Crítica | ULTRAMAN

Apesar de algumas mudanças, versão animada do clássico da Tsuburaya busca manter a mesma intensidade do mangá e pode atingir pessoas que nunca assistiram à série original.

Após 16 meses do anuncio oficial, a Netflix lançou nesta segunda (1º) o aguardado anime ULTRAMAN. O título é uma adaptação do mangá de Eiichi Shimizu e Tomohiro Shimoguchi (ambos de Linebarrels of Iron), que dá sequência a um dos maiores clássicos da história do gênero tokusatsu. Esta saga também é uma releitura dos primeiros heróis clássicos da franquia produzida pela Tsuburaya para os dias atuais.

O enredo se passa várias décadas após o final de Ultraman, série original de 1966. Todos os eventos da cronologia principal relatados em Ultra Seven (de 1967), O Regresso de Ultraman (de 1971), Ultraman Ace (de 1972), entre outros são desconsiderados. A trama é uma história alternativa que carrega várias referências de elementos dos Irmãos Ultra.

Shin Hayata, o hospedeiro do gigante de luz está com idade avançada e constituiu sua família. O que ninguém sabe é que ele herdou um poder sobre-humano, um efeito colateral denominado como “Fator Ultra”. Seu filho adolescente, Shinjiro Hayata, é o protagonista da série e possui também o mesmo fator. O garoto procura levar uma vida normal ao lado de colegas de classe, mantém interesse por garotas do colegial e coisas do tipo.

Hayata volta à ação (Foto: Divulgação)

Porém, os poderes de Shinjiro atraem misteriosamente a atenção do alienígena Bemlar, o primeiro monstro gigante que enfrentou Ultraman agora em sua versão repaginada. A iminência faz com que a Patrulha Científica entre secretamente em ação para enfrentar o vilão que pode ter alguma relação com um atentado ocorrido 12 anos antes. E assim, Shinjiro tem a difícil responsabilidade de assumir o codinome de Ultraman ao vestir uma armadura altamente sofisticada, capaz de reproduzir os mesmos poderes e técnicas do gigante da Nebulosa M-78.

A Patrulha Científica atuou por décadas como um museu dos velhos tempos de combate contra os kaijus, mas na realidade a organização se transformou numa espécie de agência secreta que investiga alienígenas que se ocultaram em nosso planeta. Ide, um dos antigos oficiais, continua na ativa. Também colabora Edo, um zettoniano aliado aos humanos. Ao longo da série aparecem o implacável Dan Moroboshi e o misterioso estudante Seiji Hokuto. Ambos assumem os codinomes Ultraman ver. 7.0 (Seven) e Ultraman ver. A (Ace), respectivamente. Sem mencionar o poderoso informante Jack, que carrega em seu pulso o Bracelete Ultra (originalmente a arma fatal de Ultraman Jack). Os eventos giram em torno de misteriosos assassinatos e uma possível ligação com a idol Rena Sayama, que passa a ter certo interesse por Ultraman, após ser salva por ele.

 

ALTOS E BAIXOS

Produzido pela Production I.G e Sola Digital Arts e dirigido por Kenji Kamiyama (Ghost in the Shell: Stand Alone Complex) e Shinji Aramaki (Appleseed), ULTRAMAN apresenta uma belíssima animação digital em 3D (estilo que dificilmente vem agradado os fãs de animação japonesa). Nota-se uma diferença na qualidade dos movimentos das filmagens. Ora os personagens se movem quase lentamente, ora fluem com certa naturalidade. O ponto alto são as cenas de ação que são aprimoradas com o máximo de realismo e performance. Curiosamente, atores de tokusatsu participaram das capturas de movimento. Shinjiro Hayata foi interpretado por Katsuyuki Yamazaki (de Heisei Ultra Seven e Ultraman Orb), Dan Moroboshi por Shinji Kasahara (Time Fire em Timeranger), Shin Hayata e Edo por Teruaki Ogawa (Sasuke em Kakuranger e Hyuuga em Gingaman). Momentos ápices como a transformação e o tempo limite do Color Timer são marcados por uma trilha sonora especial.

O novo Ultraman alçando seu primeiro voo (Foto: Divulgação)

Os 13 episódios do anime são baseados nos oito primeiros volumes do mangá (atualmente publicado no Brasil pela Editora JBC). O anime tem poucas mudanças em relação ao título original. Ambas as versões prendem a atenção do público com uma narrativa que equilibra bem as referências e as explicações. Porém, quem leu o mangá sentiu algumas diferenças como a substituição do kaiju Red (sua animação não ficou tão boa como deveria) e a motivação de Rena Sayama para se encontrar com seu salvador, e um pouco da interação da cantora com Shinjiro. Ainda assim, essas particularidades não interferem na qualidade da adaptação. O anime procura seguir a mesma intensidade que marcou a trama no mangá. Os heróis não se agigantam, nem temos monstros que destroem a cidade – fato que pode incomodar puristas. Mas a sofisticação faz sentido para a nova mitologia, não foge do tom e desperta a curiosidade de quem nunca viu uma série clássica dos Ultras.

A versão brasileira ficou a cargo da BTI Studios e reuniu nomes de peso da dublagem carioca como Charles Emmanuel (Shinjiro), Flávia Saddy (Rena), Marcos Souza (Moroboshi), Eduardo Borgerth (Detetive Edo) e Guilherme Briggs (Bemlar). Os dois últimos já estiveram envolvidos na dublagem de Ultraman Tiga, respectivamente como o alter-ego Daigo e o vilão Hydra do filme A Odisseia Final. E um agrado para os fãs das antigas: a SSSP (Special Science Search Party) foi chamada de Patrulha Científica, como era conhecida na primeira dublagem realizada nos anos 1960 pela Cinecastro.

Fica agora a expectativa para uma segunda temporada de ULTRAMAN. O final não deixa gancho para uma continuidade, mas caso aconteça veremos a introdução de um novo herói e a formação da Irmandade Ultra desse universo. Enquanto isso não é decidido, vale mais umas maratonas. Bem como o mangá, o anime deixa os espectadores vibrando. A Netflix só precisa mesmo dar um empurrãozinho a mais na divulgação para não ficar restrito somente aos fãs de tokusatsu e atrair apreciadores de ação, suspense e ficção científica.

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