Imagem: Homura Demônio abraçando a Madoka, ao fundo a Madoka deusa se separando da Madoka comum.

‘Madoka Magica: Rebellion’ é uma continuação necessária? | Coluna Café & Matchá #17

O famigerado filme de ‘Madoka’ não é nenhum desperdício. Pelo contrário, é um desenrolar natural do final da série de TV.

Depois de um longo hiato, que corre o risco de voltar, estamos de volta para falar de Puella Magi Madoka Magica, ou Mahou Shoujo Madoka Magica se você preferir. Depois do anúncio-surpresa do aguardado filme dando sequência ao Rebellion (ou ainda Madoka: Hangyaku no Monogatari), eu me vi na necessidade de revisitar a obra.

Sim, o filme que muitos já haviam desistido vai acontecer! Concept Movies não mentem! Enfim, enfim… antes de mais nada, uma continuação da série de TV era mesmo necessária? Essa é a pergunta de muitos ao assistir ao longa, uma sequência talvez não muito acalentadora de Madoka.

Imagem: Pôster de 'Rebellion' com todas as garotas mágicas e a Madoka ao fundo.
Divulgação: Magica Quartet..

Confesso que, vendo Rebellion pela primeira vez, não tive a melhor das impressões. O final deixa muitas pontas abertas, dá a sensação de necessidade de uma continuação. É um gosto meio amargo. Mesmo assim, resolvi eventualmente dar uma outra chance para o filme. É foi aí que descobri a verdadeira mágica da trama.

Rebellion só tem graça mesmo a partir da segunda vez. Eu diria que é tipo vinho, mas não gosto de vinho. Enfim, é só quando você já está com um pé na trama que consegue entender (ou começar a entender) todo o desenvolvimento por trás dela. E é bem aí que tudo começa a fazer sentido. Ou melhor, que as ações de um certo alguém passam a ser compreensíveis.

Mais do que isso, ao reavaliar tudo, passei a interpretar o Rebellion como uma continuação necessária. Já aviso: o texto não segura a mão nos spoilers da série e do filme. Continue por sua conta e risco.


Para entender o filme é preciso ter uma compreensão da série e, principalmente, das pontas aproveitadas pelo roteiro da sequência. Por isso, é também importante entender a personagem mais central do longa: Homura Akemi.

Muita gente pula, muito rápido, para a conclusão da Homura como uma garota tóxica prendendo a Madoka em um relacionamento tóxico ao terminar o filme. Não que a relação das duas seja lá muito saudável, não que a Homura não seja um poço de problemas, mas essa é uma análise muito superficial de tudo que entra em jogo na trama – porque muita coisa entra em jogo.

Imagem: A Homura de óculos em 'Madoka'.
Divulgação: Aniplex.

O Rebellion não é um simples arco da Homura: ele respira Homura. Afinal, tudo se passa em um labirinto criado na alma dela, então tudo no filme é a Homura. Do cenário ao roteiro, os bons e ruins momentos, as contradições, tudo que acontece no longa faz parte dela. E se é complexo, é porque a Homura é uma personagem extremamente complexa.

Mas quem é Homura Akemi? Como ela chega ao ponto de quase virar uma bruxa? Bem, antes de entender o Rebellion, precisamos entender tudo que sabemos sobre essa garota até então.

Um relógio andando para trás

Imagem: Escudo no braço da Homura.
Reprodução: SHAFT.

Entre os temas de Madoka, além do óbvio embate desespero x esperança, encontramos tempo e repetição, um mote particularmente importante para a personagem.

A esse ponto, todo mundo já sabe que a Homura repete o passado de novo e de novo e de novo e de novo, falhando todas as vezes em salvar a Madoka.

Originalmente, o intuito é apenas protegê-la, provavelmente morrer no lugar dela. Mas logo na 3ª timeline, a própria Madoka pede para a Homura voltar no tempo e impedir o contrato, é quando começa a missão impossível. A partir de agora, a Homura tem como único objetivo cumprir essa promessa – e ela diz em algum momento da série que só promete aquilo que pode cumprir, olha o peso dessa responsabilidade.

Ao longo dos infinitos retornos no tempo, revivendo sempre o mesmo mês, a Homura vai abrindo mão de várias coisas, inclusive de si mesma. A personagem tímida da primeira cronologia dá espaço a uma garota fria – uma frieza provavelmente existente mais fora do que dentro, afinal, ela nunca abandonou seu pedido. Entender a Homura é conciliar quem ela era com quem ela é em todas as cronologias.

Imagem: Madoka e Homura na série de TV.
Divulgação: Magica Quartet.

É um pouco curioso pois é a única personagem que faz um pedido para outra pessoa e não parece se arrepender dele. Também é possível ver alguns lampejos de preocupação com as outras garotas, apesar do indiscutível (e pouco saudável) foco na Madoka. Apesar de tudo, a Homura ainda dá alguns sinais de se sentir incomodada com a morte de todas elas.

É importante entender que essa personagem atua por meio de uma casca e dificilmente se mostra de verdade. Na resenha do volume 1 de Kaguya-sama eu digo que a Kaguya é muito difícil de ser trabalhada dentro do contexto escolar por estar constantemente em modo de defesa e, por isso, o autor a coloca em outros contextos para poder desenvolvê-la. A Homura é tipo isso, só que pior.

Não existe contexto no qual ela não esteja colocando barreiras entre si e os outros. Voltando e falhando tantas vezes, a estratégia adotada passa a ser não confiar em ninguém e dizer apenas o necessário. Ela só sai desse personagem quando fica emocionalmente abalada – e vendo mortes repetidas tantas vezes, vai provavelmente ficando mais fácil esconder sentimentos.

Assim, nós só enxergamos a “Homura de verdade” ao reassistir a série prestando atenção nesses breves momentos “fora do personagem” (e, claro, nos episódios 10 e 12). O trabalho em cima dela é tão incrível que tempo e repetição é a temática até em seu desenvolvimento. Só sabe quem é Homura quem “volta no tempo” de novo e de novo com ela.

Saindo um pouco do assunto, isso é um dos fatores para Madoka ser tão bom. Não temo só bons personagens, eles estão encaixados em um mundo muito bem construído. Hoje, existe uma demanda muito grande do público com relação a “bons personagens”, mas personagens só existem em contexto. Não adianta criar “uma essência” que não conversa com o mundo onde vive – acho que o descompasso entre worldbuilding e personagem me incomoda um tanto em algumas obras atualmente.

Um novo ciclo

Imagem: Ultimate Madoka em imagem promocional.
Divulgação: Magica Quartet.

Enfim, deixando digressões de lado, a Madoka quebra o ciclo de repetições infinitas frustradas ao desejar o fim de todas as bruxas em todos os tempos, se tornando uma deusa. Então, final feliz, certo? Não exatamente. Mas antes de entrarmos nisso, vamos entender melhor quem é a “nova Madoka”.

Ao invés de se tornarem bruxas, agora as garotas mágicas recebem uma “visita” da Madoka antes da transformação, tendo suas Jóias da Alma purificadas e se juntando a essa entidade, chamada popularmente de Lei dos Ciclos (Enkan no Kotowari). Como efeito colateral de seu próprio pedido, ela também é capaz de “derrotar” a poluição de sua própria Jóia.

A Madoka ainda diz para a Homura que agora está presente em todos os lugares e consegue ver tudo que o Universo já foi e pode vir a ser. Ela parece então ser uma entidade onipresente e onisciente. Mas, vejam bem, o pedido da Madoka não impede o sofrimento ou arrependimento das garotas mágicas, apenas lhes dá esperança no final. Todo o sistema exploratório da inocência dessas garotas ainda existe.

Diversas vezes quando o Kyubey tenta explicar a “lógica” do sistema das garotas mágicas – que tem muitos paralelos com uma sociedade tecnocrata –, a Madoka afirma que os incubadores são os verdadeiros inimigos da humanidade. Basicamente, enquanto existirem incubadores, ninguém está a salvo.

Enfim, já que a “maldade” segue existindo, a Homura decide seguir lutando em nome da Madoka. É uma escolha dentro do desenvolvimento da personagem. Afinal, ela se dedica a Madoka e se a Madoka valoriza algo, então ela vai proteger esse algo.

Imagem: Homura Akemi sentada, com laço vermelho.
Divulgação: Magica Quartet.

A Homura pode ser obsessiva, mas ela não é exatamente egoísta: se fosse, daria um jeito de cair no desespero e ser levada logo para se reencontrar com a Madoka. Ao invés disso, ela decide herdar os desejos da crush e proteger o legado dela, provavelmente para poder reencontrá-la “de cara limpa”.

Só que ela comete a burrice de contar ao incubadores um pouco sobre o universo pré-Madoka. Esse é o gancho mais óbvio puxado pelo filme. Sinceramente, seria desonesto a série fechar sem o Kyubey nunca tentar seu contragolpe. Afinal, ele vai sempre buscar eficiência, seja qual for o preço.

Particularmente, também acho a cena pós-crédito do último episódio uma pista muito forte de que algo a mais estava nos planos (apesar do Urobuchi dizer algumas vezes que pensou na série como fechada, eu acredito mais naquilo que está diante dos meus olhos).

O sonho de uma bruxa

Imagem: A Homura aparentemente sofrendo esperando a Madoka.
Divulgação: Magica Quartet.

Vamos então ao nosso verdadeiro assunto. O Rebellion é um filme curioso pois nos deixa incomodados ao ver tudo que queríamos ver ao longo da série. As cinco se dando bem, lutando juntas, fazendo até coreografia? Quase como  numa série clichê de garotas mágicas? Não é simplesmente o sonho ideal?

Mas está errado, tudo errado. Era para ser diferente. E ao invés de aproveitarmos esse breve momento de felicidade, nós ficamos incomodados: mas o que está acontecendo aqui????, não é? Logo, a Homura, justo ela, passa a ser nossa aliada ao tentar desvendar esses mistérios.

Como dito anteriormente, esse filme não é sobre a Homura, ele é a Homura. Sendo assim, esse sonho, das cinco juntas vivendo aventuras relativamente inofensivas, é um desejo da Homura. É parte do labirinto que ela criou – um labirinto meio diferente, aliás, pois a desordem seria o fim desse sonho.

A Homura-bruxa persegue a si mesma quando sua versão garota mágica está tentando descobrir a verdade. É um pouco difícil entender como ela se divide em duas, talvez por não ser nem totalmente uma bruxa e nem totalmente uma garota mágica, cada parte tenha sua própria “consciência”, mas não vem tanto ao caso.

Imagem: As 5 comendo com um bolo.
Reprodução: SHAFT.

Enfim, como é dito dentro do próprio filme, a Homura inventou um labirinto não para perseguir ninguém, mas para não deixar ninguém sair. E ela convidou todos que gostaria de ver participando desse sonho dela.

Um sonho onde ela prendeu todo mundo em uma caixa de bonecas (para aproveitar as referências claras ao Quebra-Nozes presentes no filme), pois é melhor que a realidade. E não quer nem ela mesma estragando isso.

Agora, vamos pensar por um momento: alguém está infeliz nessa vida de mentirinha? Alguém quer ir embora? Aparentemente, estão todas felizes demais para sequer perceber que algo está errado. Pelo menos considerando quem poderia notar algo errado: Sayaka e Bebe ficariam quietas pro resto da vida para não serem notadas, mas mesmo essas duas não parecem nada incomodadas de viver nesse lugar.

O problema é que a Madoka também foi convidada e está lá. É a presença dela que faz a Homura querer desvendar o próprio quebra-cabeça. Em meio a essa cidade falsa, com memórias falsas, a Madoka, cuja existência material é ilógica, não parece uma mentira.

Quando a Homura já está entendendo que elas estão presas em um labirinto de uma bruxa – uma existência, segundo frisado pela própria, que deve ser eliminada por ser um desrespeito ao imenso sacrifício da Madoka –, ela se depara com a própria Madoka, sem memórias, dizendo que seria incapaz de fazer tal sacrifício pois doeria demais.

Nessa cena vemos a Madoka abraçando e refazendo as tranças da Homura, como se expressasse o desejo de continuar vivendo nesse labirinto. Mas é a Homura que, ao ouvir isso, passa a querer voltar ao mundo real para corrigir um “erro” – o de deixar a Madoka alterar o universo.

Imagem: Madoka fazendo tranças na Homura.
Reprodução: SHAFT.

Mas, antes disso, é preciso descobrir se essa Madoka é mesmo real, ou apenas uma produção muito cômoda. Se ela está dizendo a verdade ou apenas uma mentira fabricada pela mente de uma bruxa.

Por isso, a Homura vai fazer o teste para saber se ela própria é bruxa – afinal, só ela poderia fabricar uma Madoka tão real, pois só ela lembra da Madoka. Se ela é a bruxa, a Madoka pode ser falsa.

É nesse momento que o Kyubey entra em ação, para trazer a verdade à tona. Entendiados por não descobrirem nada sobre essa deusa com amnésia, os incubadores não veem a hora de dar fim a esse mundo andando em círculos e trazerem a Lei do Ciclos para a ação.

Com isso, a Homura descobre que, apesar de realmente ser a bruxa, essa Madoka é a verdadeira, com desejos provavelmente verdadeiros. E, além disso, tem um outro problema, chamado “os verdadeiros inimigos do humanidade”. Tudo isso só está acontecendo pois o Kyubey quer tentar descobrir mais sobre a Lei dos Ciclos para, eventualmente, controlá-la.

Sabemos que a Madoka montou uma operação bastante elaborada para driblar os planos dele – bom, ela é onisciente e saberia que é uma emboscada, certo? –, mas certamente ele vai tentar de novo. E de novo. E de novo. E talvez um dia ele consiga.

Esse é o problema… Ou pelo menos, um deles. Para a Homura, a Madoka é uma existência sagrada. Não só a ideia de alguém querer controlá-la é absurda, mas também, se a Madoka já não estaria feliz com o destino que tomou, como ela ficaria caso Kyubey um dia fosse capaz de neutralizá-la? A Madoka viraria uma bruxa? Ela ainda pode virar bruxa? Ou só afogaria eternamente em desespero sem ter para onde correr?

Imagem: Homura com os olhos cheios de sangue e lágrimas de sangue.
Reprodução: SHAFT.

Seja qual for a opção, o desejo da Homura sempre foi protegê-la, e esse sentimento nunca mudou. É por isso que a Homura não quer mais ser salva dentro de seu labirinto. É melhor morrer como bruxa e enterrar esses segredos do que deixar o Kyubey saber qualquer coisa sobre a Madoka.

Só que a própria Madoka tem outros planos: a gente sabe, é muito legal e vai tentar salvar a Homura de qualquer jeito. Ela chamou mais duas pessoas só para isso!

Contudo, agora a Homura sabe duas coisas: 1) A Madoka vai passar toda a eternidade brigando com o Kyubey, e poderia acabar perdendo (difícil sendo onisciente? sim, mas…); 2) a existência de uma Madoka física na memória de pessoas é um problema especial em relação a isso pois a Madoka foi exposta por ser lembrada. Ela vai querer resolver esses “contratempos”.

Existe salvação?

Imagem: A Homura em forma humana após adquirir poderes de demônio.
Reprodução: SHAFT.

Então, qual foi a solução encontrada pela Homura? Isolar parte da Madoka. Ela rouba o pedaço da Lei dos Ciclos que existiu antes do universo ser reescrito e guarda dentro dela, virando alguma coisa nesse processo. Um “demônio” é como ela se intitula de forma técnica, afinal, acabou de bater de frente com um deus… e isso também diz do quanto a própria personagem entende suas ações como erradas, ao menos em certo sentido.

Vale apontar que talvez essa não tenha sido uma ideia pensada apenas nesse labirinto pois há algumas cenas no filme onde as bonecas Clara (aquelas crianças estranhas) dizem Gott ist Tot (“deus está morto”), mas para mim o significado disso é ainda meio difícil. Faz parte do desespero dela? Ou vem de antes? Ou alguma outra coisa? É apenas um mote?

Imagem: Homura segurando a Madoka pelas mãos.
Reprodução: SHAFT.

Outra coisa estranha: se a Madoka é onisciente, ela saberia que isso aconteceria, não? Ela mesma disse ter visto o que o Universo um dia poderia se tornar. Existe algum chance da própria Madoka querer que a Homura aja dessa forma? Em busca de um mundo sem Kyubey, talvez sem gaortas mágicas? Porque ela provavelmente seria a única capaz de fazer algo que leve a isso.

Não duvido nada que criar um mundo assim seja um objetivo da Homura, pois, bem, é isso que ela acaba fazendo. Nesse ponto, também não acho que esteja errada. Talvez escrevendo certo por linhas muito tortas.

Enfim, de novo, é tudo reescrito e ela vira a dona do pedaço (a nova mamacita?). Apesar de toda a pose de vilã, provavelmente temos uma casca, de novo (esse é o tema dela!). Afinal, a garota já se acostumou a se prestar a esse papel e não ser compreendida pelos outros – e nem se importa com isso desde que consiga proteger a Madoka… Mas, talvez, não só Madoka.

Assim como no labirinto, novamente vemos todas as personagens aparentemente… felizes? É bizarro o quanto todos parecem estar aproveitando, mesmo com toda a instabilidade da realidade – essa é, na minha visão, a oposição entre desejo e ordem feita pela própria personagem. O mundo é claramente um caos, mas é o caos que permite a felicidade de todas. É como se, de certo modo, Homura ainda acreditasse em viver um sonho. Está errado desejar isso?

Ela consegue proporcionar felicidade para todo mundo em troca de, bem, em troca de qualquer coerência da realidade, aparentemente. Ao invés das garotas sofrerem, quem sofre é… o próprio mundo, talvez? De qualquer forma, esse universo pela metade parece destinado a algum tipo de ruína inevitável por ser insustentável.

Os únicos que não parecem felizes aqui são a própria Homura, que deve ter assumido parte do fardo da Madoka, e o Kyubey – desse último, eu não sinto pena. Inclusive, ela fez questão de fazê-lo lidar com as maldições presentes nessa realidade. Bem, ela sabe quem é o verdadeiro inimigo da humanidade.

Imagem: Kyubey sendo segurado pela Homura versão demônio.
Reprodução: SHAFT.

Acho que quando a Homura nomeia o sentimento por trás disso como “amor” não é exatamente por uma necessidade de “possuir” a Madoka, como comumente interpretado, e sim no sentido de se dispor a aguentar qualquer fardo para proteger os desejos da Madoka – é um sentimento que faz até a dor valer a pena. Mas, confesso, o limite entre um e outro é meio perigoso.

Com parte da Madoka presa na Jóia dela, fica mais difícil Kyubey montar alguma tramóia. Não só isso, mas caso aconteça, a garota que ela conheceu não vai passar por esse sofrimento – e ela viu, no próprio labirinto, que essa Madoka pelo menos não gosta muito de ser uma deusa.

Seja como for, o longa termina com uma promessa de continuação. Não é o cenário ideal e talvez seja esse o motivo de tanta insatisfação dos fãs – a falta de algo que feche a bagunça da Homura –, pois esse novo universo nos dá a sensação de que alguma coisa vai dar errado. Isso não quer dizer, no entanto, que o filme em si é um erro.

Pelo contrário, todos os personagens agem de forma bastante coerente com seus respectivos desenvolvimentos ao longo da série. O Rebellion é uma sequência necessária porque o Kyubey nunca deixaria a Madoka em paz. Se existe alguma forma de talvez coletar mais energia com as garotas mágicas, ele vai fazer tudo para descobrir qual é.

Imagem: A Homura versão demônia mesmo.
Reprodução: SHAFT.

A Homura toma a atitude mais ilógica possível, dado o contexto, mas me respondam: quando foi que ela agiu de forma lógica? Ela passou a série inteira voltando no tempo de novo e de novo apenas atrás de uma coisa após abocanhar a primeira chance que pipocou de fazer algo pela Madoka. Ela não hesita um segundo antes de fazer o pedido. A Homura não é uma mente fria e calculista, pelo contrário, é impulsiva e teimosa.

Não que a personagem não tenha raciocínio lógico, mas o peso das emoções sempre foi um fator fundamental em suas decisões e, basicamente, nas decisões de todas as outras garotas mágicas. É exatamente disso que os incubadores se aproveitam. Claro, ela dá um passo muito além, mas também, o que esperar de alguém com uma Jóia da Alma poluída daquele jeito? A cabeça dessa garota já está totalmente afundada no desespero.

Eu não acredito, no entanto, quando ela diz que “superou” a dor. Nenhum dos personagens que diz isso na série foi honesto até agora, e a Homura tem um histórico de não ser tão honesta assim nem mesmo com o espectador. Acho que esse vai ser justamente um tema trabalhado no próximo filme, junto com o mundo em colapso e, quem sabe, a luta contra o verdadeiro inimigo da humanidade e uma “revolução” que talvez apague as garotas mágicas do universo.

Então sim, o Rebellion era mais que necessário.


O texto presente nesta coluna é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.

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