Resenha: Black Bird Volume 1 – Editora Panini

Ganhador do 54º Shogakukan Awards é lançado pela Panini.

Black Bird de Kanoko Sakurakouji é uma das novidades do Panini Planet Mangá para os fãs de shoujo nesse ano de 2010. O título é publicado na revista Betsucomi (a mesma de Bijojuku e Sunadokei) da Editora Shogakukan e até o presente momento conta com 10 volumes, acumulando mais de 2 milhões de exemplares vendidos no Japão e sem previsão de terminar.

O mangá chegou às bancas brasileiras através da Editora Panini no mês de maio após de ganhar o 54º Shogakukan Award na categoria shoujo e ser lançado em vários países como Espanha (Ivrea), Itália (Star Comics), Alemanha (Editora Egmont), Taiwan (Tong Li) e Estados Unidos (Viz). No último dia 26 de março foi lançada uma light novel chamada Black Bird – Missing que foi escrita por Yui Tokiumi. Em janeiro de 2009 foi lançado um Drama CD que conta com as vozes de muitos seiyus famosos.

Black Bird conta a história de Misao Harada, jovem que desde criança é vítima das travessuras de youkais, as assombrações japonesas. Ela sempre conseguiu enxergar essas criaturas que ninguém mais via mas como quando era nova ninguém acreditava no que ela dizia, Misao parou de falar a respeito. Não que deixar de falar deles os tornassem mais dóceis, ao contrário, agora que Misao completou 16 anos eles estão cada vez mais agressivos e violentos em relação a ela.

As pequenas diabruras estão ficando cada vez mais violentas e ela passa a correr risco de morte. Um dia depois de um ataque ela volta para casa e vê que há alguém morando na casa vizinha à sua, de primeira  ela não o reconhece, mas aquele era seu vizinho Kyo, que foi o seu primeiro amor. No passado Kyo prometeu que iria buscá-la e que eles então se casariam, mas Misao não tinha certeza se aquele amiguinho de infância era real ou apenas criação da sua cabeça, mas ele está ali e voltou como havia prometido. Não apenas voltou como também pode ver os youkais e promete a Misao que vai cuidar dela, que ela sempre poderia contar com sua ajuda caso fosse atacada por youkais.

Durante seu aniversário de 16 anos um colega de escola que anteriormente a tinha pedido em namoro a ataca e lhe conta a verdade sobre a sua natureza: “Uma vez a cada 16 anos nasce um ser humano como ela. Se um youkai beber uma taça do sangue desse humano ele terá a vida prolongada, se um youkai se casar com ela a prosperidade abençoará o seu clã, mas se ela for devorada por um youkai então este youkai se tornará um imortal.”

Infelizmente o destino normal desses seres humanos é terminar devorado. Esse colega que está possuído por um youkai é detido por Kyo, que é na verdade um Tengu e é o líder do seu clã. Misao assiste à luta dos dois atônita, Kyo possui um por asas negras! Depois de derrotar esse youkai menor ele lambe o sangue de Misao para cicatrizar as feridas. Depois dessa batalha Misao tem duas opções, ou ela se torna a noiva de Kyo que pode protegê-la dessas ameaças ou então ela pode acabar como os outros humanos que possuíam a mesma habilidade que ela e morrer devorada por algum youkai.

É claro que nem tudo são flores e Misao não aceita a proposta de Kyo mesmo se sentindo atraida por ele, que diz que a ama, mas ela acredita que ele pode estar interessado apenas em tê-la como esposa para trazer prosperidade ao seu clã. Misao queria que tudo fosse apenas um pesadelo e conforme os capítulos vão passando aparecem novos personagens como o rival de Kyo, Shuhei Kuzunoha do clã das raposas, que chama a atenção pela sua beleza e cabelos prateados; Tarô, o jovem tengu que é servo de Kyo e cuida da casa entre outros.

O mangá se desenvolve muito bem e não fica só no dilema da Misao aceitar ou não a proposta de Kyo e a partir do volume 3 um acontecimento muda a direção da história que deixa de ser apenas mais um shoujo como qualquer outro.

Chamo a atenção dos leitores para as cenas de batalha: não chega a ser um shonen, mas é um belo atrativo para quem curte ação.

Os personagens são bem interessantes. Kyo não é o típico herói de shoujo mangá, já a  Misao se enquadra no estilo de mocinha típica, mas de qualquer forma ela não chega a ser uma idiota tapada. Os coadjuvantes também têm destaque. Tarô é um tengu de 6 anos de idade e é  desenhado em formato chibi, não tem como não gostar dele; Shuhei Kuzunoha é um antagonista bem interessante, é uma pena que ele não represente ameaça real como rival para o galã todo-poderoso Kyo.

O traço é competente nos primeiros volumes, mas dá para notar pelas capas das edições seguintes que as habilidades da mangaká  Kanoko Sakurakouji evoluiram bastante com o mangá. O traçolembra um pouco o de Sunadokei e o de Kare First Love, mas ainda é um pouco mais bonito. Chamo a atenção para o fato de que as flores são desenhadas com muita atenção, com as anteras, estiletes, estigmas etc. representados corretamente ao invés do borrão que a maioria dos desenhistas costuma fazer.

A edição da Panini está boa como sempre, nada de borrões ou quadros brancos, as onomatopéias originais estão todas lá com a tradução ao lado, nenhum erro de português à vista (realmente a revisão da Panini é a melhor do mercado apesar de deixar passar alguns errinhos de vez em quando).

A tradução ficou a cargo da Karen Kazumi Hayashida. Pra felicidade geral as placas de Enfermaria, Sala dos Professores etc estão todas traduzidas. Não há nada pior do que a preguiça de certas editoras em editar placas, pois as mesmas servem para que consigamos nos situar no cenário da trama. É horrível você quando está lendo um mangá e não sabe o que é o local onde os personagens estão.

Nenhuma gíria esquisita ou de gueto à vista. Os freetalks da autora estão presentes e são bem interessantes. O maior erro foi a ausência da sílaba fi nos freetalks do primeiro volume, ao invés de fim está escrito apenas m e o lugar onde deveria estar o fi está em branco. Provavelmente se trata de algum problema com a fonte que não deve ter sido reconhecida pela impressora ou algo do gênero, se repetindo em umas 4 ou 5 palavras mas não é nada que impossibilite o entendimento do mangá.

No final do mangá há um glossário que explica direitinho o que é um Tengu e outras criaturas lendárias citadas no texto. Vale muito a pena perder alguns segundos lendo. Ele ajuda a gente a compreender a história, principalmente quem não conhece a cultura japonesa profundamente.

O formato é aquele grandão de Bleach e Naruto (13,7 x 20) e ao contrário de Bijojuku e Otomental, combinou muito bem com a história, pois a mesma tem muitas lutas e é interessante o formato grandão. Teve também um espaço entre a impressão e o começo das ilustrações e nenhuma borda, fala ou parte da ilustração foram cortados.

O mangá também é do checklist de março (saiu em meados de maio) mas vale a pena aturar atrasos já que não há erros ortográficos, problemas com a edição ou gírias restritas a certos grupos. Infelizmente não há nenhuma ilustrações coloridas nas contra-capas, só uma pena em negativo.

Esse é um mangá recomendado aos fãs de Vampire Knight, mas não há uma arte rebuscada como no mesmo, só um roteiro bem legal e um “vampiro japonês” na figura do Tengu que bebe o sangue da sua amada Misao. Fica então a dica de um ótimo substituto para os orfãos inconsoláveis de VK que está em hiato.

Título – Black Bird Volume 1
Editora: Panini
Autora – Kanoko Sakurakouji
Gênero – Romance/Fantasia
Formato – 13,7 x 20cm, 208 Páginas
Duração – 10 Volumes (em andamento)
Preço – R$9,90
Periodicidade – Bimestral

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