Imagem: Cena do game Scarlet Nexus

Crítica | Scarlet Nexus: Um gameplay excelente preso em uma história fraca

Jogo tenta surpreender no início de seu enredo, mas tudo perde a força muito rápido. Felizmente, a ação frenética o ajuda a se destacar entre os lançamentos de 2021.

Além de Tales of Arise, outra grande promessa da Bandai Namco para 2021 com certeza foi Scarlet Nexus, jogo de ação que, inclusive, conta com antigos membros da equipe da própria série Tales of. Particularmente estava bem empolgado por ele desde que vi que seguiria algo semelhante ao que acontece em Astral Chain. De certa forma estava certo em esperar algo assim, mas por apenas um aspecto: o gameplay.

Lançado em junho, Scarlet Nexus é um RPG de ação que trouxe uma equipe que prometia, como já citado. No entanto, não se sabia muito o que esperar da história, que acabou sendo… bem fraca. Scarlet Nexus tem um início muito bom, com acontecimentos que realmente empolgam, mas não demora muito para se perder em seu próprio roteiro.

O jogo propõe um sistema de divisão de histórias, onde você escolhe entre os protagonista Yuito e Kasane para começar. Após a escolha, você não poderá trocar entre eles, apenas se começar um novo jogo com o outro personagem para jogar com ambos “ao mesmo tempo” ou, após terminar com, começar com o outro. Essa última opção é até melhor já que é possível usar a função de “New Game+” para ter mais facilidades

Acompanhar a história por dois pontos de vista foi uma proposta interessante até mais ou menos metade do jogo, porém fica cansativo e também muito repetitivo. Claro, o ideal talvez não seja jogar com um personagem atrás do outro como foi meu caso, — já que os personagens até mesmo tentam tirar um momento para inteirar o outro grupo do que rolou com eles — mas mesmo assim dá para sentir que o problema não tá exatamente só aí.

Yuito e Kasane são novatos que acabaram de entrar na Força de Supressão de Criaturas, um aparelho militar do governo dedicado a exterminar monstros, além de realizar pesquisas com eles. Toda a história gira ao redor dessa organização e como ela impacta na sociedade (além dos mistérios que a envolvem).

 

Reprodução/Bandai Namco

 

Apesar de tentarem criar algo importante em volta da organização, acaba tudo ficando perdido. Em certo ponto, mesmo nem existindo sentido em alguns personagens manterem a relação com ela, eles continuam como se nada tivesse acontecido. É um tanto difícil de lidar.

Tanto Yuito quanto Kasane possuem ligações além do que eles imaginam com a FSC, algo que acaba sendo mais claro na história de Yuito, considerando que ele é um membro da família Sumeragi, que governa toda Nova Himuka, um Japão futurista onde todo mundo tem poderes.

A história também logo de cara mostra que mexe com viagem no tempo, além de algumas situações um tanto complexas entre quem são os monstros chamados apenas de Criaturas, que estão há vários e vários anos aterrorizando a humanidade. Não se sabe exatamente como elas surgiram, contudo tudo vai sendo revelado pouco a pouco (um pouco mais rápido ou não dependendo de qual história você está acompanhando).

A existência da viagem no tempo acaba sendo um grande empecilho na compreensão de algumas coisas em sua totalidade, já que tanto esse recurso do roteiro quanto outras coisas que acontecem posteriormente em Scarlet Nexus ficam dispersas entre o que Yuito e Kasane acompanham.

Essa dispersão não seria tão problemática se eles conseguissem entregar melhor as informações de um protagonista pro outro. Apesar de serem coisas extremamente importantes para o entendimento geral do enredo, aspectos da história chegam a Yuito ou Kasane em curtas linhas de diálogo que, além de não terem impacto algum, falham em resumir o quão essenciais algumas questões são para o que está acontecendo com os dois e seus grupos.

 

Reprodução/Bandai Namco

 

Enfim… talvez já tenha ficado claro que o ideal não é jogar Scarlet Nexus por sua história. Ainda bem que um jogo tá longe de ser formado apenas por isso.

Como falado bem no início do texto (e no próprio título), algo que se destaca em Scarlet Nexus é o seu gameplay. O jogo te dá muitas opções de como lutar, sempre crescendo com o andar da carruagem. É um jogo de ação completo: você tem uma árvore de habilidades que aumenta suas opções, uma jogabilidade que permite combos serem feitos de diversas formas, personagens distintos entre si, além de poder colaborar com companheiros de equipe durante as batalhas para expandir ainda mais as opções.

Os companheiros de equipe são uma parte essencial de Scarlet Nexus. Além de, claro, serem peças importantes para a história, eles também dão diferentes opções de suporte para Yuito e Kasane. Apesar de começar usando o poder de apenas um companheiro por vez, até o final do jogo é possível fazer combos usando habilidades de até quatro personagens de uma só vez, algo que cresce através do sistema de relações do game.

O sistema de relações, que tem foco em pequenos episódios que mostra situações cotidianas em Nova Himuka, além de permitir também que os jogadores deem presentes, faz com que o potencial de seu personagem cresça, liberando novas habilidades que podem ser usadas tanto pelos protagonistas quanto pelos próprios companheiros, que o jogador tem a opção de controlar indiretamente.

Porém, mesmo sem o uso do companheiros, é possível fazer um estrago apenas com Yuito ou Kasane, usando habilidades como o Campo Cerebral que expande muito o ataque, além de também o Foco Cerebral, que melhora as habilidades com mais segurança. Apesar de não ser considerado o ideal a se adotar, é uma possibilidade de como jogar, ainda mais quando o game pede alguns objetivos específicos em suas sidequests… mas talvez não seja uma boa tocar nesse assunto, já que essas missões são péssimas. Eu particularmente sou uma pessoa que gosta de sidequests, mas as de Scarlet Nexus são insuportáveis, intankáveis”, chame do que quiser. De longe a pior parte do jogo.

 

Reprodução/Bandai Namco

 

Voltando ao gameplay principal, a exploração também é bem feita, apesar de estar longe de ser o foco. Revisitar lugares podem trazer coisas novas dependendo de sua equipe no momento, já que os variados poderes cerebrais dos personagens podem liberar acesso a locais distintos. Revisitar lugares fora da história principal normalmente não tem muito motivo além de fazer sidequests, mas é legal para quem gosta de itens cosméticos que podem ser criados na loja do game (e eles são muitos!).

Entre outros aspectos, a identidade visual de Scarlet Nexus é excelente. A arquitetura presente com a mescla com os elementos futuristas tornam os locais, principalmente as cidades principais, muito agradáveis de se observar calmamente. O design de monstros também é outro ponto altíssimo. Apesar de não terem o foco de causar exatamente o terror, eles proporcionam o incômodo necessário, ainda mais se pensarmos em ligações com o próprio roteiro.

A trilha sonora não foi tanto do meu gosto, mas algumas músicas em específico se destacam bastante. Considerando que essas com mais destaque são as que tocam durante batalhas contra chefes, tornam tudo bem mais empolgante.

 

Reprodução/Bandai Namco

 

Scarlet Nexus conta com pontos bons. As lutas são em grande parte empolgantes, principalmente as batalhas contra chefes. É um jogo que dá prazer em explorar suas possibilidades de combate e, como é bem simples de entender, mesmo jogadores mais casuais podem mergulhar nas opções. A história não chega a ser exatamente frustrante, só é muito fraca.

Talvez os episódios de relação possam agradar pelo menos quem curtir os personagens, mas, se você se importar só com aspectos de roteiro, jogar quase 40 horas pra acompanhar personagens que nem chegam a ser exatamente desenvolvidos no enredo principal não vale a pena; tem o animê aí pra isso. Às vezes não dá pra se sair bem em tudo.


Scarlet Nexus já está disponível para PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series, Xbox One e PC. O JBox recebeu gratuitamente uma cópia para PlayStation 4 pela assessoria de imprensa da Bandai Namco para produção desta resenha.


O texto presente nesta resenha é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.

 

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