Push Start Button #60 Os Cavaleiros do Zodíaco: Batalha do Santuário

Relembrando o 1º game da série para o PS3.

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Os Cavaleiros do Zodíaco está longe de ser um dos melhores animes de todos os tempos, não há muito o que discutir. Hoje em dia a série sobrevive graças aos seus fãs fiéis, que se situam basicamente na Europa e na América Latina, onde a série fez um sucesso absurdo no fim dos anos 1980/primeira metade dos anos 1990. Isso, e as linhas de bonecos, são o que mantém a série viva até hoje. Outro fato é que muitos dos fãs de Cavaleiros são insuportáveis e intragáveis.

Já que geralmente, além de serem cegados pela nostalgia (uma coisa que muitas vezes é chata pra caramba), eles são praticamente incapazes de ver as muitas falhas da série, desde o traço fraco do Kurumada, aos furos de idade e roteiro, além da animação padrão Toei Animation, que como sabemos, é uma gangorra em termos de qualidade (principalmente depois de terem estabelecido alguns estúdios de animação secundários, como o das Filipinas).

Pelo que você leu nos dois primeiros parágrafos, pode parecer que odeio CdZ, não? Errado. Sou um fã incondicional da série, desde a áurea época da Manchete, tive a fita K7 com aquelas músicas toscas, tive o álbum de figurinhas do filme de Abel (além do álbum da série, e aqueles álbuns-pôster da Buzzy), tive o boné do Bob’s (quem lembra desse?), tive a Calói dos Cavaleiros, aniversário temático de Cavaleiros, e tive uma camiseta dos Cavaleiros. Inclusive, “forcei” o pessoal da minha turma de colégio a assistir o filme de Abel na biblioteca da minha escola primária (história pra outro dia). Outro fato interessante da época que meu cabelo era bom e não caía, é que eu queria ter ele grande por causa do Shiryu. Sim, pois é. E como crianças impressionáveis dos anos 1990, nós obviamente abastecíamos nossos conhecimentos com a revista Herói. E também, é claro, que como melequentos de menos de 10 anos, nós surrupiávamos do rio de um vizinho, que era um pouco mais velho e tinha as revistas. Sim, crianças são capetas mesmo.

Histórico nos games

Enfim, já provado que eu era um fã abitolado nos anos 1990 (isso porque nem chegamos na época em que eu esboçava fanfics de Cavaleiros do Zodíaco antes mesmo de conhecer o termo fanfic, isso também é história pra outro dia), jogos de Cavaleiros sempre foram assim, uma incógnita. Tivemos jogos excelentes, como o RPG do Game Boy tijolão (se você souber dominar as cartas certas, o jogo ficará mais fácil), e jogos bem ruins, como os dois do Famicom/NES. No Playstation 2, a Bandai lançou dois games, o primeiro baseado na Saga do Santuário (que pra época lançada era um jogo bem completo, não tinha só a batalha das doze casas, mas se podia desbloquear os cavaleiros de prata e os cavaleiros de aço, deixando o multiplayer local bem bacana), e um dedicado à Saga de Hades, pra acompanhar o lançamento dos OVAs da fase Inferno. Esse, se por um lado é mais bonito e refina algumas mecânicas do título anterior, tem cara de jogo incompleto, já que termina abruptamente (por conta dos OVAs, que ainda não tinham sido todos lançados) e ao invés de tocar um tema referente à fase, me apresentam “Soldier Dream” no encerramento. PUTA QUE ME PARIU, DIMPS, BANDAI, TOEI, SKYRIM, KAGEYAMA, ATARI! Enfim, o final de Saint Seiya: The Hades era bem brochante. Nesse meio tempo, a SEGA anunciou um MMORPG que ficou na promessa um tempão, mas foi concluído, e eu achei um jogo legal pra caralho, mesmo estando em chinês.

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Veja bem, o sonho de todo fã de Saint Seiya (além de conseguir a torta da Shina) é fazer parte da saga, e é isso o que Saint Seiya Online lhe proporciona. Além de reviver alguns momentos chave da série, você participa de outros eventos que expandem um pouco a história, e é um MMO cuja comunidade de brasileiros que o joga está sempre disposta a ajudá-lo. Enfim, voltando aqui, quando a Bandai anunciou que a série ganharia um novo jogo pro PS3, os Sonystas comemoraram, os caixistas xingaram muito no Twitter que não poderiam pirateá-lo como faziam no PS2 (porque sim, os pirateiros do PS2 migraram para a pirataria no 360 E NÃO ME DESMINTA porque tenho razão) e os PC Gamers ficaram “Hurr Durr, PC roda Crysis a 1080p, 60 FPS, num preciso de Cavaleiros no PC~, enquanto choravam em segredo. E eu, particularmente, fiquei animado quando anunciaram que seria um Musou (aqueles jogos de 1 x 1 milhão), já que é um dos meus gêneros favoritos. Agora, eu adquiri um PS3 e antes mesmo de adquirir o console, eu fiz questão de arrumar uma cópia de Os Cavaleiros do Zodíaco: A Batalha do Santuário. Será que ele vale o investimento?

Batalha do Santuário (mais uma vez…)

O jogo adapta pela MILÉSIMA VEZ a Saga do Santuário, que você já leu no mangá ao menos duas vezes (uma pela Conrad, uma pela JBC), assistiu na Manchete, no Cartoon, na Band, na Rede 21, no Crunchyroll, em DVD, e no raio que o parta. Mas vamos a um resumo: Saori, a reencarnação da deusa Atena (não espere que eu coloque o background de CDZ aqui, estou presumindo que você já saiba) vai ao santuário, e ao chegar lá, é atingida por uma flecha (que provavelmente foi a única coisa que Tremmy de Sagita fez de útil em sua vida, já que ele foi pro saco logo em seguida, o que comprova minha teoria de que Cavaleiros de Prata não servem pra nada, se seu nome não for Shina, Marin ou Misty) e os Cavaleiros de Bronze têm doze horas para chegar até o Mestre do Santuário e convencê-lo de que ele deve salvar a Saori e não violá-la, afinal, estamos falando de japoneses, e eles sempre tem essa opção, por mais moralmente incorreto que pareça, e por que diabos estou me dando ao trabalho de alongar uma piada? Enfim, os Cavaleiros têm que subir as doze casas e enfrentar os Cavaleiros de Ouro, que valem mais do que dinheiro na base da diplomacia.

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Como dito dois parágrafos acima, “Batalha do Santuário” é um Musou, embora não completamente Musou, pois ele não dá tanta liberdade de movimentos quanto um Dynasty Warriors, por exemplo. Mas, vamos começar do começo (CAPTAIN OBVIOUS!). Você tem mapeado em seu controle, um botão de ataque fraco (⃞) e um forte (∆), com ele você faz combos simples. Dependendo do personagem, você pode ter até três ataques especiais, com o (O), [R1] ou a combinação [R1] + (O). O Botão [L1] faz a defesa, e apertado no momento exato em que o ataque do inimigo for te atingir, ele faz o Cavaleiro entrar no Sétimo Sentido, o que é equivalente ao Parry, já que a tela fica em câmera lenta e você poderá contra atacar. Caso aperte [L1] + direcional, o cavaleiro irá esquivar. O [R2] é utilizado para explosão de cosmo, o que deixa seus ataques mais fortes, a custo de cosmo, e pode ser utilizado para escapar de inimigos ou correr. O [L2] Ativa o sétimo sentido, a custo de um stock de sua barra de cosmo (Equivalente a Barra de Musou de um Dynasty Warriors). Os ataques especiais também tem custo de cosmo.

Agora eu já expliquei na teoria o que cada parte do controle faz, vamos ver como isso funciona na prática. Como eu expliquei no parágrafo anterior, o jogo não tem a liberdade de um Musou, sendo um pouco mais linear e limitado em seus objetivos, se assemelhando mais a um Beat’em up. Você avança pelas doze casas por “setores”, onde encontrará um grupo de inimigos a se massacrar. Aí funciona como um Musou, mas temos um problema que o gênero não possui, aqui você não tem o controle da câmera do jogo, ela é fixa e vai lhe seguindo, mudando o ângulo em alguns pontos. Usualmente isso não é um problema, mas caso você esteja em uma posição mais desfavorável de se jogar, as coisas ficarão mais difíceis, principalmente se você for jogar nas dificuldades mais altas.

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Terminados quase todos os setores da fase, você chegará a um sub-chefe, geralmente alguém com importância maior que soldados genéricos. Ele terá uns golpes um pouco mais fortes, mas o maior cuidado que você deverá tomar será com os capangas, que podem complicar a sua vida, caso foque somente no sub-chefe. Passado o sub-chefe, você batalhará com o Cavaleiro de Ouro daquela casa (com exceções da casa de Libra e de Sagitário, além da de Áries, que é tutorial), que possui técnicas semelhantes às suas (quando me refiro a semelhantes, digo que ele tem técnicas de uso de cosmo como as suas).

Os sub-chefes seguintes ao Cassius também possuem técnicas semelhantes às suas, o que acarreta em um outro problema que falarei mais adiante. O esquema do jogo no modo história principal não muda, sendo Fase – Sub-Chefe – Chefe até a batalha derradeira contra Saga. O interessante do modo história, é que algumas coisas do jogo ajudaram a expandir um pouco do canon da série. É interessante ver o Shiryu dizendo publicamente que gosta da Shunrei. Digo, todo mundo que assistiu sabe que há uma tensão romântica entre os dois (e em Omega fica comprovado que eles consumaram o fato), mas nunca vemos o Shiryu falar abertamente sobre gostar da Shunrei (e se você, fã hardcore vier me dizer que ele fala isso em algum episódio, eu sou velho e esqueci).

Enfim, terminado o modo história, você pode desbloquear as outras histórias, que preenchem algumas lacunas da principal, começando pela fuga de Aioros, e passando sobre Marin indo para Star Hill e Shina indo até a casa de Leão. É interessante, porque o jogo nos dá a chance de jogar com outros personagens (que não os fixos da história principal).

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Falando em personagens, temos um ponto fraco no quesito personagens que aparecem. Para poder fazer uma relação maior com a série e encher linguiça, a Dimps resolveu de algum modo encaixar Cavaleiros conhecidos para serem os sub-chefes. Isso é bom… Até o momento em que você percebe que colocaram apenas o Misty como Cavaleiro de Prata sub-chefe… E não aproveitaram nenhum outro cavaleiro de Prata para o mesmo propósito. Digo, temos Algol de Perseu, Dante de Cérbero, Babel de Centauro, Asterion de Cães de Caça, Kaitos de Baleia, Dio de Mosca, Jamian de Corvo, Alghetti de Hércules, mas ao invés disso, colocaram… Cavaleiros Negros. Sério, além dos já manjados cinco clones dos de Bronze (O que seria aceitável), colocaram um Lagarto Negro e Amazonas de Águia e Ofiúcos Negras, digo, fazer Pallet Swap de personagens existentes só pra não animar técnicas novas? Tenha dó.

Após cada fase, o seu personagem ganha experiência para evoluir, e Pontos de Cosmo, que ele pode usar pra melhorar seus atributos e suas técnicas, além de adquirir habilidades extras que lhe ajudam em dificuldades maiores (sim, você leva seu personagem pra dificuldades extras, o que dá sobrevida ao jogo). Tem uma dica muito boa que pode facilitar muito o game. Vá no modo de desafios, jogue com o Shun sem a armadura, e apele pra caralho. Após alguns desafios você terá Pontos de Cosmo o suficientes para transformar seus cavaleiros em megítimas máquinas de matar.

A jogabilidade não é fluída como em um Dynasty Warriors, mas ela funciona bem para um Beat’em up. Não espere a revolução de um Bayonetta, mas ela não te ofende como a de alguns jogos aí (né, Battle of Z?). Um mimo para os fãs de CDZ são as fotos de bonecos da série que você pode destravar durante a jogatina para ver no modo galeria. Particularmente, eu preferiria que fossem modelos 3D dos bonecos, para eu poder girar e ver melhor os detalhes, mas o orçamento não deve ter sido grande para tal coisa.

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Graficamente… Olha, podia ser muito, MUITO MELHOR. A Bandai anunciou que o jogo era pros fãs de Cavaleiros, mas aparentemente o orçamento não foi prioridade aqui. Sim, os cenários estão maravilhosos. Muito bonitos mesmo, com efeitos convincentes e ambientação muitíssimo superior a da série ou a de qualquer outro jogo de Cavaleiros pra consoles. Os cenários também possuem alguns elementos destrutíveis e que podem ser usados pra causar danos nos adversários. O problema são… Os modelos dos Cavaleiros… Que são feios. Desculpem, mas são MUITO FEIOS. Na hora do jogo, do gameplay, eles estão bem, nem bons e nem ruins demais, dá pra relevar, porque se trata de um Musou. Porém, nas cutscenes, percebe-se que eles simplesmente deram uma maquiada HD nos mesmos modelos usados no PRIMEIRO CdZ de PS2. Eles são plásticos demais, feios demais. A movimentação facial, labial, ou mesmo o andar nas cutscenes, tudo soa artificial demais. E estamos falando de um jogo lançado em 2012, quando já tínhamos Dynasty Warriors Strikeforce e Bayonetta, títulos que vieram antes dele (sendo o DW StrikeForce uma remasterização de um jogo de PSP) e muito mais agradáveis visualmente.

Sonoramente ele é agradável a maior parte do tempo. As melodias são em sua maioria bastante semelhantes aos trabalhos de Seiji Yokoyama na série clássica, e para os chatos saudosistas, temos Pegasus Fantasy, que além da abertura, também toca na batalha binal contra Saga. Só achei estranho foi tocarem uma versão instrumental de Blue Forever na batalha Aioros x Shura. Sério, é estranho pacas. Enfim, e a dublagem tem seus altos e baixos. Infelizmente (para quem curte a dublagem japa), não é o Tohru Furuya quem faz a voz do Seiya, então teremos que ouvir mais uma vez o personagem com a voz do Ichigo por boa parte do jogo. Não fica ruim, mas sabem como é… Depois do Furuya ter voltado ao personagem em Ômega… Acho que o personagem que mais sofreu na dublagem foi o Máscara da Morte, porque pelamor de deus, o cara tava simplesmente lendo as falas. Tem uma hora que chegou a doer meus ouvidos! Enfim.

Finalizando, para fãs, Os Cavaleiros do Zodíaco: A Batalha do Santuário não chega a ofender, mas pode não agradar a todos. Porém, se você não é fã de Cavaleiros e quer um Musou sólido, dê preferência a outros jogos. É um bom divertimento, pode lhe dar algumas horas de diversão, mas não irá mudar a sua vida. O que pra mim é bom, já que eu jogo videogame por diversão, não pra achar a cura do câncer.

Nota Final: 8

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