Resenha: Blood Lad Volume 1 – Editora Panini

Um seinen de humor.

Blood Lad é um mangá de humor publicado na Young Ace (casa de MPD – Psycho, Kurosagi Delivery Service of Corpse, Evangelion, Summer Wars) da editora Kadokawa Shoten. O mangá é serializado em capítulos mensais desde 2009 e atualmente conta com 5 volumes, ainda estando em andamento. O autor, Yuki Kodama, não possui outras obras relevantes no catálogo.

Em junho deste ano foi divulgado pela própria antologia Young Ace que que uma adaptação em anime está em desenvolvimento, mas depois disso nada mais foi revelado.

Ao que parece Blood Lad está em reta final e ultimamente a Panini tem optado por lançar mangás próximos à conclusão, mas isso não adianta muito se o mangá acabar e os poucos volumes restantes não forem publicados por aqui (Guin Saga, por exemplo, a adaptação em mangá acabou com 6 volumes e não sai por aqui nenhum volume novo desde fevereiro apesar da edição final ter sido lançada em abril no Japão).

Capa original, praticamente idêntica à versão brasileira
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Resumo
Staz é um vampiro (nesse caso ele está mais para um demônio, não é um vampiro muito parecido com a nossa “visão ocidental”) e chefe da seção leste do Makai (a versão japonesa do inferno que não é nem um pouco parecida com o nosso inferno cristão).Ele se mantém como chefe defendendo o seu território de desafiantes invasores, mas na verdade ele não está muito preocupado com isso sim com seu hobby de colecionar quinquilharias otakus do mundo dos humanos. Staz é um vampiro otaku que não liga para velhas tradições como usar capas esvoaçantes ou sair por aí bebendo o sangue das pessoas.

Um dia aparece do nada uma humana no Makai e os subordinados de Staz a capturam e a levam para ele. Finalmente o vampiro vai poder agradecer a um ser humano por terem inventado o Playstation e o celular. Só que essa garota é bonita e está usando um uniforme de marinheira, o que faz Staz se apaixonar a primeira vista. Mas como nem tudo são flores eles nem têm tempo de conversar direito já que aparece um mané pra desafiá-lo em seu território.

Staz derrota o oponente (que usava flores carnívoras para lutar) com um único golpe e volta para ver como estava a sua linda humana, mas ao chegar no seu apartamento a surpresa: ela morreu, foi devorada por uma das flores (quem conhece Pokémon pode imaginar uma Weepinbell) que havia escapado e agora virou uma alma penada, ou seja, o Staz perdeu todo o “entusiasmo” que sentia pela tal garota que agora era só mais uma assombração no meio de tantas outras.

Com isso esse Orfeu invertido jura que vai trazer a menina de volta à vida nem que precise ir até o mundo humano para fazer dela a sua primeira presa.

Impressões
Era pra ser um mangá de humor, tem umas situações bem nonsenses, mas a adaptação ficou meio travada. Nem é muito culpa da Panini, no geral a tradução não estava travada, é mais uma questão de “choque cultural”, dá pra entender as piadas, mas poucas funcionam. Imagino ter dado umas 4 ou 5 risadas nas 180 páginas, mas de qualquer forma o mangá é bacana mesmo sem a parte de humor.

Imagino que muitos trocadilhos foram perdidos com a tradução e esse é um dos problemas com mangás de humor, dificilmente eles funcionam traduzidos.Teve uma batalha contra um Oni (espécie de ogro) homossexual, deu pra perceber que a Panini se segurou bastante pra não ofender ninguém e ficar “politicamente correto”.

Claro que isso é uma visão particular, mas eu acho que se tratando de humor deveriam deixar o politicamente correto e colocar umas gírias tipo “aloka, arrasou, bofe, mona etc.”. O tal Oni ficou muito contido e no máximo chamava as garotas de fofa e queridinha. Se é um mangá de humor badass o importante é manter o “espírito da obra” que definitivamente não é ser contido. No fim das contas alguém sempre vai se sentir ofendido mesmo.

O traço do autor é competente, para a primeira série está bom, mas ainda espero ver progresso nos próximos volumes.É impossível deixar de comparar o Staz com o Murdoc e o 2D (uma mistura dos dois) e o Dekk com o Russel Hobbs. Será que vai aparecer mais alguém parecido com membros dos Gorillaz nos próximos volumes?

Acabamento
A edição está bacana, conferi o primeiro capítulo e eles editaram o que havia para ser editado, os quadros brancos realmente já estavam lá na versão original, não estão ali por preguiça de editar imagens. As falas estão bem centralizadas e o formato quadrado é bom por não cortar a imagem e nem comer as beiradas.

Minhas críticas são com as páginas coloridas que havia no original que estão escuras demais, impossível de entender as ilustrações. Tudo bem não estarem coloridas, esse é o normal por aqui, mas poderiam ter dado um jeito de deixar os desenhos inteligíveis pelo menos (acho que essa é a maior crítica ao mangá).

Na página 182 no 6º quadro faltou uma legenda com a tradução da placa que diz Third Eye (nome do bar que é o “ponto de encontro” da galera do mangá) que está em katakana. Aliás, preciso dizer que prefiro ver essas placas traduzidas do que com legendas, nesse caso as letras parecem ter sido desenhadas pelo mangaká então há uma desculpa para não editarem, mas não há desculpa para não haver a legenda (o que se repete no último quadro da página seguinte quando mostram a placa novamente).

Outra coisa que poderia ser melhorada é a variedade de fontes, até tem fontes diversas, mas poderiam usar algumas mais “arrepiantes”, afinal, é um mangá com assombrações. No original japonês sempre usam dezenas de fontes diferentes, o mesmo deveria acontecer com o português.

Foi mantida a capa da versão japonesa com a parte da frente e de trás. Elas parecem meio “borrada”, mas é assim no original também, estranhei bastante quando vi. A parte de dentro da capa não está colorida, mas foram mantidas as piadinhas do original que eram em preto e branco mesmo.

Essa é a primeira página da história que está borrada de tão escura na versão nacional.
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Essa é a página dupla de abertura que está impossível de ser apreciada na versão nacional.

Considerações Finais
Blood Lad é um seinen bacana de se ler, a leitura é rápida, os personagens são interessantes e o protagonista não é um banana irritante (isso já é um graaande avanço). As piadas não funcionam muito, mas como é um mangá legal, só tem cinco volumes e já está em reta final vale a pena continuar comprando.

Apesar de se um seinen está bem longe de ser um Homunculus, Seton ou Astral Project, aliás, é bem diferente de tudo que eu já vi ser lançado por aqui – mais um motivo pelo qual vale a pena comprar.

Lembra bastante um mangá da Shounen Jump bastante conhecido aqui no Brasil pelo anime (e por scans) chamado Beelzebub (que seria uma ótima pedida vir pela Panini) que também é um mangá de humor com demônios e delinquentes

Ficha Técnica
Título: 
Blood Lad
Autores: 
Yuuki Kodama
Formato: 
13 x 18, 190 páginas
Duração: 
 5 volumes, em andamento
Periodicidade: 
Bimestral
Preço: 
R$10,90
Demográfico: 
Seinen
Gênero:
Humor, Ação, Aventura

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