Imagem: Montagem com capas de O Livro do Travesseiro, Entregas Expressas da Kiki e Querida Konbini em fundo com textura de madeira no enquadramento de artigos do JBox.

6 autoras da literatura japonesa para conhecer (e ler) neste 8 de março

Conheça algumas autoras japonesas que contribuíram para a Literatura Japonesa e já foram publicadas no Brasil.

O mês de março desse ano já começou e com ele chegamos em mais um 8 de Março. Nessa data, geralmente, nós lembramos de algumas personagens femininas emblemáticas da cultura pop ou autoras importantes pro nicho de mangás, mas talvez discutamos um pouco menos como existe uma presença feminina na Literatura Japonesa também.

Pode ser que hoje em dia não pareça, mas as mulheres tiveram, historicamente, uma presença importante na Literatura Japonesa. Um dos livros mais famosos do Japão, o Genji Monogatari, foi escrito por uma mulher — a dama da corte Murasaki Shikibu. Genji Monogatari faz parte da tradição literária do Japão e é reinterpretado, recontado e readaptado ainda nos dias atuais, sendo considerado por alguns críticos o primeiro romance da humanidade.

Na Literatura Clássica havia uma presença forte de mulheres por meio do que chamamos hoje de Literatura de Diário, um gênero que misturava prosa e poesia e era escrito exclusivamente por mulheres — embora a obra que deu início ao gênero, Tosa Nikki, tenha sido escrita por Ki no Tsurayuki se utilizando de uma voz feminina.

É por esse motivo que hoje vamos falar de algumas escritoras japonesas cujas obras foram traduzidas para o português e publicadas no Brasil.

Sei Shônagon

Imagem: Desenho provavelmente de Sei Shonagon.
Divulgação: Editora 34.

Foi uma dama da corte ou dama de acompanhamento da Imperatriz Teishi por volta de metade do período Heian. Não se tem muitas informações sobre Sei Shônagon e ela é mais conhecida pela obra O Livro do Travesseiro (Makura no sôshi, no original). O livro contém notas, listas, impressões pessoais, regras de bom comportamento em festividades e tudo o mais que possa ser incluído no gênero literário conhecido como Zuihitsu.

O Livro do Travesseiro (1002) foi publicado pela Editora 34 com tradução de Geny Wakisaka, Junko Ota, Lica Hashimoto, Nana Yoshida e Madalena Cordaro.

 

Eiko Kadono

Imagem: Foto de Eiko Kadono.
Divulgação.

É uma escritora de histórias infantis, livros ilustrados, não ficção e ensaios dos períodos Showa e Hesei. Sua obra mais conhecida no Brasil é o livro Entregas Expressas da Kiki (Majo no Takkyubin no original), de 1985, que foi publicado em nosso país pela editora Estação Liberdade com tradução de Lúcia Hiratsuka.

O livro foi adaptado para o cinema por Hayao Miyazaki em 1989. No Japão, o livro e o filme dividem o mesmo título, mas no Brasil o longa é conhecido como O Serviço de Entregas da Kiki.

Uma curiosidade interessante sobre Kadono, é que ela morou no Brasil durante dois anos após terminar a universidade em 1960. Baseando-se em suas experiências morando aqui, a autora escreveu um livro de não ficção chamado Brasil e Meu Amigo Luizinho (Ruijinnyo shonen, Burajiru o tazunete no original) que conta a história de um menino que gosta de dançar samba. A obra foi publicada em 1970.

 

Yoko Ogawa

Imagem: Foto de Yoko Ogawa.
Divulgação.

Uma escritora contemporânea japonesa que teve sua primeira obra publicada em 1988, Agehacho ga kawareru toki (A decomposição da borboleta). Ogawa ganhou com essa obra o Prêmio Kaien para novos escritores. Ao longo de sua carreira, ela também levou para casa o Prêmio Akutagawa, o Prêmio Izumi Kyoka e o Prêmio Tanizaki.

No Brasil, a autora possui três livros publicados, dois são pela Estação Liberdade: A Fórmula Preferida do Professor, com tradução de Shintaro Hayashi, e O Museu do Silêncio, traduzido por Rita Kohl; e Hotel Íris, da editora LeYa.

 

Sayaka Murata

Imagem: Foto de Sayaka Murata.
Divulgação.

Outra premiada escritora japonesa contemporânea. Sua obra mais famosa é Querida Konbini, pela qual ganhou o prêmio Akutagawa e que deu a Murata uma posição na lista de mulheres do ano na Vogue Japão em 2016.

Querida Konbini já foi traduzido em mais ou menos 18 idiomas diferentes. No Brasil, o livro foi publicado pela Estação Liberdade, editora que também publicou outra obra da autora, Terráqueos, ambos traduzidos por Rita Kohl.

Em suas histórias, Murata aborda temas como a não conformidade com as convenções sociais japonesas de gênero, trabalho e sexualidade. Algumas vezes, as tramas acabam enveredando por cenários um tanto distópicos ou de horror.

 

Banana Yoshimoto

Imagem: Foto de Banana Yoshimoto.
Divulgação.

Talvez uma das mais famosas escritoras japonesas da atualidade. Adotou o pseudônimo “Banana” por gostar muito das flores de bananeira. Sua obra de estreia foi Kitchen, em 1988, com a qual ganhou o Prêmio Izumi Kyoka.

Seus livros já foram traduzidos para mais ou menos vinte idiomas. A morte é um tema recorrente em suas histórias, que tendem a ter protagonistas femininas e personagens excêntricas. Segundo a própria Banana, seus livros se encaixam no que a Literatura Japonesa classifica como Watakushi Shôsetsu (Romance do Eu), obras que são escritas em primeira pessoa e incorporam elementos autobiográficos do autor.

Atualmente, o livro Tsugumi da autora é publicado pela Estação Liberdade com tradução por Lica Hashimoto.

 

Hiromi Kawakami

Imagem: Foto de Hiromi Kawakami.
Divulgação.

Sua obra de estreia foi Kamisama (Deus) em 1994. Dois anos depois, a autora ganhou o Prêmio Akutagawa por Hebi wo Fumu (Pisar uma Cobra). Desde então, Kawakami vem sendo reconhecida e ganhando prêmios. Ela é uma das autoras japonesas mais lidas nos dias de hoje e suas obras abordam temas como a o dia a dia metropolitano, as metamorfoses da vida, o amor e a sexualidade.

A Estação Liberdade publicou em nosso país dois livros de Kawakami: A valise do professor, pelo qual a autora ganhou o Prêmio Tanizaki, e Quinquilharias Nakano, ambos traduzidos por Jefferson José Teixeira.

 

Essas seis mulheres são apenas algumas das autoras que contribuíram e ainda contribuem com a Literatura Japonesa. Ao longo do tempo, as autoras japonesas têm escrito sobre o cotidiano na corte imperial, as expectativas da sociedade para as mulheres, os papéis de gênero e sexualidade.

Esperamos que cada vez mais possamos ter acesso a essas obras tão interessantes e diversas e que mais livros como esses sejam publicados por aqui.

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, a editora Estação Liberdade está oferecendo 50% de desconto em livros de autoras mulheres ou traduzidos por mulheres, confira aqui.


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