Imagem: Mulheres soviéticas de uniforme militar.

Mangá sobre mulheres soviéticas na 2ª Guerra atrai leitores japoneses

Obra com 3 volumes teve suas vendas impulsionadas neste ano em meio à guerra entre Rússia e Ucrânia.

Em 2020, a editora Kadokawa começou a publicar um mangá baseado no livro A Guerra Não Tem Rosto de Mulher, lançado em 1985 por Svetlana Alexievich, jornalista bielorrussa que ganhou um Prêmio Nobel da Literatura em 2015. O livro saiu, primeiramente, na União Soviética, em russo (a tradução brasileira só saiu em 2016), vendendo mais de 2 milhões de cópias mundialmente.

Intitulado no Japão Sensou wa Onna no Kao wo Shiteinai, o mangá assinado por Keito Koume já teve 3 volumes publicados, o mais recente saiu em março deste ano. Koume foi responsável pela adaptação em mangá de Spice and Wolf, novel de Isuna Hasekura. O primeiro volume havia vendido 100 mil cópias em junho de 2020.

A obra conta as experiências de mulheres soviéticas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), todas voluntárias a serviço do exército da URSS. Essas mulheres serviram como atiradoras, pilotas, enfermeiras, cirurgiãs, cozinheiras, lavandeiras – enfim, foram encarregadas de diversas ocupações no fronte ou suporte de guerra – cerca de 1 milhão de mulheres se alistaram. Svetlana começou a entrevistar veteranas de guerra em 1978, foram mais de 500 entrevistadas.

O mangá possui até um “comercial” de 14 minutos, com participação da atriz Yoko Hikasa (voz japonesa de Diana Cavendish em Little Witch Academia):

Segundo o editor Kentaro Ogino, a histórias dos livros são recheadas de informações desconhecidas pelos japoneses, que mudam a percepção deles sobre os conflitos.

As vendas aumentaram com a invasão russa na Ucrânia, e muitos leitors têm dado feedbacks sobre como a humanidade não mudou desde a campanha da União Soviética até hoje. Ogino ainda diz que os leitores chegam “verticalmente”: com pais recomendando aos filhos, ou vice-versa – o mais comum é que os novos leitores cheguem de forma “horizontal”, via amigos.

Imagem: Capa do primeiro volume com diversas mulheres soviéticas.
Capa do volume 1. | Divulgação: Kadokawa.

Sobre o interesse crescente durante o conflito na Ucrânia, o editor diz: “O livro foi criado para mostrar a guerra em um momento de paz, quando é difícil entender. É triste que esteja ganhando atenção assim agora. Não podemos mudar o passado, mas podemos agir no presente. Espero que o mangá traga os leitores à essa conclusão”.

Yoshiyuki Tomino, diretor do primeiro Mobile Suit Gundam, foi uma das pessoas impressionadas com a adaptação: “Nunca imaginei que alguém aceitaria um desafio desses”. Os dois primeiros capítulos do mangá estão disponíveis na ComicWalker (em japonês).


Fonte: Japan Times

Publicidade
close