Resenha: Deadman Wonderland Volume 1 – Editora Panini

Um shounen diferente.

Deadman Wonderland é a segunda série em mangá da dupla Jinsei Kataoka e Kazuma Kondou (uma curiosidade: Jinsei Kataoka é uma mulher). Eles são responsáveis também por Eureka SeveN (em parceria com o Estúdio Bones) que foi lançado pela Panini em Março de 2010 e já está completo com 6 volumes.

Deadman Wonderland no começo do ano ganhou uma (péssima) série animada em 12 episódios pelo Manglobe e recentemente teve um OAD lançado pelo mesmo estúdio. A série em mangá é publicada mensalmente desde 2007 nas páginas da antologia Shounen Ace (casa de Blood +, Blood C, Eureka SeveN, Bem-vindo à N.H.K., Sora no Otoshimono, MPD – Psycho entre outras séries lançadas no Brasil) da Kadokawa Shoten. Possui atualmente 11 volumes lançados no Japão e continua sendo serializada.

Resumo
A história se passa no ano de 2023 e gira em torno de um garoto de 14 anos chamado Ganta Igarashi. Ele era um estudante comum até repentinamente aparecer um homem de roupa vermelha no meio da aula e começar a matar todos os colegas na sua frente e implantar uma espécie de cristal vermelho dentro do seu peito (ramo do pecado). A próxima coisa que ele vai saber ao acordar dentro de um hospital é que ele é acusado pela chacina na escola.

Ganta é condenado à morte com provas forjadas (inclusive um vídeo) e vai parar na Deadman Wonderland (com liberdade poética poderia ser traduzido como “País das Maravilhas do Defunto”), a primeira cadeia privatizada do Japão que também funciona como um Parque de Diversões macabro. Para sobreviver na Deadman Wonderland os condenados precisam trabalhar nas atrações do parque de diversões para ganhar Cast Points, a moeda local que eles trocam por comida, roupas, mobília, privilégios, redução na pena e principalmente o Candy, que na verdade é um antídoto para os condenados à pena de morte.

Na Deadman Wonderland a pena de morte funciona de forma diferente das outras instituições penais, ao invés dos métodos comuns (forca, tiro, injeção letal etc.) os presos usam uma coleira eletrônica que injeta periodicamente doses de veneno na corrente sanguínea. Se o detento passar 3 dias sem comer o Candy (antídoto) ele é morto pelo veneno.

Ganta se vê sozinho nesse cenário macabro tendo que participar das atrações mortais do Parque depois de um julgamento totalmente injusto, mas seus problemas são ainda piores, pois o diretor da prisão quer forjar um acidente para matá-lo, entretanto o ramo do pecado desperta seus poderes e ele consegue escapar dessa situação de vida e morte. Com a descoberta das habilidades do ramo do pecado Ganta vai conhecer a verdadeira Deadman Wonderland que se esconde debaixo da fachada de Parque de Diversões para sádicos.

Impressões
Já começo dizendo que Deadman Wonderland é um dos meus mangás favoritos e estava torcendo há muito tempo para ele vir pro Brasil (bem antes do anúncio de Eureka SeveN). Se você assistiu aquela droga de anime peço para esquecer tudo que viu daquela porcaria, a arte do mangá é infinitamente superior, as cenas do mangá são trabalhadas de forma muito melhor e não há as censuras ridículas do anime. São obras bem diferentes apesar do anime acompanhar o mangá até o volume 5.

É um mangá sobre um garoto que é preso por ser diferente (no caso possuir o ramo do pecado implantado) e é usado para pesquisas médicas e diversão de sádicos ricos, e que começa covarde, mas vai reunindo coragem para tentar fugir e mudar aquela situação com os amigos que consegue fazer naquele inferno.

Não é uma obra pretensiosa sobre psicologia, não é um mangá para se gabar na sua rodinha de amigos, é um thriller de cadeia com poderes especiais e muitas cenas de ação, um ótimo shounen honesto que não tenta ser mais do que realmente é e consegue divertir o leitor naquilo a que se propõe.

Acabamento (edição e adaptação)
O acabamento da Panini ficou bom, o formato adotado (13 x 18) é o meu favorito, a arte é ótima e está muito bem editado. As onomatopeias originais foram mantidas e a adaptação está bacana, o que estava em inglês no original foi mantido em inglês, há um glossário no final explicando. Não há páginas coloridas e o papel é o pisabritte de sempre, também tem um leve efeito moiré em algumas páginas.

Apesar das páginas coloridas do mangá original não serem mantidas, a ilustração colorida da segunda capa foi colocada na parte de dentro da capa do mangá e uma das páginas coloridas (uma dupla) também está impressa na parte de dentro da segunda capa.

Considerações finais
Fico feliz pela Panini colocar sempre o resumo da história nas segundas capas de todos os mangás, é sempre bom saber o que se está levando pra casa caso não se conheça a obra, como o mangá vem lacrado (para alívio dos consumidores da Fase2) não tem como folhear na própria banca para saber o que se está levando, mas é bom porque protege daquelas pessoas que leem o seu mangá na banca e o deixam todo arregaçado. Também protege da falta de cuidado dos jornaleiros (eu quase morro do coração vendo o “carinho” com que eles tratam os mangás) e da viagem da distribuidora.

Não tenho nenhum motivo para reclamar de Deadman Wonderland (além da falta das páginas coloridas originais), e olha que eu sou fã xiita da obra.


Título:
Deadman Wonderland
Autora: Jinsei Kataoka e Kazuma Kondou
Formato: 13 x 18, 220 páginas
Duração: 11 volumes, continua
Periodicidade: Bimestral
Preço: R$9,90
Demográfico: Shounen
Gênero: Ação, Luta, Comédia, Drama

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