Push Start Button #53: Castlevania – Lords of Shadow

Reinventando um clássico!

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Amigos, vamos supôr uma coisa: Se eu desenvolver um jogo baseado em produto X, e você desenvolver outro baseado no mesmo produto, serão produtos completamente diferentes, se a liberdade da publisher permitir.

Peguemos por exemplo três jogos da série Silent Hill: Silent Hill 4, Silent Hill Homecoming e Silent Hill Downpour. Enquanto que o 4, desenvolvido pela equipe responsável pelos anteriores, ainda tem a pegada clássica (dadas as diferenças entre os títulos), Homecoming tenta o tempo todo emular o SH clássico, mas peca em usar a violência pra chocar (sendo mais ocidental) e não num sentido psicológico.

Já Downpour dá a visão do desenvolvedor (Vatra) do que seria a série, sendo uma experiência nova na franquia. Se é bom ou ruim, vai de cada jogador.

Dito isso, Lords of Shadow não é nem tenta ser um Castlevania clássico. Sabemos das vezes em que a franquia tentou migrar pro 3D, e não foi tão bem sucedida  (os jogos de PS2 tiveram uma recepção boa, mas os de N64 e Wii não). Ele nos traz uma visão diferente do que seria Castlevania. O resultado? Confira abaixo.

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É o fim dos tempos, no ano de 1047. O elo da Terra com os céus foi ameaçado por uma força maligna, conhecida como Senhores das Sombras. Uma magia nefasta impede as almas dos mortos de deixar o mundo, enquanto criaturas malignas habitam a terra e atacam os vivos.

Gabriel Belmont, membro da Irmandade da Luz, um grupo de cavaleiros que protege e defende os inocentes, sai em busca de vingança pela morte de sua esposa, cuja alma não consegue deixar o mundo, além de combater os Senhores das Sombras. É claro que sua jornada não será fácil e ele terá de penar para conseguir seu objetivo.

Primeiramente, jogue fora todos os seus conceitos de Castlevania, pois o jogo abandona o estilo gótico que consagrou a série da Konami e aposta alto em um hack’n slash.

Alguns elementos básicos da série ainda estão lá, e de um certo ponto do jogo, a questão das fases se assemelha a um Castlevania tradicional. Mas enfim, a base do game é semelhante a da aclamada franquia God of War. Combos simples e intuitivos, melhoria de habilidades, chefes titânicos e Quick-Time Events.

Não que isso seja necessariamente ruim, e de fato, os combates de Lords of Shadow são os melhores da franquia em se tratando de edições 3D.

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Outros elementos de Castlevania estão presentes de maneira maquiada, já que com as habilidades que você adquire mais adiante no jogo, você pode retornar e refazer qualquer estágio para conseguir completar 100% deles – e de quebra,ganhar mais pontos de experiência para conseguir novas habilidades.

Os combates contra chefes mostram um dos melhores pontos do jogo. Alguns deles são imensos, e descer a lenha nem sempre é o correto a se fazer nessas situações.

Mas nem tudo são flores. Além da já dita falta de elementos que remetam a um Castlevania, a câmera em alguns pontos é bem chata. Na maior parte do tempo você ficará bem, mas algumas vezes será difícil ver os inimigos, pois ela estará focada em outra direção.

Graficamente é um jogo bastante competente. Os personagens e monstros estão bem feitos, bem animados e o sangue voa em quantidades generosas durante a partida, mas o destaque é o design de cenários que é simplesmente maravilhoso. Eles transmitem a sensação de aventura solitária que o jogo quer nos passar, além de serem bastante variados.

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Castlevania sempre teve trilhas sonoras fantásticas, independente do compositor e Lords of Shadow não é excessão. Mesmo sem reaproveitar nenhum dos temas que popularizaram a franquia, o compositor Oscar Araujo fez um trabalho fenomenal. Cada faixa combina exatamente com o que está acontecendo e passa a sensação de solidão que o jogo proporciona.

A dublagem dele também é bem feita, contando com nomes como Sir Patrick Stewart no elenco. Cada dublador foi competente em seu papel, apesar de você enjoar de algumas vozes e até comemorar secretamente suas mortes no jogo.

Finalizando, Castlevania: Lords of Shadow não é um Castlevania de raiz, mas sim uma reinterpretação da obra original, e além disso, um jogo de ação bastante competente. Recomendado apenas aos jogadores mais mente aberta.

Ah, e a versão de PC (Ultimate Edition) foi localizada para o português do Brasil e com legendas melhores que as de um certo Naruto (ler review anterior).

Avaliação do JBox: 90%

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