Crítica | BraveStorm

Releitura cinematográfica de clássicos do tokusatsu é diversão garantida para os amantes do gênero e também de ficção-científica e viagem no tempo.

Títulos como Círculo de Fogo e Godzilla conquistaram um público que curte filmes com monstros gigantes, invasão alienígena, destruição e coisas do tipo. Se você curte essa adrenalina, então uma nova superprodução japonesa vai garantir mais uma diversão com esses elementos e mais um pouco de viagem no tempo. Além de apresentar antigos heróis para a nova geração.

BraveStorm é um filme tokusatsu onde o ponto de partida se dá num futuro distante, mais precisamente em 2050. Lá a humanidade está praticamente com os dias contados. A raça alienígena conhecida como Kilgis (o mesmo nome do planeta natal dos invasores) modificou o nosso oxigênio, ocupando assim um terrível gás tóxico causado pelo mecha Black Baron. Sem alternativa, os irmãos Kasuga constroem uma máquina do tempo e partem para o nosso tempo presente afim impedir a atuação dos Kilgis.

O time é liderado por Koji Kasuga (Shunsuke Daito) e seus irmãos Haruka (Chihiro Yamamoto) e Koichi Kasuga (curiosamente é o mesmo nome do ator e é seu único filme até o momento). Como primeira missão, eles vão ao encontro de Kenichiro Kurenai (Hisashi Yoshizawa) para lhe pedir que construa um robô gigante para lutar contra os Kilgis. Kenichiro tem um irmão mais novo, Ken Kurenai (Shu Watanabe), a quem lhe foi feito uma promessa muito importante no passado. Koji luta com o traje Silver que lhe dá superpoderes de combate. Enquanto o super robô Red Baron só pode ser controlado por Ken.

O super-robô é a esperança da humanidade (Foto: Divulgação/Albatross Japan)

Assim começa uma aventura que reconta e reúne dois heróis da Era Showa. Koji Kasuga é Silver Kamen. Seu nome civil é o mesmo do alter-ego de sua contraparte da série de 1971, que teve que lutar contra invasores do espaço que mataram seu pai devido à ambição em conquistar um super-foguete para fins malignos. Na trama original, Silver Kamen é um super ciborgue, enquanto o Koji Kasuga do filme é um humano do futuro que veste o traje de batalha em ocasião de batalha. Já Super Robot Red Baron teve um destino semelhante na série original de 1973. O mecha foi criado por Kenichiro Kurenai e o confiou ao seu irmão Ken Kurenai como o único piloto para lutar contra as forças do Dr. Devilar e seu exército chamado como Partido da Máscara de Ferro.

Ambas as séries são da antiga produtora Senkosha, a mesma de clássicos do tokusatsu como Gekko Kamen (a primeira série de super-herói da TV japonesa, de 1958) e Iron King (de 1972). A homenagem é do produtor Junya Okabe (de Godzilla vs. Biollante, Specter e Mega Batalha na Galáxia Ultra), que assume também o roteiro e a direção de BraveStorm. Okabe criou uma trama bem amarrada que vai revelando pontos importantes na medida e intercalando com boas doses de ação. Isso sem contar a corrida contra para impedir que a invasão dos Kilgis no presente cause um paradoxo no tempo. O momento mais aguardado certamente é a luta de Red Baron contra Black Baron que é muito bem feita e não deve nada para um Gipsy Avenger em ação contra algum kaiju.

Uma das criaturas medonhas da raça alienígena Kilgis (Foto: Divulgação/Albatross Japan)

Produzido pela Blast Inc, BraveStorm é um prato cheio para quem curte um bom filme de ficção-científica. A trama carrega referências a produções como X-Men, Círculo de Fogo e até mesmo O Exterminador do Futuro. Quem for muito esperto vai achar uma referência também à trilogia De Volta para o Futuro. E, é claro, às séries Silver Kamen e Super Robot Red Baron (este último em especial recria um momento importante que ocorre logo nos primeiros episódios).

Para quem está acostumado com as séries mais recente de tokusatsu, os destaques de elenco vão para Shu Watanabe (o Kamen Rider OOO da série-homônima de 2011) no papel de Ken Kurenai e Chihiro Yamamoto (a Laiha Toba de Ultraman Geed) como Haruka. Quem esperava ver a atriz em cenas de ação mais intensas pode se decepcionar um pouco com a rapidez, já que a graciosa Yamamoto, de apenas 22 aninhos, é conhecida por ser uma atleta profissional das artes marciais. Quanto à dublagem, está consideravelmente boa para um elenco formado por vozes desconhecidas pelo grande público (trabalho aparentemente feito em Miami). Tenta chegar perto da qualidade de uma dublagem paulista.

BraveStorm guarda uma surpresa para o clímax que só quem realmente manja de tokusatsu é quem vai reconhecer o “easter egg“. Mas isso você tem que descobrir assistindo ao filme que está em circuito durante esta última semana do Festival de Ação Japonês, promovido pela Sato Company. Essa é uma oportunidade de ouro para os fãs de tokusatsu prestigiarem o momento que pode abrir portas para um filão de filmes do gênero (e quem sabe uma sequência possível dessa aventura).


Serviço

| EXIBIÇÕES |
Espaço Itaú de Cinema: 22 de setembro – 17h30
Cine Roxy: 22 de setembro – 20h
Cinépolis: 26 de setembro – 19h30
Cineflix: 28 de setembro – 19h30

| FICHA TÉCNICA |
Produção: Blast Inc.
Elenco: Hisashi Yoshizawa, Shunsuke Daito, Chihiro Yamamoto, Shu Watanabe, Yuki Matsuzaki
Direção/roteiro/produção: Junya Okabe
Produtor executivo: Shuichi Okabe
Direção de fotografia: Yuki Noguchi
Distribuição: Sato Company
Classificação: 12 anos
Duração: 82 minutos

Sinopse oficial: O ano é 2050 e a humanidade foi extinta na Terra. Os últimos sobreviventes, cinco irmãos, planejam usar uma máquina do tempo e exterminar os alienígenas Killgis antes que eles invadam a Terra. Eles viajam para 2015 com um arquivo do robô dos Killgis, Black Baron, e seus acessórios: um aparelho para encontrar os aliens, trajes especiais de combate e poderes psíquicos. No presente, encontram um cientista que os ajuda a construir o robô Red Baron para salvar a humanidade.

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