Metropolis

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Osamu Tezuka’s Metropolis
Produção: Madhouse – Tezuka Productions – Metropolis Project, 2001
Criação: Osamu Tezuka
Exibição no Brasil: Cinemax – Cartoon Network
Distribuição: Columbia Tristar
Disponível em: DVD
Mangá: Book pela Ikuei Publishing

Última Atualização: 26/07/2007

Por Tio Cloud

Imagine um filme que tenha em seus créditos 3 dos nomes mais famosos da animação japonesa. Com certeza o resultado não será uma produção qualquer. E é exatamente como Metropolis pode ser descrito: um longa metragem ímpar, de qualidade técnica impecável.

Metropolis, foi lançado no Japão em 2001, após quase 5 anos em produção, e teve 3 nomes de peso envolvidos em sua realização: Osamu Tezuka, Katsuhiro Otomo e Rin Taro. ‘Cloud, cê tá faltando parafuso? Tezuka morreu a quase 20 anos’. Explico: o longa metragem é baseado em um mangá escrito por Tezuka em 1949, o qual teve sua história adaptada por Katsuhiro Otomo (nada mais nada menos que o ‘pai’ de Akira). O aclamado Rin Taro, de Galaxy Express 999, entrou com a direção, e em Metropolis ela se mostra mais eficiente do que nunca.

A animação ficou a cargo da Madhouse, e como todo mundo está careca de saber, o estúdio é sempre sinônimo de qualidade, pois é responsável por obras de sucesso como Vampire Hunter D: Bloodlust, X, Sakura Card Captor e outras produções tecnicamente impecáveis. E o maior trunfo de Metropolis é justamente seu visual: a animação é tão bem feita de forma raras vezes vista até hoje, e consegue com muito mérito mesclar perfeitamente animações tradicionais em acetato, com o que há de mais moderno em tecnologia de animações geradas por computador. E não pense que verá algo no estilo de Dinozarrghhh, o acetato e as cg’s se combinam de uma forma tão harmoniosa que voce não destingue qual é qual. Um trabalho realmente primoroso que beira a perfeição.

Já no início, o filme deixa o espectador de queixo caído. A sequência inicial do longa mostra o público da cidade presente durante a pré inauguração do Zigurate (você saberá o que é isso mais adiante), e deixa qualquer um impressionado, já que todos os personagens que aparecem na multidão (eu disse TODOS) se movimentam de alguma forma. Não dá pra deixar de perceber que a produção teve o cuidado de dar uma movimentação decente até mesmo aos robôs e equipamentos tecnológicos que aparecem durante o filme, dando a ela uma riqueza de detalhes jamais vista até então. E o mais impressionante: Metropolis custou ‘só’ U$ 15 milhões de dólares, uma pechincha, visto que qualquer produção meia boca da Disney não sai por menos do que U$ 40/60 milhões. Não é atoa que o filme chamou atenção até mesmo de James Cameron, o diretor de Titanic, que declarou que a produção é uma das mais belas obras que ele já viu em toda sua vida. Exagero por parte dele? Com certeza não.

Apesar do visual embasbacante, Metropolis não deixa de ter seus defeitos, e talvez isso tenha feito com que o desempenho mundial do filme fosse prejudicado. Ou você já havia ouvido falar dele fora do ‘mundo otaku’? A verdade é que, apesar do reconhecimento da crítica quanto a qualidade técnica, o filme fez feio em tudo quanto é lugar por onde passou, o que fez com que, em alguns países (como o Brasil), ficasse restrito à somente algumas amostras de cinema.

Um dos principais problemas da produção é o roteiro. Sim, apesar de ter sido reescrito por Katsuhiro Otomo com base na obra original de Tezuka, ele ficou sem sustento da metade pra frente. Isso prova que nenhum nome associado a uma determinada produção é sinônimo de que ela saia à altura da expectativa.

A história é bem simples, e apesar de lenta não faz ninguém dormir (como Ghost in The Shell XD). O problema é que a simplicidade inicial faz o espectador compreender bem o que está a acontecendo e vai se formando uma expectativa quanto ao desfecho da história, o que pode acabar sendo um balde de água fria na cabeça de quem está esperando por algo surpreendente: o longa acaba de uma forma sem graça, e várias pontas ficam soltas. Não desenvolveram alguns personagens (como Rock, eu queria saber porquê ele era tão capacho XD) e a relação de Kenichi e a andróide Tima fica bem forçada no final, dá a impressão que o roteirista jogou fora tudo que havia construído até aquele momento.

A trilha sonora também é uma faca de dois gumes: ou você ama ou odeia, pois é regada à jazz. Muita gente achou que ficou legal, outros dizem que não combinou com o estilo do anime, destoando-se do mesmo. Sinceramente, em alguns momentos a trilha realmente parece deslocada, forçada, não tendo o mesmo efeito ‘cool’ que o jazz exerceu em Cowboy Bebop por exemplo.

Outra coisa que muita gente chiou foi o character design dos personagens, que também destoa com o resto da animação. Apesar de não seguirem o visual feito por Tezuka no mangá original, tendo sido ‘modernizados’, foram feitos em cima dos traços do autor (Kenichi, o personagem principal, é ‘meio’ Astro Boy XD), afim de deixá-los com a cara das outras obras de Tezuka. A verdade é que ficaram bem distintos do resto do filme, o que a primeira vista pode soar meio infantil devido ao visual ‘fofo’ dos personagens.

A história
Metropolis é uma daquelas cidades que sempre vemos em produções futurísticas. Com tecnologia de ponta, ela é praticamente controlada por robôs que estão presentes em todas as atividades que outrora eram feitas por humanos. Por conta disso, os robôs são odiados por grande parte da população, que, sem empregos, passam a viver na miséria absoluta. A cidade tem como grande influência uma organização chamada Marduques, que aparentemente tem como missão acabar com robôs problemáticos e ajudar no desenvolvimento da cidade. Mas, na verdade, tal organização que tem como cabeça o Duque Reed (e seu narigão quilométrico) e seu braço direito Rock, está na verdade construindo uma arma chamada Zigurate (ou Torre de Babel, já que Zigurate era como os povos da Babilônia chamavam a Torre ) que tem como objetivo causar descontrole nos robôs. Só que tal arma é apresentada à população e aos governantes como um mecanismo de desenvolvimento para a cidade, já que os Marduques pretendem dar um golpe de estado e assumir o poder.

Durante a pré inauguração do tal Zigurate, chegam à Metroplois o detetive japonês Shunsaku Ban e seu sobrinho Kenichi. Os dois estão na cidade para descobrir o paradeiro do Dr. Laughton, um cientista louco (sempre tem que ter um!), que está sendo caçado no Japão por tráfico de orgãos. O que eles não sabem é que Laughton está trabalhando para o Duque Reed na construção de um andróide que será usada como uma espécie de ‘chave’ para o funcionamento do Zigurate.

Aí todo mundo sabe: Kenichi acaba encontrando o andróide, uma garota chamada Tima (construída à semelhança da filha falecida do Duque Reed), e os dois passam a ser perseguidos por Rock, que quer ‘matar’ a ‘garota’, já que tem ciúmes por ela ser tão importante para seu ‘pai’, o Duque. Um parêntese: falta explicação do porquê Rock é tão apegado ao Duque Reed, já que no filme fica claro que ele não é seu filho legítimo. Além disso o charachter design do personagem é o mais feio do longa. XD

O mais bacana é a ousadia da produção: no ‘clímax’ (ou o que era pra ser, já que o filme deixa a desejar no finalzinho), ao invés de uma música pauleira ou um j-rock que é o de costume, os produtores resolveram colocar a clássica canção “I Can’t Stop Love You” de Ray Charles. Muita gente gostou, outros surtaram ao ver o filme ser ‘estragado’ por algo tão… Ann… Estranho? Particularmente eu gostei, o final já estava muito ruim mesmo, pelo menos a música veio botar mais fubá no angú. XD

O mangá original
A versão em quadrinhos de Metropolis foi lançada no Japão em 15 de setembro de 1949 em formato de ‘comic book’ pela editora Ikuei Publishing, e republicada pelo menos mais 6 vezes, sendo a última em 2001 devido ao lançamento do filme. O mangá, além do visual dos personagens (alguns não lembram em nada os vistos no longa que usa o traço mais ‘moderno’ de Tezuka), traz uma série de diferenças em relação ao filme, dentre elas o fato do personagem Rock exisitir apenas no longa. O mais engraçado é que tal personagem é um dos mais importantes da história da versão animada. ^^

Um detalhe importante: muita gente acha que a obra de Tezuka é uma versão do filme preto e branco Metropolis, de 1926, dirigido pelo alemão Fritz Lang. Apesar dos filmes tratarem basicamente do mesmo assunto, no caso, a relação entre humanos e robôs e como tais afetarão nosso futuro, a obra de Tezuka não é uma versão mangá do filme. Mas falar que foi ‘coincidência’ também é forçar a barra. A verdade é que na época, Tezuka viu um pôster do longa de Lang com uma sinopse, e usou aquilo como referência pra fazer sua história.

No Brasil
O lançamento de Metropolis no Brasil não poderia ter sido mais porco. O longa chegou por aqui em dvd pela Columbia Tristar/Sony, e apesar de ter vindo em disco duplo, o lançamento fez apenas os mais exigentes se decepcionarem. Os motivos foram vários: apesar de dublado pela Cinevídio, o longa não teve a opção de aúdio em português, apenas legendas em nosso idioma. Não seria tão mal (apesar da falta de respeito, já que tinha dublagem pronta), se tais legendas não tivessem inúmeros ERROS de português. Isso ocorreu porquê, pra economizar custos, a Columbia lançou na América a nivel pan regional uma mesma versão, ou seja, o disco que saiu aqui foi o mesmo lançado nos EUA, Argentina, Mexico, etc. A tradução em nosso idioma foi feita por um gringo que acha que sabe falar português, e o resultado é um trabalho porco feito ‘nas coxas’ (lembram das legendas da Locomotion? XD).

Pra piorar a situação, o disco 2, de extras, não tem nem legendas em nosso idioma. Era melhor nem ter vindo tal ‘ disco extra’ (como se a gente não pagasse por ele XD).

Cerca de 1 ano após o lançamento em dvd, Metropolis passou a ser exibido pelo canal premium Cinemax (que faz parte do pacote HBO). Dessa vez as legendas foram corrigidas, pois foram feitas pelo próprio canal. Mesmo assim, a exibição passou meio batida devido à pouca quantidade de pessoas que tem acesso ao mesmo. Vez ou outra o anime ainda é exibido perdido na programação (geralmente em horários como manhã e madrugada..). Foi só no fim de 2006 que o filme finalmente pôde ser visto com sua dublagem em português, pelo canal pago Cartoon Network, que o estreou no bloco Toonami.

Finalizando…
Metropolis é obrigatório pra todo mundo que curte um bom anime. Se não gostar do roteiro, pelo menos a animação irá prender sua atenção. Afinal, não é sempre que aparece algo de uma qualidade tão surpreendente. Assista e veja por si mesmo.

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