Push Start Button #6 One Piece

Esse foi exclusivo para o ocidente!

One Piece é com certeza um dos animes mais azarados no ocidente. Comecemos nos Estados Unidos, onde a 4Kids podou a série até não poder mais, trocou referências Japonesas (isso é “passável”, estamos acostumados com Pokémon…), eliminou sangue, entre outras coisas que vieram pra cá na versão exibida no Cartoon Network (incluindo a abertura bizonha em Rap).

A coisa começou a melhorar em 2007, quando a Funimation adquiriu os direitos sobre o anime e deu um tratamento melhor, tanto na adaptação, quanto em termos de dublagem e lançamento de DVD’s. Dos Estados Unidos, descemos pro Brasil aonde o anime foi tratado feito cão sarnento no Cartoon Network, com exibição em péssimo horário, sendo a versão podada da 4Kids. Não falo aqui sobre a escolha da dublagem, pois fica a cargo de cada pessoa julgar.

Faço uma pausa no texto dedicada aos otakos (sim, escrevi errado propositalmente) que passam seu tempo na internet, seja tanto no Twitter, quanto nos comentários do JBox ou em fanpages do Facebook, a simplesmente dizer: “abuh, anime dublado não presta, dublado é um lixo, herp derp, bla di blah”, duas coisas pra vocês: Primeiro – Você é um imbecil, está pagando de imbecil, pois se não fosse o sucesso de clássicos como Patrulha Estelar, Zillion, Cavaleiros do Zodiaco e Yu Yu Hakusho (só para citar alguns), que vieram pro Brasil com áudio em português, vocês sequer teriam acesso a tantos animes; Segundo – Todo Anime é dublado, então se for xingar, xingue direito.

Voltando à programação normal, no SBT a exibição foi péssima e o anime não empolgou, mas ao menos foi melhor que no Cartoon, já que na emissora de Senor Abravanel colocaram a versão Brasileira de We Are! e os DVD’s da Play Arte até eram bons, mas não foram muito adiante.

Já o mangá de One Piece teria se dado bem no Brasil se a Conrad (que o publicava) não tivesse se estrepado toda (e levando com ela Battle Royale – recém finalizado -, a edição definitiva de Dragon Ball e Evangelion entre outras coisas mais irrelevantes ou que não lembro – se vocês me ajudarem nos comentários, pago uma Tubaína), tanto que ainda nem se recuperou completamente. Ao menos a Panini ouviu as preces dos fãs (mentira: tá é doidinha pra lucrar) e retomou a publicação da saga de Ruffy por aqui.

Mas bem, a história nos jogos é possivelmente tão azarada quanto no anime mangá, já que dos cerca de 30 games de One Piece, apenas um punhado deles chegou ao ocidente. Minhas experiências com jogos da franquia não decepcionaram, até jogar o título de hoje, havia experimentado apenas dois. O clássico Grand Battle do PS1 e o Grand Battle 2 do PS2 – o do PS2 só tinha como negativo as vozes da 4Kids, ambos são bons jogos de luta.

Mas bem, o Game Boy Advance recebeu algumas versões de One Piece no Japão e nenhum chegou ao ocidente. Mas… A Bandai encomendou ao estúdio Dimps (responsável pelas séries Sonic Advance e Sonic Rush, pela versão 3DS de Sonic Generations e pelas versões de Street Fighter IV) um jogo exclusivamente para o Ocidente, e assim surgiu One Piece…

O que foi? Achou que teria algum subtítulo? Ok, você também pode chamá-lo de Shonen Jump’s One Piece (título da capa). Satisfeito?

Aham… Mas bem, o game segue o anime e Luffy deve recrutar sua tripulação e seguir rumo a Grande Linha, na busca pelo One Piece. No caminho, é claro que ele irá encontrar perigos e grandes inimigos, mas nada que uma solução diplomática (descer o cacete) não resolva. O jogo cobre somente um pequeno arco do anime, visto que a 4Kids começou a trabalhar com One Piece em 2004 e o jogo é de 2005.

O jogo segue o estilo clássico side scroller de plataforma, com pitadas do beat’em up, tal qual Dragon Ball: Advance Adventure e Justrisers (ambos do GBA). Você joga somente com Luffy e faz combos simples com o botão B. Com o R, você estica o braço do personagem para agarrar em algumas estruturas. Ao longo do jogo, Luffy adquire novas habilidades que podem ser utilizadas para flutuar ou quebrar algumas estruturas no chão.

As fases são longas e possuem conteúdo a se explorar e caminhos alternativos onde itens podem ser conseguidos. O design delas é de certa forma até cruel com os mais desatentos, pois o posicionamento de certos inimigos podem causar a perda de uma vida.

A cada estágio (dividido em 3 partes, sendo duas fases e um confronto com o chefe) você ganha um novo aliado e esses ajudam nos golpes especiais (A+B) que utilizam-se da barra na parte inferior da tela, preenchida conforme se espanca os inimigos. Executando um, geralmente acaba com o inimigo ou tira um bom naco de algum chefe ou sub-chefe. O Luffy tem seu próprio golpe, mas também é possível chamar o aliado (trocando com o botão L, mas tem que achá-lo na fase) para utilizar o golpe. Cada um tem um efeito diferente, cabe a você saber como utilizar.

Graficamente o título é um show, com cenários bem coloridos e fiéis ao anime, e o design de fases ajuda muito bem isso. Os personagens também são muito bem animados e expressivos, desde os protagonistas até os vilões ou sub-chefes ou mesmo personagens secundários que aparecem nos cenários. Os menus e apresentações entre os estágios também são bem coloridos com um visual característico da série.

Sonoramente o jogo é bem bacana, com um tema (parecido) com We Are na abertura e temas bem bolados durante as fases. Uma pena é que não tem vozes no jogo, já que em Dragon Ball Advance Adventure (também da Dimps), tinha a voz original do Goku. Mas, como o título foi feito pro mercado americano, provavelmente usariam as vozes americanas, então isso pode ser uma benção disfarçada. Os efeitos sonoros estão bem, não comprometem.

Finalizando, One Piece é uma ótima experiência, mesmo pra quem não é fã da série e recomendo muito a todos que o joguem. Eu devia ter escrito isso lá em cima, mas o jogo é bem parecido com o Dragon Ball Advance Adventure, em todos os sentidos possíveis.

Semana que vem eu volto com um game que não é de anime, mas tem a ver com um bastante popular. Até lá!

Avaliação do Jbox: 88%

Pontos Fortes: Jogabilidade Descompromissada, Gráficos caprichados, Trilha bacana.

Pontos fracos: Dificuldade dos chefes, falta de vozes, curta duração

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