Otaku Neoclássico #10: Lucky☆Star

Um ótimo anime sobre nada.

Slice of Life é um gênero de anime que tem crescido em popularidade nos últimos anos. Muito disso se deve ao trabalho de um famoso estúdio, o Kyoto Animation, conhecido entre muitas coisas pela adaptação da série de Light Novels Suzumiya Haruhi, dos mangás 4-koma K-ON! e do nosso assunto de hoje: Lucky Star.

Baseado na obra de Kagami Yoshimizu (que só fez isso de relevante), a série narra o cotidiano de um grupo de amigas colegiais. Fim.

Apontar outras séries com exatamente a mesma premissa de Lucky Star é, provavelmente, uma das coisas mais fáceis que se pode fazer. A ideia de contar o dia-a-dia de personagens já foi explorada diversas vezes pela própria Kyoto Animation sendo sua mais recente obra do gênero o estranho Nichijou

Diversas outras séries similares surgiram por outros estúdios indo desde divertido Shinryaku! Ika Musume (que não parece tanto com As Princesas do Mar quanto alguns dizem) até o festival de referências e fanservice que é Carnival Phantasm (um adaptação para Slice of Life do Nasuverso!!!). E nesse mercado tão concorrido surge uma questão: o que fazer para se destacar? Para alguns a resposta é inovar com histórias bizarras, para outros é apelar para calcinhas e peitos, mas para o Kyoto Animation o caminho para o sucesso são as personagens. E é nisso que Lucky Star brilha.

As quatro protagonistas da série são arquétipos bem conhecidos de todo o público: temos a inteligente e tsundere Kagami Hiiragi, a cabeça de vento gentil Tsukasa Hiiragi, a genial e atrapalhada Miyuki Takara e a otaku (em todas as possíveis acepções da palavra) preguiçosa Konata Izumi. Cada uma das quatro garotas é o epítome de uma vertente moe de grande apelo.

A escolha das vozes das personagens também foi feita para maximizar o impacto com o público (Konata é dublada por Aya Hirano, que também fez a personagem titular de Suzumiya Haruhi no Yuutsu e Kagami é dublada por Emiri Kato, que anos depois faria o Kyubei de Puella Magi Madoka Magica). A tática funcionou e não demorou para que Lucky Star explodisse na Terra do Sol Nascente e se espalhasse por todo o mundo.


Outro grande trunfo da produção são suas incontáveis referências. A cada episódio há diversas menções a animes, filmes ou à cultura popular japonesa. Algumas são extremamente óbvias enquanto outras só poderiam ser entendidas pelos próprios japoneses ou fãs hardcore (metade das pessoas que assistiram à série não entendeu a piada sobre Gamera 3: A vingança de Íris). Some às piadas de referências as piadas visuais e temos uma das melhores séries de comédia Slice of Life já feitas, uma obra prima dos animes sobre o nada.

Visualmente, a série é bem na média. A animação é superior à de boa parte dos animes lançados na mesma época (não é, DEEN?), porém os visuais são extremamente simples. Considerando que Lucky Star veio um ano depois de Suzumiya Haruhi no Yuutsu, pode-se dizer que houve uma queda na qualidade técnica de um anime para o outro. A trilha sonora dita o clima tranquilo do anime, mas nesse quesito o grande destaque vai para os fechamentos.

Durante a primeira metade da série, cada episódio terminava com uma das protagonistas cantando uma música famosa no karaokê (a versão de Cha-La Head-Cha-La cantada pela Konata é simplesmente inacreditável), porém, na segunda, os fechamentos mudam para filmagens do dublador Shiraichi Minoru cantando e fazendo graça em lugares diferentes. É tudo tão absurdo que simplesmente funciona.

Ainda falando de Shiraichi Minoru, outro ponto forte de Lucky Star são as sequências do Lucky Channel. Trata-se de um programa de televisão fictício criado com o único propósito de quebrar a quarta parede, comentando como foi o episódio que passou ou simplesmente tirando um sarro de toda a indústria de entretenimento. Uma divertida metalinguagem que adiciona muito à série.

Lucky Star foi bem recebido pelo público desde o lançamento do mangá, sendo que o primeiro volume vendeu quase dois milhões de cópias. Os locais usados como base para os cenários da obra se tornaram verdadeiros santuários de fãs, algo similar ao que aconteceu com a escola que inspirou o colégio de Suzumiya Haruhi. A série também foi adaptada em Drama CDs, três Light Novels, shows e jogos, tornando-se rapidamente uma das franquias mais fortes do Japão. Ao menos até 2009, quando o Kyoto Animation lançou sua próxima série Slice of Life. Mas isso é assunto para depois.


Com um dos grupos de personagens mais carismáticos e uma comédia leve e descompromissada, Lucky Star merece ser visto por todos os fãs de Slice of Life ou de animes de comédia.

Só não tentem repetir o que a Konata faz, tudo bem?

~Timotei~

Título: Lucky ☆Star
Estúdio: Kyoto Animation
Gênero: Slice of Life, Comédia
Direção: Yutaka Yamamoto, Yasuhiro Takemoto.
Número de Episódios: 24

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