Imagem: O time Karasuno, de Haikyuu.

‘Haikyuu!!’: JBC anuncia publicação do mangá no Brasil em formato exclusivo

Hinata, Kageyama e companhia finalmente desembarcam no país do futebol.

Divulgação: Shueisha.

Chama a Maria Bethânia que o sonho deixou de ser impossível: a JBC anunciou, na noite desta sexta-feira (5), a publicação de Haikyuu!!. Encerrado em julho de 2020 no Japão, com 45 volumes encadernados, o mangá que acompanha a trajetória de Hinata e seus companheiros do colégio Karasuno finalmente dará o ar da graça por aqui.

Apesar de chegar apenas 9 anos após o lançamento pela japonesa ShueishaHaikyuu!! possui relação estreita com o Brasil. Em 2019, Haruichi Furudate, autor do mangá, veio até aqui para entrevistar atletas de voleibol de praia – o país já foi campeão olímpico algumas vezes na modalidade.

O motivo ficou claro pouco tempo depois da visita: na série,  o protagonista Hinata vem para trabalhar em uma empresa de entrega de comida e também jogar no Rio de Janeiro, já na reta final da história.

Uma curiosidade é que a vice-presidente da editora da Vila Mariana, Luzia Shoji, teve papel mais que decisivo no licenciamento do título. Jogadora de vôlei na juventude, tendo inclusive entrado em quadra com a levantadora Fofão, medalhista olímpica pela Seleção Brasileira de Vôlei, Luzia teria dito, ao saber da possibilidade do mangá da Shueisha vir para o Brasil: “Por que é que vocês nunca me contaram que existe um mangá de vôlei?” 

A partir daí, a equipe da JBC não teve dúvidas de que o mangá deveria ser lançado por aqui.

Como será a edição nacional?

Imagem: Prévia da edição BIG (é apenas uma montagem).
Imagem ilustrativa | Divulgação/JBC.

A edição brasileira de Haikyuu!! virá em formato BIG, com 2 volumes compilados em 1 e cerca de 400 páginas por volume. Portanto, invés dos 45 tankobons, como na edição original japonesa, teremos ao todo 22 encadernados. É de se destacar que não há, em nenhum país do mundo, um formato do mangá que não seja a reprodução do encadernado tradicional, de 200 páginas.

Nem mesmo no Japão foi lançada uma “edição especial” da obra de Haruichi Furudate. Dessa forma, o leitor brasileiro terá em mãos uma edição exclusiva. Além da versão física, a editora revelou que haverá a versão digital.

A tradução para o português ficará a cargo de Renata Leitão, que já trabalhou em diversos mangás da JBC (e recentemente esteve a frente de títulos da Panini).

Ainda não há previsão de preço ou lançamento. O papel será o Pólen 90g. Planos de assinatura serão disponibilizados em breve, no site da JBC.


Imagem: Tsubasa chutando uma bola.

Séries de esporte no Brasil

Embora sejamos o “país do futebol”(e tenhamos afinidades com muitos outros esportes, sendo potência em modalidades como o vôlei, a natação, as artes marciais, além de termos sido, noutros tempos, protagonistas no basquete e no automobilismo), por aqui as produções japonesas com temática esportiva têm uma vida muito tranquila. É bastante seguro afirmar que Captain Tsubasa (ou Super Campeões) é a série do gênero mais aclamada no Brasil.

A exibição de Captain Tsubasa J (1994), pela extinta Rede Manchete, nos anos 1990, e Road to 2002 (2001), por Cartoon Network e Rede TV!, nos anos 2000, foi o fator determinante. Até o remake de 2018 foi exibido pela CN, durante a Copa do Mundo, e hoje está disponível dublado no Prime Video.

Imagem: Capa de 'Super Onze'.
Capa nacional de ‘Super Onze’ (Inazuma Eleven) #1 | Divulgação/JBC.

Aproveitando a temática de futebol, o extinto Animax trouxe, em 2005, Hungry Heart Wild Striker (2002), uma adaptação de um mangá do mesmo autor de Tsubasa. Outro que tem fama razoável (mas nada comparável aos Super Campeões) é Inazuma Eleven, que aproveitou a deixa onomástica e chegou nestas terras como Super Onze (2008).

Também vale a menção a The Prince of Tennis (2001), exibido no Animax. Levando em conta os serviços de streaming, Haikyuu!! certamente se coloca entre os mais bem quistos.

No entanto, saindo da telinha para as páginas em preto e branco, a coisa muda um pouco de figura. Primeiro porque Captain Tsubasa nem chegou a ser lançado em sua mídia original, o mangá de Yoichi Takahashi. O maior empecilho, segundo o que se comenta nos bastidores do mercado, é o grande número de marcas que aparecem durante toda a obra — a negociação pelo título teria de envolvê-las, o que complica bastante o processo de licenciamento.

Imagem: Capa de 'Slam Dunk'.
Capa nacional de ‘Slam Dunk’ #1 | Divulgação/Panini.

Dessa forma, talvez seja correto supor que Slam Dunk (Conrad, 2005, e Panini, 2016) seja o título mais bem sucedido entre as esparsas tentativas das editoras brasileiras. O já mencionado Super Onze teve seu mangá publicado por aqui em 2013, três anos após o fim da exibição do animê na RedeTV!, num formato que visava atrair leitores de gibi, com cerca de 65 páginas por volume e parece não ter dado o retorno esperado (visto que a editora não mais tornou a repetir a estratégia).

Kuroko no Basket, trazido pela Panini em 2014, chegou fazendo barulho mas também não empolgou. Pride — O Supercampeão (Nova Sampa), do mesmo autor de Captain Tsubasa, teve passagem tímida pelo país, sendo cancelado após a publicação do segundo volume, em 2017.

Speed Racer (Conrad, 2002, e NewPOP, 2009), por sua vez, chegou a esgotar quando a NewPOP relançou o mangá em sua versão integral, no ano de 2009 (com direito a reimpressão em 2019). Ping-Pong, de Taiyo Matsumoto, está prestes a ser lançado pela JBC e tem potencial para ir bem.

Imagem: Capa de 'Pride'.
Capa de ‘Pride – O Supercampeão’ #1 | Divulgação/Nova Sampa.

E por que as editoras arriscam pouco nesse segmento? Dos possíveis fatores determinantes, poderíamos destacar dois deles: o primeiro é que o tamanho dessas séries é algo que acaba jogando contra. Apesar do sucesso que muitas histórias de esporte chegam a fazer quando ganham animê (caso claro em Haikyu!!), a grande quantidade de volumes tende a afastar as empresas nacionais, que cada vez menos se permitem a apostar em títulos de longa duração — não é raro ouvir de pessoas envolvidas no mercado sobre a curva descendente que costuma acometer mangás com mais de 10-15 volumes.

Yowamushi PedalEyeshield 21 e muitas outras histórias com algum apelo do público brasileiro poderiam ter melhor sorte, não fosse a enorme quantidade de encadernados (YowaPedal está na 70ª edição e contando; Eyeshield, dos autores de One-Punch Man, terminou com 37).

Outro aspecto é que as editoras supõem (o que é discutível ou não) que a temática esportiva gera menos interesse do que outras, como o famoso “shounen de lutinha”. A vinda de Haikyuu!! e Ping-Pong para o Brasil, fugindo do eixo “futebol-basquete” que ditava as poucas escolhas de obras do gênero, pode significar um novo momento para os mangás de esporte no Brasil .


Fonte: JBC Bits


Haikyu!! é um dos mangás de esporte mais populares no Japão e consequentemente um dos títulos mais famosos da revista Shonen Jump na atualidade. Seriado de 2012 a 2020, narra a história do jovem Shoyo Hinata, que revive o clube de vôlei da sua escola no seu último ano de fundamental. Porém, o clube não dura mais que uma partida contra a escola Kitagawa Daiichi, liderada por Tobio Kageyama e conhecido como “rei da quadra”.

Ao entrar na escola Karasuno, Hinata está decidido em continuar no vôlei e se vingar de seu adversário, mas seus planos vão por água abaixo ao ver que o próprio Kageyama será seu novo colega de time. Hinata se vê precisando lidar com seus problemas de altura e com o agressivo Kageyama para se estabelecer com o time e sua nova jornada no esporte.

A série se tornou cada vez mais conhecida, a partir de 2014, quando ganhou a 1ª temporada em animê pelo estúdio Production I.G. As 4 temporadas juntam 74 episódios, 4 OVAs e 4 filmes compilatórios — a animação está disponível na Crunchyroll.

Publicidade
close