Imagem: Amane como Cure Finale.

Resenha | Delicious Party Precure: Cure Finale faz a sua entrada | Episódios 16 a 18

Como esperado, Amane se tornou a nova precure de ‘Delicious Party’ e trouxe algumas questões para a trama.

Finalmente, Amane se tornou a quarta heroína de Delicious Party Precure. A transformação da personagem, que só ocorreu essa semana, não chega a ser novidade para ninguém, pois desde maio a Toei está divulgando a nova cure — em um dos casos de divulgação mais adiantados que eu já vi de uma mid-season precure.

Há quem diga que Amane teve sua história bastante alterada e até mesmo sua passagem como Gentlu apressada graças ao ataque hacker sofrido pela Toei. Isto parece ser bem provável, uma vez que, mesmo com a história da garota se desenvolvendo de forma satisfatória, houve produtos publicitários que pareciam mostrar que Black Pepper já teria sido apresentado na história durante a época em que Amane deixa de ser Gentlu.

Independente das mudanças que a temporada sofreu, o fato é que agora conhecemos a Cure Finale. Mas antes de falarmos sobre essa nova heroína, é necessário falar de uma outra precure: Ran/Cure Yum-Yum

A estranha Ran-Ran

Imagem: Colega de Ran-Ran vendo ela comer um sanduba.
Reprodução: Toei/Crunchyroll.

O mais recente episódio focado em Ran (o #16) não foi exatamente ruim, mas seu ritmo estava descompassado. A ideia de Ran acreditar ser estranha pelos comentários maldosos de um colega e começar a agir de forma ainda mais estranha era boa, mas foi resolvida de maneira tão simplória no começo do capítulo que pareceu subaproveitada.

Ran é uma personagem carismática e um dos pontos fortes quando o assunto é comédia nesta temporada. Imagine quantas cenas engraçadas poderiam ser criadas caso seu problema tivesse sido prolongado por mais uns 10 minutos de episódio.

Com a conclusão simplória do problema de Ran, até mesmo a relação dela com o tal colega de classe ficou fraca. Toda a história do rapaz também ter boas lembranças com a comida e com isso Ran se conectar a ele poderia ter sido melhor incorporada à trama.

Até mesmo a sequência em que Ran derrota o monstro da semana com uma boa estratégia acabou ficando vazia, por mais que os roteiristas tenham tentado criar um nível maior de emoção para o momento.

A última heroína está na mesa

Imagem: Cure Finale dando um ataque.
Reprodução: Toei/Crunchyroll.

Como era de se esperar, a entrada de Cure Finale na equipe não aconteceu de uma hora para outra. Assim como outras vilãs que se tornam precures, Amane passou por um momento de “aceitação” de sua nova condição como heroína, precisando aceitar que, embora tenha realizado feitos “horríveis”, ela poderia proteger o mundo no futuro.

Confesso que foi um pouco difícil abraçar essa questão de Amane, por dois motivos: primeiramente, ela havia sofrido uma lavagem cerebral; e mesmo sendo normal ela ter seus traumas, não havia motivo para ela se culpar por algo que fez sem realmente ter controle de suas ações .

O outro ponto é que as atitudes “horríveis” de Amane não pareceram tão horríveis. Veja bem: ao contrário de vilãs como Eas (Fresh Precure) e Twilight (Go! Princess Precure), as ações de Gentlu não afetavam diretamente pessoas ou as machucavam física ou psicologicamente. Quer dizer, ela sequestrava fadinhas e deixava o gosto das comidas ruim, mas não parecia ser algo de tão mal assim, correto? Além disso, mesmo como Gentlu, ela se preocupava em não machucar as fadas capturadas. Por esses motivos, a crise que afetou Amane antes de virar Cure Finale foi de difícil conexão.

Críticas à parte, a apresentação da Cure Finale teve seus pontos altos. A batalha contra o monstro protagonizada pela heroína foi bem elegante, apresentando o estilo único dela de lutar e com cenas belíssimas tanto na transformação quanto no golpe final. Destaque também para a participação em equipe das cures Spicy e Yum-Yum — a estratégia da luta das duas foi muito boa.

Nos bastidores da batalha, Narcistoru tem se mostrado um dos vilões mais odiáveis de todas as temporadas (o que pode ser algo bom, se tratando de um vilão). O modo como ele fazia Amane se sentir culpada pelo seu tempo como Gentlu era bastante nojento, principalmente ao se considerar que era ele quem obrigava a jovem a agir daquela forma.

Tal falta de compaixão, porém, é bastante esperada de um vilão que tem o nome derivado de “narcisista”. Faltou apenas a história explicar o motivo que levou Narcistoru se interessar por Amane e controlá-la, para começo de conversar, mas talvez essa seja uma questão que venha a ser abordada mais para frente — e caso não seja, ficarei bastante decepcionado.

Uma estranha falta de investimento?

Imagem: Mascote de Delicious Party dormindo.
Reprodução: Toei/Crunchyroll.

Por fim, queria falar sobre uma coisa que notei e me fez questionar como a Toei está tratando esta temporada: o encerramento do episódio de número #18.

Em todas as temporadas de Precure, basta uma nova heroína entrar na equipe para que o encerramento instantaneamente mude, com nova música e coreografia (a abertura também sofre mudanças no futuro, mas mantém a mesma música).

Entretanto, na apresentação de Cure Finale, vimos a permanência do mesmo encerramento que temos tido desde o início da temporada, apenas com a inserção da Cure Finale em algumas cenas de dança.

Isto é interessante porque as músicas sempre foram parte importante de Precure, a ponto dos fãs ficarem esperando por novos encerramentos e debaterem entre si qual temporada tem as melhores canções.

A falta de um novo encerramento (pelo menos, por enquanto), parece demonstrar um pouco caso da Toei com a temporada. Talvez isso também explique a falta de criatividade e a reciclagem de materiais para o desenvolvimento da série.

O próprio enredo de Amane, que vai de vilã e heroína não é novo, mas chama a atenção como a temática da Cure Finale já chegou a ser usada no passado. O tema da nova precure é inspirado em um parfait, doce de origem francesa que também serviu de inspiração para a Cure Parfait de Kira Kira Precure à La Mode (outra temporada com foco em comidas).

Com tantas sobremesas disponíveis, precisava deixar tão claro assim a inspiração de um doce já utilizado como “item temático” em uma temporada anterior? Pelo menos as histórias de Cure Finale e Cure Parfait são bem diferentes, assim como toda a coloração das roupas e cabelo.

Agora, se era para realmente reciclar ou se basear em uma ideia antiga de temporadas passadas, Delicious Party podia ter trazido a deliciosa música de transformação de Cure Parfait, já que em questão de trilha sonora orquestral, a atual temporada pouco chama a atenção.


Confira as outras resenhas da série: Episódio 1, 2-4, 5-7, 8-11, 12-15.


Delicious Party Pretty Cure é exibido pela Crunchyroll com legendas em português de forma simultânea com o calendário japonês. A empresa fornece ao JBox um acesso à plataforma.


O texto presente nesta resenha é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.

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