Imagem: Asuna segurando espada, com torre de Aincrad ao fundo, em filme de SAO: Progressive.

Crítica | Sword Art Online Progressive: Ária de Uma Noite Sem Estrelas | 1º Filme

1º filme de ‘Sword Art Online Progressive’ é uma boa porta de entrada para a franquia, mas nada muito além disso.

Nesta semana, mais precisamente no dia 10 de março, chega aos cinemas brasileiros, em cópias dubladas e legendadas, o filme Sword Art Online -Progressive-: Ária de Uma Noite Sem Estrelas (Hoshinaki Yoru no Aria), o primeiro da série Progressive de Sword Art Online, no que parece ser uma cinematografia da saga (já foi confirmado um segundo longa).

Progressive é como um reboot da história, se passando durante o primeiro arco (Aincrad), mas com uma narração mais detalhada e maior foco na personagem Asuna Yuuki. Por recontar os eventos iniciais, o filme pode ser visto por qualquer pessoa, independentemente de seu conhecimento prévio sobre SAO.

A única coisa que um hipotético espectador alheio a qualquer coisa da franquia não saberia ao assistir ao longa é que o protagonista de Sword Art Online é originalmente o Kirito, porque a Asuna é indiscutivelmente a protagonista nessa produção.

Imagem: Asuna em Shibuya aparentemente.
Reprodução: Sony/Funimation/Aniplex.

A animação do A-1 Pictures traz novidades em relação à novel, e inventa uma personagem, Misumi Tozawa, que divide a telona com Asuna por boa parte do longa. Misumi é uma gamer de primeira, e quem apresenta o jogo Sword Art Online à nossa protagonista (e por consequência, também quem acidentalmente a coloca no problemão por vir).

O longa faz um trabalho para nos familiarizarmos com as duas antes de partir para a história isekai já conhecida. Então vemos Asuna em sua vida escolar cotidiana de filha de CEO de empresa de tecnologia e o peso que, principalmente sua mãe, coloca em sua performance acadêmica.

Imagem: Misumi e Asuna jogando no celular no telhado da escola (não estão jogando SAO).
A geração de hoje….. | Reprodução: Sony/Funimation/Aniplex.

Procurando um pouco de respiro, ela acaba logando no Sword Art Online bem no dia do lançamento do game (antes ele estava em fase beta). Sua amiga lhe apresenta esse mundo virtual, mas quando a garota vai deslogar, as duas descobrem que não tem como.

É aí que ficamos sabendo que o jogo foi desenvolvido por algum maluco channer sem vida social que quer ter o controle total de um mundo criado por ele mesmo (o complexo de The Sims…), então é impossível deslogar do game, ou mesmo do aparelho que conecta a ele (o NerveGear) sem sofrer danos cerebrais e morrer.

Presos em cárcere público virtual com skin medieval num cenário onde aparentemente a empresa responsável pelo jogo é incapaz de acionar um time eficiente de TI para desfazer essa tragédia com mais de mil mortos, os jogadores precisam limpar todos os 100 andares do game para zerá-lo e, assim, sair vivos.

Ao invés de focar em nos mostrar os personagens em infinitas dungeons chatas e tediosas, como faz Tower of God, o longa prefere aprofundar o crescimento de Asuna ao lado de sua amiga Misumi, ou Mito – o nome que ela usa online –, focando no relacionamento das duas, uma escolha acertada para desenvolver as personagens (e é fácil comprar o ship, só digo isso).

Imagem: Misumi e Asuna lutando.
Reprodução: Sony/Funimation/Aniplex.

Temos duas batalhas de maior importância: uma é a responsável por fazer a protagonista aceitar melhor sua nova realidade, ficar menos passiva (“acordar para o jogo”, como pedem os fãs de BBB 2022), precisar mais ainda de uma terapia e tudo isso que esperamos de um animê de aventura e lutinha – mas apesar de sua importância narrativa, a luta em si é pouco criativa e sinceramente enrolada; a outra é o clímax da história (ou desse pedaço dela), e rende momentos melhores (tudo ao som de uma inconfundível e sempre impecável Yuki Kajiura).

Dentro desse cenário, o filme é competente no que se propõe, mas não passa muito disso. A história é montada de modo que o clímax conversa com as primeiras cenas, outra escolha que particularmente me agrada.

A animação é consistente e bonita, e a experiência dublada permite aproveitar um pouco melhor as cenas, mas quem escolher ver legendado pode aproveitar tranquilamente o filme e o trabalho da Tomatsu Haruka na voz da protagonista.

Contudo, a decisão da Asuna nos momentos finais soa um pouco esquisita: com um enfoque tão grande nas duas garotas, poderíamos dizer que é um filme sobre a jornada delas, e assim a escolha parece mal desenvolvida. Talvez um pouco mais de aprofundamento com o Kirito fizesse parecer menos vazio, menos “pelo roteiro”.

Imagem: Mito com cara envergonha.
Reprodução: Sony/Funimation/Aniplex.

A ponta final, dando a liga para o próximo filme, também é fraca. Dá a impressão que funcionaria melhor se não se preocupassem em criar gancho para uma continuação, embora isso não seria possível se a intenção é fazer a cinematografia de Progressive (não chegaram nem a adaptar o primeiro volume inteiro).

Por causa desse gancho fraco, não fica muita ansiedade pelo que vem por aí, a sensação é mais de “acabou?” – poderiam ter trabalhado melhor esse fechamento pois parece um final de episódio de meio de temporada. Mas, se vai seguir a tradição de SAO de colocar a Kajiura compondo a trilha sonora, eu até topo.


O screener de Sword Art Online Progressive: Ária de Uma Noite Sem Estrelas foi enviado antecipadamente ao site JBox pela Funimation como promoção à imprensa. O filme estreia nos cinemas no dia 10 de março em versões dublada e legendada.


O texto presente nessa resenha é de responsabilidade de seu autor e não reflete necessariamente a opinião do site JBox.

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