Imagem: O Hanako, de 'Hanako-kun'. Padrões de resenha do JBox.

Crítica | Hanako-kun: Mexer com sobrenatural tem um preço | Volume 1 (Panini)

Com personagens carismáticos, mistérios interessantes e humor na dose certa, ‘Hanako-kun’ promete uma trama deliciosa de acompanhar

Histórias sobre o sobrenatural sempre parecem interessantes. Geralmente, elas são associadas a tramas de suspense e terror. Há, claro, exceções, como por exemplo, Yo-kai Watch, uma história envolvendo yokais em um contexto bastante leve e cômico.

Hanako-kun e os Mistérios do Colégio Kamome (ou Jibaku Shonen Hanako-kun), que inspirou uma animação homônima, nos traz um pouco de cada um. Girando em torno de, como indica o nome, mistérios, o primeiro volume traz momentos de tensão, intervalados por cenas cômicas, para quebrar o gelo.

Essa pode ser uma combinação arriscada, mas a dupla AidaIro parece saber dosar ambos. A trama começa de forma leve, bastante descompromissada, mas quando entra em assuntos mais pesados, as coisas são levadas a sério.

No colégio Kamome, existem 7 grandes mistérios – se juntar todos eles, algo acontece. O último dos sete é a Hanako-san do Banheiro, uma lenda urbana japonesa similar à nossa Loira do Banheiro. Dizem os boatos que Hanako ficaria em um dos banheiros femininos da escola e realizaria os desejos de quem a chamasse pegando em troca de algo importante para essa pessoa.

É interessante a ideia de começarmos conhecendo o último mistério, não o primeiro. Enfim, a estudante Nene Yashiro quer ter um amor correspondido e, para isso, invoca Hanako-san. É aqui que descobrimos que Hanako-san na verdade… é um garoto, daqui em diante chamado Hanako-kun. Essa é a única diferença entre ele e a lenda.

Imagem: Hanako se apresentando para Nene.
Reprodução: Panini.

Claro, o fato de Hanako ser menino rende momentos deliciosos em seu encontro com Nene e a interação inicial entre os dois é bastante divertida, com a garota perguntando se ele não é apenas um pervertido. Além disso, o Hanako é especialmente carismático, talvez em parte pelo seu design.

O espírito, de certo modo, se recusa a atender o pedido da garota, ajudando-a com técnicas normais, como livros com dicas para o amor. Essa sequência também é muito engraçada pois Nene não aplica os métodos da forma mais recomendável, presenteando seu senpai com marmitas meio… incomuns.

O motivo da recusa de Hanako é por entender Nene apenas como uma garota comum, enquanto o preço por lidar com o sobrenatural seria muito alto e caro. A presença de um preço alto é bastante explorada em séries abordando entidades sobrenaturais, mas como esse começo tem um tom suave, acaba sendo um dos fatores principais a passar maior seriedade, ao menos por enquanto.

Nesse momento inicial, aprendemos bastante sobre a Nene, seu azar no amor e certos problemas de auto-estima, em parte comuns nessa fase da vida. As inseguranças dela dão espaço ao verdadeiro pontapé inicial da trama.

Após falhar em suas tentativas, ela fica irritada com o fato de Hanako não ajudá-la “de verdade”. No meio de uma confusão, acaba comendo algo que não devia (claro, algo sobrenatural), e se torna um peixe como parte de uma maldição, quase morrendo. Felizmente, o “moreno do banheiro” consegue reverter, em parte, esse problema… mas, como ele disse antes, tudo tem seu preço.

A partir daí, Nene é obrigada a ser uma espécie de assistente do rapaz, e sua primeira função é limpar o banheiro (por dias e dias). Aqui, conhecemos melhor o trabalho dele: Hanako precisa manter o equilíbrio entre os mistérios da escola e o mundo humano – seja lá o que isso signifique.

Começamos a entender como essas lendas impactam a vida dos estudantes. Um ponto bastante intrigante é que, apesar de serem reais, elas dependem dos boatos humanos para existir – ou seja, o mistério precisa ocorrer da forma como as pessoas dizem, mesmo contra sua vontade.

Alterar os boatos é alterar os mistérios, havendo então alguma conexão ainda não tão clara entre ambos mundos. É uma premissão muito interessante, se bem explorada. Abre a curiosidade de como isso pode impactar os próximos eventos.

Imagem: Cena de página com Hanako pedindo para Nene alterar os boatos.
Reprodução: Panini.

Não é só Nene que acaba envolvida nos eventos sobrenaturais, um estudante da escola é de uma tradicional família exorcista, e, por isso, está motivado a exorcizar Hanako. Aqui, aprendemos um pouco mais sobre o espírito, que, em vida, foi um assassino. Não há mais detalhes, abrindo a curiosidade do leitor para entender melhor Hanako e suas motivações, pois o rapaz não parece uma má pessoa.

Por fim, um perigoso mistério envolvendo uma escada e mortes surge ao final do encadernado, terminando em um momento de grande tensão, deixando a expectativa pelo próximo. Falar mais que isso seria dar os melhores spoilers.

Hanako-kun traz um bom volume introdutório, sabendo apresentar bem sua história e as figurinhas principais dentro dela. Somos capazes de simpatizar com os personagens; dá para sentir bastante dó da Nene por ser só uma adolescente normal no meio disso tudo, mas, por outro lado, o Hanako é alguém muito divertido, fazendo a maioria das interações entre os dois bastante gostosas de acompanhar.

Talvez, alguns se incomodem com certas cenas, relacionadas a “questões mais adultas”, como, por exemplo, um momento em que Hanako encontra uma revista estilo Playboy. Confesso que, apesar de não gostar tanto disso em histórias, não me importei.

Pode ser pelo design realmente carismático do personagem e por parecer compatível com sua personalidade, não me incomodei, até por não serem tantas cenas. A abordagem parece próxima à forma como crianças tratam essas questões entre elas e é bastante inofensiva perto do que vemos por aí – claro, podemos sempre questionar por qual motivo existe a necessidade de colocar isso na história (pois é irrelevante). Meu maior incômodo, na verdade, foram algumas passagens onde Hanako diz estar realizando, de certa forma, um desejo da Nene.

De qualquer modo, a habilidade de Aidairo em alternar entre momentos cômicos e momentos tensos sem forçar a barra é digna de reconhecimento. Pode não ser o maior talento em nenhum dos dois, mas a história sabe deixar o leitor curioso, tenso, e também sabe fazê-lo lembrar que os personagens são crianças dentro de uma ficção.

Por ser um momento inicial, ainda não há tanto a ser analisado, mas tudo parece se encaminhar de maneira favorável. Ainda não é possível saber o caminho de uma obra, mas fica a curiosidade sobre o desenrolar dos eventos ao final do volume e os próximos mistérios da escola Kamome.


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Ficha Técnica

Imagem: Capa nacional de 'Hanako-kun' (volume 1).
Divulgação: Panini.

Hanako-kun e os Mistérios do Colégio Kamome
AidaIro
R$ 29,90
Editora Panini
Status no Japão: Em andamento com 15 volumes
Status no Brasil: 2 volumes lançados (+ 2 em pré-venda)
Periodicidade no Brasil: Mensal
Licenciante: Square Enix

 

Capa: Cartão
Formato: 13,7x20cm
Páginas: 186
Tradução: Luciane Yasawa
Letras e Edição: Selene Kanagawa
Editor-chefe: Elcio de Carvalho (Mythos)
Produção editorial pela Mythos Editora


Esta resenha foi produzida com base no primeiro volume de Hanako-kun, cedido como material de divulgação para o JBox pela editora Panini.


O texto presente nesta resenha é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.

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