Imagem: Enoque em 'El Shaddai', nos padrões de resenha do JBox.

Crítica | ‘El Shaddai: Ascension of the Metatron’ e a beleza da humanidade e do divino

‘El Shaddai: The Ascension of the Metatron’ traz uma narrativa que foge de uma esquema padrão e um mundo com tantas mudanças visuais que pode pegar qualquer um de surpresa seja pela sua estranheza, seja por sua beleza.

É bastante comum vermos jogos que usam religiões pelo mundo como seus pontos de início para produzir algo. Todo o místico de uma religião sempre ajuda a criar um espaço perfeito para um enredo. Quando se pensa em Japão, principalmente, é possível ver vários tipos de religiões serem usadas ainda mais a fundo na indústria de games.

Um que não escapou disso foi El Shaddai: Ascension of the Metatron, jogo originalmente lançado em 2011 no Japão, inspirado, principalmente, no judaísmo, usando também de influência de outras religiões abraâmicas. Durante todo o seu decorrer, o jogo se pega no aspecto religioso para fazer sua história, quando entramos nele entramos no papel de Enoch em sua missão dada por Deus em busca dos Anjos Caídos e assim impedir que a humanidade corrompida fosse destruída por um dilúvio.

Nessa jornada, Enoch é ajudado por Lucifel, um anjo guardião responsável por cuidar do mundo que existe fora do fluxo do tempo, além dos arcanjos Michael, Gabriel, Raphael e Uriel. Com direção por Sawaki Takeyasu (designer de personagens em Devil May Cry e Okami), o jogo foi originalmente lançado em 2011, para PlayStation 3 e Xbox 360, pela Ignition Games de Tóquio. O port chega por intermédio da Crim.

Imagem: Personagem de 'El Shaddai'.
“Ontem” / “Para mim, parece como ontem. Para você, pode ser amanhã.” | Reprodução: Crim.

Apesar de ser esperado algo bem direto ao ponto, El Shaddai brinca bastante em sua narrativa. Com o poder de Lucifel de mexer no tempo, o jogador pode ficar bem perdido no quanto tempo já passou dentro daquela história. Até mesmo o contador de horas do jogo não corresponde exatamente ao tempo que o jogador jogou, já que mortes, acontecimentos na história e outros fatores o afeta.

Além do fluxo do tempo, El Shaddai também foge bastante da sequência comum de enfrentar chefões apenas depois de passar por monstros mais simples. Desde o início do jogo é mostrado que chefões podem aparecer a qualquer momento e o jogador simplesmente pode ou não conseguir derrotá-los, apesar que derrotas e vitórias na maior parte das vezes não são definitivas para o roteiro considerando a bagunça proposital do fluxo do tempo no game.

Apesar de ser uma história que usa aspectos do divino, El Shaddai sempre remete bastante ao o que é a humanidade. Até mesmo o protagonista começa a questionar se o que está fazendo é o correto, já que os Anjos Caídos que ele encontram pelo caminho estavam atrás de coisas como o amor, amizade, diversão ou de simplesmente serem livres de coisas que os amarravam.

Com todas essas possibilidades, o jogo nunca chega a deixar claro o que seria ou não o correto, cabendo ao jogador interpretar como bem entende a história.

Imagem: Inimigo em 'El Shaddai'.
“Ora, ora. Parece que subestimei você.” | Reprodução: Crim.

Ainda falando de seu enredo, El Shaddai de fato brilha quando o conta de forma visual. Os cenários do jogo remetem a muitas coisas e variam das formas mais inimagináveis possíveis. A variação visual pode levar o jogador a se sentir próximo a vitrais de igrejas e logo depois mergulhá-lo dentro de um programa do Discovery Kids.

Existem auxílios visuais na história que remetem também até mesmo a referências da cultura pop geral, com um mundo que claramente lembra o jogo Final Fantasy VII ou um personagem obviamente inspirado em Michael Jackson — e não só isso, inspirado na versão do cantor para o jogo Michael Jackson’s Moonwalker. E, acredite ou não, esses detalhes visuais fazem sentido dentro deste mundo.

O destaque visual não fica apenas para o casamento com a narrativa. O jogo é extremamente bonito como um todo. Sua variedade visual traz cenários que trazem fascínio aos olhos, sempre trazendo algo novo para o jogador.

Em alguns momentos, é impossível saber o que esperar que vem por aí. Já o design de personagens se mantém um tanto dentro do comum, chegando até a ser meio repetitivo na maior parte do tempo, contudo o jogo consegue fazer espetáculos com alguns chefões.

Imagem: Enoch ao fundo, em cenário com fumaça roxa e fundo preto.
“Venha, Enoch… Quero te ver de perto.” | Reprodução: Crim.

Falando em chefes, é garantida uma ótima experiência durante as batalhas contra alguns deles, principalmente considerando que aparecem constantemente e em momentos inesperados, como já citado. Com a mecânica de ser possível ressuscitar durante as batalhas, elas claramente são difíceis para fazer com que o jogador necessite dela.

O gameplay de batalha do jogo consegue ser bem simples. Existem três armas possíveis, além de momentos em que você luta com seus punhos, porém estes são bem raros. O jogo conta apenas com um botão para ataque, porém algumas variações nos combos podem ser usadas dependendo do timing que o jogador usa para atacar. É possível descobrir ainda mais coisas no sistema de batalha que surgem junto ao decorrer da história.

Outro aspecto que pode ser um tanto desafiador são as partes em que ele vira um jogo de plataforma. Algumas sequências realmente pedem um esforço a mais, ainda mais considerando que trechos focados em pular normalmente contam com segredos escondidos que podem não ser apenas colecionáveis.

Imagem: Balões em fundo psicodélico.
Reprodução: Crim.

Algo importante de ser citado é o jogo ter tido alguns problemas em sua produção e, quando foi lançado, não saiu com todo o conteúdo desejado, algo fácil de ser notado pelo próprio jogador. Para compensar essa falta, é possível ler, após terminar o game, três histórias curtas que foram disponibilizados oficialmente junto ao lançamento do game na Steam.

É possível ter acesso ao arquivo com as história após terminar o game, sendo uma leitura importante para quem quiser ter maior noção de acontecimentos que foram retirados.

El Shaddai: Ascension of the Metatron é bastante experimental, capaz de proporcionar uma história interessante e um aspecto visual fascinante. Apesar de ser uma experiência um tanto confusa em alguns momentos, principalmente pelas questões de produção, é possível compreender o enredo como um todo para quem realmente abraçar aquela história. Uma experiência que definitivamente vale a pena viver e reviver diversas vezes.

Imagem: Enoch em 'El Shaddai'.
Reprodução: Crim.

El Shaddai: Ascension of the Metatron já está disponível para PC, via Steam, com o preço cheio de R$75,49. O JBox recebeu gratuitamente uma cópia para PC pela assessoria de imprensa da Crim para produção desta resenha.


O texto presente nesta resenha é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.

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