Mangrafia #7: Hino Matsuri

Coluna lendária está de volta! =D

Hino Matsuri é uma das autoras shoujo com mais obras lançadas no Brasil, ou melhor dizendo, com todas suas obras lançadas no Brasil. É uma profissional velha na área, mas sua obra de grande sucesso é bem recente. É autora de shoujo que quase sempre tem um fundo de fantasia ou sobrenatural.

Ela usa um pseudônimo, por isso é complicado saber mais informações sobre sua pessoa. Entretanto sabe-se que Hino gosta de jogar tênis, de ler, de cuidar do jardim, de viajar de carro (especialmente à noite em direção às montanhas), além de karaokê.

Hino nasceu em 24 de janeiro em Sapporo, Hokkaido. O interesse dela por mangá e livros sempre existiu, tendo até trabalhado em livrarias e bibliotecas. Mas foi só quando adulta que Hino decidiu se tornar mangaká. Durante alguns meses trabalhou em várias histórias, duas delas chegaram a serem enviadas para um concurso da revista LALA em 1995. A primeira “Kiss no Hontou no Imi o Oshiete” não foi muito bem sucedida, conquistando a 40ª colocação. Já “Kono Yume ga Sametara” ganhou o primeiro lugar e deu a ela a chance de trabalhar para a revista.

A partir daí a autora só produziu yomikiris e demoraria quatro anos até que tivesse a chance de produzir uma obra mais longa. Assim nasceu, em 1999, Toraware no Mi no Ue (no Brasil, Destino Cativo), que não foi tão bem em vendagens, mas foi um importante passo para a autora. Com essa Destino Cativo ela aprendeu a lidar com serializações compridas, com ritmo e todos os fatores de uma obra mais complexa.

Toda sua experiência acabou gerando MeruPuri, seu primeiro sucesso, em 2002. Também foi a primeira obra que chamou atenção do exterior, tendo sido licenciado para todos os lados, embora não tenha feito um sucesso avassalador.

Ao mesmo tempo em que trabalhava com MeruPuri a autora fez alguns capítulos de Wanted. Ao contrário de MeruPuri, a obra não fez tanto sucesso e foi descontinuada. Na verdade por uns bons anos Wanted nem ganhou a versão encardenada, tal só ocorreu após o final de MeruPuri.

Em 2005 é que a autora finalmente alcança um grande sucesso com o lançamento de Vampire Knight, que ainda está em produção. VK foi adaptado para várias mídias: teve dois animes (Vampire Knight e Vampire Knight Guilty), dois light novels (Vampire Knight: Ice Blue no Tsumi e Vampire Knight: Noir no Wana), três artbooks (listados abaixo), alguns dramas em CD, um WebRadio e games.

Por fim em 2011 Hino lançou uma pequena one-shot na revista Shiro LaLa, chamada Watashi to Fukigen na Panya-san.

Confira abaixo as obras lançadas por ela até o momento:

1995Kiss no Hontou no Imi o Oshiete (oneshot)
1995Kono Yume ga Sametara (oneshot)
1999/02Toraware no Mi no Ue (Destino Cativo) (5 volumes) + Real no Arashi (oneshot, vol 1) + Toki o Koora Sete (oneshot, vol 1) + Père Noël no Nagaiyoru (oneshot, vol3) + Kiss no Hontou no Imi o Oshiete (oneshot, vol 4)
2002/04MeruPuri ~Märchen☆Prince~ (4 volumes)
2003/04Wanted (1 volume lançado em 2005) + Haru wa Sakura (oneshot)
2005Vampire Knight (16 volumes, ainda em publicação)
2011 – Watashi to Fukigen na Panya-san  (one-shot)

Abaixo outros livros:
2008Vampire Knight: Ice Blue no Tsumi (light novel)
2008Vampire Knight: Noir no Wana (light novel)
2008Vampire Knight Koushiki Fanbook X (artbook)
2009Vampire Knight DS Koushiki Visual Fanbooks (artbook)
2010Matsuri Hino Illustrations ~ Vampire Knight (artbook)

No Brasil tivemos todas as obras encardenadas lançadas pela Panini. A primeira for MeruPuri, em 2006, que deve ter vendido muito bem pois em 2007 chegou Vampire Knight. Algum tempo depois veio Wanted e Destino Cativo em julho e novembro de 2008 respectivamente, ocupando o lugar de VK que estava parado por ter alcançado a versão japonesa.

Confira abaixo a entrevista da autora para a revista Shoujo Beat em 2006:

P: Você sempre teve interesse em contos de fadas e reinos mágicos?

R: Eu li a maioria dos contos de fadas ocidentais e o folclore japonês quando era criança. E eles foram parte da minha imaginação. Ainda gosto de muitas dessas histórias. Além disso, gosto muito  dos filmes americanos que devem ter me influenciado inconscientemente. Me divirto muito criando mangás, porque parece que estou criando um filme sozinha – a história, o roteiro, o design de roupas, o trabalho de filmagem e direção. Mas não deixa de ser difícil.

P: Você criou as elaboradas roupas dos personagens de MeruPuri baseadas nas das famílias reais da vida real? Se não, como você chegou àqueles designs?

R: Eu usei algumas coisas das roupas nativas da Turquia para criar as formais do príncipe. Fora isso, eu me divirto criando as roupas usando diferentes estilos que gosto e meu limitado conhecimento.

P: Em MeruPuri, o que causou seu interesse em criar um relacionamento entre uma garota (Airi) e um menino (Aram)? No que você estava pensando quando criou esse lado romântico da história?

R: Imaginei que seria interessante criar uma heroína que adorava seu próprio mundo (que tinha um plano de vida, fosse feliz com o dia-a-dia e coisas assim), e então conhece alguém que vira os valores dela de cabeça para baixo. Isso resultou no “príncipe vindo de um mundo mágico”, e para manter o ar de conto de fadas, pensei que seria melhor fazer Aram como um menininho, que não é sarcástico, mas puro e honesto. Imaginei que as garotas achariam romântico um garotinho se esforçar de verdade, amadurecer um pouco e dizer “eu te amo”, sem nem sombra de falsidade em seu coração.

P: O que você considera mais gratificante no seu trabalho? Quais os aspectos mais desafiadores?

R: O mais gratificante é o próprio ato de transformar as ideias na minha mente em mangá, uma forma física. Nós comparamos bastante esse processo ao nascimento de um bebê, como brincadeira. E é ótimo quando desenho algo que sinto que é interessante. Mas por outro lado, é realmente doloroso quando não consigo desenhar algo que me satisfaz. Nessas situações eu fico redesenhando até estourar o prazo final.

P: Qual foi a parte mais difícil de escrever e desenhar MeruPuri? Qual foi a parte mais fácil?

R: As partes difícies incluem desenhar o cabelo rebelde de Aram e compreendê-lo. A parte fácil foi… Não consigo pensar em uma.

P: Como você divide seu tempo entre trabalho e vida privada?

R: Desde a serialização de Vampire Knight, tenho trabalhado praticalmente o tempo todo, exceto quando estou comendo, tomando banho ou dormindo. É loucura. Meu médico me alertou que eu acabaria morta de tanto trabalhar. Mas, eu amo o que faço, é tão recompensador, então considerarei esta loucura como parte do trabalho, pelo menos até o fim da serialização. Mas eu não quero morrer, não, por isso vou tentar cuidar da minha saúde mental e física do jeito que for possível.

P: Você gosta de karaokê? Se sim, quais suas músicas favoritas?

R: Eu amo karaokê, apesar de não ter conseguido ir recentemente. Adoro vários tipos de músicas, inclusive enka, temas de animes e pop.

P: O que te atrai ao assunto de vampiros?

R: Sempre fui atraida por vampiros e contos de fadas, mas não sei por que. Quando começo a falar de vampiros não paro mais, então não vou nem começar, mas é um assunto muito romântico e só de pensar meu coração já acelera.

P: Hanabusa Aido de Vampire Knight pode congelar tudo com seu toque. Outros personagens também têm poderes especiais?

R: Sim, eles têm. Estou planejando revê-los um por um.

P: Qual personagem vampiro é o favorito dos japoneses, Zero ou Kaname? Por que?

R: Alguns dizem gostar dos dois, mas atualmente os fãs estão totalmente divididos e suas popularidades é 50%-50%. Zero tem uma bondade escondida e Kaname tem uma personalidade misteriosa. É difícil dizer por que todos os fãs gostam eles, mas eles buscam conhecer intimamente eles e, como criadora, fico muito feliz com isso.

Abaixo uma entrevista da autora pela mesma Shoujo Beat em 2007:

P: O mundo em que se passa Vampire Knight parece um pouco com o nosso,  mas é diferente em alguns aspectos interessantes e importantes, como o Dia dos Namorados versos St. Xocolatl‘s Day. Como você criou esses detalhes para o ambiente de Vampire Knight?

R: Eu tentei criar um mundo que não fosse muito realista, sem no entanto ser bem afastado da nossa realidade. Já que Vampire Knight é uma fantasia, deve ser mantida uma sutil distância do mundo real. Então dizer “Dia dos Namorados” seria muito realista. De repente o mundo seria inadequado para uma história de vampiros. Contudo, acho essa ocasião muito atraente e, por querer muito algo do gênero na história, conversei com a minha editora, a Sra. Ide, e buscamos a palavra adequada, capaz de carregar o mesmo significado. Então ela sugeriu a palavra “Xocolatl“, ficando, assim, “St. Xocolatl’s Day“.Temos em mente, caso uma situação parecida ocorra, a necessidade de adequar a realidade ao contexto de Vampire Knight, de forma a não criar algo nem tão próximo, nem tão distante do mundo real.

P: Yuuki é ao mesmo tempo forte e insegura. Você se baseou em alguém para desenvolvê-la?

R: Na Airi, de MeruPuri, que é uma personagem muito ativa. Evidentemente, eu não gosto de seguir o mesmo padrão de heroínas, mas quis que minha próxima protagonista fosse alguém com um forte sentido de justiça. Essa era a ideia inicial que eu tinha em mente, sendo que seu caráter seria revelado aos poucos. Yuuki é baseada na minha editora, a Srta. Ide, sendo sincera e atenciosa como ela. As pessoas que convivem com Yuuki têm um lado sombrio, sendo atormentados por seus dolorosos conflitos. Yuuki seria a cura para esses personagens, um verdadeiro conforto. —Conforto…o que será que deu de errado com o Zero… Ela é o pesadelo da vida dele…

P: Você comentou que o seu tema de Vampire Knight seria o amor escolar com pitadas de sangue, sendo essa sua habilidade de equilibrar as cenas sangrentas com as verdadeiramente românticas algo incrível. É difícil para você encontrar este equilíbrio na história, ou ele é natural?

R: Tenho dificuldade em consciliar os gêneros, como comédia e drama. Meu trabalho Toraware no Minoue, tinha exatamente essa sobreposição entre as cenas engraçadas e as dolorosas, por isso, tive muito trabalho para desenvolver esse título. Vampire Knight se encaixa mais no drama e, por isso, as cenas românticas, que são sangrentas, saem mais naturalmente. Acho que isso acontece por eu sempre ter filmes sobre vampiros na minha mente. Mas, acredito que consigo equilibrar bem tais gêneros nos meus trabalhos.

P: Há outras histórias de vampiro que você goste, por exemplo, as séries americanas, Buffy, A Caça Vampiros ou Angel?

R: Eu não lembro muito bem o nome de certos filmes, mas, sempre lembro de séries de TV, como Star Trek, Miami Vice, Knigt Rider… Eu vi todos os filmes de vampiro, desde  O Conde Drácula a Nosferatu. Provavelmente, assisti Buffy em vídeo. Um dos últimos filmes que eu adorei foi Blade, mas ainda não assisti Entrevista com o Vampiro, por exemplo.

P: Muitos fãs da San Diego Comic Con dizem que você é uma das poucas escritoras de mangá capazes de dosar, na medida exata, o amor e a sexualidade. Muitos não são bons em ambos, focando-se em um ou outro. Como você alcançar esse equilíbrio?

R: Eu adoro os dois, é tudo que posso dizer!

P: Você costuma ouvir música para te inspirar a fazer o mangá? Em caso afirmativo, qual a música que você ouve quando está trabalhando em Vampire Knight?

R: No início, como uma brincadeira, eu escutava música barroca, como Bach, ou hinos, mas cansei deles rapidamente. Eu realmente prefiro não ouvir nada. Eu vou para a padaria, ou a uma loja ou, por vezes vou à biblioteca para pensar. Quando tenho tempo, vou ver um filme e mergulhar em mim mesma e, em seguida, começo a pensar. Não importa o gênero que é, enquanto eu posso ficar imersa nele.

P: Você tem muitos assistentes que te auxiliam em Vampire Knight? Que tipos de trabalhos eles fazem?

R: De dois a três ajudantes. Um dos meus assistentes é a minha mãe. Ela entende o meu trabalho. Ela cuida da cozinha, limpeza e outros pequenos pormenores. Ela é a minha vida porque é por causa dela que eu consigo trabalhar 24 horas seguidas.

P: Como foi a reação dos fãs em relação à cena em que Zero se alimenta do sangue de Yuuki no capítulo três?

R: “Assim como eu esperava,”. As pessoas que estão habituadas com a leitura de mangás podem predizer a reação de seus leitores. A expectativa era que somente no final do mangá fosse revelado que o herói ou heroína seria um vampiro. Como eu revelei isso bem no o início, foi uma surpresa, pois as pessoas pensavam que a história já estaria chegando ao fim!

P: Os fãs japoneses estão igualmente divididos entre Zero ou Kaname, ou você acha que esse quadro tenha mudado com o desenvolvimento da série?

R: Atualmente, esse quadro não mudou, mas, antes, Zero era o mais popular; agora, Kaname aumentou um pouco a sua legião de fãs. Mas, não há um grande abismo entre ambos.

P: Existe alguma Semelhança entre você e seus personagens?

R: Todos os personagens se parecem comigo. Zero simboliza meu lado cauteloso. Kaname, o meu mau caráter e Yuuki, o meu senso de justiça

P: Sabemos que você ainda está trabalhando em Vampire Knight, mas você tem alguma ideia para o seu próximo projeto?

R: Não agora. Quando eu fiz uma transição de MeruPuri para Vampire Knight, foi muito doloroso. É difícil para mim me desapegar dos meus personagens. Sinto tanto amor por eles que não consigo pensar nos próximos.

P: Você tem alguma mensagem para os fãs?

R: Eu estou muito aflita! Estou muito feliz que tenham gostado da série. Ainda há muitos segredos a serem revelados, fiquem atentos. Obrigada.

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