Imagem: Godzilla e King Kong se enfrentando. Padrões de resenha do JBox.

Crítica | Godzilla vs. Kong: À altura de dois monstros da cultura pop

O tão aguardado duelo do século honrou o legado dos gigantes mais famosos do cinema.

Depois de uma novela em torno da pandemia da COVID-19 e a reabertura dos cinemas no Brasil, Godzilla vs. Kong está em cartaz em boa parte do território nacional. Ao contrário das duras (e injustas) críticas ao filme anterior, o novo filme da saga MonsterVerse agradou aos analistas de cinema (a grande maioria não é especializada em tokusatsu, o que é compreensível, em parte).

Até a publicação deste artigo, Godzilla vs. Kong é campeão de bilheteria no período pandêmico, arrecadando US$ 441 milhões mundialmente. E tanto sucesso assim não é à toa.

A força dos kaijus, subestimada até pouco tempo pela grande imprensa, mostrou que o grande público ainda curte esses personagens. O duelo do século era aguardado há pelo menos dois anos. Esse embate entre Godzilla e King Kong é uma releitura da versão original de 1962. Os tempos são outros e agora tudo é mais convincente e menos fantasioso que um estratégico golpe de marketing de uma farmacêutica.

Kong rouba a cena várias vezes e ele pode até ter mais protagonismo que o próprio Rei dos Monstros. Não há tantas referências aos materiais originais da Toho como em Godzilla II: Rei dos Monstros e só quem está habituado com a franquia vai entendê-las em determinados momentos de Godzilla vs. Kong. O pano de fundo principal é a busca da Terra Oca e de uma misteriosa energia ligada ao Kong.

Imagem: Godzilla olhando para cima e com uma luz na boca. A câmera vendo ele por cima.
Godzilla se preparando para atacar seu grande rival | Foto: Divulgação/Legendary/Warner

Bem como nos filmes clássicos de Godzilla, existe um vilão que visa lucros em meio às catástrofes, sem se importar com as consequências, por mais drásticas que sejam. Há algo mais além em torno da empresa Apex, chamando atenção da adolescente Madison (Millie Bobby Brown, da série Stranger Things), a filha do Dr. Mark Russel (Kyle Chandler, da série Early Edition).

Esse núcleo humano (comum em qualquer filme de Godzilla e King Kong) acabou ganhando mais espaço com a introdução de novos personagens, especialmente de uma garotinha que tem forte ligação com o gorila gigante.

A batalha entre Godzilla e Kong acontece não por acaso e há uma razão (ou melhor, uma intervenção) para tal. Duas criaturas, que estavam em diferentes partes do mundo, se encontram com a predestinação da vitória de um deles e a queda de outro.

A desculpa para isso acontecer flui de forma menos fantasiosa e obviamente sem uma pegada mais caricata de humor como antigamente (algo que o diretor Ishiro Honda se opôs ao mestre de efeitos especiais Eiji Tsuburaya, à época de King Kong vs. Godzilla).

É claro que há um certo alívio cômico, na medida e especificamente entre os humanos. Os monstros gigantes atendem a um apelo mais realista para os padrões cinematográficos, com um certo misticismo que os envolvem na grande batalha. Entretanto, o que ambos não contavam era que a disputa teria uma espécie de “terceira via” com mais robustez: Mechagodzilla.

Nada por acaso e tudo a ver com uma conspiração com resultados imprevisíveis. Quem ficou na torcida pelos times de Godzilla e de Kong pode se desanimar no primeiro momento, mas o desfecho é algo que pode marcar pra valer a memória dos “torcedores” com uma certa cena brutal.

Imagem: King Kong peitando Godzilla.
Kong encara o Rei dos Monstros sem temor | Foto: Divulgação/Legendary/Warner

Talvez o diretor Adam Wingard tivesse optado por não criar uma estratégia com grandes referências, como fez o diretor Michael Doughert em Godzilla II. Wingard, inclusive, foi o mesmo diretor do filme que adaptou Death Note para a Netflix em 2017 (um verdadeiro fiasco, diga-se). Desta vez ele conseguiu entregar um material digno que honrou dois monstros sagrados (sem trocadilho) da cultura pop.

Em uma hora ou outra, Godzilla e Kong teriam que se enfrentar novamente nos cinemas para reafirmarem suas respectivas relevâncias no mundo do entretenimento. Tal peso ganha mais importância ainda com o bom desempenho do filme nas bilheterias, renovando a esperança da pandemia ser controlada e o mercado de cinema voltar a efervescer (mantendo os devidos cuidados, obviamente).

Em alguns aspectos, Godzilla vs. Kong fica atrás do apoteótico Godzilla II. Porém o novo capítulo do MonsterVerse dá sinais de continuidade dessa mitologia, com o vindouro animê de Kong: A Ilha da Caveira na Netflix. A pancadaria entre monstros gigantes está garantida, graças às duas criaturas mais famosas do cinema.


O texto presente neste artigo é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.

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