Coluna do Daileon#114 | Kamen Rider Saber aposta em fantasia para celebrar os cinquenta anos da franquia

Fugindo de temáticas mais sérias como ‘Kuuga’ e ‘Zero-One’, a nova série Kamen Rider explora o imaginário com antigos e novos elementos .

Talvez você tenha estranhado a premissa de Kamen Rider Saber antes mesmo de ter estreado. No ar pela TV Asahi desde o último dia 6 de setembro, a impressão que ficou desde os primeiros anúncios era de que seria bem “mais infantil” e menos séria que Kamen Rider Zero-One. E é isso mesmo. Pode ser que a nova série não cative tanto o público que curte uma pegada mais sombria como Black, Kuuga, Ryuki, 555 (Faiz) e Gaim (que até faz muita falta hoje em dia). Mas é bem divertida e tenta não ser chata, a princípio.

A história teve uma boa introdução. A narrativa conta que o mundo foi criado por um poder contido em um livro cheio de fábulas, aventuras e conectado com a história da humanidade. O tal livro lendário era protegido por guerreiros da organização secreta Sword of Logos (assim mesmo em inglês), escolhidos pelas espadas sagradas. Um dia, um grupo de vilões chamado Megiddo resolveu se apossar do livro e várias páginas foram espalhadas, formando os Wonder Ride Books (também em inglês). Tal fato se tornou um estopim de uma guerra entre as duas tribos – e que ainda não acabou.

A história gira em torno do jovem escritor Touma Kiriyama, que misteriosamente tem visões de algum momento de sua infância em que tentava salvar uma garota ao ser engolida por um vórtex. Seu braço direito é a sua editora, Mei Sudo, que vive cobrando prazos de suas publicações e se destaca por sua expressividade. (É possível que a tal garota do passado seja Mei, mas vamos aguardar o desenrolar.)

A primeira transformação de Touma em Kamen Rider | Reprodução

Por outro lado, Rintaro Shindo, um dos membros da Sword of Logos, investiga as ações de Megiddo, que estão tentando reescrever a história através de um misterioso livro capaz de criar catástrofes no mundo real, além dos monstros Mamono. Ou seja, criar um novo mundo através da destruição. Ao enfrentar Golem Megiddo, Touma, que possui um Wonder Ride Book chamado de Brave Dragon, foi escolhido por uma seiken (espada sagrada) que se converte num cinto Seiken Swordriver (com a voz do cantor Eizo Sakamoto), que lhe concede o poder de transformação em Kamen Rider Saber.

Ao ver a bravura de Touma, Rintaro, que mais tarde se apresenta como Kamen Rider Blades, o leva para uma base situada no Polo Norte, onde Sophia, a guardiã de Sword of Logos, o espera para lhe orientar sobre a longa batalha contra Megiddo que vem pela frente.

O roteirista principal de Kamen Rider Saber é Takuro Fukuda, que escreveu para Kamen Rider Ghost. A série de 2015 foi muito chata e, por sinal, o caminho não deve se repetir na nova série. Saber procura ser carismático e mostra um herói que transmite confiança para as crianças. Isso compensa, de alguma maneira, o jeitão de Aruto Hiden/Zero-One, que ficava gritando todo o tempo (apesar da gente torcer pelo herói).

Asuka Kawazu (20) em sua primeira imagem oficial como Mei Sudo | Divulgação

Outra personagem que pode causar estranheza no início é Mei Sudo, que é bastante expressiva e já mostrou inúmeras caretas nos primeiros dois episódios. Ela lembra um pouco a Akiko Narumi de Kamen Rider W (Double), que era o alívio cômico que gritava bastante no ouvido do detetive Shotaro Hidari. Mas a nova personagem é mais agradável. Com apenas 20 aninhos, Asuka Kawazu é talentosa, por sinal, e já passou por filmes e principalmente séries de drama.

Saber traz algumas novidades, como a volta de inserções de eyecatches (as vinhetas de intervalo) e tema de encerramento. Sim, agora tem dancinha em Kamen Rider. Só que nesse caso a dança parece ser mais profissional e não tem aqueles movimentos caricatos conhecidos das séries Super Sentai. Aliás, o encerramento (que leva o nome da série) tem toda uma batida que poderia ser encaixada fácil fácil como abertura.

O principal pano de fundo da série são as referências aos grandes clássicos da literatura e dos contos de fadas. E elas se fazem bem presentes nos dispositivos Wonder Ride Books. Por exemplo, o livro Peter Fantasista que é claramente uma homenagem ao Peter Pan. Estes livros também são responsáveis pelas mudanças de formas alternativas dos Riders. As lutas também possuem cenário feito por chroma key e já teve até monstro que se agigantou. Já tem também uma referência ao Aladdin pronta para o episódio deste domingo (20).

Kamen Rider Blades, o espadachim das águas | Divulgação

Além disso, o primeiro episódio de Saber faz uma referência aos episódios de estreia de Kuuga e Gaim, ao mostrar uma criança que foi separada dos pais e o herói ajuda a encontrá-los. A diferença é que a criança já conhecia Touma, já que ele é amigo dos pequenos fãs de seus livros. É possível ver também em uma das cenas um livro chamado O Bruxo da Floresta, que foi lido por Shunpei Nara/Kamen Rider Mage em Kamen Rider Wizard. Será que teremos também algo parecido com um Saci Pererê, uma Caipora ou uma Mula Sem Cabeça da vida? Seria bem legal.

Kamen Rider Saber foge dos padrões e procura explorar o imaginário. Um jogada de marketing que, se for bem elaborada (e fugir de excessos de infantilidade), pode ajudar a impulsionar as comemorações dos 50 anos da série original em abril de 2021. Pode não parecer ser uma das melhores séries até o momento, mas promete atrair a garotada usando elementos da literatura infantil. A venda de brinquedos é praticamente certa.


O texto presente nesta coluna é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.

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