Crítica | Os Cavaleiros do Zodíaco: Saintia Shô – Episódio 1

Explicações ficam de fora na estreia, que é um verdadeiro resumão do primeiro volume do mangá.

Enfim, a adaptação de Saintia Shô para anime saiu do papel. O lançamento se deu nesta segunda (10) em plataformas de streaming no Japão. O Brasil não ficou de fora e a Crunchyroll garantiu a exibição semanal para os assinantes, com legendas em português. Por aqui também temos o mangá, que atualmente é publicado pela Editora JBC.

Para quem está por fora, a trama é uma história alternativa da mitologia d’Os Cavaleiros do Zodíaco que apresenta as Saintias, uma ordem de guerreiras que serve diretamente à deusa Athena. Diferentes das amazonas (ou “mulher-cavaleiro” nas dublagens da série clássica), que são obrigadas a usar uma máscara para “abandonar o fato de ser mulher”.

Miro de Escorpião salva a pequena Shoko. (Imagem: Reprodução/Crunchyroll)

Os primeiros eventos de Saintia Shô acontecem às vésperas da Guerra Galáctica. Apesar de Saori Kido já estar ciente de sua missão como a reencarnação de Athena, o mangá consegue desenvolver o enredo e apresentar alguns momentos da saga do Santuário sem interferir/alterar o que foi contado por Masami Kurumada. A autora Chimaki Kuori, que é uma fã declarada por Cavaleiros, consegue entregar uma história envolvente e procurando respeitar a obra original. Não é 100% perfeito, mas é digno.

O mesmo não dá pra dizer tanto do anime, a julgar pelo primeiro episódio. A estreia foi um verdadeiro resumão dos eventos narrados no primeiro volume do mangá Saintia Shô. Quem não leu ainda, pode encarar apenas como mais uma série da franquia e só. Mas nem faz ideia de detalhes importantes que foram limados e que poderiam desenvolver melhor os personagens na TV. Tudo passou de maneira brusca para o espectador, que deve acompanhar mesmo em curta temporada.

A protagonista é a estudante Shoko, que treina artes marciais regularmente com seu pai. Há cinco anos, sua irmã mais velha, Kyoko, saiu para estudar fora e não deu mais notícias desde então. Um dia, Shoko é atacada por Ate, uma dríade da deusa Eris. Shoko é salva por Kyoko, que é na realidade uma Saintia da constelação de Equuleus (ou Cavalo Menor). Para a surpresa de Shoko, Saori Kido, a garota mais popular da escola, é a reencarnação de Athena. Por algum motivo, Shoko foi alvo de Eris no passado e foi milagrosamente salva por Miro de Escorpião. Agora, Shoko é salva por Kyoko, que é levada para o Éden das Trevas, a fim de se tornar uma hospedeira da deusa Eris. Assim, Shoko decide se tornar uma Saintia para salvar Kyoko.

Saori Kido ao lado de Kyoko de Equuleus (à esquerda) e Mii de Golfinho (à direita) (Imagem: Reprodução/Crunchyroll)

Apesar do enfoque no elo das irmãs, pontos essenciais da trama ficaram de fora. Sequer a Fundação Graad foi mencionada, onde Kyoko estudou todo esse tempo para se tornar uma Saintia. Logo, esta era justamente a motivação de Shoko para se encontrar com Saori e saber o porquê do desaparecimento de sua irmã. Mii, a fiel escudeira de Saori, nem ao menos teve a chance de ser apresentada como uma Saintia da constelação de Golfinho com mérito na primeira batalha. As dríades também não tiveram uma introdução de impacto, com ênfase de terem Eris como mãe.

Sem um total de episódios confirmados até o fechamento desta resenha, a impressão que fica é que a Toei quer produzir uma série com apenas um cour (trimestre). Até agora são 11 volumes do mangá de Saintia Shô publicados tanto no Japão quanto no Brasil. A tendência é a de que os episódios sejam uma versão enxugada do original de Chimaki Kuori e isso tira toda a graça e a essência da trama. Visualmente falando, os traços não são os mesmos de Kuori e ficaram meio estranhos. Graças a Keiichi Ichigawa (o mesmo de Ring ni Kakeru, de Masami Kurumada) e Ayana Nishino (responsável pelos Guerreiros Deuses em Os Cavaleiros do Zodíaco: Alma de Ouro). A personagem que mais me incomodou nesse sentido foi Saori, que ficou mais magra e com a cabeça, digamos, de tamanho desproporcional.

Esperava um trabalho mais primoroso que explicasse a trama com certa primazia e que não jogasse os personagem ao léu. Com certeza o spin-off merecia uma adaptação melhor do que foi apresentado. Na boa, o mangá de Saintia Shô é superior à sua contraparte na TV – ao menos no que temos até aqui.


‘Saintia Shô’ tem episódios novos exibidos oficialmente no Brasil pela Crunchyroll toda segunda-feira, às 11h (horário de Brasília), com legendas em português.

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