Crítica: Attack on Titan – Fim do Mundo

Parte final da adaptação live-action terá exibição única no Cinemark e maratona especial em Fortaleza.

Attack on Titan: Fim do Mundo (2015) é a sequência de Attack on Titan, também de 2015, que estreou nas telas de cinema brasileiras em abril de 2018, em sessões especiais nas redes Cinemark, UCI, Kinoplex e Cinesystem. Você pode ler a crítica do JBox aqui. A continuação já marcou presença em outras redes de cinema na semana passada e agora será exibida pelo Cinemark no próximo dia 22, como parte da Sessão Anime Night – embora não seja bem um anime, mas tudo bem.

O filme começa recapitulando os eventos de “Attack on Titan”, situando o espectador que porventura não assistiu à primeira parte: acompanhamos a história do protagonista Eren Yeager (Haruma Miura), sua irmã adotiva Mikasa Ackerman (Kiko Mizuhara) e o amigo de infância dos irmãos Armin Arlert (Kanata Hongô), a partir de um reaparecimento inesperado dos titãs após 100 anos de paz dentro dos grandes muros nos quais a humanidade está confinada. A história de “Fim do Mundo” avança a partir do final da Batalha do Distrito de Trost, que marca a primeira vitória humana contra os titãs e o primeiro grande plot twist da série no anime e mangá. As semelhanças, porém, acabam por aí.

Assim como seu antecessor, “Attack on Titan: Fim do Mundo” propõe uma trama alternativa que, infelizmente, não sustenta o longa, da mesma maneira que, apontamos anteriormente aqui, não sustentou no primeiro filme. O filme propõe mudanças fundamentais em relação ao enredo do mangá e anime, o que não seria um problema por si só se fossem mudanças que avançassem a história de maneira interessante e reproduzissem, ainda que minimamente, o suspense eletrizante das produções originais. Não foi o caso.

O filme se desenrola em 87 minutos com poucos momentos em que o drama humano consegue preparar o cenário para o real horror da ameaça dos titãs. Aliás, engana-se quem pensou que os efeitos especiais não estariam à altura dos gigantes devoradores de humanos: apesar de estar longe de padrões com os quais estamos acostumados nos grandes blockbusters de monstros ou super heróis, a caracterização das criaturas é satisfatória na maioria dos momentos.

Só bons efeitos, porém, não dariam conta de potencializar uma trama bastante fraca, especialmente com o agravante de uma péssima trilha sonora em muitas das cenas mais interessantes do longa: momentos que poderiam segurar o espectador no suspense são arruinados por uma trilha descaracterizada, que retira a seriedade do momento e dá ao longa um tom quase cômico, de filme trash.

A principal falha de “Attack on Titan: Fim do Mundo” é na construção de seus personagens, que, em outro contexto, poderiam ser a salvação de um filme desinteressante: de heróis a vilões, as caracterizações são rasas, não geram identificação e falham em representar as sensações humanas tão cruas com as quais nos deparamos nas produções. A perda mais triste de todas nesse sentido é em Mikasa, que é retratada no filme mais como uma criança de emoções confusas do que como a guerreira astuciosa e destemida que se tornou líder de seu batalhão. Além de uma atuação fraca, seu papel na trama é reduzido, aliado a sentimentalismos e com poucos momentos que refletem qualquer traço de personalidade. Uma das poucas personagens que consegue se mostrar cativante na maioria do longa é Hange (Satomi Ishihara). O arco potencial da personagem também é bastante desperdiçado, mas a motivação de Hange pelo conhecimento a respeito dos titãs e dos equipamentos de batalha ao seu redor se mostra entre as mais sinceras e compreensíveis na trama.

Com uma história pouco interessante e arcos de personagem majoritariamente fracos, “Attack on Titan: Fim do Mundo” não se sustenta enquanto longa. Mas os fãs, é claro, podem, e devem, tirar suas próprias conclusões. Para quem não está familiarizado com o universo, porém, a dica é pular os live actions e partir para o anime ou mangá para entrar em contato com o drama, suspense e horror que fizeram de Attack on Titan um dos animes mais populares dos últimos anos.

ONDE ASSISTIR

Attack on Titan: Fim do Mundo terá exibição única em salas do Cinemark no dia 22 de maio, os ingressos estão à venda via Ingresso.com. As cópias são no idioma original em japonês, com legendas em português.

Fãs de Fortaleza terão uma exibição especial para quem não assistiu à primeira parte. Os dois filmes serão exibidos em uma maratona no Cineteatro São Luiz, no dia 24 de maio.

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