Imagem: As três cures transformadas em cenário de nuvens coloridas com corações.

Resenha | Delicious Party Precure: Novos ataques, novo vilão e um segredo revelado | Episódios 8 a 11

Os episódios recentes de ‘Delicious Party’ trouxeram alguns ingredientes interessantes, mas ainda falta tempero nessa temporada.

Com sua equipe completa, Delicious Party Precure vai dando sinais de como vai seguir com o desenrolar de sua história.

Os últimos quatro episódios foram cheios de acontecimentos relevantes para o futuro da série, como revelações trágicas, novos ataques e até um novo vilão. Tais elementos seriam o suficiente para compor uma receita de sucesso em qualquer temporada de Precure, mas Delicious Party insiste em alguns ingredientes que deixam um gosto amargo na boca.

Mas, calma, antes de falar do que incomoda, vamos dar uma rápida passada por tudo o que já foi mostrado até o momento.

Entre a escola e os restaurantes

Imagem: Yui em meio a nikuman/baozi.
Reprodução: Toei/Crunchyroll.

Enquanto Tropical-Rouge! Precure (2021) focava-se demais na vida escolar de suas protagonistas, Delicious Party decidiu ampliar um pouco mais seus horizontes e focar-se também na paixão das garotas pelos mais diversos restaurantes. Infelizmente, por enquanto foi somente isso mesmo que a série mostrou.

Nada de passeios em parques ou museus, compras em shoppings ou qualquer tipo de foco familiar que vá além de Yui citando sua avó. Nada. Basicamente todas as tramas giram em torno da escola ou dos restaurantes que as precures visitam e mesmo que um elemento a mais seja adicionado, o resultado final é um prato sem tempero.

Veja o episódio 8, por exemplo: ele pega o gancho deixado nos episódios anteriores sobre o fato de Ran ter uma conta sobre comida e restaurantes nas redes sociais. Os restaurantes citados por ela online estão sendo usados como alvo dos ataques dos vilões.

Surge nesse momento a semente de um possível debate sobre a responsabilidade e os perigos da publicação de informações em redes sociais. Entretanto, mesmo que seja para crianças, o debate nunca é aprofundado e seu único propósito é apenas reforçar que Ran não deve largar algo que gosta (sua conta nas redes sociais) por medo dos vilões. Em anos anteriores, a franquia Precure já foi mais corajosa ao trabalhar seus sub-temas.

O episódio seguinte, de número 9, por sua vez, foi focado em um breve desentendimento entre Kokone e Ran, que obviamente serve para estreitar o laço de amizade das duas. Embora o foco aqui seja a comédia, não há uma situação que realmente traga uma risada ou gargalhada ao rosto. (nota: Sabe qual outra temporada também mostrava um desentendimento entre as cures azul e amarela logo depois da formação do time? Healin’ Good. Pois é, mais uma semelhança).

Vale ainda citar que as precures ganharam um novo poder recentemente no episódio 10 e aqui talvez venha o primeiro ponto fora da curva dessa temporada: não foi um ataque em grupo.

Veja bem: em geral, entre os episódios 10 e 15 de uma temporada, as heroínas ganham um novo item para um golpe final em grupo. Em Delicious Party, o novo item de ataque está presente, mas agora cada heroína tem um golpe solo. Parece um detalhe pequeno, mas durante os episódios 10 e 11, ele foi usado de forma inteligente para possibilitar maior variedade de atuação das garotas nas lutas.

A boneca do mal

Imagem: Narcistoru e Gentlu (vilões) em Delicious Party.
Reprodução: Toei/Crunchyroll.

Entretanto, mais interessante que este novo golpe final é a história de Gentlu. Os últimos episódios confirmaram a suspeita de ela ser a enigmática Amane, presidente do conselho estudantil da escola das heroínas, mas trouxe alguns elementos a mais sobre seu papel como vilã.

Antes de falar de Amane/Gentlu, é preciso falar de Narcistoru, um novo vilão que deu as caras no episódio 9. Ele surgiu como um rapaz que tem grande interesse em Gentlu e logo fica evidente que está de alguma forma controlando as ações da garota.

O motivo de Amane estar na gangue de vilões é a boa e velha lavagem cerebral, já que a própria “consciência” de Amane surge vez ou outra tentando alertar Gentlu de suas ações ruins.

Só que Nascistoru se mostra um vilão esperto (e cruel). Ele não está disposto a largar a sua “boneca” (como ele mesmo chama) e permitir que ela atue com livre arbítrio. Entender essa fixação de Nascistoru por Gentlu e até torcer para que a garota escape do controle desse jovem sociopata é talvez o ingrediente mais interessante que essa temporada trouxe até o momento.

Importante citar também como a história está correndo rápido nessa questão. Ainda no episódio 11, as heroínas principais já descobriram a real identidade de Gentlu, levando a questão: o que vem agora? É cedo demais para termos um vilão sendo derrotado, não? Será que a briga de gato e rato de Gentlu e as precures não poderia durar mais tempo?

Neste momento, é necessário acreditar que o roteiro sabe bem que direção está tomando para não estragar o melhor elemento de sua história, ainda mais quando há outros pontos que precisam ser melhor trabalhados.

O problema dos ingredientes

Imagem: Rosemary, Ringa, Kokone e Yui em mesa de refeição.
Reprodução: Toei/Crunchyroll.

Quando digo que há pontos a serem melhor trabalhados, estou citando algumas questões que já levantei em outras resenhas.

Uma dessas questões é a narradora. Embora ainda seja cedo para falarmos da identidade da personagem, é quase que certeza que ela é a avó de Yui (que é sempre citada no passado, o que leva me leva a crer que ela possa estar desaparecida ou ter falecido).

Só que a identidade dela não é o problema, e sim como ela continua agindo nos episódios, apenas reforçando coisas óbvias pela narração. No episódio 11 chegamos ao ponto de ela explicar uma piada para o espectador. É incrivelmente incômoda a participação dessa “personagem” em todos os episódios.

Além dela, há Rosemary. Calma, o problema não é o personagem em si, mas sim sua função. Ele não cumpriu o papel esperado de estrategistas das Precures e sua participação nas batalhas recentes é praticamente nula. Rosemary parece apenas estar ali para servir de alívio cômico e invocar o campo de batalha. Sua história real ainda não foi revelada.

Por falar no campo de batalha, aquele cenário de deserto já apareceu tantas vezes que cansou a visão. Parece que em todos os episódios estamos vendo sempre os mesmos embates, já que o cenário não muda.

Além disso, esse campo de luta separado tem diminuído o drama de todas as batalhas. Veja bem: as Precures não precisam lutar para proteger a cidade, elas apenas querem salvar os Recipepes e isso acaba sendo bem graça.

Precure é uma franquia que sempre sobreviveu muito bem porque, mesmo em sua estrutura de “monstro da semana”, ela trazia consigo personagens e situações bem elaboradas, que faziam o público se interessar por cada episódio que assistia.

Um episódio poderia se desenvolver completamente em torno de um personagem que veríamos apenas uma vez na vida, mas ainda assim, nos importávamos com ele. Naqueles 20 minutos de animação, torcíamos para que o personagem obtivesse sucesso em seus objetivos (sejam quais fossem) e realmente nos importávamos quando ele era atacado pelos vilões.

Trata-se de algo difícil de acontecer com os Recipepes, pois eles não aparentam possuir emoções complexas e nem têm histórias próprias.

Quando no episódio 10, as heroínas ganham seu novo ataque porque precisam salvar dois Recipepes que estão sofrendo, é difícil sentir comoção. É diferente quando elas estão tentando proteger um amigo, familiar ou a cidade do ataque de um monstro. Em resumo: fadas feitas de comida de difícil identificação são menos atraentes como personagens do que… pessoas com sentimentos.

Um aceno para o futuro

Isso significa que Delicous Party está fadada a ser uma temporada ruim? Não necessariamente. Há diversos elementos que foram introduzidos recentemente e outros que ainda devem aparecer que podem tornar toda a série muito prazerosa.

Temos a questão de Gentlu, que deve ganhar um arco de redenção em algum momento. A história de Rosemary, que dificilmente ficará até o fim da temporada como apenas um alívio cômico. E claro, há Takumi, o amigo de infância de Yui que visivelmente tem sentimentos fortes por ela.

Como a série vai desenvolver cada uma dessas tramas e o que mais ela vai mostrar aos espectadores, isso é difícil prever. Mas fica a torcida para que Delicious Party não fique apenas rodando em círculos na questão do “precisamos salvar os Recipepes” sem um ingrediente mais que deixe a história com aquele gostinho saboroso que todo mundo gosta.


Confira as outras resenhas da série: Episódio 1, 2-4, 5-7.


Delicious Party Pretty Cure é exibido pela Crunchyroll com legendas em português de forma simultânea com o calendário japonês. A empresa fornece ao JBox um acesso à plataforma.


O texto presente nesta resenha é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.

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