imagem: capa do volume 2 de Spectreman

Resenha | Spectreman | Volume 2 (Pipoca & Nanquim)

A saga do herói gigante da Nebula 71 contra o maquiavélico Dr. Gori chega em sua segunda fase, com mais nove capítulos inéditos no Brasil.

Dominantes, às ordens!

A saga de Spectreman continua nas páginas de mangá. Os volumes da versão brasileira, que é atualmente publicada pela editora Pipoca & Nanquim, atingiram o topo dos mais vendidos da Amazon (enquanto eu escrevo, o volume 3 aparece com este destaque na categoria Ficção Científica em Mangá). Se você está interessado e ainda não adquiriu o primeiro volume, dá uma olhadinha nesta resenha.

Antes de prosseguirmos com a resenha sobre o segundo volume de Spectreman, eu lembro que a Pipoca & Nanquim manteve os nomes originais, para fidelizar o material originalmente publicado em 1971. Portanto, o mesmo acontece aqui neste texto (com os nomes adotados na dublagem clássica entre parênteses).

O segundo volume conta com mais nove aventuras, sendo que seis delas são divididas em duas partes cada. O primeiro capítulo deste volume é “Bakulah, o Monstro Cupim”, publicado na edição de junho de 1971 pela revista Bouken-ou (lançada originalmente em 6 de maio do mesmo ano).

Nota: As datas em parênteses são referentes aos lançamentos originais das edições, que aconteciam cerca de um mês antes – por algum motivo, a nomenclatura das revistas (“edição de junho”, ou “edição do sexto mês”) é adiantada em relação à data de lançamento: a edição “de junho” sai em maio. Tais detalhes são importantes para a conexão com as datas de exibição dos episódios da série de TV.

Bakulah apareceu na série televisiva de Spectreman nos episódios 19 e 20 – exibidos pela Fuji TV em 8 e 15 de maio de 1971, respectivamente – que formavam o arco O Ninho dos Monstros. Conhecido pelo seu único grande olho, ele tem a capacidade de sugar o sangue das pessoas que moravam numa casa recém-construída.

O mesmo acontece no mangá, que apresenta uma cena inédita e surpreendente para os padrões da época, além de um desfecho mais doloroso para o monstro. Assim como no arco apresentado na TV, este capítulo faz referência ao Monte Fuji, que tinha o status de vulcão inativo – hoje é considerado ativo e de baixo risco. Sua última erupção aconteceu em 1707.

Imagem: Capa do segundo título da série.
Ilustração com o segundo título da série, chamada provisoriamente como Gori, o Simioide Espacial versus Spectreman | Foto: Lídia Rayanne

Em 22 de maio de 1971, a série de TV, que era atendida pelo título Gori, o Simioide Espacial (Uchuu Enjin Gori), passava a ser chamada de Gori, o Simioide Espacial versus Spectreman (Uchuu Enjin Gori tai Spectroman) – ficando assim até o episódio 39. O mesmo também acontecia na versão quadrinizada.

O segundo capítulo desde volume foi o primeiro a apresentar o então novo nome da série. “Guilaguind, o Monstro Broca, e o Alienígena Zunoh, o Monstro do Corpo Celeste” é divido em duas partes, publicadas nas edições 25 e 26 da revista semanal Shounen Champion de 14 e 21 de junho de 1971, respectivamente (lançadas originalmente em 18 e 25 de maio do mesmo ano).

Guilaguind (Telescópus) e Alien Zunoh (Zunon) são monstros do arco Contatos Imediatos do 4º Grau, formado pelos episódios 21 e 22 da série de TV (justamente os dois primeiros a apresentar o segundo título). Dr. Gori tenta bolar um plano infalível para derrotar nosso herói, mas sua primeira tentativa deu errado com a aparente derrota de Guilaguind.

Só que Gori percebe que a batalha sofreu interferência por causa de um disco voador, que caiu em nosso planeta (e justamente no Japão, pra variar). Quem estava a bordo era o Alien Zunoh, que une forças com os Simioides para acabar com Spectreman.

Vale notar que os monstros do capítulo duplo aparecem no mangá com um visual bem mais convincente e assustador, ao contrario do que é visto na TV – com visuais um tanto, digamos, “fofinhos”. Aqui não tivemos a dancinha do Guilaguind, que lhe servia como aquecimento antes de ele lutar. E Zunoh teve certo peso para a conclusão do capítulo.

Curiosamente, a abertura da parte 2 (na página 95) é uma reprodução (scanner) da revista Shounen Champion, pois a arte original se perdeu. Por isso aparecem textos de chamada. Compreensível e não é nada que estrague a diversão.

Imagem: Dois monstrengo brigando.
A página 10 deste volume é a preferida do saudoso Daiji Kazumine, que fez questão de que fosse colorizada | Foto: Lídia Rayanne

Outra curiosidade, uma observação cronológica, é que o título brasileiro do arco duplo visto na série de TV, mencionado acima, é uma clara referência ao filme Contatos Imediatos do Terceiro Grau, clássico de 1977 dirigido por Steven Spielberg.

Como Spectreman estreou no Brasil em 1980 pela TVS do Rio de Janeiro (atual SBT Rio) e Contatos Imediatos do Terceiro Grau nos cinemas brasileiros em 1978, a série não teve inspiração no filme que seria lançado seis anos depois.

Vale lembrar que a versão brasileira da série teve como base a matriz da versão americana, de 1978. O título em inglês dos episódios 21 e 22 de Spectreman era simplesmente Visitor from Zunoh.

Voltando ao mangá, seguimos com o capítulo duplo “Sandlah, o Monstro da Imaginação”, publicado nas edições 27 e 28 da revista semanal Shounen Champion, de 28 de junho e 5 de julho de 1971, respectivamente (lançadas em 1º e 8 de junho do mesmo ano).

Sandlah é mais um monstro que aparece somente no mangá e o capítulo gira em torno de um fenômeno onde um prédio desaparece gradualmente. Jouji Gamou (Kenji), Koga (Kato), Chefe Kurata e mais alguns funcionários do edifício caem misteriosamente em um deserto.

Lá eles são surpreendidos pelo monstro gigante, mas Spectreman aparece misteriosamente. Sendo que Jouji é o alter ego do herói (ou melhor, o disfarce humano do androide) e ele não havia solicitado à Nebula 71 (a voz dos Dominantes) para se transformar.

Nesta aventura numa “terra de ninguém”, nas palavras de Gori, o vilão começa a suspeitar que Spectreman esteja ligado, de alguma forma, à Secretaria de Controle de Poluição da Metrópole de Tóquio (Laboratório de Pesquisa da Poluição).

Considerando a produção limitada da extinta P-Production, talvez um deserto não fosse uma locação cara para a produção, mas vemos a liberdade criativa fluir no mangá, como nas cenas onde o prédio desaparece. É praticamente inimaginável para uma série de TV de 1971. E mesmo que o prédio desaparecesse na maquete de forma ligeira, não teria como encaixar a corrida contra o tempo para salvar as pessoas. Ah, sem contar que um ferimento do herói não seria melhor representado além do mangá – sem desmerecer os méritos da produção de TV, é claro.

Chama atenção o fato de Jouji estar no mesmo local onde aparece um suposto Spectreman. Este é um dos capítulos mais legais até aqui, cheio de mistérios e colocando em risco a identidade secreta do herói.

Imgem: Um monstro humanoid com mãos de foice.
O monstro Kumaniklas ataca o trânsito da cidade | Foto: Lídia Rayanne

Baseado no arco O Vingador, episódios 23 e 24 da TV, o capítulo “Kurmaniklas, o Monstro do Acidente de Trânsito” foi publicado na edição de julho de 1971 da revista Bouken-ou (lançada em 5 de junho do mesmo ano). O nome do monstro (chamado de Semáforo na dublagem brasileira) é uma junção das palavras japonesas kuruma (carro) e nikui (odeio).

Tudo começa quando Katsuo, um garoto que é aficionado por monstros gigantes, atravessa a faixa de pedestres e é atropelado por um motorista irresponsável, que foge do local.

Katsuo fica em coma e enquanto isso surge Kurmaniklas para amaçar os meios de transporte. Pra complicar ainda mais a situação, aparece também o monstro gigante Balonsaurus (Balu). Tanto o atropelamento do garoto quanto o ataque das criaturas estão ligadas misteriosamente.

A versão do Balonsaurus no mangá é parecida com o monstro Bargodon, que aparece em Jaguar Man, uma série tokusatsu da P-Production, de 1967, que jamais passou de seu episódio piloto. O Balonsaurus da TV foi uma reciclagem do traje de Bargodon, mas todo refeito.

O final do capítulo foi parecido com o que vimos na TV, mas com um toque a mais de dramaticidade – ou melhor, de uma cena que deu mais sentido ainda ao tema sobre responsabilidade no trânsito.

Baseado no arco Uma Arma para Spectreman, episódios 25 e 26 da TV, o capítulo duplo Satan King, o Monstro do Meteorito foi publicado nas edições 29 e 30 da Shounen Champion, de 12 e 19 de julho de 1971 (lançadas em 15 e 22 de junho do mesmo ano), respectivamente.

Oriundo do Planeta do Diabo, Satan King (Belzebu) foi convocado por Dr. Gori para derrotar de vez o herói gigante. Enquanto isso, Jouji e Mineko Tachibana (Chieko) presenciam a queda de um meteorito, algo que chama atenção do monstro Maglar (Dinossauro) por uma razão específica.

Imagem: O personafgem ganhando a Spectregun.
Nebula 71 envia a arma Spectre Gun para o nosso herói | Foto: Lídia Rayanne

A versão televisiva de Satan King recebeu um brilhante apetrecho vermelho em sua cabeça, indicando sua força bruta. Já no mangá, ele não precisa disso e basta manifestar as chamas que saem do próprio corpo para representar sua força como um “Rei Escolhido pelo Diabo”.

Spectreman utiliza a arma Spectre Gun, que, na TV, foi usada apenas no episódio 26.

As edições 31 e 32 da Shounen Champion, de 26 de julho e 2 de agosto de 1971 (lançadas em 29 de junho e 6 de julho do mesmo ano), respectivamente, apresentava o capítulo duplo “Mammothlah, o Monstro Explosivo”.

Mammothlah é mais um monstro exclusivo do mangá e gira em torno de um explosivo, criado pelo Dr. Ookouchi e equivalente ao poder de uma bomba atômica, que é roubado por Lah (Karas), o fiel escudeiro de Gori.

A pretensão do cientista do mal é despertar Mammothlah, que está confinado em uma prisão de gelo e usá-lo para riscar Tóquio do mapa.

O capítulo equilibra o drama e boas doses de humor, mostrando Jouji se esbarrando acidentalmente em Mineko por várias vezes. Só que isso não foi a toa como parece ser até determinado ponto.

“Salamander, o Monstro Lendário”, capítulo único baseado no arco Fúria Cega, episódios 28 e 29 da série de TV, foi publicado na edição de agosto de 1971 da revista Bouken-ou (lançada em 6 de julho do mesmo ano).

Jouji e Mineko investigam o caso de uma gigantesca salamandra que devora as pessoas e é tida como uma lenda na vila de Ryugamine. Durante a batalha contra Salamander (Salamandar), Spectreman perde a visão e precisa encontrar um meio para derrotá-lo. Algumas situações foram adaptadas para a versão quadrinizada, mostrando também uma rara cena de fúria de Jouji.

Em “Zariganindo, o Monstro Crustáceo, e Spin Cobra, o Monstro das Algas”, capítulo duplo publicado nas edições 33 e 34 da Shounen Champion, de 9 e 16 de agosto de 1971 (lançadas em 13 e 20 de julho do mesmo ano), respectivamente, vemos Spectreman ser encurralado por dois monstros gigantes. Dr. Gori cria um plano para decepar os dois braços do herói, a fim de impedi-lo definitivamente de usar o ataques como Spectre-Flash.

A trama é baseada no arco O Mistério dos Ovos Gigantes, mas segue um caminho diferente dos episódios 30 e 31 da série televisiva, que focaram no roubo dos ovos de Zariganindo (Paguróide) por parte de humanos. No mangá, há uma trama paralela entre um garoto que sofre bullying e se que torna essencial para o desfecho da luta do herói contra Zariganindo e Spin Cobra (Laminarium).

Imagem: Personagem em roupa civil, sendo atacado por cachorro agora mutado.
Monstro exclusivo da versão quadrinizada, Kennelah, que outrora era um cachorro, ataca seu dono | Foto: Lídia Rayanne

O segundo volume encerra com o capítulo duplo “Kennelah, o Monstro Canino”, publicado nas edições 35 e 36 da Shounen Champion, de 23 e 30 de agosto de 1971 (lançadas em 27 de julho e 3 de agosto do mesmo ano), respectivamente.

Gori transforma John, um cão de estimação, em um monstro gigante e os laços de amizade entre ele e o seu dono, o garoto Eiichi, são testados. Embora o capítulo seja exclusivo do mangá, os episódios 48 e 49 da TV, que formavam o arco O Preço do Gênio – exibido originalmente em 27 de novembro e 4 de dezembro de 1971 pela Fuji TV, apareceu um monstro canino.

O Preço do Gênio foi inspirado no romance Flores para Algernon, de Daniel Keyes (saiba mais aqui). Como este capítulo do mangá foi publicado meses antes do episódio duplo, não há ligação direta entre Kennelah e o livro de 1959.

Os extras do segundo volume de Spectreman seguem o mesmo padrão do primeiro, incluindo outras raridades na bibliografa visual, comentários sobre cada capítulo, além da continuação da enciclopédia de monstros da série tokustasu – do episódio 19 até o final.

A edição também reúne as capas dos sete volumes da série de mangá (com suas respectivas datas de lançamento), publicados na Sunday Comics, da editora Akita Shoten, que serviu de base para esta versão brasileira.

E fechando com chave de ouro, temos mais uma parte da entrevista com o magaká Daiji Kazumine (1935~2020), concedida em 2018. Lá ele comenta sobre as diferenças entre as publicações e os episódios da TV e como criou seu próprio método de escrever as histórias do herói.

Estamos na metade das aventuras nas páginas dos quadrinhos e com aquela sensação nostálgica dos velhos tempos. Continue a defender a Terra da poluição e das garras de Dr. Gori! Avante… Spectreman… man… man… man… man…!

Continua no próximo volume.

 

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