Parte da capa do mangá adaptando 'Incidentes na Vida de uma Menina Escrava'.

Livro ‘Incidentes na Vida de uma Menina Escrava’ ganha adaptação em mangá

Obra original é um relato autobiográfico que denuncia a escravidão nos EUA no século 19.

O relato autobiográfico de Harriet Ann Jacobs, uma mulher negra que viveu os horrores da escravidão nos EUA, ganhou recentemente uma adaptação em quadrinhos no Japão.

A obra, que no Brasil é conhecida como Incidentes na Vida de uma Menina Negra (adaptação mais recente da editora Todavia para Incidents in the Life of a Slave Girl), virou mangá pelas mãos de Mariko Arai, sendo publicada em capítulos virtuais desde o mês de maio pelo Web Comic Action. Neste mês de agosto, o primeiro volume encadernado foi lançado no Japão.

O livro original foi publicado em 1861, trazendo a realidade de Harriet sob o pseudônimo de Linda Brent. Nascida na escravidão da Carolina do Norte, ela vivenciou especialmente a luta das mulheres escravas e todo tipo de abuso sofrido por elas, como o impedimento da maternidade na venda de seus filhos. Harriet conseguiu registrar a sua vida após fugir para Nova Iorque, onde trabalhou na casa do escritor Nathaniel Parker Willis.

Durante muito tempo, o livro foi considerado um romance fictício, uma “propaganda” de uma abolicionista branca, até ter sua veracidade comprovada nos anos 1980 pelo pesquisador Jean Fagan Yellin (as primeiras republicações aconteceram somente nos anos 1960).

Capa do volume 1 do mangá 'Incidentes na Vida de uma Menina Escrava'.
Capa do 1º volume do mangá | Reprodução/Shinchosha

A versão em mangá pega como base a tradução japonesa da obra, que saiu em 2017 pela Shinchosha (a mesma editora que publicou Túmulo dos Vagalumes). Para dar um contexto melhor ao leitor, já no começo é mostrado o cenário da segunda metade do século 20, da importante pesquisa feita por Jean para mostrar que a obra era real.

Enquanto não há expectativa do mangá chegar por aqui, a edição do livro pela Todavia ainda pode ser encontrada nas lojas. A escritora brasileira Jarid Arraes assina o posfácio, onde comenta: “O fim da escravidão não foi o fim do racismo. Não foi o fim da pobreza, […] da exclusão, do pensamento supremacista. […] E, para os que se desconfortam nas cadeiras pensando ‘quantas vezes ainda temos que falar sobre isso’, minha resposta é: todas elas”.


Fonte: Comic Natalie via ANN

 

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