Imagem: Irina, Lev e ao fundo a Lua.

Os 10 melhores animês de 2021

De bonecas vivas e suas sombras até morsas taxistas, o que de melhor rolou no mundo das animações japonesas em 2021.

Em janeiro, quando listei quais os melhores animês do ano anterior, descrevi 2020 como um período difícil. Com a pandemia mundial da COVID-19, cada dia era como uma morte do Subaru, voltando do mesmo ponto repetidas vezes e com poucas chances de variação. E 2021 pode ser visto como uma “segunda temporada” disso.

Mas talvez essa seja uma segunda temporada onde o enredo vai se desenrolando e fitamos um eventual final feliz ao fim. Pois a ciência prevalece, seguimos nos vacinando (minha dose de reforço vem daqui duas semanas!), nos fortalecendo para enfrentar de frente o new challenger que has appeared (variante ômicron, então os cuidados devem ser mantidos).

E como havia dito naquele mesmo post, em tempos de guerra, a arte surge como uma válvula de escape à cabeça, nos levando para mundos diferentes, mais leves, emocionantes, intrigantes e divertidos. No universo dos animês, pudemos nos amparar para esse escapismo através de histórias nas temáticas mais diferentes e para uma grande variedade de públicos.

Cada um teve seus favoritos. E aqui eu trago os meus 10. Fechar essa lista foi bem difícil, levando em conta a avalanche de qualidade das últimas temporadas. Para ela, então, foram considerados apenas animês seriados e que tenham estreado no ano de 2021. Continuações, como as de My Hero Academia, Jujutsu Kaisen, That Time I Got Reincarnated as a Slime, Attack on Titan e Dragon Quest: The Adventure of Dai não foram levadas em conta.

E alguns “fan favorites”, como Tokyo Revengers, The Heike Story, 86: Eight Six e The Faraway Paladin acabaram não entrando no corte final, mas a barra de comentários está sempre aberta para que você também compartilhe se esses foram os seus prediletos do ano.

Não houve um esforço real para que apenas títulos lançados oficialmente por aqui fossem incluídos, mas calhou de, ainda assim, os melhores terem todos saído licenciados através de plataformas de streaming. Posto isso: que rufem os tambores…


10. Shadows House

(Kazuki Ōhashi, CloverWorks)

Imagem: Kate e Emilico.

Shadows House tem uma das premissas mais legais desse ano: em uma mansão misteriosa, sombras utilizam bonecas vivas como seus “rostos”. O animê usa isso como engate para contar a história de uma nova dupla, a sombra Kate e sua boneca Emilico, que precisam entram em sintonia para, enfim, debutarem como adultas naquele microverso. Contudo, a personalidade forte de ambas torna essa estrada um pouco mais intrigante a aqueles que as observam por lá.

Embora o primeiro episódio engane (é uma chatice sem tamanho), é muito bacana como adaptam clichês presentes em obras de aventura dentro desse ambiente gótico limitado. Há inclusive um arco “exame chunin” à sua maneira, utilizando puzzles como um artifício em vez de lutas. No fim, tal como as demais crianças ali, é impossível não ser cativado pela positividade da Emilico.

Disponível dublado e legendado na Funimation.


09. My Senpai Is Annoying

(Yoshimi Narita, Doga Kobo)

Imagem: Personagens de 'Senpais is Annoying'.

Esse aqui é uma graça. Há algo sobre animês de comédia que retratam a vida de assalariados em escritórios que me encanta. Funcionou com Wotakoi anos atrás e também colou com My Senpai Is Annoying agora. Uma garota mais baixinha que a média de seus colegas se apaixona por seu superior, que a enxerga como uma filha ou irmã mais nova e sequer malda essa afetividade dela.

As situações criadas a partir disso são todas muito boas. É o template das melhores comédias românticas “Sessão da Tarde” em formato de animê. O episódio de natal logo no começo é divertido demais. O que vem na sequência, com ambos ficando gripados, também é super legal. É bom, para variar, assistir histórias sobre adultos contadas para adultos.

Disponível legendado na Funimation.


08. Digimon Ghost Game

(Kimitoshi Chioka, Masato Mitsuka, Toei Animation)

Imagem: Gammamon e protagonista de 'Ghost Game'.

Esse começo de Digimon Ghost Game é genuinamente impressionante. E falo isso não por ele ter vindo logo após uma temporada fraca, mas levando em conta a franquia Digimon num geral. O encontro de “histórias fantasmagóricas estilo GeGeGe no Kitaro” com a ambientação e tecnologia futurista da série é legal demais. Uma reimaginada na fórmula bastante divertida de assistir, com boas homenagens a ícones do horror e soluções bem imaginativas para os problemas.

Na trama, o menino Hiro Amanokawa recebe de seu pai, um cientista que está desaparecido, um digimon fofinho chamado Gammamon e um aparelho para enxergar digimons que estão invisíveis aos olhos humanos. Junto de outras crianças com seus amiguinhos digitais, eles precisam lidar com uma série de ataques de supostos fantasmas holográficos que tem ocorrido nas proximidades. Vou repetir aqui: o Gammamon é muito fofo. De verdade, fofinho mesmo.

Disponível legendado na Crunchyroll.


07. Horimiya

(Masashi Ishihama, CloverWorks)

Imagem: Hori e seu boy em imagem.

Uma garota popular na escola, mas que é extremamente madura e responsável em casa, e um moleque que é o esquisitão da classe, mas surpreendentemente descolado fora dali, se apaixonam e começam a namorar. Mas a formação do novo casal passa a afetar aqueles que os rodeiam, com novas amizades e novos amores sendo descobertos. No fim, todos se dão bem e o Ensino Médio se torna inesquecível para cada um daqueles alunos.

Horimiya é um enorme quentinho no coração, ou um chocolate quente com cobertor no frio, ou um vento refrescante num fim de tarde no verão, um afago, um cheiro, um acalanto, e por aí vai. Isso porque todo o animê é como um recorte perfeito de uma época que, convenhamos, não é perfeita de verdade para quase ninguém: o final da adolescência. É daquelas histórias que provocam um sorriso de orelha a orelha. Tão bonita, tão idealizada. Dá vontade até de fazer parte.

Disponível dublado e legendado na Funimation.


06. Mars Red

(Kōhei Hatano, Signal.MD)

Imagem: Oficial de Mars Red,

2021 foi um ano bom para animês com vampiros, não? The Vampire Dies in No Time, um que aparecerá mais para frente na lista e Mars Red. Cada um apresentando esse conceito clássico do terror e trabalhando de modos completamente diferentes. No caso de Mars Red, levando a história prum lado mais de ação. Ambientado num Japão fictício do início do século 20, em que uma população de vampiros tem crescido, acompanhamos uma unidade do governo responsável pelo rastreamento, controle e extermínio dessas criaturas. E qual melhor jeito para isso senão recrutando vampiros? 

A metáfora sobre vampiros como “invasores estrangeiros” dada a época que o desenho pinta é bem feita. O retrato feito desse período onde influências políticas, estéticas e culturais de fora se misturavam aos hábitos locais é bastante interessante e serve perfeitamente de pano de fundo pra esse tipo de história com um pé no terror e outro na fantasia. Um entretenimento pipocão de luxo.

Disponível dublado e legendado na Funimation.


05. Sonny Boy

(Shingo Natsume, Madhouse)

Imagem: Personagens de 'Sonny Boy'.

Fácil a animação mais esquisita desse ano. Sonny Boy é uma viagem de ácido. O Shingo Natsume, que foi responsável pela primeira temporada de One-Punch Man e dividiu a direção de Space Dandy com o grande Shinichiro Watanabe, criou aqui um quebra-cabeça que pode parecer confuso demais numa primeira olhada, mas se mostra um barato quando nos deixamos levar.

Tudo começa quando alunos do último ano são transportados junto com o prédio da escola para uma dimensão onde não há nada. Daí, com a descoberta de super poderes, eles começam a viajar por realidades tão distintas quanto suas regras de sobrevivência. O roteiro replica a escalada de loucura da trama na maneira “fragmentada” como ela é contada, de modo que nós também somos levados pela confusão enquanto assistimos. É um “ame ou odeie”, no qual fiquei no primeiro grupo.

Disponível dublado e legendado na Funimation.


04. So I’m a Spider, So What?

(Shin Itagaki, Millepensee)

Imagem: A dona aranha.

Numa época em que a oferta de animês isekai é tão vasta e com projetos tão semelhantes entre si, é curioso que uma das séries mais legais nessa linha tenha sido essa sem um pingo de cinismo na história. So I’m a Spider, So What? poderia ser 100% uma paródia (afinal, é uma comédia cuja protagonista é uma aranha), mas o enredo nos apresenta personagens e situações que, de fato, funcionam com seriedade dentro dos elementos de um universo de Espada e Feitiçaria.

Esse é um épico dos bons. A trajetória da aranhinha vai numa crescente engajante, onde o desenvolvimento dela é apresentado como o de uma personagem de videogame, mas com artifícios que condizem com o ambiente criado. A metáfora com tudo ser uma mesa de RPG é esperta. O roteiro ainda brinca com uma não-linearidade e com diferentes pontos de vista em mesmas situações que deixa tudo ainda melhor. E divertido. So I’m a Spider, So What? é acima de tudo divertido, muito, muito divertido de assistir.

Disponível dublado e legendado na Crunchyroll.


03. Ranking of Kings

(Yōsuke Hatta, Wit Studio)

A maneira como Ranking of Kings é desenhado engana num primeiro contato. As cores, os cenários, os designs de personagem, tudo remete a animês infantis seriados mais cartunescos, ou mesmo filmes nesse estilo. Batemos o olho e pensamos se tratar de uma fantasia medieval bonitinha, com personagens cativantes, recheada com incontáveis signos desse tipo de história. E, bom… Ranking of Kings é isso, mas é mais um pouco também.

Pois a trama rapidamente se mostra mais profunda (e sombria) do que era imaginável a princípio. A jornada do príncipe surdo Bojji, que tem seu direito ao trono retirado a partir de um golpe dado por sua madrasta para dá-lo ao seu irmão mais novo, filho dela, é recheada de intrigas, movimentos políticos, tramas escusas nos bastidores e mistérios sobrenaturais que rondam aquele reino. Há um segmento ritualístico onde um rei se torna um “elixir” para outro que é bem angustiante. Pra este que vos escreve, foi a maior surpresa de 2021.

Disponível dublado e legendado na Funimation.


02. Irina: The Vampire Cosmonaut

(Akitoshi Yokoyama, Arvo Animation)

O animê mais tocante desse ano. Ele é ambientado numa realidade onde as duas maiores potências do mundo, UZSR o Reino Unido, disputam tecnologicamente para enviar o primeiro humano ao espaço. Como parte de uma experiência para medir a segurança para o eventual astronauta dessa viagem, a UZSR recruta Irina, uma vampira de uma localidade vizinha, para servir como cobaia, tal como um cachorro foi utilizado tempos antes. O enredo então conta a interação dela com o oficial Lev, responsável por capacitá-la para essa tarefa, que também sonha ir ao espaço, mas havia sido afastado do programa de treinamento por mau comportamento.

Tudo é tão bem escrito que chega a emocionar. A releitura fantasiosa que ele faz da Corrida Espacial entre a União Soviética e os EUA aqui é interessantíssima, abordando temas como o controle violento do Estado, a cultura como panfleto de ideais ditatoriais e a subjugação de minorias raciais. É possível traçar um paralelo entre o tratamento que a Irina, como vampira, recebe, majoritariamente violento, preconceituoso, desumano, com o de judeus na Alemanha nazista, por exemplo.

Mas acima de tudo, Irina mostra duas lindas histórias de amor, que florescem mesmo num ambiente que tem tudo para miná-las: a dos protagonistas um pelo outro e a de ambos pelo espaço. E a cena na qual a Irina, enfim, cruza o limiar azulado e observa o planeta Terra lá de cima é uma das mais bonitas dos últimos anos.

Disponível dublado e legendado na Funimation.


01. ODDTAXI

(Baku Kinoshita, OLM/P.I.C.S.)

ODDTAXI talvez tenha um dos argumentos mais “sóbrios” desse ano – contar a vida de um motorista de taxi chamado Hiroshi Odokawa nas noites urbanas que, por determinados arranjos do destino, acaba se metendo em confusões envolvendo a máfia. O que traz as aspas ao sóbrio, no entanto, é algo na execução… os personagens são todos animais!

Só que ele é ainda mais interessante que isso. É como uma grande homenagem ao cinema da Nova Hollywood. A referência clara é Taxi Driver, do Scorcese, mas adaptando a ambientação da Nova Iorque abandonada à própria sorte dos anos 70 para a Tóquio atual, com seus próprios problemas urbanos, sociais e virtuais que interferem na vida do protagonista. A maneira um tiquinho mais lenta de contar a história cai como uma luva, a “amoralidade” também, e o clima neurótico e pessimista. Está tudo lá. Além dos personagens. São tantos personagens legais que nem caberiam nesse curto espaço de descrição.

O episódio focado no programador viciado em jogo é um dos negócios mais bonitos e intensos que assisti esse ano, em qualquer mídia. O roteiro e a direção pintam todo um arco narrativo de autodestruição pelo vício, da infância até a vida adulta, mas usando coisas que soam bem bobas como fruto do problema, como colecionar borrachas ou um joguinho de celular. É bizarro e sensacional.

ODDTAXI é muito bom. É esperto em suas referências, sabe adaptar conceitos de antigamente à uma realidade atual. O roteiro prende como uma teia de aranha, cujo final é o bote mortal que não conseguimos escapar. E pensar que é só o trabalho de estreia do diretor Baku Kinoshita. O maior animê de 2021.

Disponível legendado na Crunchyroll.


E os piores?

Não que importe, mas Record of Ragnarok foi a (des)animação que mais me fez sentir que estava perdendo um tempo precioso enquanto assistia; Redo of Healer foi só controvérsia adolescente e zero profundidade; EX-ARM me pareceu uma piada de mau gosto que a galera tentou emplacar, mas perdeu a graça bem rápido; Don’t Toy With Me, Miss Nagatoro foi uma comédia que irritou mais do que entreteve; e Mushoku Tensei precisava de um roteiro menos repetitivo para funcionar de verdade.


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