Push Start Button #16: Street Fighter x Tekken

Dois mundos incompatíveis?

Esta é uma coluna independente. O JBox não se responsabiliza pelos danos mentais causados pelas sandices aqui contidas. E se você não conseguir detectar a ironia em certos trechos do texto, digo antecipadamente: são piadas. Não me xinguem por isso. Ou me xinguem, sei lá, quem sabe são vocês… Mas não me processem por preferir o Kamen Rider Amazon ao Black, porque eu acho o Amazon mais legal…

Dois mundos incompatíveis. De um lado, Street Fighter, nascido no 2D e mantido no 2D por longos 25 anos, com 3 passagens tridimensionais com a série EX, no PS1 e no PS2. E apesar de serem tridimensionais, os jogos da Arika (desenvolvedora da série EX) tinham raízes bidimensionais profundas.

Do outro lado, Tekken. Nascida no vácuo de Virtua Fighter, se estabilizou como uma das séries de luta 3D mais importantes do mundo, junto com o próprio Virtua, Soul Calibur e Dead or Alive.

O mais próximo do 2D que Tekken passou foi com o Tekken Advance do GBA, e os hacks de Tekken 2 (SNES) e Virtua Fighter x Taken – isso mesmo, você não leu errado, é assim que está na tela título XD – (Mega Drive), jogos não licenciados.

Além das duas franquias terem colaborado com personagens nos RPG’s Namco X Capcom (PS2, Monolith Soft) e Project X Zone (Nintendo 3DS, Namco-Bandai). Mas… E no terreno da luta?

Tudo teve início em junho de 2010, antes da E3, quando começaram a circular na internet os primeiros rumores de Tekken x Street Fighter, em sites como o Fighters Generation (o Yagami, webmaster de lá twittou acerca do rumor) e um outro site estrangeiro que não me recordo, mas não fazia parte da grande rede.

Lembro que aqui no Brasil cheguei a postar o rumor em meu blog e um mês e meio depois, Yoshinori Ono (sósia do Serginho Mallandro, palhaço e produtor de Street Fighter IV e Onimusha: Dawn of Dreams) e Katsuhiro Harada (pinguço de primeira e cabeça de Tekken desde o primeiro jogo) anunciaram na Comic-Con de San Diego que não um, mas dois jogos seriam feitos: Street Fighter x Tekken, pela Capcom (com a Dimps), usando a engine de Super Street IV e liderado por Ono, e Tekken x Street Fighter, feito pela Namco, usando a engine de Tekken 6: Bloodline Rebellion (base do Tekken 6 caseiro para os mais nerds XD).

A previsão do jogo da Capcom era pra 2012, já pro lado da Namco, ainda tinha muito chão pela frente. O tempo passou, chegamos em março de 2012 (maio nos PC’s) e finalmente o jogo está nas lojas. Será que vale a pena o investimento? É o que veremos na coluna de hoje.

A história do game? Bem, um estranho meteorito caiu na Sibéria, e nele está um artefato que as pessoas nomeiam Caixa de Pandora. Parece que essa caixa contém uma força misteriosa e interessante. As organizações Shadaloo (de Street Fighter) e Mishima Zaibatsu (de Tekken) partem em busca dessa caixa, e diversos lutadores também estão interessados nela. E isso tudo? Só desculpa pra colocar lutadores de duas franquias tretando bonito.

As lutas funcionam como em Tekken Tag Tournament, o jogador escolhe dois lutadores e parte para o combate, podendo intercalar entre eles usando dois botões. Caso um dos lutadores perca, termina o round, por isso é importante trocar o personagem durante a luta, dando uma oportunidade do parceiro recuperar um pouco de energia.

Também pode-se trocar de lutador e emendar um golpe utilizando os dois botões fortes, aonde o atacante executará um golpe mais “parrudo” e trocará com o parceiro. Os Ultra Combos e Super Combos de Street Fighter foram “abolidos”. Vou explicar o porque das aspas no parágrafo seguinte.

Há apenas uma barra (e não duas, como em SF), dividida em quatro partes (como em SF), e nela são usadas os EX Attacks, ataques mais fortes se utilizando de dois botões (dois socos ou dois chutes), que gastam 1/4 da barra. Os Super Combos foram substituídos pelos Super Arts, que consistem em executar um comando (um hadouken no caso do Ryu) e deixar o botão pressionado por cerca de cinco ou seis segundos, até aparecer a animação do Super Art.

Não há limite de Super Arts a serem usados no round, mas é necessário cautela ao utilizá-los, já que ele deixa uma puta brecha para um contra ataque, por isso, quando for executá-los, se você ver que o oponente atacará, largue o botão que sairá um golpe normal ou mais forte. Já o Ultra Combo foi substituído por um especial em dupla ultramotherfucker devastador que arranca um belo dano.

Os personagens de Street Fighter funcionam como em SSF IV, e os novatos (Poison e Hugo por exemplo) foram adaptados com bastante competência. Os lutadores de Tekken foram extremamente bem adaptados para o estilo de Street Fighter, com comandos fáceis, embora eles tenham certa desvantagem por não usarem de projéteis.

Os lutadores exclusivos do PS3 (Megaman, Pac-Man, Cole e os dois mascotes do PS3) em sua maioria (exceto Cole vindo da série inFamous) são personagens da chamada ~zoeira~, aonde o intuito é só brincar mesmo, para jogadores mais experientes aloprarem novatos com graça. Já Cole é o personagem sério e pode ser usado de maneira bastante apelona por alguns jogadores.

O jogo introduziu dois novos sistemas, o de Gemas e o modo Pandora. O sistema de gemas consiste numa customização de seu lutador, que dará benefícios ou prejuízos (dependendo da combinação e do jogador) temporários durante a luta. Cabe ao jogador customizá-los, como eu sou preguiçoso pra caramba, eu deixo no padrão. Mas quem quiser ser competitivo, deve fuçar um pouco nesse sistema aí.

O Modo Pandora é algo bem perigoso e bem poderoso. Para usá-lo, o seu lutador tem que estar com a energia piscando, daí apertando certos botões, o parceiro o “sacrificará” e entrará num modo de fúria, aonde seus ataques estarão mais fortes. Mas… Você terá oito segundos para acabar com a luta, caso contrário, dê adeus ao round. Por isso é perigoso e poderoso.

Graficamente é um espetáculo, tal qual foi de Street Fighter IV pra cá, apesar da engine já estar ficando desgastada (desde 2008 ela é usada em SF IV, e posteriormente em SSF IV e SSF IV AE), ainda assim o nível gráfico é muito bom. Os cenários são totalmente novos e em alguns casos, não se repetem entre os rounds, possuindo níveis de profundidade, assim que termina o primeiro round, os lutadores partem para outro ponto do cenário.

Os personagens receberam igual tratamento, sendo amplamente bem feitos. É impossível não pagar pau para o nível de detalhes (aka Mazongas, Magumbos, Peitões) da Poison mesmo ela sendo um cara…

Ela cortou o Johnson, então me deixe em paz, não tem nada demais olhar para os magumbos dela, é perfeitamente normal pra um homem…

Tá, eu sou um tarado, me processe!

Caham! Enfim… Sonoramente é aquela coisa, as músicas são um pouco inferiores as de Super Street Fighter IV, mas ainda são interessantes. Nada que você vá colocar no seu iPhone, iPod, iPobre (aka mp3,mp4, mp10, celular) como a trilha de KOF ou a do novo anime de Hunter x Hunter (eu tinha que dar um jeito de falar que o anime de 2011 de Hunter x Hunter tem uma trilha foda! XD), mas não chega a irritar o jogador.

A dublagem segue o padrão de SF IV (e não o de Tekken*), e você pode escolher se o personagem falará em inglês ou em Japonês, e em ambas as línguas ficou bem feito o serviço, embora eu prefira customizar e deixar os personagens orientais falando japonês e os ocidentais falando em Inglês, mas essa frase é só pra encher linguiça e aumentar o parágrafo. Viu? Consegui.

*Em Tekken, os personagens costumam falar na língua de seu país de origem, com raras exceções, como Eddy, que no mais recente título (Tekken Tag 2, PS3/X360/Wii U) finalmente aprendeu o Português Brasileiro. XD

Finalizando, Street Fighter x Tekken pode não ser competitivo (para torneios), mas segura a peteca como um excelente jogo de luta. Tem um sistema de combate simples, mas complexo o suficiente pra gastar algumas horas nele e é ótimo para disputas entre amigos, como todo bom jogo de luta deveria ser. Sim, Street Fighter III, estou olhando pra você nesse exato momento!

Se você puder escolher sobre qual versão ter, dê preferência a de Playstation Vita, já que ela tem personagens extras (que serão DLC* nas outras versões). *Esses não estavam no disco. XD

Avaliação do JBox: 97%

Pontos positivos: Gráficos, jogabilidade simples, Pandora Mode.

Pontos Negativos: Sistema de Gemas Inútil

Post Scriptum: Não citei a polêmica dos DLC’s de SF X Tekken aqui no artigo, porque na minha sincera opinião, estou cagando e andando pra ela, o artigo é pra falar sobre o jogo e não sobre coisas que a internet estava cansada de discutir.

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