Exibições públicas de Dragon Ball Super: licenciador fala sobre o fenômeno

Final da série moveu milhares de fãs em exibições públicas.

No último fim de semana foi ao ar o que é, pelo menos por enquanto, o último episódio de Dragon Ball Super. A série começou em 2015 torcendo o nariz de muita gente, seja pelo roteiro preguiçoso (readaptando para a TV os dois últimos filmes) ou pela animação que, no mínimo, deixava a desejar.

Porém, gradualmente o jogo virou, com a série agregando cada vez mais interessados que puderam compartilhar momentos que não tiveram com a série clássica, afinal, Dragon Ball veio para o Brasil em uma época que a internet ainda engatinhava, fora a mais de uma década que a separava da estreia no Japão. Tínhamos enfim uma série Dragon Ball que o mundo todo podia assistir junto, inclusive por meios legalizados, através da Crunchyroll.

Essa atenção mundial uníssona fez com que surgisse um fenômeno na América Latina. Alguns pontos do México e outros países que hablam español se movimentaram para reunir os fãs em bares ou exibições públicas em telões para a batalha final do anime (a coisa chegou a ir mais além, tendo até clube de strip mexicano fazendo promoção com a exibição). Logo a Toei Animation (produtora da animação) se manifestou nas redes dizendo que as exibições eram ilegais e não estava apoiando nenhuma delas – sim, apesar de ser uma “propaganda” da marca, ela e os patrocinadores de Goku e companhia estariam perdendo alguns milhares de dólares com a brincadeira, mas esse é um terreno mais complicado pra gente cavar e definir o que é certo ou errado.

Fato é que o Brasil, a terra da zoeira, vendo o movimento dos seus vizinhos não pôde ficar de fora e começou a se organizar também. No meio da bagunça, a Crunchyroll chegou a emitir uma nota chamando todos os interessados em promover encontros de Dragon Ball Super, para que regularizassem e tornassem a exibição oficial. Porém, algo parece ter dado errado no meio do caminho e o serviço voltou atrás, removendo o chamado. Procurada pelo JBox, a plataforma infelizmente não teve autorização para comentar o caso.

Mesmo sem o aval, o negócio aconteceu e moveu até mesmo prefeituras de cidades do Brasil, que bancaram a festa. O evento chegou ao absurdo de reunir mais de 7 mil pessoas em Macapá em volta de um telão com Dragon Ball Super, o que seria impensável para muita gente dos grandes centros. Aliás, é interessante notar que as maiores mobilizações de fãs foram justamente longe do eixo Rio-SP. Locais como Boa Vista, em Roraima e Parintins, no Amazonas, também reuniram números impressionantes.

Veja algumas imagens no vídeo abaixo:

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Para comentar o caso, conversamos com Luiz Angelotti, responsável pelo licenciamento da marca Dragon Ball no Brasil, além de outros produtos da Toei, como Os Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon e One Piece, que reiterou a posição da Toei, mas não desdenhou do movimento:

As exibições não foram oficialmente autorizadas pela TOEI ANIMATION, que comunicou nas redes sociais sobre seu posicionamento, incluindo em português. Nós sabemos da força da marca e o movimento no mercado que esta série considerada um fenômeno internacional de sucesso tem proporcionado. É impossível a restrição à esta reunião de milhares de fãs e admiradores da série, para homenagear Dragon Ball Super. Representa a força da franquia e o respeito dos fãs pela obra do mestre Akira Toriyama reproduzida com altíssima qualidade pela Toei Animation. As reuniões em massa são reflexo do sucesso.

Encerrada, a série pode ser assistida oficialmente por streaming com legendas em português pela já falada Crunchyroll. Na TV, a série segue em reprises dos primeiros 67 episódios dublados no Cartoon Network. A dublagem de mais episódios segue sendo realizada na Unidub, mas ainda sem previsão de estreia no canal por assinatura.

No dia 14 de dezembro, estreia no Japão o novo filme da franquia, que se passa exatamente após o fim de ‘Super’. O produtor do longa já manifestou o interesse da Toei em fazer uma estreia mundial, o que indica que os japoneses começaram a entender um pouco o poder de suas marcas fora de seu local de origem.

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