Imagem: Pôster com a Mulher-Gato e um diamante em fundo verde e enquadramento de resenha do JBox.

Crítica | Mulher-Gato: A Caçada

A famosa anti-heroína da DC estrela seu primeiro filme de animê em uma aventura cheia de ação, comédia e vilões.

Provavelmente, o personagem da DC Comics com a maior galeria de personagens coadjuvantes de peso seja o Batman. São heróis e vilões que circulam o cavaleiro das trevas e chamam a atenção. Entre esses personagens, a Mulher-Gato tem um lugar especial, já que surge na maioria das adaptações do herói, seja como antagonista, ou como interesse amoroso.

De olho na popularidade da personagem (que vai também coprotagonizar o novo live-action do herói), a editora norte-americana resolveu investir em um filme estrelado pela anti-heroína. Entretanto, o filme em si foge dos moldes das produções animadas da DC: ao invés de ser produzido pela Warner Bros. nos Estados Unidos, o desenvolvimento do longa ficou nas mãos do estúdio OLM, estúdio nipônico conhecido por animes como Pokémon e o filme de Ni no Kuni.

Dirigido por Shinsuke Terasawa (XXXHolic), Mulher-Gato: A Caçada (Catwoman: Hunted) é a mais recente aposta da DC no universo dos animes. Trata-se também do primeiro longa animado estrelado por Selina Kyle, a “maior ladra do mundo”, que acaba caindo na mira de uma gangue de vilões chamada Leviatã, após roubar uma jóia de valor inestimável. Jurada de morte por Bárbara Minerva (a Mulher-Leopardo), líder da Leviatã, a anti-heroína não tem outra opção a não ser se unir à Interpol com o objetivo de prender os vilões.

Imagem: A mulher gato e um vilão.
Reprodução.

Ao seu lado, ao invés do famoso cavaleiro das trevas, está a Batwoman. Ela não apenas é um contraponto mais “heróico” à Mulher-Gato e uma parceira nos combates, como também surge como um possível par romântico da protagonista (uma vez que o Batman está ausente da aventura, fora algumas referências). A dinâmica entre as duas personagens é muito boa, faltando apenas na Batwoman aquela sobriedade sepulcral que o Batman tem, algo que casa muito bem com o jeito irreverente de Selina devido ao contraste das duas personas.

Outro bom “casamento” do filme é da própria Mulher-Gato com os animês. Com sua roupa com orelhas de gato, que se mexem de acordo com seu humor, ela poderia muito bem ser uma personagem de Tokyo Mew Mew ou Nekopara. Una isso ao jeito divertido e piadista da personagem e temos uma ótima protagonista de anime de ação.

Vale dizer que, apesar de inspirado em uma personagem norte-americana, o filme abraça bem a veia inspiradora do mundo dos animês. Isso significa que elementos bem comuns das animações japonesas, como demônios, monstros gigantes e armaduras cibernéticas que lembram mechas, também aparecem no filme (e sim, estou falando de um longa da Mulher-Gato).

Uma pena apenas que, para que tudo isso seja incluído, a produção tenha que sacrificar o roteiro. Falta espaço para um melhor desenvolvimento da relação entre os vilões, bem como da motivação da protagonista, que pouco é lembrada na história. O bom humor do texto é bem-vindo, mas há um excesso de piadas com gatos que chega a ser embaraçoso.

Imagem: Mulher-Gato numa festa a fantasia (e tem uma pessoa vestida de Batman).
Reprodução.

Embora a animação do OLM mantenha uma boa qualidade, não há cenas muito inspiradoras, com detalhes e um acabamento de encher os olhos, como seria esperado da produção de um longa-metragem. Além disso, o uso de CGI em algumas sequências incomoda pela artificialidade em relação aos outros elementos 2D da animação.

Ao fim, o longa deixa pontas soltas para uma possível continuação, de modo que este pode ser o primeiro filme de uma série estrelada pela Mulher-Gato, ou o começo de um universo compartilhado da DC em animês (que poderia muito bem ser focado em personagens que vão além do eixo Superman/Batman). Resta saber se a DC/Warner vão investir nisso e o próprio público vai abraçar essa empreitada pelo mundo das animações japonesas.


Mulher-Gato: A Caçada está atualmente disponível para compra e aluguel nas plataformas digitais Apple TV, Google Play e YouTube Movies, com dublagem em português e áudio original (inglês) com legendas.


O texto presente nesta resenha é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.

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