Imagem: Chihiro e o garoto da pensão em filme.

De “A Viagem de Chihiro” até “Mirai”, todos os longas japoneses indicados à categoria de melhor animação no Oscar

Pela 7ª vez, uma animação em longa-metragem japonesa entra na categoria de melhor filme animado do Oscar.

Foi liberada hoje a lista com os indicados à 91º edição do Oscar (leia mais aqui), com o longa-metragem Mirai (Mamoru Hosoda) marcando presença entre os selecionados em Melhor Filme em Animação. Essa é a 7ª produção nipônica a aparecer desde a criação da categoria em 2002. De lá para cá, apenas um filme animado japonês voltou para casa com a estatueta dourada.

Abaixo, confira uma linha do tempo com as participações japonesas dentro dessa categoria até então:


A VIAGEM DE CHIHIRO (2003)

A 1ª aparição de um longa japonês animado na disputa ocorreu no ano seguinte à criação da categoria específica para desenhos de alta duração. E tal estreia se deu com bastante louvor, já que A Viagem de Chihiro (Hayao Miyazaki), um dos totens do Studio Ghibli e do cinema de animação nipônico como um todo, foi quem rapou a estatueta dos concorrentes. Infelizmente, foi a 1º e única vez. Lançado no Japão em 2001 e entrando em circuito internacional nos 2 anos seguintes, o espetacular filme conta as aventuras da garotinha Chihiro, presa numa dimensão paralela repleta de criaturas místicas do folclore japonês, enquanto tenta salvar seus pais, transformados em porcos por comerem onde não deviam.

No mesmo ano, a categoria contou com outros 4 nomes de peso: A Era do Gelo (Chris Edge, Carlos Saldanha), Lilo & Stitch (Chris Sanders), Spirit: O Corcel Indomável (Kelly Asbury, Lorna Cook) e Planeta do Tesouro (Ron Clements, John Musker).


O CASTELO ANIMADO (2006)

O 2º filme japa a dar as caras em tal categoria da premiação foi O Castelo Animado (Hayao Miyazaki), de 2004, também do Ghibli. Nessa lindíssima obra, uma menina, após ser salva por um mago de ser violentada por oficiais do exército, conquista a ira de uma bruxa ciumenta, que a transforma numa idosa. Para se livrar da maldição, ela invade um castelo mágico itinerante, precisando lidar com os próprios sentimentos, trabalhar sua confiança e autoaceitação nesse caminho.

Com apenas 3 concorrentes competindo no ano, o prêmio foi para Wallace & Gromit: A Batalha dos Vegetais (Nick Park, Steve Box), que venceu também A Noiva Cadáver (Tim Burton, Mike Johnson).


VIDAS AO VENTO (2014)

A 3ª participação japonesa entre as melhores animações em longa-metragem só ocorreu 6 anos mais tarde, com ainda outra direção do Hayao Miyazaki (sua última antes de se aposentar), Vidas ao Vento. Lançado 1 ano antes no Japão, o filme é uma cinebiografia ficcional do engenheiro Jiro Horikoshi, designer do caça Mitsubishi A6M Zero, avião amplamente usado pelo Japão na Segunda Guerra Mundial.

Os outros concorrentes no ano foram as explosões Pop Frozen – Uma Aventura Congelante (Jennifer Lee, Chris Buck), vencedor da categoria, Meu malvado Favorito 2 (Pierre Coffin, Chris Renaud), e produções de menor alcance, como Os Croods (Kirk DeMicco, Chris Sanders) e o francês Ernest & Celestine (Stéphane Aubier, Vincent Patar, Benjamin Renner).


O CONTO DA PRINCESA KAGUYA (2015)

No ano seguinte, foi a vez do surpreendente O Conto da Princesa Kaguya (Isao Takahata), primeira animação japonesa em longa-metragem indicada sem a presença do Hayao Miyazaki, mas ainda assim parte do Studio Ghibli, a entrar entre as selecionadas. Lançada nacionalmente em 2013 e também entrando em circuito nacional nos 2 anos seguintes, somos imergidos aqui na história de uma menina nascida de um corte de bambu, a próspera Princesa Kaguya, com todos os prós e contras que a riqueza pode trazer à longo prazo. O roteiro é baseado no Conto do Cortador de Bambu, conhecido como a narrativa ficcional japonesa mais antiga já mensurada. Já a animação é feita como se a tela fosse um storyboard, pintado conforme a trama é contada.

O vencedor entre os concorrentes foi Operação Big Hero ( Don Hall, Chris Williams), da Disney, com um pézinho na cultura Pop nipônica em suas referências. Os outros filmes foram Como Treinar o Seu Dragão 2 (Dean Blois), Os Boxtrolls (Graham Annable, Anthony Stacchi) e A Canção do Oceano (Tomm Moore).


AS MEMÓRIAS DE MARNIE (2016)

A 5ª participação japonesa na categoria, novamente, veio do Studio Ghibli, mas com um longa dirigido por Hiromasa Yonebayashi: As Memórias de Marnie, de 2014. Nele, uma menina chamada Anna consegue enxergar outra menina, Marnie, num local onde ninguém mais vive. Em uma trama imersa em mistérios, surrealismos e confusões mentais, as garotas desenvolvem uma grande amizade, mostrando que relações verdadeiras podem ser montadas mesmo em situações adversas.

Mas em 2016, a categoria foi de Divertida Mente (Pete Docter), da Pixar, que levou a estatueta para casa. Os longas Anomalisa (Charlie Kaufman, Duke Johnson) e Shaun, O Carneiro (Richard Starzak, Mark Burton), junto com o brasileiro O Menino e o Mundo (Alê Abreu), completaram os indicados.


A TARTARUGA VERMELHA (2017)

Já a 6ª participação de um longa japonês foi através de uma parceria entre produtoras da França e da Bélgica com o já tão citado Ghibli. A Tartaruga Vermelha (Michaël Dudok de Wit) conta a história de um naufrago preso numa ilha deserta que desenvolve uma relação inusitada com uma tartaruga vermelha que impede que ele deixe o lugar. Mas nem mesmo a miscelânea internacional foi capaz de parar Zootopia (Byron Howard, Rich Moore), da Disney, que tomou o prêmio para si.

Ainda na categoria, competiam o fenômeno Moana (Ron Clements, John Musker), também da Disney, o franco-suíço Minha Vida de Abobrinha (Claude Barras), e o injustiçado Kubo e as Cordas Mágicas (Travis Knight), belíssimo stop-motion da Laika Entertainment baseado no folclore japonês.

Um caso curioso dessa época foi a não-indicação do hypado Your Name (Makoto Shinkai). Internacionalmente elogiado, com uma legião de fãs e considerado por muitos um dos maiores filmes em animação vindos do Japão nos últimos tempos, o longa foi enviado à competição com um período de exibição curtíssimo nos Estados Unidos, passando despercebido entre a academia.


MIRAI (2019)

Enfim, chegamos à 7ª participação nipônica da categoria, com Mirai (Mamoru Hosoda) entrando entre os indicados desse ano, sendo também a 1ª de fora do Studio Ghibli nela. O filme é produzido pelo Studio Chizu (Wolf Children, O Rapaz e o Monstro). Ainda sem data de estreia aqui no Brasil, o longa conta a história de um menino que, ao encontrar um jardim mágico, entra em contato com sua futura irmã, ali, uma adolescente.

Junto com ele, concorrem na categoria Os Incríveis 2 (Brad Bird, Pixar), WiFi Ralph: Quebrando a Internet (Rich Moore, Phil Johnston, Disney), Homem Aranha no Aranhaverso (Peter Ramsey, Bob Persichetti, Rodney Rothman, Sony Pictures Animation) e Ilha dos Cachorros (Wes Anderson).

Ilha dos Cachorros, no caso, tem sua história ambientada num Japão futurista, contando com um elenco nipônico de vozes em conjunto com o americano. Confira nossa crítica aqui. Premiado nos recentes festivais de Berlim, SXSW, dentre outros eventos, o filme disputa também o título principal entre longa-metragens no 46º Annie Awards.

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