Cena de Blade Runner Black Lotus

Crítica | Blade Runner: Black Lotus – Episódios #01 e #02

Série mostra que replicantes ainda vivem, mesmo que por aparelhos.

Androides sonham com ovelhas elétricas? Eu sei, uma pergunta meio estranha de se começar, mas que o autor Phillip K. Dick (1928-1982) fez em 1968 quando lançou o livro homônimo. Talvez você não tenha ouvido falar do livro, mas é quase certo de que já ouviu falar de sua adaptação cinematográfica Blade Runner – O Caçador de Androides.  Logo em sua estreia, o filme estrelado por Harrison Ford não foi bem recebido pela crítica, nem pelo público, gerando em sua maioria críticas mistas.

Mas o tempo passou e provou que o filme é mais que um clássico. Com o sucesso tardio, novas empreitadas na franquia surgiram: uma continuação nas telonas, curtas animados e, agora, Blade Runner: Black Lotus, a série em animê de Blade Runner.

A animação japonesa tem tudo o que é preciso para entregar uma obra à altura das outras já apresentadas pela franquia. Mais tempo de tela, enredos, personagens e locais ainda não explorados, além de uma equipe nova por trás do projeto. E ela quase consegue isso.

Reprodução: Crunchyroll

Black Lotus não é a primeira produção japonesa de Blade Runner, mas — ao contrário de sua predecessora — ela tem todo um campo aberto à frente, não estando ligada diretamente aos filmes. A história acompanha Elle, uma jovem sem lembranças que precisa descobrir mais sobre seu passado. Munida apenas de flashes de memórias e um aparelho que contém dados que podem ajudá-la, ela se vê envolta com gangues e pessoas que não são o que parecem.

Com um enredo clichê, a série tem como trunfo toda a ambientação já conhecida, bem como um bom potencial a ser explorado no decorrer dos 13 episódios. Além disso, temos a apresentação de novos personagens que podem ampliar para histórias paralelas mais interessantes. Alguns deles mostram certo carisma, como o caso de Doc, o vendedor que ajuda Elle e a policial que aparece mais na frente da história. Porém, este mesmo carisma é inexistente na protagonista que, mesmo com todas as adversidades, é incapaz de suscitar a empatia ou qualquer sentimento do espectador.

Reprodução: Crunchyroll

Infelizmente, o estilo de animação escolhido foi em computação gráfica. Sabemos que o Japão é capaz de produzir animações excelentes usando este método, mas há séries em que isso não acontece. Black Lotus mostra uma das piores animações no estilo já feitas em terras nipônicas. A sensação constante é a de assistir cenas de um jogo da geração retrasada.

Como dito anteriormente, esta não é a primeira vez que a série se aventura no mundo dos animês. Em 2017, foi lançado o curta Black Out 2022 (que está logo aí, cuidado!), e que segue um estilo de animação mais tradicional. Claro que nem tudo é ruim na animação: a ambientação nos remete a todo o clima que Ridley Scott nos apresentou em 1982. De gigantes outdoors, passando por becos e vielas, e chegando na interminável chuva – tudo está lá. Fica claro o cuidado da equipe de produção em transpor o universo para animação 3D.

Entretanto Black Lotus passa longe de ser uma boa pedida para os amantes da franquia. Para quem desconhece, a série não deve ter tanto apelo — mas torço que ao menos sirva como porta de entrada. Não há muito o que esperar da série, além de que a gente passe longe do futuro que nos é apresentado.


Blade Runner: Black Lotus é uma coprodução original da Crunchyroll e do Adult Swim, com estreia marcada para o dia 13 de novembro na Crunchyroll. A empresa convidou o JBox para assistir a um screener para a realização desta resenha.


O texto presente é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.

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