Mangrafia #2: Ai Yazawa

Conheça mais sobre autora de Nana e Paradise Kiss.

Ai Yazawa é uma mangaká de shoujo e josei muito conhecida por suas histórias envolventes e designs caprichados.

Nasceu em 7 de março de 1967 em Osaka, mas mudou-se para Amagasaki, Hyougo em 1971. Não se sabe muito mais de sua infância ou família, principalmente devido ao fato de utilizar-se de um pseudônimo. O nome Ai Yazawa vem de Ai (amor, mas que não é escrito em kanji) e Eikichi Yazawa, um cantor de quem ela é fã.

É sabido que Yazawa chegou a estudar moda em uma universidade, mas abandonou para seguir a carreira de mangaká.

Ela é conhecida por ser muito privada, inclusive não tem nenhum assistente. Ai prefere fazer tudo ela mesma e por isso costuma trabalhar em uma série por vez. A autora gosta de usar alguns recursos de computador em seus mangás, que cria no seu Macintosh, geralmente colocando foto e cenários de cidade ao fundo, o que caracteriza seu trabalho singular.

Ela gosta muito de roupas e gatos, tendo muito de ambos.  Ai constantemente cita seus cantores e músicos favoritos em suas obras, às vezes chegando a um nível quase publicitário. Recentemente contraiu uma doença que a forçou a parar todos os seus trabalhos, e embora não esteja mais internada, ela ainda se encontra fragilizada.

É muito amiga de Megumi Mizusawa, Miho Obana e especialmente Wataru Yoshizumi, as 4 formam um círculo de amizade bem íntimo. Sendo que constantemente citam uma as outras em suas obras.

A carreira de Ai Yazawa começou em 1985 com o lançamento da one-shot shoujo Ano Natsu na revista Ribon Original. De cara já recebeu uma proposta de trabalho na Ribon. Nos próximos anos, Yazawa lançou várias pequenas séries de poucos volumes.

Sua primeira obra de destaque foi Marine Blue no Kaze ni Dakarete de 4 volumes, lançados entre 1990 e 1991. Em 1992 lançou mais uma pequena série, seguido por Tenshi Nanka Ja Nai, outro pequeno sucesso.

A autora aproveitou a história de Tenshi Nanka Ja Nai e criou Gokinjo Monogatari em 1995, utilizando-se de alguns personagens. Gokinjo também fez relativo sucesso, embora ficassem restritos a um público mais específico. Em 1998 mais uma obra shoujo foi lançada, Kagen no Tsuki, que foi muito bem recebida no Japão.

Mas foi em 2000 que a carreira de Yazawa deu um pulo internacional ao lançar seus primeiros joseis, Paradise Kiss (Parakiss) e NANA. Na revista Zipper (uma revista de moda) a autora publicou Parakiss, que é um tipo de continuação de Gokinjo Monogatari. Já na Cookie, lançou NANA, obra ainda em andamento.

Foi seus joseis que lhe proporcionaram um renome mundial, tendo ambas as obras sendo licenciada mundo a fora. Entretanto seus trabalhos iniciais continuam muito restritas, não agradando muito o público em geral.

Em 2003 chegou a receber o prêmio Shogakukan de mangá na categoria shoujo por NANA. Atualmente tal obra é o shoujo/josei mais vendido de todos os tempos no Japão, chegando a mais de 30 milhões de cópias até o momento.

Ainda em 2004 colaborou na produção de Princess Ai, de Courtney Love e Stu Levy, desenhado por Misaho Kujiradou, como designer de roupas e personagens.

Algumas de suas obras foram adaptadas para anime, filmes e live-action, como Kagen no Tsuki e NANA. Em 2005 NANA teve lançado um CD tributo, um jogo de PS2, um filme e um CD do filme.

Confira abaixo a cronologia de suas obras:

1985 – Ano Natsu (one-shot)
1986 – 15-nenme (1 volume)
1987 – Love Letter (1 volume)
1988 – Kaze ni Nare! (1 volume)
1988 – Escape (1 volume)
1989 – Ballad Made Soba ni Ite (2 volumes)
1990/91 – Marine Blue no Kaze ni Dakarete (4 volumes tankoubon e 3 volumes bunkobon)
1992 – Usubeni no Arashi (1 volume)
1992/95 – Tenshi Nanka Ja Nai (8 volumes tankoubon e 4 volumes kanzenban)
1995/98 – Gokinjo Monogatari (7 volumes tankoubon e 4 volumes kanzenban)
1998/99 – Kagen no Tsuki (3 volumes tankoubon e 2 volumes aizouban)
2000/04 – Paradise Kiss (5 volumes)
2000 – Nana (21 volumes, ainda em publicação)
2004/06 – Princess Ai (3 volumes)

No Brasil, conhecemos Ai Yazawa em 2006 através do lançamento de Princess Ai pela Conrad. Em 2007 a mesma editora lançou de ParaKiss, o primeiro Josei do mercado brasileiro. E finalmente em 2008 NANA deu as caras por aqui, mas pelas mãos da JBC. É bom lembrar que a MTV Brasil possui os direitos do anime, mas a contar pela turbulência que tem passado pelos últimos tempos, não há previsão de quando irá ao ar.

Por fim, deixo-os com uma entrevista feita pela Shojo Beat com a autora:

P: Que mangá você lia e gostava quando mais jovem?
R: Quando era pequena, adorava ler a revista mensal Ribon e gostava muito de todas as obras dela.

P: Quem influenciou ou inspirou você durante sua carreira?
R: Sou influenciada não só por mangakás, mas também por outras pessoas talentosas em diferentes áreas, como músicos.

P: NANA é considerado shoujo (por causa da revista onde é serializada), mas não parece com o shoujo comum.  Que reação os leitores e seus amigos artistas tiveram quanto ao estilo único de NANA?
R: Depende. Há pessoas que simplesmente aceitaram isso e pessoas de ficaram muito surpresas. Não acho que seja tão único assim. Fico surpresa quando alguém se surpreende.

P: Qual sua primeira inspiração para NANA?
R: Quando recebi o pedido de criar “um título que pudesse ser aceito por uma grande audiência”, fiquei totalmente perdida, mas então eu pensei numa história sobre duas garotas de mesmo nome, mas com características totalmente diferentes; foi assim que aconteceu. Pensei que as pessoas simpatizariam com uma delas.

P: O que você espera atingir com essa série ultimamente – você quer entreter seus leitores ou há algo mais profundo que você quer transmitir?
R: Em meu trabalho, fazer história que os leitores gostem é a primeira coisa que quero. Mas é claro que há uma mensagem por trás da história, e fico feliz se pelo menos algumas pessoas entenderem essa mensagem.

P: Você se identifica mais com Nana Komatsu ou Nana Osaki? Qual delas é a mais popular com os fãs e por quê?
R: Eu tenho diferentes valores de ambos os personagens, então não me indentifico com nenhuma das duas. Quanto aos fãs, muitos leitores olham Nana O. com adimiração e Hachi como alguém que eles podem simpatizar.

P: Quando você pensa na música do Black Stones, o que você ouve? E quanto à música do Trapnest?
R: Gostaria de deixar isso a cargo da imaginação dos leitores.

P: Que tipo de música você ouve? Você tem uma banda favorita?
R: Gosto de Rock ‘n’ Rolll. Curto bastante o som de Muse, uma banda inglesa.

P: Muito do apelo de NANA está no modo como seus personagens se vestem.  Você tem interesse em alta-costura? De onde esse interesse se originou? Como você se veste?
R:  Tenho interesse em alta-costura e prêt-à-porter. Adoro roupas  – vesti-las, admirá-las, fazê-las – desde criança. Agora sinto como se já tivesse explorado roupas ocidentais o bastante, então tenho mudado meu interesse para kimonos. Como isso é parte da cultura tradicional japonesa, kimono é profundo e interessante.

P: O personagem Ren parece Sid Vicious, o falecido baixista de Sex Pistols. Essa semelhança é intencional?
R: No Japão existe jovens cujo modo de se vestir é influenciado por Sid Vicious. Modelei o personagem pensando nessas pessoas, não no Sid Vicious em pessoa.

P: NANA é uma série de imenso sucesso. Que tipo de reação teve seus fãs masculinos?
R: A reação varia. Fico surpresa que tantos rapazes dizem “Nana K. é  igualzinha a minha namorada”. Também, provavelmente porque muito dos mangá shounen que os rapazes leem são histórias onde o personagem vence todas as batalhas e evolui, alguns dizem: “Nunca li um mangá em que tantas coisas não acontecem como você quer”.

P: Você tem uma mensagem para seus fãs ocidentais?
R: Por causa que NANA contém muitos trocadilhos em japonês, sinto muito por vocês não serem capazes de ler o original. Esta é uma série comprida, mas se for começar, por favor, seja paciente e leia até o final. A obra só estará completa quando eu a terminar. Darei o meu melhor para completar NANA, então, por favor, continue lendo!

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