Imaem: Revi e Vice em fundo preto na capa da Coluna do Daileon.

Kamen Rider Revice: Cinquenta tons de trevas | Coluna do Daileon #140

A série comemorativa de ‘Kamen Rider’ pode ser sombria, mas é tamanho família.

A cada cinco anos temos celebrações de aniversário de três das principais franquias de tokusatsu. Este ano temos Zenkaiger comemorando os 45 anos de Super Sentai e Ultraman Trigger: New Generation Tiga comemorando os 55 anos de Ultraman, além dos 25 anos de Ultraman Tiga.

Geralmente ano de aniversário de Kamen Rider tende a seguir seu curso natural, com umas referências aqui e uns crossovers ali. Ao menos a Toei Company garantiu que o cinquentenário da franquia do lendário mangaká Shotaro Ishinomori será estendido até por dois anos. Em 2020 teremos o animê FUUTO PI (baseado no mangá de Kamen Rider W), a série Kamen Rider Black Sun (reboot de Kamen Rider Black) e em 2023 o filme Shin Kamen Rider (reboot da série original de 1971).

A linha das séries nas manhãs de domingo da TV Asahi segue firme com uma dupla inusitada que utiliza os poderes dos heróis do passado. A princípio, Kamen Rider Revice pode ser controversa por causa da temática sobre demônios – sendo que um deles é um dos heróis. Mas é uma série que, embora siga a tendência de um infantilismo caricato, tenta manter um tom mais familiar com um pano de fundo sombrio.

Imagem: Ikki Igarashi lendo revista ao lado de Vice.
O humano Ikki Igarashi e o demônio Vice | Foto: Divulgação/Toei

Com o perdão do trocadilho, a gente pode dizer que Kamen Rider Revice possui cinquenta tons de trevas. E esse número não vem do acaso, pois em 1971 é o ano onde vemos tudo acontecer, mais precisamente em algum lugar da América do Sul, quando uma Vistamp é encontrada.

As Vistamps são dispositivos semelhantes a carimbos. Nos dias atuais, a agência governamental Fenix desenvolveu novas Vistamps baseadas na peça que apareceu há 50 anos. Mas para utilizá-los, o usuário precisa fazer um contrato com um demônio (!).

George Karizaki, um cientista da Fenix, desenvolveu o Fator-R, com informações genéticas de um organismo específico que são armazenadas em cada Vistamp.

Através do cinto Revice Driver (que tem o número 50 estampado), o usuário pode se transformar em um Kamen Rider ou mudar em várias formas de genoma.

Dentre vários candidatos da Fenix, o jovem Daiji Igarashi é escolhido para ser um Kamen Rider. Curiosamente, seu número de inscrição é 4673. Até nisso há referências. 46 foi o ano referente a 1971 na era Showa. Já 73 é de 1973, o ano da série Kamen Rider V3.

Voltando: Daiji é o segundo filho do casal Genta e Yukimi Igarashi, que juntos administram o restaurante Shiawaseyu, situado numa tradicional casa de banhos (sentō). Seus irmãos, mais velho e mais nova, respectivamente, são Ikki e Sakura.

Na realidade, Ikki é o personagem central, pois ele ouve o chamado do demônio Vice (que ate usa uma máscara! Certamente é uma estratégia de marketing da Bandai) e acaba utilizando o Revice Driver no lugar de Daiji, após um momento de desistência durante a invasão de Deadman contra uma cerimônia da Fenix.

Imagem: Os vilões de 'Revice'.
Orteca, Aguilera e Julio – a tríade do demônio | Foto: Divulgação/Toei

Deadman é uma organização maligna que se aproveita da ingenuidade dos jovens para atraí-los ao seu culto satânico, com a finalidade de despertar o demônio Giff. Sua líder é a bela Aguilera e os subordinados são Orteca e Julio (sim, seus nomes são latino-americanos). Assim como a Fenix, Deadman também usa Vistamps tanto para combates quanto para transformar as pessoas em seres demoníacos, e até mesmo colocando uns contra os outros.

Ikki não pretende ser um Kamen Rider inicialmente, pois quer ajudar a família no restaurante e ter um tempo livre para o futebol, que é sua paixão. Porém aceitou fazer um contrato com Vice ao ver sua mãe ser atacada pelos demônios e não demora muito para perceber a sua missão na luta contra o mal. Juntos eles são Kamen Rider Revi e Kamen Rider Vice, respectivamente. O primeiro pode controlar o segundo. Mas se um morrer, o outro também morre e vice-versa.

Os visuais principais de Revi & Vice são baseados no Tiranossauro-Rex. Talvez seja uma homenagem aos 30 anos de Kyoryu Sentai Zyuranger, a série Super Sentai que deu origem aos Power Rangers. Cada Vistamp utilizada pela dupla representa um poder específico de um Kamen Rider do passado, além de ser combinado com um genoma de animais. Até agora estão confirmadas as seguintes combinações:

  • Kamen Rider Revice: Tiranossauro Rex;
  • Kamen Rider Decade: Megalodonte;
  • Kamen Rider Ex-Aid: Chacal;
  • Kamen Rider Gaim: Louva-a-deus;
  • Kamen Rider Fourze: Gorila;
  • Kamen Rider Den-O: Mamute;
  • Kamen Rider W: Falcão;
  • Kamen Rider Faiz: Pterossauro;
  • Kamen Rider Zi-O: Brontossauro;
  • Kamen Rider Kuuga: Leão,
Imagem: Os irmãos Igarashi em 'Revice'.
Os Irmãos Igarashi – Daiji, Ikki e Sakura | Foto: Divulgação/Toei

É possível que Daiji se torne um Kamen Rider em breve. Talvez em janeiro (época da chegada de Riders secundários) ou mais pra frente. Só não podemos descartar a possibilidade dele também ser um inimigo no futuro. Vai depender muito das suas intenções mais profundas.

Sakura também é uma forte “candidata” a se tornar uma Rider e isso está provado de longe, devido às suas cenas de ação e pelo seu forte senso de justiça. Ela é interpretada por Ayaka Imoto, que atua há alguns anos e vai completar 18 anos no próximo dia 23 de outubro. Outra musa de Revice é Yui Asakura, que tem Aguilera como seu papel de estreia na carreira artística.

Kamen Rider Revice tem uma pegada meio infantil e com pitadas de comédia, sem cair nos excessos de Zenkaiger. Apesar de o tema ser um tanto forte (o que não é novidade no tokusatsu), a série transmite os valores familiares através dos laços dos Igarashi. Isso sem mencionar o sentido da jornada para ser um Rider.


O texto presente nesta coluna é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.

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