Imagem: Ultraman novo no animê com poderzinho saindo pelas mãos, em enquadramento da Coluna do Daileon.

Dá pra salvar o animê ‘ULTRAMAN’ em sua última temporada? | Coluna do Daileon #154

A impressão que fica até agora é que a terceira temporada virá para cumprir tabela, terminar o que foi iniciado em abril de 2019.

segunda temporada do animê ULTRAMAN, que é baseado no mangá de Eiichi Shimizu e Tomohiro Shimoguchi, estreou na Netflix há pouco mais de duas semanas. São apenas 6 episódios, o que é muito pouco para contar o arco de Ultraman Taro, que se passa originalmente em Nova Iorque.

Não sabemos ainda por qual motivo, razão ou circunstância o tripé formado por Tsuburaya, Production I.G e Sola Digital Arts resolveu mudar boa parte da trama. Alguns elementos foram utilizados, outros foram inseridos e o resultado não foi muito satisfatório, pelo menos para quem acompanha o mangá – publicado no Brasil pela Editora JBC.

A primeira temporada cobriu os oito primeiros volumes e foi ótima, em que pese algumas mudanças como a extinção de Red (King) na trama, pontos que ajudam no desenvolvimento na relação entre Shinjiro Hayata e Rena Sayama, e falhas em algumas cenas da animação (que deixaram os movimentos mais “quadrados” e menos naturais).

Imagem: Capa do volume 15 de Ultraman.
Taro na capa do volume 15 do mangá ULTRAMAN – lançado nesta semana no Brasil | Foto: Divulgação/Editora JBC

Mas como contar a saga de Taro em apenas seis episódios? Talvez 8 ou 10 fossem suficientes. O que vimos foi, na realidade, outra trama com novos personagens, um Kotaro Higashi mal desenvolvido, saídas fáceis demais, lutas que pouparam violência e – consequentemente – um Dan Moroboshi menos implacável e mais apagado.

Inclusive, quem leu o mangá sabe que parte de seu passado é revelado e que surge um personagem importante, embora ele também não fosse bem aproveitado como deveria.

Em suma, apesar de referência às séries clássicas, a segunda temporada deixou muito a desejar. Até esperei que alguma coisa ou outra mudasse mesmo, já que personagens como Izumi (a namorada de Kotaro) e Maya (da raça alienígena Wadoran) foram criados para os novos episódios, pois não existem no mangá da dupla Shimizu e Shimoguchi.

Eis que depois do final de semana de estreia, a Tsuburaya anunciou a terceira e última temporada de ULTRAMAN. Ainda não sabemos quantos episódios serão desta vez, mas sabemos que o lançamento será em algum momento de 2023. A Tsuburaya lançou na ocasião um pôster e um teaser com o novo Ultraman caído, seu Color Timer piscando no peito, assim como o herói-título da série original no último episódio, após ser nocauteado pelo Alien Zetton.

No rodapé do pôster aparece a seguinte mensagem: “Farewell, Ultraman”. Sim, o mesmo título oficial em inglês do episódio 39 (final) de Ultraman, exibido originalmente na noite de 9 de abril de 1967, pela TBS. Referências claras de um fim de ciclo, talvez levando o animê para um caminho ainda mais independente do mangá e criando seu próprio desfecho.

Ah, o teaser teve até a narração de Koji Ishizaka, o mesmo da série clássica, dizendo: “Esta é outra resposta ao Ultraman”. Veja:

Vale lembrar que o mangá, atualmente, está no volume 18 no Japão e ainda não tem previsão para acabar. Em tempo, os volumes 15 e 16 foram publicados no Brasil nesta quinta (28) pela JBC.

Depois de uma segunda temporada mambembe, ULTRAMAN nem precisava de uma terceira temporada. Por outro lado, ainda bem que será a última. Como fã da franquia e leitor do mangá, tenho receio do que pode ser a saga dos Irmãos Leo e Astra, que é tão densa quanto as anteriores e também é um complemento para o desenvolvimento de Taro.

A impressão que fica até agora é que a terceira temporada virá para cumprir tabela, terminar o que foi iniciado em abril de 2019. Sendo assim, toda a expectativa que uma parcela do público tem agora pode ser um banho de água fria. Ou talvez a produção veja o que não deu muito certo na segunda temporada para sim criar um desfecho digno, se baseando amplamente no mangá ou criando uma situação própria para o animê.

Ainda dá tempo de salvar o que resta para uma boa adaptação de ULTRAMAN, resgatando a verdadeira essência do mangá e homenageando a série clássica de 1966. Enquanto a estreia não acontece, sigo cantando aquele clássico do Guilherme Arantes (com o perdão do trocadilho): ♪Adeus também foi feito pra se dizer/Bye bye, so long, farewell…♪


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