Imagem: Bakugo, Deku e Todoroki em imagem promocional do terceiro filme de 'My Hero Academia', enqudrada nos padrões de resenha do JBox.

Crítica | My Hero Academia: Missão Mundial de Heróis (3º Filme)

Terceiro filme de ‘My Hero Academia’ é o melhor e mais cinematográfico de todos.

Na próxima quinta-feira (6), chega aos cinemas aqui do Brasil o filme My Hero Academia: Missão Mundial de Heróis (World Heroes’ Mission), disponível em versões dublada e legendada. Esse é o terceiro longa-metragem da franquia, que segue sob a direção de Kenji Nagasaki, responsável também pelas já cinco temporadas do animê na televisão.

No Japão, Missão Mundial estreou no dia 6 de agosto. Em seus primeiros dias de exibição, ele faturou quase o dobro de seu antecessor. Até então, ele já acumula um pouco mais que 41 milhões de dólares em bilheteria, sendo o mais lucrativo da trilogia.

Essa é uma “vitória” (não que exista uma competição) merecida. A trajetória de My Hero nos cinemas é interessante de observar quando pensamos em filmes de grandes séries animadas, pois ela ilustra o quão necessárias são as adaptações no visual e roteiro para que as histórias com personagens das telinhas funcionem em grande escala para as telonas.

O primeiro filme, 2 Heróis, que estreou aqui no Brasil em 2019, é bem legal (tem crítica do chapa Jiback no site, leia aqui). Ele utiliza os personagens do animê numa história fechada divertida de assistir. O segundo, A Ascensão dos Heróis, lançado pro público brasileiro diretamente para plataformas online, não é tão “cinematográfico” (leia a crítica que fiz à época aqui). Embora o enredo seja bacana, em aspectos visuais ele me parece mais um episódio de longa duração do que um filme de verdade.

Imagem: Bakugo, Todoroki e Deku segurando compras de mercado.

Já o terceiro filme é o melhor dos três. Porque é o mais “cinematográfico”. Todos os elementos nele, do roteiro ao trabalho de animação, direção de cena e trilha sonora realmente parecem pensados para funcionarem numa tela grande, com um som forte. Há grandiosidade. E um arco narrativo emocionante ideal para seu tempo de duração, praticamente sem a dependência de conhecimentos prévios muito aprofundados.

Em Missão Mundial dos Heróis, algumas das agências de heróis mais famosas do Japão precisam lidar com uma ameaça terrorista mundial, a Humanrise. Esse grupo tem como ideologia extinguir pessoas com super poderes e “salvar” a humanidade “pura”, sem habilidades especiais. É um tipo de eugenia pautada por uma crença que se espalha socialmente, onde a existência de poderes levaria ao declínio da humanidade. Contudo, sem entrar em spoilers, percebemos que tudo é mais sobre insatisfações pessoais do que sobre um pensamento coletivo distorcido.

A Humanrise tem desenvolvido uma bomba venenosa que só afeta pessoas com poderes. E eles assumem a autoria de um atentado do tipo que ocorreu recentemente. Nessa, a agência onde Midoriya, Bakugo e Todoroki estão estagiando é enviada para o pequeno país Otheon, onde deverão encontrar pistas para impedir o grupo terrorista. No entanto, os garotos se envolvem em duas ocorrências locais que não deveriam: um roubo numa joalheria e um capotamento de carro.

Imagem: Deku e Rody em uma kombi velha.

No roubo, Midoriya persegue o jovem Rody, responsável por levar a maleta com as joias de um ponto a outro. No capotamento, está uma outra mala, que, por um acaso do destino, acaba sendo trocada pela de joias e para nas mãos do Rody.

A polícia surge, cerca o ladrão e tem uma reação desproporcional a um roubo, atirando para matar. Midoriya salva o garoto de ser morto no meio da rua e a segurança nacional o acusa de ter feito um assassinato em massa. Midoriya e Rody, então, precisam cruzar a fronteira do país para se salvarem enquanto a ameaça de extermínio a todos os heróis aumenta. Temos nosso filme.

O roteiro aqui funciona que é uma beleza. É como uma mistura do cinema norte-americano paranoico dos anos 70 com a estrutura de “buddy movies” (filmes com dois protagonistas, que são ou se tornam amigos). Claro, dentro de uma estrutura de desenvolvimento shounen japonesa. O argumento que parte de os personagens não poderem confiar em quase ninguém, incluindo a polícia, dá pano para um bom desenvolvimento dentro da narrativa.

Desenvolvimento esse que aparece quando tudo se transforma num road movie (no qual os protagonistas saem em uma viagem), onde Midoriya e Rody expõem as individualidades de suas personalidades e se complementam (adoro a cena deles “de carona” no ônibus), com uma bonita amizade nascendo disso.

É interessante também como ele trabalha subtextos de uma forma que funciona dentro do universo de My Hero. Esse é um universo que já é bem recheado de questões políticas e sociais, retratadas alegoricamente nas visões dos heróis, vilões, dos que ficam entre esses dois extremos e na sociedade mostrada. Mas aqui ganha uma camada ainda maior, onde crenças seguidas como religiões são utilizadas para manobrar seguidores, incluindo pessoas com super poderes que inevitavelmente terão um final trágico caso elas se concretizem.

Imagem: Vilão com livro que parece ser um "livro sagrado".

Porém, acima de tudo, o longa é 100% animê, sem vergonha disso, com vários e vários momentos em que usa e abusa das possibilidades de ser feito em animação. A direção capricha em passagens onde os personagens fazem expressões e movimentos exageradamente cartunescos (me remeteram ao que o Mamoru Hosoda fez nos filmes de Digimon), que dão um bom alívio cômico ao que ocorre num total.

E quando ele vai para a ação desenfreada, tudo fica ainda mais sensacional. Há um segmento bem grande no início, com várias partes de perseguição, incluindo a do Midoriya com o Rody, que é de encher os olhos. Outra no fim do segundo ato, envolvendo um helicóptero, traz um trabalho de “câmera” impressionante. São cenas que tiram o fôlego, tão detalhadas, fluidas e bem feitas que são. Ideais para amantes do “sakuga”. E como disse, cinematográficas.

Missão Mundial dos Heróis é o filme mais “filme” de My Hero Academia. É uma peça perfeita dentro do universo de longas-metragens baseados em séries animadas, pois eleva o que há de mais divertido no animê para a escala grandiosa das telonas. E dum jeito honra seu formato animado e o meio para qual ele foi planejado. E aquela cena com eles fugindo de flechadas na ponte… nossa, que cena! Será que algum live-action conseguiria fazer algo impressionante assim?


O JBox faz parte do programa de afiliados da Funimation e pode ganhar um valor em cima das compras realizadas a partir dos links do site.


O screener de My Hero Academia: Missão Mundial dos Heróis foi enviado antecipadamente ao site JBox pela Funimation como promoção à imprensa. O filme estreia nos cinemas no dia 6 de janeiro em versões dublada e legendada. Confira também nossa entrevista com os dubladores de Deku e Hawks.


O texto presente nessa resenha é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.

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