita), no meu texto usei a “oficial” (a mais comum) brasileira, que basicamente se escreve respeitando como eles escrevem mesmo, não como se fala. É comum os fãs também estarem acostumados como a americana simples, onde todos os “ou” viram “ō”. Por ser difícil de fazer esse tipo de sinal gráfico (e como os americanos consideram os acentos algo inútil), o pessoal passou a simplesmente ignorá-los. Então de tankōbon surgiu coisas como tankobon (mesmo com mahō, shōjo, shōnen).

Por último quero lembrar os leitores que muita coisa não tem uma definição exata ou tem mais de uma (como tankoubon). Muitas também são super complexas ou palavras criadas por fãs. Por isso as informações podem variar dependendo da fonte de informação. Para classificar preferi usar as categorias listadas na Wikipédia japonesa, mas até aí não deixa de ser Wikipédia, mas é melhor que site americano (XD).

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