Resenha: Saint Seiya Ômega – Ep. 1

Afinal, quais as primeiras impressões?

No Japão é certo que Saint Seiya Ômega não despertou tanto falatório como por aqui, onde a franquia criada por Masami Kurumada tem uma importância tão grande que vai além dos defeitos e qualidades da série.

É sem dúvidas alguma um divisor (AC – Antes de Cavaleiros e DC – Depois de Cavaleiros XD) no que se refere à criação de fãs (e por algum tempo, até mesmo de um frágil mercado que não vingou) de animes no Brasil.

Quando surgiu os primeiros rumores de que a Toei Animation poderia retomar a franquia muitos pensaram que o fraquinho (até o momento, pelo menos) Next Dimension seria o eleito para ganhar um anime, mas qual foi a surpresa quando o estúdio anunciou que faria uma continuação da série clássica.

As primeiras imagens divulgadas já chocaram. As armaduras deram lugar a um tipo de colã e muita gente achou que o traço estava “Prettycurizado” demais (também, a equipe é praticamente a mesma da franquia Pretty Cure). Algo não estava certo – ao menos perante os fãs de longa data.

Quando os primeiros detalhes do roteiro surgiram as coisas não melhoraram e muitos já davam como certo de que este seria um dos caça-níqueis do ano.

Neste quesito estão certos: Saint Seiya Ômega é sim um caça-níquel (pensando bem, qual anime não é?) e tenta agradar tanto aos fãs antigos dando uma continudade à história mal resolvida feita por Kurumada, quanto aos pivetinhos que madrugam nos domingos pra assistirem aos animes e tokusatsus da Tv Asahi.

A históriaCom Spoilers
Saori está no Santuário com um bebê quando é atacada por Mars, o vilão da nova série. Nesse momento surge Seiya, promovido a Cavaleiro de Ouro de Sagitário (sim, ter todas as partes de seu corpo moídas por algum Cavaleiro maligno lhe deu essa recompensa) e começa a lutar contra o inimigo.

Foi então que, com toda a sinceridade, tive vontade de parar de assistir: apesar da luta bacana, do nada o personagem fica de costas e as asas da Armadura de Sagitário somem e voltam na cena seguinte. Cadê o revisor da Toei pra evitar isso? Ou será que elas são retráteis e eu não sei? =P

Continuando, Seiya vence o vilão, salva Saori e o bebê (muito cuti-cuti), mas a deusa é ferida por Mars e tem agora uma espécie de “tatuagem cósmica” no braço.

Treze anos se passaram e o bebê, chamado Kouga, treina contra sua vontade pra se tornar o Cavaleiro de Pégaso em uma ilha onde também estão Shina (a mestra de Kouga), Tatsumi e Saori, que no auge de seus 30 aninhos, aposentou seu cetro e agora usa uma bengala. Aí você me diz “é por causa da ferida causada por Mars”. Mas por que ela se apoia justamente com o braço machucado? =P .

E vamos pra outro probleminha no roteiro: o rapaz mora com uma Deusa, treina com uma mulher que usa uma máscara e tem poderes destrutivos e ninguém nunca falou pra ele quem é Atena e o que é ser um Cavaleiro. Mas abafa.

Conversa vai, conversa vem, e Mars resolve sair de seu sono de beleza no magma e volta pra tirar o sossego de Saori, que está muito debilitada por causa da tal ferida e não pode usar seus poderes (hihihi… até parece que ela costuma fazer isso =P). Aí entra Shina que leva uma coça do vilão (e apesar de ser torrada em um pilar de fogo só a máscara – a sua parte mais “sagrada”, digamos assim- é estilhaçada).

Vendo a situação de perigo, Kouga queima seu cosmo, o pingente que recebeu de Saori se transforma na armadura de Pégaso e o rapaz parte pra cima do vilão. Assim termina o episódio – e o preview do próximo mostra que ficou tudo bem.

“Como você é chato Cloud…”
Ao ler a minha consideração acima sobre o roteiro é notório que odiei o anime, correto? Errado. Até gostei e devo continuar acompanhando. Saint Seiya Ômega não se mostrou uma série tão ruim e vai servir muito bem como divertimento pra sabermos “o que aconteceu com fulano” e dar uma sobrevida à saga.

Só que ele não vai além de um passatempo, uma diversão, do tipo que você assiste e esquece. Dificilmente cairá nas graças dos fãs mais ardorosos e terá um trabalho danado pra cativar muitos japinhas que ligarão a TV e não saberão quem é o Seiya que aparece no início, quem foi Shina e por que diabos brigam por uma Deusa que não faz lá muita coisa pelo mundo – ao contrário do que dizem seus fiéis seguidores enlatados.

Agora, se essa série será considerada parte da cronologia oficial, só saberemos adiante.

Já que mordi e depois assoprei, vamos falar então de duas coisas que me incomodaram muito em Ômega: as armaduras e a extinção das urnas.

Um dos pontos fortes da obra de Kurumada sempre foram as vestes dos Cavaleiros. Apesar da notória limitação do autor em desenhar cenas mais ousadas e ter noções de proporção, anatomia e perspectiva que deixam a desejar (defeitos não corrigidos ao longo dessas décadas em que está na ativa), é de se aplaudir que as armaduras criadas por ele (e alguns marqueteiros) são extremamente criativas. Quem nunca pegou uma ilustração delas “montadas” e ficou ali tentando identificar as partes e descobria que praticamente todas tinham um lugarzinho no corpo do personagem? Em Ômega isso foi pro limbo.

Devido ao novo design feito por Yoshihiko Umakoshi, que “Cashernizou” tudo, os personagens ganharam muito em movimento (o que será de grande ajuda principalmente nas cenas de ação), mas a armadura de Pegaso vestida por Kouga parece um colã de super sentai. E não é exagero: dá a impressão que são de borracha pois elas são elásticas!

Agora os Cavaleiros não carregam mais a armadura nas costas em uma urna e sim dentro de “pedras mágicas”. Lógico, em pleno século XXI, onde tablets e televisores 3D são corriqueiros, nada melhor que dar um upgrade nesse item – e deixar mais atrativo pras crianças que adoram as transformações do tipo super-herói.

No mais, como dito acima, a série veio pra divertir e nisso com certeza será bem sucedida. Infelizmente a Toei e Kurumada perderam a chance de dar aos fãs uma continuação à altura das expectativas.

O problema é que ao meu ver, Saint Seiya sempre foi mais grandioso que seu autor e o mesmo nunca soube valorizar a série (no quesito roteiro mesmo) como ela merecia. Mas vai que essa animação cole e incentive a continuidade de Lost Canvas, atualmente no “limbo da TMS”? =D

Pra finalizar, será que só eu acho que Kouga é filho de Seiya com a Saori? XD

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