Review | Ultraman R/B – O Filme: O Cristal da União

Os irmãos Rosso e Blu finalmente chegam ao Brasil num filme inédito da franquia Ultraman.

Mais um filme de Ultraman chegando ao Brasil com distribuição da Elite Filmes. Depois de Ultraman Geed – O Filme (de 2018), agora é a vez dos irmãos Rosso & Blu garantirem um espaço oficial por aqui. Ultraman R/B – O Filme: O Cristal da União (Ultraman R/B The Movie: Select! The Crystal of Bond, de 2019) estreou nesta quinta-feira (16) pelo site Cinema Virtual, uma plataforma ligada ao Looke, que exibe filmes inéditos nos cinemas brasileiros. Trata-se de mais um epílogo de primavera da franquia, que tem sido frequente nos últimos anos nos cinemas japoneses.

O último filme Ultra da era Heisei é uma sequência da série de TV protagonizada pelos irmãos Rosso & Blu, mas as referências funcionarão melhor se você tiver assistido aos 25 episódios. Alguns momentos da trama são mencionados. Esta aventura também traz de volta um antigo aliado. Mas antes que você pense que é mais um pretexto para juntar os heróis nas telonas, saiba que Ultraman R/B – O Filme, acrescenta novos personagens para a mitologia.

Ultraman ou Katsumi?

Os Irmãos Isami (Blu) e Katsumi Minato (Rosso) ao lado de Riku Asakura (Geed) | Divulgação/Tsuburaya

Um ano depois do final de Ultraman R/B (Ruebe; leia: Rūube), a paz volta a reinar na (fictícia) cidade de Ayaka. Este “episódio estendido” se passa pelo ponto de vista de Katsumi Minato, o irmão mais velho que atende pelo alter-ego de Ultraman Rosso (vermelho, em italiano). Ao saber que seu irmão Isami, o Ultraman Blu (azul, no mesmo idioma), vai estudar no exterior, ele começa a questionar sobre seu sonho para o futuro, que não está muito bem definido.

Na ocasião, Katsumi reencontra Toi, um amigo de longa data que tinha um sonho de se tornar um jogador de beisebol. Por sua vez, Toi abriu mão disso e se tornou uma pessoa amargurada e sem objetivos. Isso fez com que o herói refletisse mais ainda sobre seu futuro. O que o jovem não sabe é que Toi está sendo seduzido pelo poder das trevas. Um novo inimigo surge para confundir as mentes de suas vítimas.

Enquanto isso, a família Minato nota que Asahi, a irmã caçula adotiva, está se tornando uma garota popular na escola. Temendo que ela estivesse namorando, eles conhecem Riku Asakura, que por acaso estava neste mundo paralelo. De repente aparecem os kaijus Bemstar (de O Regresso de Ultraman) e Gan Q (de Ultraman Gaia) para interromper a paz dos cidadãos de Ayaka. Geed e os irmãos Rosso & Blu entram em ação para salvar um indivíduo que está aprisionado dentro de um dos monstros.

Por trás deste e de outros eventos que estavam por vir, estava a figura de Ultraman Tregear (leia: Tréguia; seu nome vem da junção das palavras gregas τρέλα (tréla; loucura) e  περιέργεια (periérgeia, curiosamente), um misterioso algoz que aproveita que Katsumi está em dúvidas para atormentá-lo sobre sua própria existência. Ser um Ultraman ou viver como um simples humano? Qual a real intenção do guerreiro das sombras?

 

Laços de família

Ultraman Tregear enfrenta Geed na forma Ultimate Final | Divulgação/Cinema Virtual

Ultraman R/B – O Filme: O Cristal da União não é tão intenso quanto o filme anterior. Não que isso seja necessariamente ruim, veja bem. É que a série de TV tinha mesmo uma pegada um tanto mais infantil que Orb e Geed. Vale mencionar que R/B foi a terceira e última série consecutiva que fugiu do ambiente de equipes anti-monstros. Tudo era bem familiar e o laço entre os irmãos Katsumi era um dos principais focos.

Em compensação, o longa mostra como o irmão mais velho teve que enfrentar uma espiral de incertezas e, ainda assim, tentar ajudar seu melhor amigo. Sonho é a palavra-chave da aventura e reforça o papel de transmitir valores para a criançada que foi ao cinema ver os heróis gigantes do momento.

Como disse na introdução desta resenha, Ultraman R/B – O Filme é importante para a franquia, pois apresentou novos personagens. A começar por Ultraman Tregear, que deverá ser uma espécie de “Belial 2.0”. Após o filme, o vilão se tornou antagonista da série Ultraman Taiga, que esteve em exibição nas manhãs de sábado da TV Tokyo entre julho e dezembro de 2019.

A garota Asahi se destaca ao se transformar na simpática Ultrawoman Grigio (leia: “Gríjô”; cinza em italiano). Uma digna evolução para a personagem da idol Arisa Sonohara (a integrante vermelha do extinto grupo Otome Shinto), pois provou que não era indefesa e se tornou uma super-heroína com potencial. Grigio possibilitou uma fusão com Rosso e Blu para formar um novo herói – Ultraman Groob (ou Gruebe, pronuncia-se “Grúb”).

Quatro heróis são melhores do que três! | Divulgação

Assim, os laços de luz entre os Irmãos Minato são renovados e representados na canção Hikari no Kizuna, tema principal do filme que reuniu os cantores Takeshi Tsuruno e DAIGO. O primeiro viveu como Shin Asuka, o hospedeiro de Ultraman Dyna, herói-título da série de 1997. Já o segundo foi Nozomu Taiga, o hospedeiro de Zero no filme Ultraman Saga (de 2012; lançado no Brasil em 2014 pela Focus Filmes), que vive no mesmo universo de Dyna.

Ultraman R/B – O Filme reforça os laços familiares e a superação e não deixa de enaltecer a luz, que se tornou um dos principais elementos da franquia nas últimas duas décadas e meia. Rosso & Blu formam uma dupla marcante que deixa saudades para quem acompanhava a série. Fechou a era Heisei de maneira simples e sem perder a essência.

 

Fora de contexto

Sempre quando acontece um lançamento de tokusatsu (que é praticamente raro no mercado brasileiro), devemos comemorar. E é louvável quando temos mais filmes de Ultraman depois de alguns anos de hiato. Mas quando os erros acontecem, eles devem ser apontados e analisados.

Bem como aconteceu no filme do Geed (erroneamente chamado de “Guid”, nome que não faz o menor sentido para a origem do herói), aconteceu o mesmo no filme de Ultraman R/B. E não foi só um errinho qualquer, não. Foram vários erros de pronúncia e adaptações bizarras. Para quem é um espectador não assíduo da franquia, tanto faz seis quanto meia dúzia. Mas não é bem assim que funciona, principalmente na “era da informação”. Cá entre nós, o filme é destinado para um público fiel, que acompanha há longa data e que conhece muito bem como a Tsburaya costuma trabalhar com a franquia.

Ultraman Groob ou “Cruébi”? | Divulgação/Cinema Virtual

Para início de conversa, a sigla R/B vem da palavra Ruebe. Como era temido, a sigla foi aportuguesada como “erribê” sem mais nem menos, ignorando totalmente sua originalidade. Em algumas cenas o termo original é usado na dublagem, mas bem pouco, infelizmente. A mesma falta de cuidado com o material ocorreu com os nomes de outros personagens. O vilão Ultraman Tregear foi rebatizado como “Tréguer”, Ultrawoman Grigio virou “Grídjio” (com a adição de mais um “i”) e Ultraman Groob foi chamado (pasmem!) de “Cruébi”. Ou seja, são pronúncias que fogem dos termos oficialmente romanizados. Fazendo justiça: a versão brasileira acertou na pronúncia do nome de Ultraman Ginga.

Os personagens civis também sofreram com problemas de pronúncia e a mais prejudicada foi a Asahi (em oxítona no original), que teve seu nome dito na paroxítona e às vezes trocava-se o som de “s” pelo som de “z”. O termo mecha (lê-se:” méka”) foi lido como “mecha” com som de “x” e por aí vai. Outro detalhe sentido foi a falta de efeitos nas vozes quando as cenas exigiam, principalmente nas transformações e nos diálogos entre heróis e vilões.

Quanto às vozes e suas respectivas interpretações, estão esquisitas e não casam bem com os personagens. É o caso de Tregear, por exemplo, que teve uma voz jovem demais e um tanto benevolente para um vilão das trevas.

Como eu disse acima, um filme de Ultraman é sempre bem vindo em nosso país. Mas a franquia deveria ser melhor cuidada/trabalhada e tivemos cada detalhe acurado em lançamentos num passado não muito distante. Tais erros e alguns outros, que não foram mencionados nesta resenha, poderiam ser evitados.


Ultraman R/B – O Filme: O Cristal da União está em cartaz pelo Cinema Virtual. O ingresso, que vale para assistir ao filme dublado ou legendado de forma online, custa R$ 24,90. O espectador pode assisti-lo na plataforma por até 72 horas.

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