Resenha: Orange – Vol.1 – Editora JBC

É possível salvar a pessoa que se ama?

Vários autores das mais diversas mídias gostam bastante de escrever sobre algo que envolva viagem no tempo, alteração do passado, enfim, coisas relacionadas à capacidade de deslocamento temporal de alguma forma. Cinema, livros, seriados, novelas, HQs falam desse tema e em mangás a situação não é diferente. Orange é um desses títulos e não perde a chance de inserir essa temática.

Orange é um mangá de Ichigo Takano. Na história conhecemos a jovem Naho Takamiya, uma estudante comum. Certo dia, ela se atrasa para a aula — algo que nunca aconteceu antes em sua vida — e se depara com uma carta em seu quarto. O porém desta é que foi enviada de 10 anos do futuro e ainda mais: foi enviada pela própria Naho.

A carta conta o que vai acontecer durante o dia inteiro, desde o ponto que ela vai se atrasar, passando pela chegada de um estudante transferido chamado Kakeru Naruse e o grupo de amigos do mangá o chamando para sair após a aula. Tudo que lá estava descrito aconteceu. Além de descrever o dia, a carta continha um pedido: salve o Kakeru.

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A temática do mangá é meio densa. Ele inicialmente aparenta ser mais um romance escolar comum com a inserção de alteração temporal. Logo no início da história sabemos que Kakeru está morto e uma série de ações podem alterar o passado para salvar o rapaz no futuro. Tudo isso acaba muito de repente nas mãos da Naho do passado.

Salvar alguém da morte? Como ela fará isso apenas fazendo uma coisinha diferente aqui e outra ali? Como Kakeru chegaria a morrer? E por que Naho e seus amigos teriam culpa nisso? Esses questionamentos fazem o leitor ir tentando descobrir o mistério que cerca toda aquela situação. Apesar de ter esse tema, Orange também fala bastante sobre amizade e, claro, tem foco no romance.

Orange passou por diversas complicações em questão de publicação durante sua trajetória. Quando o mangá chegou no capítulo 9 pela revista Bessatsu Margaret acabou entrando em um hiato e tendo sua publicação aparentemente cancelada. Em 2013, um novo título da autora (Re: Collection) apareceu na revista Gekkan Action, causando um rebuliço e talvez anunciando o fim definitivo de Orange. Em outubro do mesmo ano, o título anterior de Ichigo mostrou sinal de vida ao ganhar a aguardada confirmação de retorno, sendo publicado na mesma revista de Re: Collection. Até que finalmente Orange voltou a circular em abril de 2014, a partir do capítulo 10 até o fim da obra. Até então haviam dois volumes encadernados, que foram republicados em um novo formato pela editora Futabasha, responsável pela Gekkan Action. Essa edição é a temos aqui no Brasil.

A obra pouco a pouco está ganhando espaço fora além mangás. Fora o fato de estar sendo publicada aqui no Brasil, ela ganhará um live-action agora em dezembro e o quadrinho será publicado nos Estados Unidos em janeiro do ano que vem pela editora Seven Seas Entertainment.

Entre as publicações da Bessatsu Margaret (março de 2012 até novembro de 2012) e da Gekkan Action (abril de 2013 até agosto de 2015), Orange foi finalizando com 27 capítulos em 5 volumes. 22 desses capítulos são de Orange, contudo 5 deles são de uma obra à parte de Takano Ichigo, sendo uma espécie de recompensação aos leitores por causa da espera pela volta do mangá. O título se chama Haruiro Astronaut e está presente na edição nacional de Orange.

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A edição nacional

Orange foi mais um título entre vários anunciados pela JBC este ano e sua publicação começou agora em outubro. A edição brasileira veio em papel offset, formato 13,5cm x 20,5cm, custando R$14,90. As capas são foscas e com artes diferentes para frente e costas, igual no original. As capas internas não possuem nenhuma arte. A distribuição será nacional com publicação mensal.

No primeiro volume temos 4 capítulos de Orange, o primeiro capítulo de Haruiro Astronaut e ainda o posfácio da autora no qual ela mesma fala sobre os problemas de publicação de Orange sofreu ao seu decorrer.

O acabamento da edição está ótimo, a capa fosca dá um destaque a mais para o mangá. Infelizmente de novo ocorreu o problema da transparência em demasia, porém posso dizer que em Orange o problema está bem menor que nos últimos título lançados pela JBC, como Limit, Ultraman e Gangsta. Esperamos que a partir daí a qualidade do papel realmente comece a melhorar.

A revisão está sem problemas e a tradução está mantendo os nomes sem honoríficos (e sem diminutivos!). A editora manteve alguns dos diversos casos de balões que tem no mangá. Alguns tem traços na horizontal no fundo, outros cinzas, uns com alguns detalhes como estrelas e corações. Isso deixa um clima divertido para representar bem o início da história que é bem leve e feliz.

Conclusão

Apesar de ser um mangá que envolve a já demasiada temática do romance escolar, Orange se destaca por incluir um drama maior com a questão de alterar eventos do passado e a possibilidade de morte de um dos protagonistas. Isso acaba criando um clima de mistério na obra que prende o leitor para saber como vai se desenrolar o caso. A edição nacional está aceitável, apesar da transparência das páginas. Quase 15 reais talvez seja um preço considerado alto para o público, mas o papel sendo offset, de maior durabilidade, pode justificar.

História: 3,5/5

Edição Nacional: 3,5/5

Galeria de fotos da edição nacional

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